CAPÍTULO I – A HISTORICIDADE FILOSÓFICA
CAPÍTULO 2 – A HISTÓRIA DA FILOSOFIA COMO RETORNO
2.4 A FILOSOFIA E O DEVIR ABSOLUTO DO ESPÍRITO
A partir da relação estabelecida entre a filosofia e seu tempo, o pensar filosófico mostra-se tanto na dimensão do finito quando na dimensão do infinito. Isso porque a filosofia não consiste na tomada consciência de si somente do espírito de um povo particular, mas também do espírito em sua universalidade. A partir desse ponto de vista, porém, o espírito absoluto, na medida em que se remete ao infinito, é a eternidade. Assim, se de um lado, em seu conteúdo histórico imediato, a filosofia não poderá ser senão a exposição consciente e racional do princípio que se expressa no espírito de um povo segundo sua determinidade no espaço e no tempo e que perpassa suas diversas manifestações na vida cultural; de outro lado, enquanto pensar que tem sua referência à unidade absoluta do espírito, ou seja, em sua forma, a filosofia ultrapassa a sua época.
“Por outro lado, entretando, a filosofia ultrapassa seu tempo no que respeita a forma enquanto ela, como pensamento do que é o espírito substancial do mesmo [do seu tempo], faz dele objeto de si própria”220.
O estatuto do devir do espírito de um povo consiste em nascer, desenvolver-se e morrer: “espírito de um povo particular está sujeito à transitoriedade, declina, perde a sua significação para a história universal”221. O devir do espírito absoluto, porém, na medida em que é saber de si infinito, é liberto do tempo da história mundial: “Mas o espírito, na consciência do espírito, é livre; suprassumiu (aufgehoben) a existência temporal e limitada e relaciona-se com a essência pura que é ao mesmo tempo a sua essência”222. O caminho que levou o princípio mais íntimo da essência subjetiva do espírito a colocar-se objetivamente
219 Ibid., p. 72; ibid., p. 102. 220 Ibid., p. 73; ibid., p. 103. 221 VG, p. 69; RH, p. 64. 222 Ibid., p. 61; ibid., p. 58.
como mundo através da religião e da política não é acidental na história universal, pois “infundir também este princípio na essência mundana foi uma ulterior tarefa, cuja solução e cumprimento exige um difícil e longo trabalho de formação”223. Este longo caminho consiste na própria história, o tempo concreto através do qual o espírito absoluto se efetiva no mundo. Entretanto, existe um claro objetivo colocado já de início ao espírito na história:
“O objetivo é, porém, tornar-se consciente de que ele só insta a conhecer-se a si mesmo, tal como é em si e para si mesmo, consiste em ele se manifestar a si mesmo na sua verdade – o objetivo é que ele suscite um mundo espiritual, conforme ao conceito de si mesmo, que cumpra e realize a sua verdade, que produza a religião e o Estado de um modo tal que sejam conformes ao seu conceito, que sejam seus na verdade ou na ideia de si mesmo – a Ideia é a realidade, que é apenas o espelho, a expressão do conceito”224.
O espírito absoluto existirá, em sua absolutidade, na filosofia devido ao fato desta apresentar o absoluto em si mesmo no elemento de sua forma pura como razão, “porque o pensar é o mais íntimo seu [do espírito]”225. O destino do espírito, através deste longo processo de formação daquilo que ele é, consiste em saber-se, uma vez que “O elemento objetivo na obra consiste, pois, somente nisso, em esta ser sabida”226. É manifestando-se como pensamento, como filosofia, que o espírito absoluto cumpre essa tarefa, já que “sem o pensamento, não há objetividade alguma, pois ele é a base”227. Por isso a filosofia consiste na manifestação suprema do espírito, “porque ele é principalmente pensamento, Ideia, naturalizada”228. De fato, o que vemos em Hegel é que o conceito é o mais íntimo, o interno que se efetiva no mundo, a essência que se faz existência. O que importa para a filosofia, segundo Hegel, é o racional que se faz mundo a partir de si mesmo, não aquilo que é contingente e acidental.
Deve-se atentar, aqui, para o termo alemão de 'realidade'. A palavra que corresponde a realidade podem ser dois: Realität e é Wirklichkeit.
O termo Wirklichkeit deriva do termo wirken, que significa no português atuar, fazer efeito. Assim, Wirklichkeit consiste, na dialética hegeliana, na realidade que é efetiva, ou seja, na realidade que só é concreta porque nela atua, se faz efeito, uma lógica interna que permeia todas as suas formas e fundamenta sua externalização na existência como fenômeno
223 Ibid., p. 62; ibid., p. 59. 224 Ibid., p. 61; ibid., p. 58. 225 Ibid., p.177 ; ibid., p.149. 226 Ibid., ibidem; ibid., p.148. 227 Ibid., ibidem; ibid., ibidem. 228 BOURGEOIS, Op. cit., p. 67.
que aparece.
Entretanto, deve-se diferenciar entre o efetivo (Wirklich) e o efetuante (Wirkende). Enquanto o efetivo é a unidade atingida entre essência e existência, por outro lado, o efetuante é de domínio somente do conceito, pois o conceito hegeliano não é algo que se torna efetivo ou aparente, mas a própria atividade da efetivação. Uma vez que o conceito é uma unidade contraditória consigo mesmo, sua mediação interna se efetua (wirken). O conceito é, portanto, a força efetuando do real. Porém, o conceito não efetua nada no sentido da relação causa- efeito. Ou melhor, o efetuar do conceito não é uma causa que produz uma outra coisa, mas que produz a si mesma. O conceito de causalidade é desenvolvido por Hegel a partir do conceito de substância. Ali, causa é concebida como uma coisa original (Ursache) que passa para seus acidentes, produzindo um efeito (Wirkung) que não é distinto do que ela é em si, mas outro modo de ser de si mesmo.
“A substância é causa (Ursache) enquanto reflete sobre si, perante seu passar para a acidentalidade; e assim é a Coisa originária (ursprüngliche
Sache); mas também suprassume a reflexão-sobre-si, ou sua simples
possibilidade, põe-se como o negativo de si mesma e produz um efeito (eine
Wirkung hervorbringt), uma efetividade (Wirklichkeit), que desse modo é
apenas uma efetividade posta (Gesetzte), mas que é ao mesmo tempo necessária, pelo processo do efetuar (Process des Wirkens)”229.
Se Wirklichkeit compreende aquilo que logicamente é real, onde as potências lógicas atuam, por outro lado, aquilo que somente existe, o que é somente Realität, contrapõe- se como aquilo que é irracional, ou seja, aquilo em que não atuam suas potências lógicas, que é casual ou contingente. Como afirma Royce:
“A razão exige, em geral, que tais feitos se encontrem no mundo, mas não precisamente o feito irracional. Por isso a filosofia não tem que 'deduzir' nenhum feito dessa espécie; e para Hegel tais feitos formam uma grande quantidade na natureza e no mundo social”230.
É por isso que, em sua forma, a filosofia ultrapassa seu tempo. O ultrapassar da filosofia de sua época não significa outra coisa senão que sua visão está voltada para aquilo que há de racional, de eterno na finitude dos povos. Por isso dizer Bourgeois:
“Brevemente, a filosofia é seu tempo apreendido no pensamento, mas tal
229 E. I, §153.
apreensão pensante do espírito do tempo determinado, do espírito de um povo, é a apreensão suprema”231.
A diferença formal constitui aqui uma diferença real, na qual o saber do espírito será o surgimento de um novo espírito. A filosofia surge da decadência de um povo, de sua cisão interna, e busca a resolução dessa cisão na unidade consciente do espírito. A resolução dessa cisão, porém, implica que a filosofia não somente surge como saber de si total do espírito de um povo; implica, ao mesmo tempo, que a filosofia faz nascer um novo princípio superior que estava sendo elaborado no interior da vida religiosa e política de um povo, para então derradeiramente ser capaz de elevá-lo ao seu despontar mais evoluído.
“Mas aqui reside o começo de um princípio superior. A cisão contém, traz consigo a necessidade da união, porque o espírito é uno. É vivo e suficientemente forte para produzir a unidade. A oposição em que o espírito entra com o princípio inferior, a contradição, leva acima”232.
O movimento determinado do espírito no mundo em suas múltiplas circunstâncias, esse processo de formação do espírito de um povo, ao mesmo tempo que põe no mundo o princípio absoluto, transforma-o, mas somente no sentido de formar aquilo que ele já é desde o início da história. A forma da universalidade concreta surge a partir da determinação concreta, mas neste ínterim mesmo a transformação ocorre, uma outra determinação surge, pois com a universalidade despontam novos interesses, novas necessidades. Os princípios particulares daquele povo já não são essenciais, e de sua dissolução nasce um novo princípio:
“Ora, a dissolução (Auflösung) mediante o pensamento é necessariamente ao mesmo tempo a produção de um novo princípio. O pensamento enquanto universal é dissolvedor (auflösend); mas nesse dissolver está, de fato, incluído o princípio precedente, só que já não na sua determinação originária”233.
Como vimos, a vida política, como espírito do mundo, constitui a diferenciação do espírito absoluto que se coloca no tempo como história, saindo de sua unidade simples vislumbrada pela religião como sentimento, para derradeiramente constituir-se como em si e para si, o espírito absoluto em seu saber de si no elemento puro do pensamento enquanto
231 BOURGEOIS, Op. cit., p. 67. 232 VG, p. 71; RH, p. 66. 233 Ibid., p. 179; ibid., p. 150.
filosofia. Já afirmamos acima que o espírito absoluto não se destrói na história dos povos que nascem e decaem. Demonstra-se já, com isso, que a filosofia perpassa o espírito do mundo nas figuras dos povos que se sucedem na história, pois seu objeto é o espírito absoluto. Se a filosofia surge no seio da vida política em decadência, ela demonstra com isso que seu elemento difere daquele. Assim como o espírito dos povos não esgotam em suas particularidades a universalidade do espírito absoluto devido à finitude daqueles e a infinitude deste, do mesmo modo a política, como elemento da vontade finita, não freia a infinitude do pensamento que se efetiva na filosofia.
Deste modo, o pensar filosófico opera, devido à sua forma, uma transfiguração no próprio conteúdo do espírito. Isso ocorre de tal modo que a transfiguração não deixa de lado aquilo que foi desenvolvido no interior dos povos, mas cria, ao mesmo tempo, algo de novo. O espírito do povo, como particularização pontualizada da vontade, ainda que traga em si traços de sua história de formação, exclui de si as determinações passadas.
“O último princípio da constituição, o princípio dos nossos tempos, não se encontra incluído nas constituições dos anteriores povos históricos. (…) Mas relativamente à constituição as coisas são muito diferentes, o antigo e o novo não têm aqui em comum nenhum princípio essencial. As especificações e doutrinas abstratas sobre o governo justo, em que o discernimento e a virtude deve predominar, são, sem dúvida, comuns. Mas nada há de tão inepto como pretender tomar exemplos dos Gregos e Romanos, ou dos orientais, para as instituições constitucionais de nossa época”234.
A filosofia, pelo contrário, busca a verdade una e mesma e encontra muito mais que uma história da filosofia, mas uma filosofia que tem uma história, e cuja história é contada através de todos os povos e personagens ilustres que conceberam o espírito absoluto no pensamento. Essa integração dos diversos momentos em um só, de todo seu passado e devir no tempo, implica que à filosofia, que é o saber de si do espírito absoluto, tal como este carrega sucessivas figuras que não desmembram-se caoticamente, mas são recapitulados e unificados em uma só e mesma filosofia – à filosofia compete o domínio, nem exclusivamente do passado nem do presente, mas daquilo que é ideia viva, pura, uma vida lógica que devém sem o “passar-se”, porque “o pensamento é o universal, o gênero que não morre, que permanece igual a si mesmo”235.
É o pensamento que, universal, permanece igual a si mesmo através de suas várias formações históricas e filosóficas. Trata-se do pensamento que, ao produzir-se a si mesmo na
234 Ibid., p. 143-144; ibid., p. 122-123. 235 Ibid., p. 70; ibid., p. 65.
história, manifesta-se a si mesmo em sua forma mais pura nos sistemas filosóficos do passado. Sem a filosofia, a produção do pensamento como mundo objetivo jamais alcançaria realmente sua efetividade.
“A história que nos propomos fazer é a história do pensamento que a si próprio se encontra; e por meio do pensamento acontece que ele se encontra na medida em que se produz; por isso só existe e é real na medida em que se encontra. As manifestações deste processo são as filosofias, e as séries das descobertas, de que o pensamento se vale para descobrir, constituem o trabalho de dois mil e quinhentos anos”236.
Aquilo que se desenvolve através da história é o espírito absoluto enquanto pensamento, enquanto Ideia que se naturaliza, se põe no mundo para conhecer-se. A filosofia é conhecimento dos vários graus e momentos através dos quais este processo ocorreu, e por isso a filosofia é una através de toda a história: “A filosofia por si é o conhecimento deste desenvolvimento, e como pensamento é ela própria este desenvolvimento pensante”237. É este o significado mais profundo da relação que Hegel estabelece entre a filosofia, enquanto ciência, e a sua história. Como bem se sabe, a história da filosofia é, na visão hegeliana, a própria ciência filosófica:
“(...) ver-se-á que a história da filosofia não se limita a expor os fatos externos, os acontecimentos acidentais que forma o seu conteúdo, mas procura demonstrar como este mesmo conteúdo, embora pareça desenvolver- se historicamente, na realidade pertence à ciência da filosofia: a história da filosofia é, também ela, científica, e converte-se, pelo que lhe é essencial, em ciência da filosofia”238.
É por isso que, para Hegel, a proximidade atingirá tal profundidade que a relação será interna entre a ciência filosófica e sua história, de tal modo que a sucessão dos sistemas filosóficos na história consiste nos vários graus de desenvolvimento da ideia lógica, núcleo da sua WdL. O conteúdo imediato de onde a filosofia parte é, de fato, o mundo objetivo, a organização política do espírito de um povo particular. Porém, o conteúdo que a universalidade do pensamento transforma eleva-se à ordem eterna do lógico, como diz Bourgeois: “A ordem do conteúdo oferecido pela história da filosofia é assim uma ordem eterna, a ordem eterna do lógico”239.
236 VGP, Bd. 18, p. 22 nota 12; IHF, p. 41. 237 Ibid., p. 45; ibid., p. 69.
238 HEGEL, 1940, p. 17; IHF, p. 43. 239 BOURGEOIS, Op. cit., p. 113.
“(...) sustento que a sucessão dos sistemas da filosofia na história é idêntica à sucessão na educação lógica das determinações conceituais da ideia. Sustento que, despojando os conceitos fundamentais que aparecem na história da filosofia de tudo o que respeita à formação exterior dos mesmos, e à sua aplicação ao particular e assim por diante, se obtém os vários graus da determinada da ideia no seu conceito lógico; vice-versa, tomando o processo lógico, encontra-se nele, nos seus momentos capitais, o processo dos fenômenos históricos”240.
A filosofia consiste no próprio espírito que, enquanto pensamento, coloca-se a si mesmo, para si mesmo, enquanto pensamento. Por isso, sua ordem é aquela do eterno, do que carrega em si o devir sem nunca ser deixado para trás; que realiza-se na história sem nunca tornar-se memória; mas sempre como o eterno que existe no tempo presente.
Desenvolvendo, assim, a compreensão de história da filosofia, Hegel se contrapõe de modo absoluto às tendências historiográficas da filosofia até então. Até o século XVII o que imperou, como vimos, foi a forma compiladora, na qual a história da filosofia consiste num comentário glosante de alguns personagens ilustres cujo interesse consistia no numa visão sectária. Os diversos sistemas filosóficos não passavam de seitas que buscaram, errantes, o caminho da verdade. Vives e Horn, e principalmente Stanley, são, ainda no século XVII, representantes desta linha. Será somente no século XVIII que a historicidade introduz- se no meio historiográfico da filosofia. Porém, a morfologia bruckeriana significou muito mais um passo inicial do que, de fato, uma compreensão histórica da filosofia. Principalmente, a tendência escolar-kantiana de Reinhold, seguida fielmente por Tennemann, também deixara pontos frágeis, na medida em que só via na história da filosofia a busca de respostas para as mesmas e únicas perguntas que a crítica transcendental se colocara.
É com Hegel, assim, que a história da filosofia ganha um patamar de destaque no interior mesmo da filosofia. Com diz Vieillard-Baron: “(...) Hegel é o primeiro filósofo que concedeu uma tal importância à história da filosofia” justamente porque Hegel concebe a unidade entre a ciência filosófica e sua história, onde uma única sabedoria se constrói no plano da razão, de tal modo que “estudar Platão não é uma fonte de erudição, é aprender a filosofar”241.
A filosofia tem a tarefa de captar, através do pensamento, a verdade, pois ela é “a ciência objetiva da verdade, é a ciência da sua necessidade (Notwendigkeit)”242. Por isso as
240 VGP, Bd. 18, p.48 ; IHF, p. 72. 241 VIEILLARD-BARON, Op. cit., p. 12. 242 VGP, Bd. 18, p. 29; IHF, p. 51.
diversas filosofias não são aventuras isoladas, assim como a história do mundo não se perde numa desordem caótica de suas figuras. Na linha inversa da tendência anti-histórica da filosofia, Hegel estabelece que a história da filosofia
“não é uma coleção de fatos contingentes, de viagens de cavaleiros errantes que se batem ao acaso e gastam as energias sem deixar rastro da sua atividade; nem a história da filosofia foi excogitada arbitrariamente por indivíduos singulares de maneiras diferentes umas das outras, mas há um nexo essencial no movimento do espírito pensante, onde domina a razão”243.
O vínculo da filosofia à verdade absoluta não se realiza, para Hegel, como prioridade somente de sua época, de um autor específico, ou uma doutrina específica. Muito pelo contrário, Hegel amplia a realização do vínculo entre filosofia e verdade a todas as filosofias do passado que formam a história do pensamento filosófico. Ou seja, “a filosofia não contém opiniões algumas (keine Meinungen), porque não existem opiniões filosóficas”, daí o erro, a “falta de cultura fundamental quando um escritor, ainda mesmo que trate dum historiador da filosofia, se atreve a falar de opiniões filosóficas”244. Daí Hegel lembrar, justamente, da diferença entre opinião (doxa) e verdade (episteme) estabelecida por Platão. Deste modo, a filosofia se afasta completamente de uma representação subjetiva de um indivíduo, de uma fantasia arbitraria que é particular de cada pessoa segundo seus próprios devaneios. A pessoa dos filósofos, em sua individualidade, são particularidades que passam, se vão e ficam para o passado como memória. Porém, aquilo que pensaram, a ideia a que se elevaram não se perde, justamente porque não se trata de devaneios pessoais.
“Os corpos dos espíritos, que são os heróis desta história, a vida no tempo e os destinos exteriores dos filósofos, passaram, mas as suas obras, os seus pensamentos não sofreram o mesmo destino, porque o conteúdo racional das suas obras não foi imaginado, nem sonhado por eles”245.