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A evolução do Ideb nacional entre 2005 e 2013

No documento luisantoniofajardopontes (páginas 127-140)

5. O ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA (IDEB):

5.3. O comportamento do Ideb no Brasil

5.3.1. A evolução do Ideb nacional entre 2005 e 2013

A tabela a seguir apresenta os valores reais do Ideb em termos nacionais por rede de ensino, para cada ano de sua série histórica, bem como suas respectivas metas projetadas pelo MEC, e também as diferenças entre aquilo que se previu e o que se alcançou. A série termina com os valores do ano de 2013, que, conforme já se especificou, são os mais atuais disponíveis no momento de realização deste trabalho. Por outro lado, cabe observar que, naturalmente, não há metas previstas para 2005, que foi o primeiro ano desta série histórica.

Um ponto que logo se observa, ao se examinar um pouco mais atentamente esta tabela, é uma considerável superioridade dos valores dos índices da rede particular em relação aos da rede pública, e também ao total das redes. Por outro lado, essa proximidade entre os valores totais e os da rede pública, naturalmente se deve ao fato de que esta última concentra a grande maioria da população atendida pela escolarização básica no Brasil. Já em relação às diferenças entre o desempenho real e as metas projetadas, é possível perceber alguns pontos de interesse, que se manifestam quando se faz uma análise ao longo das redes de ensino e também das séries de escolarização.

Em termos das séries ou anos de escolarização – 5, 9 ou 12 –, salta aos olhos o fato de que o desempenho geral diminui consideravelmente com o avanço das séries. Ou, dito de outro modo, o desempenho nacional é maior no 5º ano do Ensino Fundamental, onde as diferenças entre os valores reais do Ideb e suas respectivas metas projetadas tendem a assumir valores significativamente maiores do que zero, indicando que tais metas estão sendo atingidas ou superadas. Já no 9º ano EF, embora as diferenças continuem positivas, elas decrescem consideravelmente, até diminuírem ainda mais no final do Ensino Médio.

Já do ponto de vista das redes de ensino, observa-se a ocorrência de um progresso maior nas escolas públicas – e, por conseguinte, também no total – em comparação com a rede particular. Muito provavelmente, ocorre aqui um certo efeito-teto, pelo qual fica consideravelmente mais difícil para a rede particular crescer no mesmo ritmo da pública. E tanto isso é verdade que a rede particular somente conseguiu superar suas respectivas metas para as projeções iniciais em 2007 e, ocasionalmente, em 2009. Depois disso, seu desempenho tem, geral e sistematicamente, ficado aquém do esperado. Por outro lado, a rede pública e a total têm experimentado avanços mais significativos, muito embora sua situação atual não seja muito confortável, devido ao fato de que, no início de suas respectivas séries, os valores de partida eram consideravelmente baixos.

Tabela 5.1: Valores reais e metas projetadas do Ideb nacional por rede de ensino e série, e as diferenças entre eles

Fonte: MEC, 2014

O que acaba de se comentar sobre os valores reais e projetados do Ideb pode ser ilustrado nos três gráficos que se seguem, que representam cada uma das séries estudadas. No primeiro deles, referente ao 5º ano EF, é possível visualizar tanto o aumento progressivo dos valores desse índice com o progresso da série temporal, como também o fato de que os valores reais tendem a ser maiores do que suas respectivas metas projetadas. Este último ponto se traduz nas menores alturas das colunas de número par – 2, 4 e 6, correspondentes às metas projetadas –, que tendem a ser sistematicamente mais baixas do que as colunas de número ímpar imediatamente anteriores: 1, 3 e 5 –, as quais correspondem aos respectivos valores reais obtidos pelas diferentes redes.

Gráfico 5.2: Valores reais e metas projetadas do Ideb nacional por rede de ensino, e as diferenças entre eles, para o 5º ano EF.

Fonte: MEC, 2014.

Já no gráfico que se segue, referente ao 9º EF, percebe-se que, embora um certo progresso temporal ainda exista, a tendência de elevação do Ideb é bem menos acentuada do que no caso anterior. Por exemplo, enquanto que antes, o Ideb total do 5º ano EF aproximava- se de 5 em 2013, agora, no 9º ano EF, ele se aproxima de 4. Além disso, também se observa que a tendência de crescimento do Ideb na rede particular é consideravelmente menor que na pública, conforme já se comentou anteriormente.

Gráfico 5.3: Valores reais e metas projetadas do Ideb nacional por rede de ensino, e as diferenças entre eles, para o 9º ano EF.

Porém, é no final do Ensino Médio que os resultados tornam-se ainda mais desanimadores. Pode-se observar, no gráfico para esta etapa de escolarização, que as séries temporais, que já começam bem baixo em 2005, apresentam uma subida extremamente débil no caso das redes pública e total, fazendo com que, em 2013, último ano da série, seus valores ainda se encontrem na casa dos 3 pontos. E, na rede particular, o Ideb real praticamente se estaciona ao longo de toda a série, ocasionando um “descolamento” entre os valores reais e as respectivas metas projetadas, que se acentua em 2013, último ano desta série, e que provavelmente continuará ou mesmo aumentará futuramente, caso essa tendência se conserve.

Gráfico 5.4: Valores reais e metas projetadas do Ideb nacional por rede de ensino, e as diferenças entre eles, para o 3º ano EM.

Fonte: MEC, 2014.

A catástrofe do Ideb no bicentenário da Independência

Como já se comentou, em 2022, o Brasil comemorará os duzentos anos de sua emancipação política de Portugal. Tal fato serviu, em 2005, como um componente simbólico de motivação para se traçarem metas para o Ideb de modo que o país alcançasse, no bicentenário da Independência, uma espécie de valor médio para esse índice de qualidade educacional que hipoteticamente seria encontrado em um país “desenvolvido” da OCDE, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos, um organismo internacional congregando algumas dezenas de países situados consideravelmente acima da média mundial em termos de desenvolvimento econômico, social e humano. E assim, chegou-

se à conclusão de que essa meta nacional brasileira do Ideb para 2021 deveria ser igual a seis pontos na escala do índice, que teoricamente varia entre 0 e 10.

Porém, caso se mantenham as tendências do Ideb até o bicentenário da independência do Brasil – por nós calculadas por meio de uma regressão linear clássica envolvendo os valores reais desse índice entre 2005 e 2013 –, o cenário educacional que o país viverá naquela ocasião provavelmente não dará motivos para grandes comemorações... Com efeito, é possível perceber, analisando o comportamento do Ideb ao longo da série histórica já existente, que apenas no 5º do Ensino Fundamental, os resultados são promissores. Nas demais séries, e também na rede particular de modo geral, as previsões são de uma certa “estagnação” do índice em questão.

No caso do Ensino Médio, por exemplo, observa-se que o Ideb da rede particular simplesmente não apresenta previsão de crescimento, fazendo com que o “descolamento” entre os valores previstos pela tendência real e aqueles projetados como metas só faz aumentar à medida que os anos passam. E, também no Ensino Médio no nível nacional, observa-se que, sem exceção, as previsões apontam apenas para casos em que as metas não conseguirão ser cumpridas, independentemente das redes. Também se observa que tais efeitos provavelmente se intensificarão já a partir de 2015 (cujos resultados serão divulgados em 2016), sendo que, em muitos casos, esse mesmo problema corresponde a uma continuação daquilo que, de fato, já ocorreu em 2013. A tabela e os três gráficos a seguir ilustram essas informações.

Tabela 5.2: Tendências de crescimento e metas projetadas do Ideb nacional por rede de ensino e série, e as diferenças entre elas.

Fonte: MEC, 2014

Gráfico 5.5: Tendências de crescimento e metas projetadas do Ideb nacional por rede de ensino, e as diferenças entre elas, para o 5º ano EF, para o período entre 2015 e 2021.

Fonte: MEC, 2014.

Gráfico 5.6: Tendências de crescimento e metas projetadas do Ideb nacional por rede de ensino, e as diferenças entre elas, para o 9º ano EF, para o período entre 2015 e 2021.

Gráfico 5.7: Tendências de crescimento e metas projetadas do Ideb nacional por rede de ensino, e as diferenças entre elas, para o 3º ano EF, para o período entre 2015 e 2021.

Fonte: MEC, 2014.

5.4. O IDEB EM MINAS GERAIS

A tabela e os três gráficos a seguir apresentam dados referentes à evolução do Ideb por rede de ensino, ao longo de toda a sua série histórica disponível até o presente momento, especificamente para o estado de Minas Gerais.

Da mesma forma que se passou com o Brasil como um todo, também é possível perceber, no caso mineiro, muito do comportamento anteriormente observado para a situação nacional. Um desses aspectos é uma superioridade dos resultados da rede particular em relação à pública e à total, bem como um decréscimo do desempenho no Ideb à medida que se aumentam os níveis de escolarização, fazendo com que tais resultados sejam maiores no 5º ano EF e consideravelmente baixos no outro extremo, correspondente ao 3º ano EM.

Um aspecto de particular interesse no caso mineiro é o que ocorre com o 9º ano do Ensino Fundamental, particularmente no que diz respeito às diferenças entre as redes. No caso público, e também no total, percebe-se uma elevação do Ideb, que faz com que, para ambas

essas formas de agregação, os resultados delineiam um quadro “otimista”, pelo qual os valores reais do Ideb situam-se sistematicamente acima de suas metas, durante o período considerado (entre 2007 e 2013). Além disso, a tendência mostrada pelos gráficos também aponta para o fato de que, para o estado como um todo, e também especialmente para a rede pública, provavelmente as metas do Ideb do 9º ano EF serão atingidas em 2021. Entretanto, por outro lado, nada disso parece se verificar com relação à rede particular, onde não somente os valores reais têm sistematicamente ficado abaixo das metas, como também, nas avaliações futuras até 2021, as previsões são ainda mais pessimistas, sugerindo a possível ocorrência de uma crescente defasagem entre as metas projetadas e o desempenho real desta rede.

Tabela 5.3: Valores reais e metas projetadas do Ideb em MG por rede de ensino e série, e as diferenças entre eles.

Gráfico 5.8: Valores reais e metas projetadas do Ideb de MG por rede de ensino, e as diferenças entre eles, para o 5º ano EF. Fonte: MEC, 2014.

Gráfico 5.9: Valores reais e metas projetadas do Ideb de MG por rede de ensino, e as diferenças entre eles, para o 9º ano EF. Fonte: MEC, 2014.

Gráfico 5.10: Valores reais e metas projetadas do Ideb de MG por rede de ensino, e as diferenças entre eles, para o 3º ano EM. Fonte: MEC, 2014.

5.4.1. Perspectivas do cumprimento das metas do Ideb em Minas Gerais

A tabela e os três gráficos a seguir apresentam as metas projetadas para o Ideb em Minas Gerais num futuro próximo (entre 2015 e 2021), lado a lado com as tendências estimadas – igualmente por nós obtidas por meio de uma regressão linear clássica – para esses índices com base nas séries históricas já coletadas (entre 2005 e 2013). Analogamente ao caso geral brasileiro, também em Minas Gerais se observa um sucesso maior do Ideb no 5º ano EF, e igualmente um bom desempenho geral no 9º ano dessa mesma etapa (porém já não acompanhado de um resultado adequado na rede particular de ensino). E, da mesma forma que no caso nacional, um grande problema do Ideb mineiro relaciona-se ao 3º ano do Ensino Médio, cujo desempenho parece estagnado, e não dá mostras de que será alto o suficiente para cumprir as metas futuras até 2021 ou depois.

Tabela 5.4: Tendências de crescimento e metas projetadas do Ideb de MG por rede de ensino e série, e as diferenças entre elas.

Fonte: MEC, 2014.

Gráfico 5.11: Tendências de crescimento e metas projetadas do Ideb de MG por rede de ensino, e as diferenças entre elas, para o 5º ano EF, para o período entre 2015 e 2021. Fonte: MEC, 2014.

Gráfico 5.12: Tendências de crescimento e metas projetadas do Ideb de MG por rede de ensino, e as diferenças entre elas, para o 9º ano EF, para o período entre 2015 e 2021. Fonte: MEC, 2014.

Gráfico 5.13: Tendências de crescimento e metas projetadas do Ideb de MG por rede de ensino, e as diferenças entre elas, para o 3º ano EM, para o período entre 2015 e 2021. Fonte: MEC, 2014.

6. A APLICAÇÃO DE MODELOS LINEARES HIERÁRQUICOS COMO UM MECANISMO DE APERFEIÇOAMENTO DAS METAS DO IDEB

6.1. INTRODUÇÃO

No capítulo anterior, vimos como o Ideb vem se comportando, tanto em termos nacionais, como no caso específico do Estado de Minas Gerais. Entretanto, uma questão que os dados mostrados até aqui não abordam diretamente é um problema de grande interesse para muitos atores envolvidos neste processo, qual seja, o cumprimento das metas desse índice, não do ponto de vista global, como os agregados nacionalmente ou por estado, mas sim por parte das diferentes instituições educacionais por ele avaliadas, ou seja, das escolas envolvidas nesse processo.

Conforme se tornará explícito em partes posteriores deste trabalho, será utilizada uma metodologia estatística específica para lidar com o problema da determinação das metas para cada escola mineira avaliada, tanto pela Prova Brasil quanto pelo SIMAVE, e que tem a potencialidade de gerar resultados mais acurados e razoáveis do que em muitos casos se vêm observando na experiência real com esse índice. O método estatístico aqui empregado é a chamada modelagem linear hierárquica (hierarquical linear modelling, ou HLM, no inglês original) e, mais especificamente, sua versão especialmente concebida para estudos longitudinais, que considerem a escola e suas múltiplas testagens como objeto de análise (MENARD, 2002).

Portanto, neste ponto, faz-se necessário tecer algumas considerações que justifiquem o emprego desta metodologia para tal propósito. E começar-se-á abordando este tópico por meio de uma breve, porém concisa, exposição acerca das limitações dos métodos clássicos de testagem de hipóteses, que aqui são preteridos em favor do HLM.

No documento luisantoniofajardopontes (páginas 127-140)