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3 Revisão de Literatura

3.6 As Comunidades Virtuais de Prática

3.6.3 A Gestão nas Comunidades Virtuais de Prática

A autogestão é um traço fundamental das CoP (presenciais e virtuais) e esteio para realização e evolução das atividades que acontecem no interior destes agrupamentos (CHRISTOPOULOS, 2008). O reconhecimento de que as comunidades de prática podem se desenvolver e até assumir uma complexidade maior do que a exibida no seu estágio inicial, é

aspecto que tem impacto direto no processo de gestão desses coletivos (HUMES; REINHARD, 2006).

A gestão interna das CoP apresenta-se como fenômeno bastante associado aos papéis que são exercidos pelos membros que as compõem. Segundo Braga (2008), esses papéis tanto surgem espontaneamente como podem ser criados, tornando-se mais intrincados à medida que tais comunidades crescem e se tornam mais formais.

O papel da liderança é considerado fundamental na gestão de qualquer ambiente organizacional, consistindo em um processo que envolve conduzir ações ou direcionar o comportamento de outras pessoas rumo ao atingimento de determinado propósito (MAXIMIANO, 2000).

Nas CoP a liderança é função que tem grande peso, em geral traduzindo-se na capacidade de orientar os demais membros do agrupamento rumo à consecução de objetivos pré-estabelecidos, através do trabalho cooperativo, de forma que o líder precisa conhecer plenamente o domínio da CoP, uma vez que sua atividade é crucial para o crescimento e durabilidade do grupo (MIRANDA; OSÓRIO, 2008).

Assim como acontece nas CoP presenciais, a gestão, ressalvadas algumas particularidades, também acontece e é necessária nas CoVP. Na visão de Bourhis e Dubé (2010), as três práticas de gestão de maior impacto contributivo para o sucesso das comunidades virtuais consistem:

 Em ações que objetivam uma cultura de partilha de conhecimentos;

 Em ações de fornecimento de recursos adequados para a operação e monitoramento da comunidade;

 Em ações de liderança, que têm como propósito tratar dos problemas que afetam o agrupamento.

Na perspectiva de Miranda e Osório (2008), a liderança nas CoVP pressupõe o compromisso com o desenvolvimento de um contexto apropriado às interações e às necessidades do grupo, devendo o líder ser capaz de gerir, coordenar, orientar, estabelecer normas de funcionamento e ajudar nas atividades de tomada de decisão das comunidades. Ainda no entendimento destes autores, algumas vezes a liderança poderá estar associada ao papel de moderador da comunidade, promovendo uma série de tarefas no ambiente virtual e estimulando a participação, a motivação e o trabalho em rede entre os membros do agrupamento (papel que se supõe esteja reservado ao líder do grupo de pesquisa na IFES).

Além da função de líder ou moderador, outros papéis podem ser identificados nas CoP e nas CoVP. Segundo a classificação de Andrade (2005) e de Braga (2008), apresentada no

quadro 5, esses papéis são formais ou voluntários, mas que de uma forma ou de outra dependem bastante do modo de gestão do agrupamento.

Andrade (2005) Braga (2008)

Relações Públicas

Responsável pelo recebimento

dos novos membros da

comunidade e também pela promoção de um espaço para solução de dúvidas, pelo incentivo à participação e pela proposição de tópicos e linhas de debate

Coordenador Responsabiliza-se pelo cultivo da

comunidade, buscando apoio financeiro e institucional e distribuindo as atividades da comunidade

Moderador Atua na atividade de moderação das

operações desenvolvidas pela comunidade no plano virtual e presencial

Editor Gerencia o conteúdo da

comunidade, fazendo a

seleção daquilo que gera interesse e que tem qualidade, removendo, assim, conteúdos inadequados ao grupo

Redator Realiza a documentação das práticas,

registrando-as e divulgando-as para a comunidade

Especialista Especialista com experiência e domínio de

uma área de interesse que atua como fonte de conhecimento na comunidade

Coordenador de Eventos

Tem como sua atribuição o planejamento e a execução de

eventos, determinando o

tempo, o lugar e os

participantes desses encontros, além do encargo de divulgar os resultados dos mesmos

Facilitador do Conhecimento

Facilita o conhecimento entre os membros da comunidade, endereçando as solicitações para os peritos mais experientes

Organizador de Eventos

Organiza os eventos e atividades da comunidade, tanto no âmbito virtual quanto no presencial

Integrador Faz a integração da comunidade com as

outras comunidades da instituição

Especialista Encarregado de dar suporte

especializado seja a questões tecnológicas vinculadas aos sistemas computacionais de que se vale a comunidade,

fazendo as necessárias

alterações ou atualizações

nesses sistemas, seja a outras

áreas de interesse do

agrupamento

Mentor Auxilia os novos membros, instruindo-os

com relação às normas e processos adotados pela comunidade

Coordenador de Conteúdos

Faz a busca, a recuperação, a exclusão e a transferência dos conteúdos da comunidade Suporte

Técnico

Dá apoio no suporte técnico na área de TI,

assegurando o funcionamento das

ferramentas utilizadas pela comunidade

Quadro 5 – Papéis representados nas comunidades de prática presenciais ou virtuais Fonte: Baseado em Andrade (2005) e Braga (2008).

Como a preocupação desta dissertação consiste em retratar os aspectos de gestão em grupos de pesquisas com funcionamento semelhante ao de CoVP, acredita-se ser possível encontrar estes papéis, em parte ou na totalidade dos mesmos, nos arranjos submetidos à investigação.

A gestão dos agrupamentos virtuais pode ser associada às atividades de comunicação, colaboração e coordenação. Segundo Candotti e Hoppen (1999), a TI, ao ser utilizada nos grupos, amplia as possibilidades de comunicação entre os seus integrantes e dá suporte à realização das tarefas cooperativas; possibilita a colaboração baseada nos recursos de telecomunicações, de forma que o grupo compartilha conhecimentos e alcança os seus

objetivos através de um esforço conjunto de seus membros; dá suporte à coordenação dos esforços individuais de cada um dos membros do grupo.

Essas atividades de comunicação, colaboração e coordenação, por sua vez, ao serem realizadas no ambiente das CoVP, constituem ações de gestão que se relacionam diretamente aos mecanismos de interação, organização e controle. Segundo Fuks, Raposo e Gerosa (2003), as ferramentas de TI voltadas para a comunicação e a colaboração dão suporte às interações entre os integrantes de um coletivo para o compartilhamento de idéias e a atuação conjunta dos mesmos; já as ferramentas direcionadas para a coordenação, permitem a organização e o controle dos agrupamentos, pois dão apoio ao gerenciamento de recursos e de tarefas com o intuito de garantir que o trabalho colaborativo do grupo seja realizado rumo ao atingimento de seus objetivos.

A gestão, assim, por envolver as atividades de comunicação, colaboração e coordenação, e, conseqüentemente, os mecanismos de interação, organização e controle, é função que tem ligação com os objetivos de compartilhamento de conhecimentos e de consolidação da identidade das CoVP.

Nas CoVP, a junção da natureza informal com as possibilidades ofertadas pela tecnologia da informação tornam mais fácil a gestão e o desenvolvimento destas estruturas coletivas (MARIA; FARIA; AMORIM, 2008). A TI se apresenta como um recurso facilitador da operacionalização das tarefas de gerência destas comunidades, aspecto, por sinal, sobre o qual se debruça a presente dissertação, ao tentar identificar a existência de mecanismos de interação, organização e controle, e os seus efeitos, no âmbito dos grupos de pesquisa que funcionam nos moldes de comunidades virtuais de prática.