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A forma sintática como colaboradora dos aspectos semânticos

Capítulo 2: A origem da seta e de seus signiicados

2.2 A forma sintática como colaboradora dos aspectos semânticos

É inevitável analisar os aspectos formais básicos da seta, ou seja, as questões principais de sua dimensão sintática, a im de descobrir relações importantes com o objeto desta pesquisa: seus signiicados.

Estudando os elementos visuais existentes, segundo Dondis (1997): o ponto, a linha, a forma, a direção, o tom, a cor, a textura, a dimensão, a escala e o movimento; é possível perceber que a seta é realmente um símbolo muito importante mesmo no que diz respeito à sua origem estrutural. Sem muito esforço intelectual é possível

perceber que a seta engloba em si a linha, a forma, a direção e o movimento e pode se acrescer de outros elementos conforme a intenção do design.

Em relação ao movimento, imagens com formas convergentes em ponta (como é o caso da seta), darão grande impressão de possuí-lo (ARNHEIM, 1997).

A linha é formada quando existe uma junção tão grande de pontos, em tal proximidade, que não é possível identiicá-los individualmente. Quanto mais próximos estão os pontos, maior se torna a sensação de direção. A linha também pode ser deinida como um ponto em movimento.

Por meio dessas colocações a respeito da dimensão sintática da seta, ou seja, de sua forma, é claro ver que a linha é parte da estrutura básica deste símbolo, não só no aspecto formal, mas também ao colaborar com seus signiicados originais: a direção e o movimento.

Ao analisar a forma da seta, é possível ver duas possibilidades para sua ponta em forma de cunha: o desenho fechado (com um triângulo) e o desenho aberto (com duas diagonais opostas que estão unidas em um só ponto).

O triângulo tem grande capacidade de transmitir ideias e, portanto, signiicados. São eles: ação, conlito e tensão. Outra contribuição dessa forma geométrica em relação à seta é a sua inerente tendência de direção.

A diagonal é a força direcional mais instável, porém, a mais dinâmica. É sentida pelo observador como um desvio, pode perturbar por não possuir bom equilíbrio, mas, em contrapartida, deixa a representação mais rica, especíica e real.

À luz de seus prós e contras, é possível perceber nas diagonais pertencentes às setas mais uma maneira de atingir o observador, ou seja, mais um item a demonstrar o porquê do poder das setas na comunicação visual.

As primeiras normas para a forma da seta foram adotadas pela “Comissão Elétrica Internacional” (IEC), órgão fundado em 1906 nos EUA, com o objetivo de normatizar a denominação de aparelhos e máquinas elétricas e os signos gráicos utilizados nestes aparatos, catalogando os símbolos já existentes e oferecendo diretrizes para novas conigurações. Mais tarde, em 1946, foi criada uma nova organização mundial para a normatização do setor industrial, a ISO, à qual a IEC se integrou constituindo um departamento especíico.

As normas internacionais estabelecem diversos signiicados para formas de seta. As setas simples indicam movimento no sentido da seta. Em

combinação com estas, as linhas verticais assinalam o limite inicial e o limite inal do movimento; os pontos representam pontos de referência de onde partem ou incidem movimentos ou ações. Se a cabeça da seta é formada por uma silhueta de um triângulo equilátero se trata de “setas de velocidade”; ao signiicado de direção se soma o de velocidade ao movimento. Se o triângulo equilátero da cabeça da seta é preenchido, se trata de uma “seta de ação”. As setas compostas por um contorno de um espaço vazio sinalizam a direção de luxo de substância; esta mesma seta preenchida simboliza a direção de uma função. As setas de limite possuem uma cabeça delgada (AICHER; KRAMPEN, 1979, p. 32, tradução nossa) 9.

Figura 18: Exemplos de desenhos de acordo com as normas internacionais para signiicados das setas. Da esquerda para

a direita e de cima para baixo: movimento no sentido da seta a partir de um determinado limite, movimento em ambos os sentidos da seta limitado em ambos os sentidos, movimento contínuo limitado com retorno (oscilação), movimento com mudança de direção, circuito continuo de repetição, movimento no sentido da seta com salto, giro parcial, movimento no sentido da seta, movimento com indicação de velocidade, ação, luxo de substância, velocidade rápida, devagar, ação a partir

de um ponto, ação em ambos os sentidos até um ponto. Fonte: AICHER; KRAMPEN (1979, p.32 e 33). 11

Comentando o conjunto de imagens apresentado na igura 18, é possível detectar que, até nas normas internacionais, existem nuances de signiicados e funções comunicativas para o símbolo gráico seta, neste caso, relacionadas a cada forma especíica da seta.

Ao lado de exemplares com função puramente direcional podem ser reconhecidos alguns signiicados agregados como o de oscilação, o de velocidade e o de ação.

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9 (AICHER ; KRAMPEN, 1979, p. 32) Las normas internacionales establecen diversos signiicados para formas de lecha. Las

lechas simples indican movimiento en el sentido de la lecha. En combinación con éstas, las líneas verticales señalan el limite inicial y el limite inal del movimiento, los puntos representan puntos de referencia de los que parten o sobre los que inciden movimientos o acciones. Si la cabeza de la lecha está formada por la silueta de un triángulo equilátero se trata de “lechas de velocidad”, al signiicado de dirección se le añade pues el de la velocidad del movimiento. Si el triángulo equilátero de la cabeza de la lecha está relleno se trata de una “lecha de acción”. Las lechas compuestas por un peril que encierra un espacio vacio señalizan la dirección de lujo de substancia; esta misma lecha rellena simboliza la dirección de una función. Las “lechas de acotación” tienen una cabeza delgada.