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A expressividade do comportamento postural, expressa em variáveis

No documento Comportamento postural dinâmico (páginas 137-142)

Procedimentos metodológicos

Hipótese 2 A expressividade do comportamento postural, expressa em variáveis

estabilográficas (de critério), reflecte características diferenciadas, consoante o tipo específico de indução sensorial (prova)

Hipótese 3 – A expressividade do comportamento postural – variáveis estabilográficas

– manifesta características diferenciadas, quando se comparam indivíduos de várias modalidades.

3.3. Protocolo exprimental

De acordo com as questões fundamentais que originaram o presente estudo, a metodologia experimental foi desenvolvida em cumprimento de rigorosas exigências de sistematização, objectividade e precisão, fora das quais os resultados careceriam de significação precisa.

Neste sentido e a fim de prevenir eventuais distorções, foram estabelecidos, na planificação da experiência, vários requisitos essenciais.

3. 3.1. Normalização Ecológica

Os estímulos provocados pelo ambiente sobre o indivíduo dão origem a reacções externas e internas que podem provocar distorções susceptíveis de influenciar os resultados. Assim, procurámos dotar o laboratório onde se realizaram as provas com as seguintes condições de experimentação:

• Luminosidade

A luminosidade estava de acordo com o parecer técnico. Tendo em conta a proporcionalidade estabelecida entre a superfície do laboratório (113.4 m2) e a

quantidade de luxes debitados (350), a luminosidade respeitava os padrões normais para os espaços com tais funções.

• Obscuridade

A obscuridade foi completamente conseguida com o recurso a materiais sintéticos opacos, uma vez que o protocolo experimental previra a realização de provas na ausência total de luz.

• Temperatura

A zona de temperatura indiferente (zona térmica indiferente) foi definida por Schmidt como sendo a temperatura suficiente para assegurar o estado de naturalidade térmica ou de conforto térmico. Tanto acima como abaixo desta zona indiferente, instalam- se sensações permanentes de calor ou de frio, respectivamente, ainda que o organismo seja mantido em temperatura constante durante um período prolongado. A zona indiferente permanece entre os 28 e os 36°C (Schmidt, 1980).

Na verdade, as alterações na temperatura corporal afectam as estruturas celulares, os sistemas enzimáticos e numerosas reacções químicas e processos físicos. Neste sentido, e a fim de evitar quaisquer alterações nos resultados, procurámos manter a temperatura ambiente nos 28°C aproximadamente. O gradiente de temperatura, do centro (37ºC) para a pele (33°C) aproximadamente, é suficiente para assegurar o

• Som

As preocupações com eventuais estimulações sonoras foram, igualmente, previstas. O desenvolvimento do protocolo processou-se na ausência de ruídos ou de outros tipos de vibrações susceptíveis de afectar a concentração do sujeito.

3.3.2. - Normalização das Condições de Experiência

Este estudo implicou a sistematização de um conjunto de princípios, no sentido de uniformizar convenientemente os indivíduos, as situações, as condições da sua efectivação e, por conseguinte, a recolha dos dados. Estudos realizados em seres humanos, sobre uma série de funções psicológicas, Ayensu e Whitfield (1981) verificaram que níveis de vigilância, temperatura, frequência cardíaca, níveis de captação de oxigénio, motivação, deep- post-lunch e excreção urinária de potássio experimentam nítidas alterações rítmicas no decurso de um período de 24 horas. “Este fenómeno foi designado de ritmo circadiano e está, segundo estudos efectuados, associado com mudanças de performance. Em geral, a pior performance é observada na parte inicial da manhã” (Madeira, 1986).

Em consonância com estes factores, na normalização das condições de experiência:

- Foi respeitado um período de recuperação de aproximadamente 24 horas, entre o momento de recolha de dados e o último esforço dispendido pelos indivíduos em situação de treino, competição ou outras situações;

- Foram rejeitados os indivíduos que estavam inactivos há mais de dez dias;

- Foram excluídos os indivíduos que, no momento, se encontravam sobre a acção de fármacos, tabaco, ou perturbação emocional significativa;

- Foi usado um equipamento simples e uniformizado, constando unicamente de calção, camisola, de modo a obedecer a critérios uniformes de execução e registo;

- Todas as provas foram realizadas com os indivíduos descalços;

- As provas tiveram lugar no Laboratório de Psicofisiologia da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa, uma hora após a primeira refeição ligeira, correspondente à ementa do pequeno almoço servido no Centro de Estágio de Desportistas da Cruz Quebrada - Lisboa;

- A execução das provas processou-se a partir de uma posição base, invulgar, concebida, de modo a não privilegiar qualquer das modalidades em estudo;

3.3.3. Normalização dos Equipamentos

Com objectivo de manter uma calibração estabilizada dos equipamentos abaixo referidos, estes foram verificados previamente, antes de cada sessão, por técnicos especializados, de acordo com normas industriais estabelecidas para o seu funcionamento. Os equipamentos utilizados foram: a Plataforma de Estabilidade modelo 16020, três relógios “58007 stop clock”, um contador “58004 counter data recorder”, uma unidade marcadora de tempos “51012 interval end repeat timer” que constituem a plataforma de estabilidade modelo 16125 da Lafayette Instrument Company.

3.4. Provas

Partindo de algumas experiências conduzidas no âmbito da posturografia, uma diversidade de provas foram executadas com o objectivo de fazer a exploração funcional e concretizar o acesso às qualidades temporo-espaciais dos diferentes sistemas implicados na regulação do equilíbrio ortostático.

O estudo da função dos diversos sistemas que participam na manutenção e regulação do comportamento postural efectua-se, geralmente, fazendo incidir sobre esses sistemas diferentes factores, ou ainda a partir da eliminação da respectiva actividade (Madeira, 1986).

De facto, da harmoniosa e coerente diligência desses sistemas depende o adequado funcionamento dos reflexos da adaptação corporal. Pelo contrário, se uma qualquer desarmonia se instala, daí resultam alterações na dinâmica dos reflexos implicados na actividade tónico-postural e, como consequência, na própria capacidade adaptativa.

A título de exemplo, citaremos a exploração funcional do sistema postural, isto é, o levantamento das suas condições operativas e a clivagem dos seus défices - objectivo nuclear da posturografia - que é uma prática ainda recente, sem equivalência noutros espaços de estudo e investigação. Não são raros os casos, referidos na literatura, da ocorrência de fenómenos posturais patológicos, não obstante, previamente, terem percorrido uma diversificada coorte de especialidades médicas, tais como, neurologia, otoneurologia, cardiologia, imagiologia, reumatologia, apresentando invariavelmente, exames complementares negativos.

Em posturologia, no cumprimento destes propósitos, aplica-se um método de análise designado por Método das Variações Concomitantes cujo princípio reside na indução - “manipulação” - fragmentada ou interactiva das entradas - inputs - do sistema postural. Isto é, induzem-se variações de estimulação específica numa dada entrada e, concomitantemente, vão-se analisar os efeitos ao nível da saída – out put- utilizando, para esse efeito, as variáveis Posturográficas.

Retomando o método das variações concomitantes, e igualmente a título de exemplo, apresentamos uma listagem não exaustiva das manobras tendencialmente mais utilizadas na indução das entradas do sistema postural:

ENTRADA VISUAL

Olhos abertos / olhos fechados; Iluminação / obscuridade; Visão foveal (estabilização do campo visual) visão periférica; Mobilização do campo visual (variações de distância do alvo); Visão monocular/ binocular; (efeitos cineprismáticos; efeitos de anamorfose; efeitos de anisoforia espacial), etc. ENTRADA VESTIBULAR

Estimulação galvânico-labiríntica; Estimulação calórica; Estimulação mecânica (aceleração angular e linear).

ENTRADA PODAL

Apoio unipodal; Estimulação plantar diferenciada; Ângulos de abertura tíbio- társica; Esquémia / anestesia.

ENTRADA AUDITIVA

Gradientes de estimulação sonora. ENTRADA OCULOMOTORA

Movimentos de perseguição ocular; Movimentos de versão sustentados; Induções prismáticas; Vibrações músculo-tendinosas.

ENTRADA RAQUIDIANA

Posicionamentos cefálicos e dorso-lombares mantidos; Vibrações músculo- tendinosas nucais e dorso-lombares; Vibrações sinusoidais articulares; Estimulação trigeminal.

ENTRADA INESPECÍFICA

Variações dos níveis de vigilidade; Induções farmacológicas; Teste de Raven; Álcool / Abstinência; Fases de sono.

A experiência mostra que a utilização do método das variações concomitantes é extremamente útil, não obstante o seu aperfeiçoamento continuar a processar-se. Um primeiro passo já foi dado, graças à elaboração das tabelas de normalização respeitantes à definição dos limites das variações aleatórias entre dois registos sucessivos, que, no fundo, é a base essencial para a interpretação do posturograma.

3.4.1 - Critérios de Elaboração

O segundo critério impõe a necessidade de utilizar tarefas consideradas como habilidades fechadas, isto é, sujeitas a reduzida variação do envolvimento e marcadas por uma qualidade relativamente insignificante de incerteza.

O terceiro critério considera a conveniência de gerar situações invulgares, susceptíveis de criar condições de execução inabituais.

O quarto critério baseia-se na indispensabilidade de elaborar provas agradáveis, sem necessitarem de treino anterior, isentas de risco e/ou custos fisiológicos, e de fácil compreensão pelo indivíduo da amostra.

O quinto e último critério diz respeito à necessidade de harmonizar os objectivos do estudo com as disponibilidades humanas, económicas e institucionais ao nosso dispor.

3.4.2 - Definição das Provas

Explicitamos, seguidamente, a natureza das provas estabilográficas que integraram o protocolo experimental.

O conteúdo e a sequência, porque se encontram expostos, correspondem, rigorosamente, à forma como foram apresentados aos indivíduos da amostra.

Decorrentes dos critérios de elaboração referidos, todas as provas do protocolo foram efectuadas a partir duma Posição Base (posição ortostática): braços em extensão com apoio palmar numa trave colocada à altura do peito, pés afastados simetricamente e nivelados de modo a estabilizarem a plataforma numa posição de equilíbrio horizontal, olhando em frente um ponto luminoso fixo ou intermitente à altura dos olhos a uma distância de 0,75m (lâmpada de cor vermelha, 12 watts), (Madeira, F. 1986).

No documento Comportamento postural dinâmico (páginas 137-142)

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