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2. 5 Espécies de execução

4.1 A fase executiva na Lei 9.099/95 versus CPC

4.1.1 O cumprimento das obrigações de pagar

A teor do art. 52 da Lei 9.099/95, verifica-se que os seus três primeiros incisos não têm natureza executiva. O inciso I trata da determinação para que as sentenças sejam líquidas, o inciso II, da possibilidade de elaboração de cálculos pelo servidor judicial, e o inciso III, da intimação da sentença. Nos demais incisos, com exceção do V (que trata das obrigações de entregar, fazer e não fazer) e do VI (que cuida das obrigações de fazer), temos as regras aplicáveis à execução das obrigações de pagar quantia certa. Vejamos cada um desses dispositivos:

A Lei n.º 9.099/95 Ar. 52. (...)

IV – não cumprida voluntariamente a sentença transitada em julgado, e tendo havido solicitação do interessado, que poderá ser verbal, proceder-se-á desde logo à execução, dispensada nova citação;

Lei n.º 11.232/05

Art. 475-J. Caso o devedor, condenado ao pagamento de quantia certa ou já fixada em liquidação, não o efetue no prazo de quinze dias, o montante da condenação será acrescido de multa no percentual de dez por cento e, a requerimento do credor e observado o disposto no art. 614, inciso II, desta Lei, expedir-se-á mandado de penhora e avaliação.

Como se pode perceber da leitura dos dispositivos, eles são plenamente integráveis. No sistema dos Juizados Especiais, com a entrada em vigor

da Lei n 11.232/0558, não cumprida voluntariamente a sentença, que determinar o pagamento de quantia certa, e tendo havido solicitação do interessado, que poderá ser verbal, proceder-se-á desde logo à execução, dispensada nova citação, com expedição de mandado de intimação para o pagamento em 24 horas e de penhora e avaliação, que incluirá ao montante da condenação a multa no percentual de dez por cento do valor a ser executado. Este montante deverá ser apresentado através de

"demonstrativo do débito atualizado até a data" em que for formulado o pedido de execução (art. 614, II, do CPC), com auxílio do servidor judicial, quando necessário (art. 52, II, da Lei 9.099/95).

4.1.2 A execução de sentença no JEC

A teor do caput da art. 52 da Lei 9.099/95 que "a execução da sentença processar-se-á no próprio Juizado, aplicando-se, no que couber, o disposto no Código de Processo Civil, com as seguintes alterações". Dessa forma, as normas gerais da execução de sentença nos Juizados Especiais Cíveis são as estabelecidas pelo Código de Processo Civil, cabendo, aqui, examinar apenas as normas específicas, estabelecidas pelo Estatuto dos Juizados Especiais Cíveis.

É de bom alvitre notar que, no sistema processual comum o módulo processual executivo adotado varia conforme a natureza da obrigação. Assim é que, sendo pecuniária a obrigação acertada na sentença, haverá a necessidade de instauração de uma fase executiva mais complexa, regida pelos arts. 475-J e 475-R do CPC; de outro lado, sendo qualquer outra a natureza da obrigação acertada na sentença, ter-se-á uma fase executiva mais simples, na forma dos arts. 461 e 461-A do CPC, mas todas elas a se desenvolver no mesmo processo em que a sentença condenatória foi proferida.

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58 Vade Mecum / obra coletiva de autoria da Editora Saraiva com colaboração de Antônio Luiz de Toledo Pinto, Márcia Cristina Vaz dos Santos Windt e Lívia Céspedes – 3. ed. atual. e ampl. – São Paulo : Saraiva, 2007. (CPC atualizado - Lei 11.232/05).

Nos Juizados Especiais Cíveis, porém, as coisas também se passam assim.

No microssistema ora examinado a execução da sentença sempre se fará no mesmo processo em que a sentença tenha sido proferida. Ter-se-á, pois, no Juizado Especial Cível um processo misto, composto por duas fases: cognitiva e executiva.

Isto se verifica pelo teor do art. 52, IV; última parte, da Lei 9.099/95, onde se afirma, expressamente, que para a execução da sentença proferida nos Juizados Especiais Cíveis é "dispensada nova citação". Esta dispensa se dá porque a execução de sentença é, no Juizado Especial Cível, continuação do mesmo processo em que aquele pronunciamento foi proferido. A adoção do módulo processual consistente em uma fase executiva (e não em um processo executivo) se confirma pela leitura do art. 52, V; da Lei 9.099/95, onde se faz expressa alusão a uma "fase de execução".

Afasta-se, assim, o microssistema dos Juizados Especiais Cíveis do sistema processual comum vigente à época de sua elaboração, eis que nos Juizados Especiais a execução de sentença se dá no mesmo processo em que tenha sido proferida. Não difere este modelo, porém, do sistema teórico adotado hoje em dia pelo CPC, que foi alterado para que desaparecesse a autonomia do processo de execução de sentença.

É bom lembrar que existe, entre os dois módulos processuais executivos (o processo de execução e a fase executiva), uma diferença fundamental no que diz respeito à instauração: enquanto o processo de execução só se instaura por iniciativa da parte demandante, a fase executiva se instaura de ofício pelo juiz.

Ambas as formas de instauração (por iniciativa da parte ou de ofício pelo juiz) decorrem do teor do mesmo dispositivo legal, o art. 262 do Código de Processo Civil, por força do qual "o processo civil começa por iniciativa da parte, mas se desenvolve por impulso oficial".

Estabelece, porém, o art. 52, IV; da Lei 9.099/95, que a fase executiva se instaura "tendo havido solicitação do interessado, que poderá ser verbal". Vê-se, pois, que a adoção do módulo consistente em uma fase executiva, nos Juizados Especiais Cíveis, está fazendo alusão a um modelo adotado timidamente. Assim, diante do sistema atualmente em vigor para as execuções regidas pelo Código de Processo Civil, a exigência de requerimento do interessado para que se instaure a

execução de sentença, no Juizado Especial Cível, só será feita quando se tratar de obrigação pecuniária. Nos demais casos, a execução da sentença poderá se dar de ofício, sob pena de se tornar o sistema executivo dos Juizados Especiais Cíveis mais formalista do que o regido pelo Código de Processo Civil. É preciso, aqui, levar em conta o fato - de que a Lei 9.099/95 é cronologicamente anterior à aprovação da Lei 10.444/0259, que trouxe para o sistema processual comum o módulo processual consistente na instauração de uma fase executiva de um processo sincrético.

Sendo, pois, a obrigação de natureza não-pecuniária, poderá a fase executiva instaurar-se de ofício. Sendo, porém, pecuniária a obrigação, incidirá, em sua plenitude, o disposto no art. 52, IV; da Lei 9.099/95, e a execução somente se iniciará por provocação do interessado (afinal, assim é também no sistema processual comum, do CPC).

Além disso, cede vez à impugnação, não mais sendo cabível o oferecimento de embargos do executado na fase executiva do processo que tramita perante os Juizados Especiais Cíveis, A posterior reforma do CPC, porém, deve trazer seus bons influxos para o microssistema dos Juizados Especiais Cíveis, e suas inovações não podem transformar o sistema dos Juizados em um modelo processual ultrapassado, mais formalista do que o do Código de Processo Civil. Já a execução fundada em título extrajudicial nos Juizados Especiais Cíveis pode ser impugnada através dos embargos, qualquer que seja a natureza da obrigação exeqüenda.

4.1.2 A execução fundada em títulos executivos extrajudiciais

A execução fundada em títulos executivos extrajudiciais pode se desenvolver nos Juizados Especiais Cíveis estaduais quando seu valor não ultrapassar quarenta salários-mínimos (ou, no caso de ser o valor superior aos quarenta salários-mínimos, se o exeqüente renunciar ao excedente). Em matéria de _____________

59 Vade Mecum / obra coletiva de autoria da Editora Saraiva com colaboração de Antônio Luiz de Toledo Pinto, Márcia Cristina Vaz dos Santos Windt e Lívia Céspedes – 3. ed. atual. e ampl. – São Paulo : Saraiva, 2007. (CPC atualizado - Lei 10.244/02).

execução fundada em título extrajudicial, pois, os Juizados são competentes apenas para pequenas causas. Aqui, como se dá em relação à execução de sentença, a execução se fará na forma prevista no Código de Processo Civil, com as modificações estabelecidas no art. 53 da Lei 9.099/95. Dispõe o aludido dispositivo que" a execução de título executivo extrajudicial, no valor de até 40(quarenta) salários-mínimos, obedecerá ao disposto no Código de Processo Civil, com as modificações introduzidas por esta Lei". Todas as modificações previstas no art.

53 dizem respeito à execução por quantia certa contra devedor solvente, o que significa dizer que a execução para entrega de coisa diversa de dinheiro se faz, nos Juizados Especiais Cíveis estaduais, na forma prevista nos arts. 621 a 631 do Código de Processo Civil, enquanto a execução das obrigações de fazer e de não fazer se faz segundo o modelo estabelecido pelos arts. 632 a 645 do mesmo Código, sem qualquer modificação. Para a execução por quantia certa, porém, há algumas modificações, que precisam ser aqui examinadas.

A fase inicial do processo de execução por quantia certa fundada em título extrajudicial se desenvolve, nos Juizados Especiais Cíveis, do mesmo modo como nos juízos comuns. Ajuizada a demanda executiva, o executado é citado e, em vinte e quatro horas, pode pagar ou nomear bens à penhora. Pagando o executado a dívida exeqüenda, será extinto o processo executivo. Feita nomeação válida de bens à penhora, será determinada a apreensão do bem. Não sendo efetuado o pagamento, nem nomeação válida de bens à penhora, transfere-se para o exeqüente a faculdade de fazer tal nomeação.

Registre-se, porém, e desde logo, que não sendo encontrado o executado, ou não havendo bens penhoráveis suficientes para garantir a execução, será o processo executivo extinto, devolvendo-se ao exeqüente os documentos com que tenha instruído sua inicial, a fim de que tome as medidas cabíveis para a tutela do seu interesse (art. 53, § 4º, da Lei 9.099/95).

Efetivada a penhora, que se aperfeiçoará na forma prevista no Código de Processo Civil, serão as partes intimadas a participar de uma audiência de conciliação (art. 53, § 1º, da Lei 9.099/95). Nesta audiência, que se realizará perante o juiz togado, juiz leigo ou conciliador, será proposta uma solução pacífica para o conflito (o que nada mais é do que a reafirmação do princípio estabelecido pelo art.

2º da Lei 9.099/95, da busca incessante da autocomposição), se possível com dispensa da realização da hasta pública, admitindo-se, entre outros meios de composição dos interesses em litígio, o pagamento a prazo ou em prestações, a dação em pagamento ou a imediata adjudicação do bem penhorado (o que torna possível, pois, a adjudicação do bem sem que este seja antes levado à hasta pública, o que é terminantemente proibido no sistema processual comum), tudo na forma do disposto no art. 53, § 2º, da Lei 9.099/95.

Uma vez, não obtido um acordo na audiência de conciliação, será este o momento oportuno para o oferecimento dos embargos do executado, conforme estabelece o art. 53, § 1º, da Lei 9.099/95.

Prosseguindo a execução (art. 53, § 3º, da Lei 9.099/95), poderá qualquer das partes requerer ao juízo que defira a utilização de qualquer daqueles meios referidos no § 2º do art. 53. Em outros termos, tem o juiz o poder de autorizar o pagamento a prazo ou em prestações ou a adjudicação do bem penhorado sem realização de hasta pública. Este poder atribuído ao juiz é elogiável, eis que permite que a execução chegue mais rapidamente ao resultado que dela se espera, além de tornar possível que se respeite o princípio do menor sacrifício possível do executado (art. 620 do Código de Processo Civil). Por conta da observância desses mesmos princípios (efetividade do processo executivo e menor onerosidade possível), tem aqui também o juiz o poder de autorizar a alienação do bem penhorado independente mente de hasta pública, na forma prevista para a execução de sentença.