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A FORMAÇÃO DO MOVIMENTO COMUNITÁRIO NO BRASIL

(...) “alcançaram aquelas alturas de areia, depois de

muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando disse (...): – Me ajuda a olhar!”

(Eduardo Galeano)

Ao apresentar a trajetória histórica da formação das instituições comunitárias e de como elas se constituíram no Brasil, pretendemos conceituar suas vivências e experiências. Almejamos também dar visibilidade à história de luta das mulheres pelo direito à creche e pré-escola comunitárias. Com isso, esperamos que o arcabouço teórico e metodológico da pesquisa demonstre política e epistemologicamente que os movimentos sociais comunitários podem e devem ser entendidos como classe social.

A história da formação e constituição do movimento de luta por creche no Brasil é comumente narrada a partir de uma visão assistencial das questões econômicas brasileiras.

Mas existem diferenças entre os percursos e a atuação do movimento social comunitário, justamente por este acontecer em nível nacional e ainda nas instâncias municipal, estadual e federal. Em nível local os modos de luta podem assumir performances que variam dadas as formas de relacionamento com os diferentes parceiros. Dentre as experiências brasileiras, destacamos aquelas que tiveram curso em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Esse movimento brasileiro é caracterizado por sua capilaridade popular, tendo por finalidade produzir algum tipo de mudança ou transformação social e, na perspectiva crítica, produzir intervenções sociais de caráter coletivo.

Os movimentos sociais no Brasil, principalmente entre as décadas de 1970 e 1980, tiveram importantes forças para organização dessa classe, pois, contaram com a participação e estrutura social e política dos sindicatos e das associações de moradores, tendo como objetivo a justiça social e a democracia. No contexto de Estado democrático, a participação popular era sempre a meta principal o projeto era de construir uma sociedade mais humanista, solidária, privilegiando o protagonismo das classes populares, que atuavam de forma independente em relação ao Estado,

63 reivindicando politicas relevantes e direitos fundamentais como: trabalho, moradia, saúde, educação.

As intervenções, antes limitadas aos indivíduos, foram ampliadas para seu entorno (comunidade). No Brasil, o surgimento das Comunidades Comunitárias (CC) está ligado a outros movimentos sociais na década de 1970, sobretudo no processo de redemocratização do país e nas reformulações na área de saúde e da educação. Esse movimento tinha uma forte ligação com a questão de pauperização da população brasileira e com a causa da mulher19.

O movimento comunitário traz para si a responsabilidade reivindicatória, e também assume a tarefa de transformar as condições sociais das mulheres, crianças e adolescentes do seu entorno.

Ao historiar o movimento comunitário reconhecemos dois pontos relevantes em sua trajetória: a criação dos Centros Comunitários de Saúde cuja finalidade foi transformar, na década de 1970, o modelo de atenção psiquiátrica vigente; e os trabalhos de alfabetização de adultos, inspirados na Educação Popular de Paulo Freire.

As referências históricas sobre o movimento social, organizado pela comunidade, reafirmam direitos negados pelo Estado, historicamente ligados à classe trabalhadora, e sua origem está sobre os fatores sociais e econômicos que determinam as principais características deste modelo. E ainda hoje permanece a conexão desses elementos na organização da sociedade em busca de melhores condições de vida.

Por vezes, na conceituação do que é comunidade, ela foi representada como comunidades integradas, baseadas em parentesco e amizade, em relações sociais íntimas, duradouras e multi-integradas (TONNIES, 1987). Contudo, relacionar comunidade com família é passível de profundas discussões, pois as relações familiares regem-se por alianças, trocas e laços de sangue, e frequentemente não se caracterizam pela adesão voluntária a valores compartilhados, como acontece nas comunidades.

A noção mais antiga de comunidade, e que se perpetua, se dá nas relações entre indivíduos, “marcadas por um alto grau de intimidade pessoal, de coesão social ou comprometimento moral, e de continuidade no tempo” (NISBET, 1982, p. 13), tendo como base de fundo a família. Essa definição considera o caráter subjetivo, definindo comunidade como um estado de espírito, de pertencimento.

64 Os gregos sempre se preocuparam com a boa vida em sociedade. Baseados em uma densa reflexão sobre a sociedade justa e as formas políticas mais adequadas para sua construção e manutenção, chegaram a desenvolver a experiência da Polis. Essa busca os levou à criação da democracia e da filosofia (ABRÃO, 1999).

A democracia ateniense se funda na participação política, dominada não mais por um rei ou pela religião, mas soberana, impessoal, coletiva, resultado da decisão de todos em assembleias públicas.

O termo comunidade e seus significados são antigos e variados, dentre as suas acepções encontra-se: grupo de pessoas com algo em comum; grupo com um senso de identidade e integração; conjunto de pessoas que compartilham do mesmo espaço geográfico; grupos que realizam o mesmo tipo de atividade, a exemplo da comunidade acadêmica, a comunidade jurídica, a comunidade religiosa, dentre outras (JOHNSON, 1997).

Comunidade costuma estar associada a “características como coesão, comunhão, laços sociais fortes, integração, interesse público, que interagem dentro de instituições comuns e que possuem um senso comum de interdependência e integração, mas não necessariamente constituem em si mesmo comunidades, unidos por um estado de espírito expressado pelo sentido que elas têm” (OUTHWAITE, 1996, p.115). Denomina-se comunidade quando se pretende descrever unidades sociais, compreendidas como aldeias, conjunto habitacional, vizinhanças e até grupos étnicos, nações e organizações internacionais (OUTHWAITE; BOTTOMORE, 1996).

Podemos dizer, contudo, que existe uma dicotomia entre comunidade e associação por conterem uma ligação contrastante das concepções políticas de sociedade. Desta maneira, está implícita a livre associação de indivíduos em competição ou como um coletivo que é mais que a soma de suas partes, do qual é possível vislumbrar cidadania (IDEM. IBIDEM, p.115-116).

Estudos empíricos sobre comunidade confundem as descrições que surgem a partir da combinação de comunidade como unidade ou coletividade social, ligadas por laços de sentimento ou econômicos. Encontramos o conceito de comunidade com uma abordagem nostálgica; por um lado, romantizando o passado e, por outro, pressupondo coesão emocional, isolamento e alienação da moderna sociedade de massa.

No entanto, a cooperação social nascida nas comunidades pretende facilitar a obtenção da prosperidade individual, mas isso nada tem a ver com consciência política, atividade cívica e participação política em uma comunidade de iguais.

65 Formulações e adoções no espaço público comunitário acontecem em ambientes construídos democraticamente, que se distanciam definitivamente do espaço de competição e aclamação e imortalidade numa elite política; em vez disso são criados espaços afetados por normas sociais gerais e decisões políticas coletivas.

Comunidade é uma entidade simbólica, sem parâmetros fixos, pois ela existe em relação e oposição a outras comunidades, com sistemas de valores e códigos morais que lhes conferem identidade.

Identidade significa aparecer, ser diferente, uma diferença singular, pois a procura por identidade não pode deixar de dividir e separa (BAUMAN, 2013, p.21). Portanto, não se pode cair na armadilha de substituir Identidade por Comunidade.

Pelo conceito analítico, no entanto, comunidade não é valorativo, apesar da sua constante permanência como uma realidade na vida de uma sociedade. Ao longo dos anos, tornou-se uma palavra carregada de associações emotivas e de interesse público, e também aparece como um resultado complementar de toda uma série de instituições que expressa implicitamente camaradagem profunda e horizontalizada.

A trajetória social e politica do movimento comunitário no Brasil vem possibilitando a criação de estratégias ligadas ao cotidiano dos brasileiros, que se caracteriza pela capacidade de inventar formas de enfrentamento contínuas entre a sociedade civil organizada e os órgãos governamentais na gestão de projetos sociais e educacionais. A apropriação criativa com vistas aos problemas de sentido do presente ou do futuro garante o princípio da participação, que diz respeito a uma formação nos âmbitos sociedade, personalidade e cultura, o que favorece o espaço reflexivo, e a contribuição e envolvimento dos indivíduos se tornam cruciais. As questões de bem comum e o projeto de comunidade de cidadão faz sentido na medida em que é possível identificar, no seio das comunidades, sujeitos engajados em contextos de revolução ou guerra de liberação, que acabam por conferir identidade política aglutinadora.

É relevante ressaltar que o modelo discursivo desenvolvido em sua teoria ética visa a priorizar o diálogo normativo como meio de justificação, e mesmo de argumentação, que ocorre como situação ideal de fala como procedimento que determina reciprocidade igualitária (VIEIRA, 2001, p.60).

A comunidade é caracterizada por relações solidárias e contratuais que despertam nos sujeitos diferentes interesses comuns, pautados em um consenso de ação coletiva fundada no parentesco, interdependência econômica em base territorial e em

66 traços culturais. A reunião desses aspectos com o bem comum pressupõe aquilo que se chama solidariedade orgânica20.

Perante os processos de reprodução e afirmação sociocultural há uma apropriação em forma política no espaço público. Nesse sentido, as associações civis absorvem iniciativas sociais e encaminham suas demandas ao espaço público para o embate político. As associações e os movimentos sociais vêm ampliando o espectro do político, incorporando novos temas a sua agenda política, o que os fazem desempenhar um papel essencial na construção do espaço público.

Uma das formas de organização da luta social por parte das associações e dos movimentos sociais se dá por Redes. A Rede se apresenta de forma heterogênea e fragmentada, suas contribuições dizem respeito principalmente a consideráveis mudanças na sociabilidade e na espacialidade, propiciando novos territórios de ação coletiva, novos imaginários sociais e comunidades virtuais.

À medida que avançam na conscientização como forma de luta, percebem a soberania do Estado e do mercado, e por isso não pretendem afrontar ou mesmo reivindicar o poder do Estado, mas influenciar os dirigentes e a sociedade civil em seu conjunto, com vistas à ideia de construção ou reconstrução da sociedade civil em face do mercado e do Estado e seus mecanismos de planejar e praticar ações sociopolíticas de interesse público.

No cenário político, o campo da arena de discussões passa a ser policêntrico, com expressivas representações populares, substanciadas por inúmeros sujeitos e organizações operando em diferentes esferas. Esse novo modelo, apesar de não possuir uma organização centralizada, permanece na ação política baseada na solidariedade e na coordenação horizontal (LISZT apud CHALMES, 1996, p.76).

É do sentimento de solidariedade que deve ser exercido na diferença e não somente entre pares que decorre a demanda da igualdade, visto que a diferença inferioriza, e o direito à diferença quando há igualdade descaracteriza (VIEIRA, 2001).

Nesse contexto, a dimensão produtiva se encontra tanto no setor privado quanto no setor público não estatal (terceiro setor, setor social, organização da sociedade civil ou organização sem fins lucrativos); contudo, no setor público21,

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“Solidariedade orgânica é fruto da diversidade entre os indivíduos, e não da identidade das crenças e ações. O que os une é a interdependência das funções sociais, ou seja, a necessidade que uma pessoa tem da outra, em virtude da divisão de trabalho social existente na sociedade” (DURKHEIM, 2010, p. 47).

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(...) sua atuação é descentralizada, sua estrutura é leve e desburocratizada, também é flexível e ágil na resolução de questões, apresenta uma eficácia na realização de seus objetivos sociais e uma eficiência no emprego de meios bem superiores às do setor público, (...) o terceiro setor não substitui trabalho humano por máquinas, empregando mão de obra num clima de relações humanas mais solidário. (IDEM. IBIDEM, p.80).

A participação política alterou-se para uma concepção mais inclusiva de formação discursiva da vontade; entretanto, a participação não está restrita ao campo político estritamente definido, que pode assumir performance no campo social ou cultural. A participação do movimento comunitário se enfatiza sobre normas de ação, por intermédio do debate prático envolvendo todos os afetados pelo descaço público. (BENHABIB, 1996 apud LISZT, p. 57).

Atualmente é possível verificar que as organizações do setor público não estatal, cujo eixo principal de atuação é o interesse público e a cidadania, passaram a realizar parcerias com o Estado, o que, por um lado, os fez perder o caráter contestatório que os caracterizava nos anos 1980, mas, por outro, os fez se concretizarem no cenário sociopolítico como entidades independentes, e cuja personalidade deve ser reconhecida, fazendo-os cumprir a missão de compensar as desigualdades econômicas e sociais.

No campo comparativo de vantagens do terceiro setor22 em relação ao Estado, o primeiro apresenta flexibilidade de ação e desburocratização de gestão social, estratégia participativa e maior contato com a população.

21Art. 18. Os sistemas municipais de ensino compreendem:

I – as instituições do ensino fundamental, médio e de educação infantil mantidas pelo Poder Público municipal; II – as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa privada; III – os órgãos municipais de educação.

Art. 19. As instituições de ensino dos diferentes níveis classificam-se nas seguintes categorias administrativas: I – públicas, assim entendidas as criadas ou incorporadas, mantidas e administradas pelo Poder Público; II – privadas, assim entendidas as mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado.

Art. 20. As instituições privadas de ensino se enquadrarão nas seguintes categorias: I – particulares em sentido estrito, assim entendidas as que são instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado que não apresentem as características dos incisos abaixo; II – comunitárias, assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas, inclusive cooperativas de professores e alunos que incluam na sua entidade mantenedora representantes da comunidade; III – confessionais, assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem a orientação confessional e ideologia específicas e ao disposto no inciso anterior; IV – filantrópicas, na forma da lei.

22 O terceiro setor, com suas organizações diversas, formais ou informais, abrange formas tradicionais de ajuda mútua, associações civis, organizações não governamentais e a filantropia empresarial (FERNANDES, 1994, apud Schmidt).

68 No que tange à produção social, estes operam com a racionalidade comunicativa, isto é, com a lógica da solidariedade e da cooperação nos serviços prestados. A combinação do interesse público com a eficácia administrativa, a produção de bens e serviços no setor público não estatal se torna mais eficiente do que no setor estatal ou privado (VIEIRA, 2001, p. 86).

O Estado com sua estrutura hierárquica e verticalizada, inviabiliza o controle das massas sobre os processos de tomada de decisão, levados a cabo no interior de seus aparelhos administrativos. Na teoria de Marx (LENIN, 2010) os funcionários devem ser eleitos para funções, subordinadas à revogabilidade imediata, e todas as funções de governo devem ser exercidas por salários operários e a participação da maioria da população na gestão estatal estabelecida num processo de rotatividade contínua.

A forma de organização dos setores não estatais põe em evidência algumas das performances que estes utilizam para desenvolver seu trabalho, ou mesmo se manter em situações de mudanças de governo e de sua funcionalidade, a fim de não serem cooptados pelos partidos políticos ou pelo mercado. Verifica-se que as ações comunitárias, sobretudo no campo da educação e saúde, são por vezes financiadas pelo Estado, porém são executadas pelo setor público não estatal.

No entanto, a Constituição Federal de 1988 traz uma nova concepção de entendimento do setor privado, em seu artigo 213, que trata da transferência de recursos públicos para essas instituições comunitárias sem fins lucrativos. Essas instituições privadas sem fins lucrativos são reguladas por acordo entre as partes, com base no sistema municipal de Educação, ou pelo convênio. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em lei, que:

I – comprovem finalidade não lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação;

II – assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de encerramento de suas atividades.

§ 1º – Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para os ensinos fundamental e médio, na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da residência do educando, ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade.

69 Não é pelo fato de receber recursos do Estado que as instituições comunitárias passarão a fazer parte da máquina do Estado, visto que seus funcionários não são públicos e são regidos por leis privadas.

Pelo contrato de gestão as organizações públicas não estatais recebem recursos do Estado para executarem bens de serviços sociais, mas essa transferência de execução de tarefas não deve resultar na aderência à responsabilidade do Estado. Nesse caso, o Estado assume seu papel e separa a formulação da execução de políticas públicas, ou seja, deixa de ser o executor, mas continua como regulador, fiscalizador e avaliador.

O Estado controla os serviços contratados e, por conseguinte, a organização pública não estatal é também fiscalizada pela própria comunidade. Observa-se, com isso, que o setor privado é voltado para a economia de mercado e baseado exclusivamente em critérios econômicos de produtividade, e busca adotar um padrão de tecnologia poupador de mão de obra (IDEM. IBIDEM).

As organizações sociais, por celebrarem contrato de gestão com o Estado, poderiam ser consideradas organizações paraestatais – apesar de não parecer ser esta uma boa expressão para organizações autônomas da sociedade civil –, afinal de contas, se constituem ou funcionam em torno do Estado.

O que está posto nessa questão é que as ações comunitárias adotaram parceria com o Estado como forma de sobrevivência, isto é, ao compatibilizarem interesse público, foram submetidas ao controle tanto do Estado quanto da sociedade civil. Cabe ressaltar seu distanciamento com a burocratização e mercantilização do Estado.

Nesse contexto, o novo paradigma da cidadania impõe limitações ao Estado tecnocrático, o conceito de governabilidade e governança, que analisa a reforma do Estado sob o prisma de que o agente mais importante nesta relação é o cidadão.

Nessa discussão, observamos que o Estado expressa profunda crise da democracia representativa parlamentar clássica, que se justifica pelos elementos do conceito de governança, desvinculada das noções de interesses público, bem comum, responsabilidade pública. Constatam-se ainda sua perda de legitimidade e seu distanciamento da maioria absoluta da sociedade (IDEM. IBIDEM, p. 84). O modelo representativo do Estado demonstra, em sua constituição, profunda característica negativa e um caráter organizacional repleto de fragilidades e corrupções, dos partidos políticos, sistema eleitoral, do Legislativo e da hipertrofia da autoridade presidencial.

Para as condições de superação da eficiência da máquina burocrática com o aperfeiçoamento dos mecanismos técnicos de governabilidade, a reforma democrática

70 exige melhorar as condições de governança do sistema estatal. Privilegiando inclusive o aperfeiçoamento das capacidades de comando e redefinindo as relações entre sociedade e o Estado.

Ainda neste cenário, como requisitos necessários para superação da crise da democracia representativa cabe a busca pela transparência e o controle social do Estado e, além disso, enfrentar os desafios e aperfeiçoar os instrumentos de governabilidade e inclusive criar novas estruturas de governança.

Entretanto, sentimos necessidade de discutir sobre a questão da estrutura política brasileira, por compreender que a presença societária se dá por conta das fragilidades do Estado, acarretadas pelos problemas de representatividade política. Assumimos que a problematização de explorar esse tema se dá nos limites interpretativos do campo teórico. E, sobretudo por questões discriminatórias de reconhecer o movimento comunitário por creche como um movimento popular que infere ações nas políticas públicas brasileiras, por explicitar suas demandas e exigir posturas de reconhecimento e redistribuição. Queremos com isso dizer que as práticas do movimento comunitário não foram sempre interpretadas como intervenções políticas.

A participação de representantes do governo e da sociedade na elaboração de políticas públicas é um pressuposto de negociação e um dos passos percorridos a fim de permitir a institucionalização e participação da cidadania nas decisões governamentais. Mas compreendemos que o movimento comunitário tem uma prática contínua de ação

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