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Um indicador unificado de desempenho

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4. A EFICÁCIA DAS ESCOLAS PÚBLICAS DO SIMAVE: UMA PROPOSTA DE

4.6. Um indicador unificado de desempenho

Com base nos índices de status e de progresso obtidos para as escolas do SIMAVE, foi então possível obter um índice único de eficácia escolar, correspondente ao produto dos dois primeiros dividido por 10, para ser expresso também em uma escala de 0 a 10:

Itotal = Istatus * Iprogresso /10

O gráfico e a tabela a seguir fornecem alguns dos principais aspectos da distribuição deste novo índice. Observa-se que o histograma possui uma acentuada simetria e também tem seu centro quase coincidente com o meio exato de 5 da escala. Entretanto, os valores práticos não se estendem até os limites de 0 a 10, situando-se antes, entre 2 e 7,5. Esse certo distanciamento entre os valores extremos práticos e os limites teóricos, no entanto, não chega a ser surpreendente. Isto porque, na prática, seria – e é – extremamente difícil obter simultânea e consistentemente medidas muito altas de status e de progresso. Tal fato ocorre porque, naturalmente, estas duas variáveis tendem a se desenvolver no sentido inverso uma da outra: uma escola com um baixo status de proficiência tem muito teto para crescer, ao contrário de outra que já vem apresentando níveis elevados de desempenho.

Portanto, é relevante observar que esse índice total de desempenho precisa ser visto de um modo diferente da interpretação dada separadamente aos índices de status e de progresso, antes tratados. Nestes dois últimos casos, de fato, valores pequenos ou moderados dos índices traduziam corretamente a ideia de que, ao menos no que diz respeito àquilo que tais indicadores mediam, era, sim, possível, dizer que faltava eficácia às escolas portadoras de resultados pouco lustrosos. Já no caso do índice total, um valor moderado pode ser obtido por uma escola, digamos, com um desempenho em status consistentemente muito bom ou mesmo excepcional, mas que, no entanto, não tem muito teto para aumentar essas medidas. E, dessa

forma, em seu índice total, essa escola perde terreno quando sua elevada média de status é multiplicada pela relativamente baixa taxa de progresso anual, resultando assim em um produto, ou índice total, não muito elevado.

Ainda assim, também é possível encontrar elevados valores de índice total, indicando casos de escolas que, não somente estão conseguindo bons níveis de status de proficiência, como também encontram-se melhorando ainda mais esse processo ao longo do tempo. Mas, por outro lado, também existem os casos de escolas que, como se não bastassem os desempenhos ruins que vêm apresentando em termos de status, ainda encontram-se com sua proficiência média estagnada ou, num possível cenário ainda pior, diminuindo ao longo do tempo.

Tabela 4.21: Estatísticas descritivas básicas do índice total de desempenho (status mais progresso) na série histórica do SIMAVE (2000 – 2011), com ponderação pelo número médio de alunos avaliados.

N 3811,0 Média 5,2 DP 0,6 Mínimo 2,0 Máximo 7,5 1º quartil 4,9 Mediana 5,3 3º quartil 5,6

Gráfico 4.15: A distribuição do índice total de desempenho (status mais progresso) na série histórica do SIMAVE (2000 – 2011), sem ponderação pelo número médio de alunos avaliados.

4.6.1. As escolas nas extremidades do índice total de desenvolvimento

Em geral, as escolas que obtiveram os maiores índices totais de desenvolvimento apresentam um comportamento que, simultaneamente, é semelhante ao já descrito para dois grupos: o das escolas com elevadas taxas de status, e também o daquelas que apresentam altas taxas de progresso. E algo análogo também se passa em relação às escolas no outro extremo dessa medida, ou seja, naquelas com os piores índices de desenvolvimento total.

Em decorrência disso, para evitarmos certa repetitividade, não apresentaremos aqui os mesmos tipos de análises já realizadas quando discorremos sobre o comportamento dos índices anteriores. Não obstante, a fim de traçarmos um perfil um pouco mais fiel das escolas que se encontram nesses extremos de desempenho, forneceremos aqui algumas informações específicas sobre elas, como as listas daquelas com os 30 maiores ou menores índices, bem como uma descrição rápida dos resultados da clusterização das escolas com os melhores e os piores resultados.

Nesse sentido, a Tabela 4.22, a seguir, detalha as 30 escolas com os maiores índices médios totais de desenvolvimento. Examinando essa tabela, é possível perceber algumas características marcantes desse conjunto. Uma delas é o fato de sua grande maioria ser municipal (25 das 30 escolas consideradas). Além disso, em termos do índice socioeconômico, elas se situam aproximadamente próximas da grande média estadual. Outra característica marcante é o pequeno tamanho dessas escolas: 24 delas, ou 80%, têm menos que 50 alunos em média avaliados a cada ano, evidenciando, assim, o fato de que elas, em grande parte, são formadas apenas de uma turma na série em questão.

Este último fato, por sua vez, leva-nos a fazer, ao menos, duas conjeturas mutuamente excludentes que mereceriam uma investigação mais cuidadosa posteriormente, talvez a ser levada a cabo pelos gestores interessados neste sistema. Uma delas se refere a uma possível maior facilidade, por parte das escolas menores, implementar com sucesso processos de aumento ou manutenção de altos índices de qualidade educacional. Como se trata de escolas muito pequenas, talvez esse menor tamanho facilite, por exemplo, as atividades de implementação de programas e monitoramento dos mesmos por parte da gestão escolar. Ou talvez, nesses casos, também haja um clima mais favorável para um maior engajamento de professores e da comunidade nos processos de desenvolvimento escolar.

Por outro lado, uma conjetura oposta, que muito provavelmente não se aplica a todos os casos de desempenho excepcional, mas que talvez se verifique com algumas dessas escolas, seja a presença pura e simples de situações de fraudes nas avaliações... Nesse sentido,

uma ideia razoável que os sistemas educacionais talvez devessem implementar, poderia ser uma espécie de auditoria, pela qual, posteriormente à obtenção e mesmo divulgação dos resultados, houvesse pelo menos uma seleção aleatória de escolas a serem observadas mais atentamente, com o objetivo de se comprovar – ou não – a plausibilidade das situações de aprendizagem nelas mensuradas através dos testes. E tal prática teria o duplo benefício de, por um lado, vir a detectar casos genuínos de excelência educacional – que poderiam ser então devidamente divulgados e talvez replicados em outros contextos –, como também, ao mesmo tempo, funcionaria como uma freio às possíveis tentativas ou ameaças de fraude nessas avaliações, problema que, inclusive, caso venha a existir, tem a preocupante capacidade de destruir a própria credibilidade do sistema avaliativo.

Tabela 4.22: As 30 escolas com os maiores índices totais de desenvolvimento (status e progresso combinados) na série histórica do SIMAVE (2000 – 2011)

POS. ÍND_TOTAL ESCOLA REDE MUNICÍPIO N_AL. ISE

1 7,5 EM VICENTINA DE ABREU SILVA M LAVRAS 11 -0,4

2 7,3

C EDUC MUN PROF ALC. R

PEREIRA M ITABIRITO 106 0,5 3 7,3 EM ANTONIO FONSECA LEAL M TRES MARIAS 86 0,4 4 7,3 EM MARIA CAPRONI DE OLIVEIRA M CARVALHOPOLIS 46 0,3 5 7,3 EE PROF. HILDEBRANDO PONTES E UBERABA 19 0,3 6 7,2 EM PROFA ESMERALDA VIANNA M MURIAE 33 -0,2 7 7,2 EM ANTONIO MATIAS PEREIRA M COROMANDEL 24 -0,3 8 7,2 EM JOUBERT DE CARVALHO M UBERABA 34 0,3 9 7 EE MESTRA AURORA E CARBONITA 44 -0,3

10 7

EM PROFA HERMINIA

CORGOZINHO M DIVINOPOLIS 60 0,4

11 7

EM CEL FRANCISCO F DE

CARVALHO M OLIVEIRA FORTES 24 -0,2 12 6,9 EM JOSE PAULO DE AMORIM M PATOS DE MINAS 14 -0,1 13 6,9 EM ADAIR DE OLIVEIRA PINTO M QUARTEL GERAL 37 0,1

14 6,9

EM ANISIO ACELINO DE

ANDRADE M VIEIRAS 21 -0,2 15 6,9 EM SAO DOMINGOS M ST ANT AVENTUREIRO 18 -0,4 16 6,8 EM TOMAS ANTONIO GONZAGA M OURO PRETO 47 0,9 17 6,8 EM PROFA ROSAL. A. NOGUEIRA M SABARA 25 0,3 18 6,8 EE SORAMA G. RICHARD XAVIER E BIQUINHAS 32 0 19 6,8 EM PROFA. GENI CHAVES M UBERABA 23 0,2 20 6,8 EM PROFA NIC. BERNARDO M POCOS DE CALDAS 21 0,3 21 6,8 EM FREDERICO CAMPOS M CEDRO DO ABAETE 17 -0,2 22 6,8 EM JUSCELINO KUBITSCHEK M SANTANA DO DESERTO 30 0,1 23 6,8 EM DE AGUAS CLARAS M MARIANA 17 -0,4

24 6,7 EM JOSE EUSTAQUIO BORGES M JAPARAIBA 10 -0,1 25 6,7 EE ABNER AFONSO E PATOS DE MINAS 139 0,5

26 6,7 EM PE XISTO M BRUMADINHO 25 0,1 27 6,7 EM VILMA DE FARIA SILVA M IPATINGA 64 0,2 28 6,7 EE PE JOSE SENABRE E VESPASIANO 107 0,8 29 6,7 EM MARLON DOS REIS LOPES M STA BARBARA DO LESTE 31 -0,7 30 6,7 EM BARAO DO RIO BRANCO M SAO DOM. DAS DORES 40 -0,7

4.6.2. As escolas de menor índice total de desenvolvimento

As 30 escolas de pior desempenho total apresentam um perfil semelhante ao daquelas já apontadas como tendo as menores medidas de status e/ou progresso dos resultados. Observa-se que, inclusive, algumas delas já apareceram entre as de resultados mais fracos segundo um dos dois critérios anteriormente observados.

Dessa forma, uma parte significativa delas encontra-se nas áreas menos desenvolvidas dos estados, e também compõe-se de escolas menores e com baixas médias de índice socioeconômico de seus alunos.

Tabela 4.23: As 30 escolas com os menores índices totais de desenvolvimento (status e progresso combinados) na série histórica do SIMAVE (2000 – 2011)

POS. ÍND_TOTAL ESCOLA REDE MUNICÍPIO N_AL. ISE

-1 2 EM SUSSUARANA I M JANUARIA 18 -1,6 -2 2,6 EE MARIA DA GLORIA ASSUNCAO E RIBEIRAO DAS NEVES 72 0 -3 2,7 EE JOAO MARIANO RIBEIRO E CONC. MATO DENTRO 15 -0,7 -4 2,7 EM DE AREIAO M JANUARIA 25 -1,2 -5 2,9 EM DE VARGINHA M JANUARIA 14 -1,4 -6 3 EM FRANCISCO SOARES M PATIS 34 -0,8 -7 3 EM TOMAS GONZAGA M MIRAVANIA 23 -0,9 -8 3 EE CESARIO NUNES DOS SANTOS E BONITO DE MINAS 19 -1,6 -9 3 EM JOAO LOPES CORREA M CON. MARINHO 15 -1,2 -10 3,1 EE RUI BARBOSA E RUBELITA 16 -1,3 -11 3,2 EM OSORIO ALEIXO DA SILVA M BETIM 83 0,3 -12 3,2 EM FLORESTAN FERNANDES M BELO HORIZONTE 81 0,2 -13 3,2 EM IRMA MARIA GEMA M ARACUAI 20 -1,6 -14 3,2 EE MANOEL PEREIRA MAGALHAES E BONITO DE MINAS 18 -1,1

-15 3,2

EM SEBASTIAO FERREIRA DE

OLIVEIRA M BETIM 33 0,1 -16 3,3 EE ANALIA CARNEIRO DOS SANTOS E BURITIS 18 -0,3 -17 3,3 EE REPARATA DIAS DE OLIVEIRA E LAGOA SANTA 108 0,1 -18 3,3 EM SALGADO FILHO M BELO HORIZONTE 225 0,7 -19 3,3 EM DE BREJO GRANDE M S ANT DO RETIRO 25 -1,2

-20 3,4

EM JORNALISTA BICALHO

-21 3,4 EM N SRA DE FATIMA M UNAI 37 -0,5

-22 3,4 EM FERNANDO DIAS COSTA M BELO HORIZONTE 105 0 -23 3,4 EM WLADIMIR DE P. GOMES M BELO HORIZONTE 135 0,3 -24 3,4 EE IRMA ARCANGELA E TEOFILO OTONI 12 -0,2 -25 3,4 EE IONE SILVEIRA MENDES E MATO VERDE 73 -0,6 -26 3,4 EM PREF OSW. PIERUCCETTI M BELO HORIZONTE 43 0,1 -27 3,4 EM SAO VICENTE M ARACUAI 12 -1,1 -28 3,4 EM PRES RAUL SOARES M BETIM 162 0,5 -29 3,5 EM DE ARACA M JANUARIA 13 -1,3 -30 3,5 EE GILBERTO ALVES COUTINHO E VARZELANDIA 18 -0,7

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