2 TEORIA DAS ORGANIZAÇÕES
2.8 A FORMA DIVISIONALIZADA
A Forma Divisionalizada é semelhante a Burocracia Profissional, mas não é tanto uma organização integrada mas sim um conjunto de entidades quase autônomas acopladas por meio de uma estrutura central administrativa.
A Forma Divisionalizada é mais amplamente utilizada no setor privado da economia industrial. A Forma Divisionalizada difere das outras configurações apresentadas em um aspecto importante: ela não constitui uma estrutura completa desde a cúpula estratégica até o núcleo operacional, mas antes uma estrutura sobreposta a outras. A Forma Divisionalizada tem normalmente uma estrutura de Burocracia Mecanizada em cada uma de suas divisões, mas nada impede que se tenha outras estruturas em cada uma de suas divisões.
Há um enfoque nesta estrutura em um relacionamento estrutural entre o escritório central e as divisões, ou seja, entre uma cúpula estratégica e o topo das várias linhas intermediárias. O que ocorre além disto não tem muita importância na análise deste tipo de estrutura.
A Forma Divisionalizada baseia-se primeiramente nos tipos de segmentação de mercado para agrupar as unidades pelo topo da linha intermediária. Em geral, o escritório central permite que as divisões se aproximem de autonomia total para tomar as suas próprias decisões, e então monitora os resultados dessas decisões.
O primeiro mecanismo de coordenação na Forma Divisionalizada é a padronização de resultados e o parâmetro chave para delinear é o sistema de controle de desempenho. O desempenho dos gerentes das divisionais é crucial para a organização e cabe ao escritório central treinar estes gerentes de forma a ter uma padronização de suas habilidades administrativas. Um método bastante utilizado é a doutrinação.
2.8.1.1 Os poderes das divisões e dos escritórios centrais
Existe uma nítida divisão de funções entre o escritório central e as divisões. As comunicações entre ambos são circunscritas e grandemente formais, em grande parte limitada a transmissão para baixo de padrões de desempenho destinados as divisões e para cima dos resultados dos desempenhos. Isso é suplementado pelas trocas pessoais de gerentes nos dois níveis, porém cuidadosamente restritos, pois o conhecimento muito detalhado pelo nível do escritório central pode permitir sua intromissão nas decisões das divisões, e desse modo frustrar a verdadeira finalidade da divisionalização que é a autonomia divisional.
Ao escritório central cabem os seguintes poderes para controlar a organização:
1. Administra a carteira estratégica – com a Forma Divisionalizada o escritório central tem tempo para analisar de forma estratégica o comportamento do mercado e há maior liberdade para o fechamento e abertura de novas divisões baseadas nas análises efetuadas.
2. Aloca os recursos financeiros globais – esta alocação inclui a autorização para os projetos das divisões que sejam suficientemente grandes e por isso dependam de recursos extras.
3. Delineia o sistema de controle de desempenho das divisões – o escritório central tem a prerrogativa de instituir um sistema de controle a ser seguido e os padrões que serão implantados. Atualmente com o advento de sistemas de informações gerenciais integrados, o escritório central tem condições de fazer um monitoramento bastante preciso dos principais indicadores das divisiões. 4. Designa ou substitui os gerentes das divisões – este é o poder crucial para a
Forma Divisionalizada porque este tipo de estrutura impede a interferência direta pelos gerentes do escritório central nos assuntos operacionais das divisões. O que mais de perto podem fazer é determinar quem tomará conta das divisões.
2.8.1.2 Condições para a Forma Divisional
Um fator situacional acima de todos que conduz a uma organização a utilizar a Forma Divisionalizada é a diversidade de mercados. Um outro fator importante é que ela gera um fluxo contínuo de gerentes gerais tornando-se uma escola de gerencia permanente.
A diversidade de mercado pode ser de três tipos: produto e serviço, cliente e região. Teoricamente, os três podem levar para a divisionalização e ela somente é possível quando o sistema técnico da organização possa ser efetivamente separado em segmentos, um para cada divisão.
A Forma Divisionalizada opera melhor em ambientes que sejam nem muito complexos, nem muito dinâmicos, na realidade os mesmos ambientes que facilitam a Burocracia Mecanizada. Os fatores que levam a uma estrutura divisional são organizações que atuam em ambientes simples e estáveis que diversificaram horizontalmente suas linhas de produtos e serviços.
2.8.1.3 Estágios na transição para a Forma Divisionalizada
Existem vários relatos de organizações que se transformaram em divisionais e os passos para isso podem ser descritos da seguinte maneira. Começando com uma grande corporação que fabrica todos os seus produtos por meio de uma cadeia e assim ela pode ser chamada de forma integrada, uma estrutura funcional pura. Como a organização começa a comercializar alguns de seus produtos intermediários de seu processo de produção, faz uma primeira mudança na direção da divisionalização, chamada forma de produto secundário. Ao evoluir mais na mesma direção chega um ponto onde os produtos secundários se tornam mais importante que seus produtos finais. Embora o tema central permaneça o mesmo, isso conduz a uma estrutura mais perto de alguma forma divisionalizada, a qual pode ser chamada de forma de produto relacionado. Finalmente a separação completa da cadeia de produção até o ponto onde os diferentes produtos não têm relação uns com os outros, leva a corporação para a forma de conglomerado, uma estrutura divisional pura.
Apesar de algumas corporações passarem por todos estes estágios outras ficam no meio do caminho parando em uma destas etapas em razão dos custos fixos muito altos do sistema técnico (característico para o caso da forma integrada); de operações baseadas em uma única matéria-prima (característico para o caso da forma de produto secundário); ou do
enfoque em uma tecnologia núcleo ou mercado único (característico para o caso da forma de produto relacionado).
2.8.1.4 Características da divisionalização
A Forma Divisionalizada oferece quatro vantagens básicas em relação à estrutura funcional com operações integradas. A primeira vantagem é a alocação eficaz de capital, o escritório central pode escolher onde aplicar o seu dinheiro, e assim consegue concentrá-lo em seus mercados mais fortes.
A segunda vantagem é a formação de gerentes gerais. Em contraste com os gerentes da linha intermediária das estruturas funcionais são fechados dentro de relacionamentos dependentes uns dos outros, o que impede a responsabilidade individual e a autonomia.
A terceira vantagem é que a forma divisional expande seus riscos ao longo de mercados diferentes.
A quarta e talvez a mais importante vantagem da forma divisional é que ela responde estrategicamente. As divisões podem fazer a sintonia fina de suas máquinas burocráticas, enquanto o escritório central concentra-se em suas carteiras estratégicas.