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A GARBHA E S AGARBHA

No documento Yoga (páginas 136-140)

na proposta da nossa sublime Uniăo?

A GARBHA E S AGARBHA

Os pránáyámas também são classificados conforme incluam mentalização de mantras ou não.

Os exercícios mais simples, para iniciantes que ainda não têm domínio sobre os vrittis, são denominados agarbha pránáyáma, ou respiratórios sem o poder criador do manasika japa. Os exercícios mais adiantados, para veteranos, são chamados sagarbha pránáyáma, ou respiratórios com a fecundidade do manasika japa (a repetição mental do mantra).

Estas variedades de classificação nos permitem a elaboração de sofisticadas nuances que encontram-se descritas uma por uma, conforme a tradição milenar, nas páginas seguintes.

DI N A M I ZA Ç Ã O D O PR Á N Á Y Á M A

As técnicas de Yôga são muito poderosas mas, ao mesmo tempo, extremamente seguras. Não obstante, para torná-las ainda mais fortes, utiliza-se acoplá-las com outras, produzindo-se, assim, um fator acumulativo exponencial, de progressão geométrica.

Dessa forma, no início, o praticante aprende as técnicas em separado. Depois, vai-se adestrando na arte de associar duas; depois, três; depois, mais técnicas simultaneamente. Por exemplo, combina-se um ásana com um pránáyáma; em cima disso, soma-se um mudrá; sobre esse resultado, acrescenta-se um bandha; e, ainda por cima, associa-se um mantra e uma mentalização! O produto é uma prática de altíssima voltagem.

BANDHAS

Os bandhas são contrações ou compressões de plexos e glândulas. Muitos pránáyámas e ásanas utilizam bandhas como fatores de potencialização do exercício. Os principais bandhas são:

múla bandha forte contração dos esfíncteres do ânus e da uretra. Se repetido muitas vezes, é chamado de aswiní bandha (em algumas escolas é denominado aswiní mudrá). Para os homens aumenta bastante a potência sexual e auxilia o controle da ejaculação precoce. Para as mulheres desenvolve o domínio da musculatura vaginal. São também técnicas tântricas para amplificar o prazer no sexo.

uddiyana bandha

retração do abdome até que o contorno das vértebras se desenhe na pele abdominal. Existe a variedade estática, tamas uddiyana bandha, e a dinâmica, rajas uddiyana bandha. Mediante esta última, logra-se o agnisára kriyá.

bandha Auxilia a execução do kúmbhaka e contribui para o controle do peso.

jíhva bandha compressão da língua contra o céu da boca, na parte macia, atrás. Produz estimulação por massageamento na pineal, via propagação da pressão intra-craniana.

Os três primeiros bandhas – múla bandha, uddiyana bandha e jalándhara bandha – quando praticados conjuntamente, um depois do outro são denominados bandha traya, “o bandha tríplice”.

MUDRÁS

Os mudrás mais utilizados nos respiratórios são o jñana mudrá, pelos iniciantes, e o atmam mudrá, pelos avançados. Outros mudrás podem ser aplicados aos pránáyámas, conforme os objetivos do instrutor que ministrar a prática.

ÁSANAS

Existem ásanas específicos para a prática de pránáyáma. São ásanas de pouca ou nenhuma solicitação cinesiológica, portanto, praticamente neutros nesse sentido.

Os ásanas ideais para a execução de respiratórios são os sentados com as costas naturalmente eretas, da categoria denominada dhyánásanas, justamente por serem também os melhores para a consecução do dhyána (meditação).

São eles: samánásana, siddhásana, padmásana, swastikásana, vajrásana, virásana, bhadrásana, etc. O sukhásana é tolerado, mas não é recomendado. O samánásana serve para o iniciante e mesmo para o avançado, quando fizer práticas despretensiosas. O siddhásana é escolhido para práticas visando ao despertamento dos siddhis e da kundaliní. O padmásana, para quando queremos alcançar logo estados mais profundos de meditação. O vajrásana é para quem não consegue cruzar as pernas com conforto, ou quando não há espaço, ou para as pessoas que têm dificuldade de manter a coluna reta. O bhadrásana,

para quem deseja melhorar a abertura pélvica. Ainda temos os três primos: idásana, píngalásana e sushumnásana, para pránáyámas adiantados, que visem a trabalhar separadamente as nádís ídá, píngalá e sushumná.

O sukhásana não é recomendado pelo fato lamentável de muitos ensinantes leigos valerem-se desse exercício para podar o progresso dos seus alunos e, por esse expediente, tentarem impedir que seus pupilos ultrapassem os orientadores. Tal procedimento é anti-ético e vão, pois, mais cedo ou mais tarde, os aprendizes travam contacto com um bom livro e descobrem o truque. É que no sukhásana os pés impedem que as pernas desçam sob a ação da gravidade. Por isso, ao longo dos anos, os joelhos não cedem e o praticante não consegue executar o padmásana. Sem este, fica impedido de executar algumas centenas dos mais adiantados exercícios...

Por outro lado, ter medo de ser superado pelo discípulo e solapar seu aperfeiçoamento é procedimento indigno que denota insegurança, egoísmo e desonestidade do ensinante (que não merece ser chamado de instrutor). Um bom Mestre é aquele que consegue conduzir os discípulos a um tal progresso que estes cheguem a superar seu preceptor. A conseqüência de alguns ensinantes tentarem “esconder o leite” é que, nessas escolas, a qualidade do ensinamento vai caindo de geração em geração, até perder-se totalmente.

Enquanto isso, noutras, como o Swásthya, a cada geração os novos discípulos superam tanto os seus Mestres que o ensinamento vai conquistando uma qualidade superlativa. E os Mestres, cada vez mais, são enaltacidos pelos méritos dos discípulos que escrevem livros excelentes, dão classes de padrão incomparável e tornam-se virtuoses nas coreografias.

CO N T R A-IN D I C A Ç Õ E S

Estão contra-indicados os exercícios respiratórios com retenção ou ritmo a todas as pessoas portadoras de problemas cardíacos, pressão alta e saúde abalada em geral. Mas, como o Yôga não é terapia, portanto não está dirigido a pessoas enfermas, então, esta informação é meramente pro forma, assim como o exame médico, obrigatório em

todo estabelecimento para a prática de qualquer modalidade de exercícios.

No documento Yoga (páginas 136-140)