4 Procedimento Metodológico
4.5 Coleta de Dados
4.5.2 Questionário
O questionário é um instrumento de pesquisa amplamente utilizado nas pesquisas de diversas áreas das ciências sociais, tendo como funções descrever características e medir determinadas variáveis de um grupo social (RICHARDSON, 2009). Esse instrumento fornece subsídios reais acerca do universo ou amostra pesquisada, de forma que a elaboração de suas questões deve estar fundamentada no problema formulado, nos conceitos pertinentes ao tema pesquisado e, sobretudo, as suas questões devem ter relação direta com a realidade da pessoa que irá respondê-lo (OLIVEIRA, 2003).
Segundo Chagas (2000), um questionário pode conter questões abertas, de múltipla escolha ou dicotômicas. Nas questões abertas, os respondentes têm a liberdade para responderem com as suas palavras, sem seguir uma lista de alternativas. Nas questões de múltipla escolha, os respondentes optam por uma das alternativas ou por um número limitado de opções. Nas questões dicotômicas, obviamente, os respondentes têm apenas duas opções
de resposta, no entanto, sem implicar em prejuízos, podendo ser inserida uma terceira alternativa indicando desconhecimento ou falta de opinião sobre o assunto.
De acordo com Boni e Quaresma (2005), uma das vantagens de se utilizar o questionário é que nem sempre é necessária a presença do pesquisador na sua aplicação. Além disso, o uso desse instrumento consegue atingir ao mesmo tempo um grande número de pessoas e dá maior liberdade de resposta devido ao anonimato. Já como desvantagens, sobretudo quando a aplicação não é presencial, citam-se as dificuldades no esclarecimento de dúvidas, o uso de terminologias inadequadas, o baixo percentual de retorno e o fato das respostas poderem ser afetadas ou direcionadas pela subjetividade do respondente (BAPTISTA; CUNHA, 2007).
Na presente investigação, após a obtenção das informações acerca dos grupos de pesquisa da UFPE, o modelo de questionário foi elaborado, tomando-se como referência os principais conceitos abordados na revisão de literatura sobre CoP e CoVP. O questionário contou com questões de múltipla escolha e com questões em que, através de uma escala tipo likert, os respondentes deveriam especificar o seu nível de concordância com determinada afirmação. Em seguida, o instrumento foi submetido a um pré-teste antes de ser efetivamente encaminhado para a captura das respostas dos destinatários.
A finalidade do pré-teste é evidenciar falhas na montagem do questionário, verificando a sua validade e precisão (GIL, 2006). O pré-teste, no caso, foi realizado com cinco integrantes do grupo de pesquisa do qual a pesquisadora faz parte, o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Sistemas de Informação (NEPSI). A execução do pré-teste ocorreu através de e- mail, pois esse foi o modo pelo qual, posteriormente, o questionário chegou aos integrantes dos grupos de pesquisa amostrados. No formato do instrumento, após cada questão, deixou-se um espaço para que os membros do NEPSI pudessem fazer considerações ou trazer contribuições úteis à melhoria do instrumento testado. Terminada a fase de testagem, a pesquisadora, a partir dos resultados obtidos, pôde realizar significativas melhorias no questionário, de maneira que algumas questões foram reformuladas para um melhor entendimento e outras acrescentadas, antes da sua definitiva aplicação.
Posteriormente à realização do pré-teste, com a obtenção da versão final do questionário e sua aplicação no público-alvo (ver apêndice A), é que teve início a apuração das informações para identificação dos grupos de pesquisa com perfil de comunidades virtuais de prática. Para tanto, já estavam incorporadas ao questionário questões julgadas relevantes para a captura das características gerais do grupo, sejam aquelas que permitiam identificar os traços específicos de suas semelhanças com as CoP, sejam as questões relativas aos aspectos
de virtualidade que ensejaram à pesquisadora condições de enquadrá-los, ou não, no perfil de CoVP.
Um dos motivos para o envio dos questionários por e-mail deve-se ao grande número de grupos de pesquisa existentes na UFPE, o que tornou inviável um plano de visitação a todos eles.
Com a análise das respostas dos questionários, por fim, a pesquisadora conseguiu não só formar uma idéia das características gerais de funcionamento dos grupos de pesquisa, como obter um dimensionamento real de quantos desses grupos funcionavam nos moldes de comunidades virtuais de prática e de quantos, então, seriam detalhadamente estudados por meio de seleção intencional.
A fase 1 do trabalho de investigação, para todos os efeitos, representou, assim, um profundo esforço de garimpagem, com vistas a fornecer uma visão geral dos grupos encontrados na Universidade e a eliminar estruturas inadequadas ou sem qualquer relação com os objetivos da dissertação.
4.5.3 Entrevista
A entrevista, na visão de Haguette (1997), é um processo em que existe uma interação social entre duas pessoas: o entrevistador, que tem o intuito de obter informações; o entrevistado, a fonte de informações para o primeiro. Segundo Vergara (2004), apesar do fator presencial geralmente se fazer necessário na entrevista, os recursos midiáticos também têm tornado possível a sua realização à distância. Os três tipos de entrevistas mais conhecidos e usados são:
As entrevistas não estruturadas, que deixam aos entrevistados a liberdade de construirem suas respostas, sendo usual em pesquisas que se voltam para o desenvolvimento de conceitos e esclarecimento de situações (GODOI; MATTOS, 2006);
As entrevistas semi-estruturadas, aquelas em que o pesquisador, apesar de seguir um roteiro de perguntas previamente definido, no momento em que considerar oportuno poderá levar a discussão para uma questão de seu maior interesse (BONI; QUARESMA, 2005);
As entrevistas estruturadas, que se caracterizam pelo fato de no momento da entrevista o entrevistador utilizar um roteiro previamente elaborado e conhecido e
que reflete um detalhamento minucioso da problemática investigada (LIMA, 2004).
A técnica de entrevista é fator relevante nas pesquisas desenvolvidas na área das ciências sociais. Na visão de Richardson (2009), as entrevistas são fundamentais para os cientistas sociais por permitirem uma interação face a face e proporcionarem uma melhor possibilidade de se penetrar na vida dos indivíduos, mediante o desenvolvimento de uma estreita relação e comunicação entre as pessoas.
Segundo Marconi e Lakatos (1996), dentre as vantagens da entrevista encontra-se a flexibilidade que a mesma permite, de forma que o entrevistador pode repetir ou esclarecer perguntas, formular de maneira diferente ou especificar algum significado para ter certeza de que está sendo compreendido. Já como desvantagens, citam-se a possibilidade de influência do entrevistado (pelo entrevistador), o dispêndio de tempo e obstáculos tais como a disponibilidade do entrevistado em conceder a entrevista.
As entrevistas empreendidas neste trabalho classificam-se como semi-estruturadas (padronizadas abertas), já que a pesquisadora decidiu seguir um roteiro de perguntas previamente definido, fazendo isso de modo muito semelhante ao de uma conversa informal.
O roteiro de entrevista desta dissertação (ver apêndice B) foi elaborado tomando-se como referência as principais percepções encontradas na literatura sobre a temática e a preocupação em trazer perguntas que enfatizassem as principais formas de interação, organização e controle usadas nas comunidades virtuais de prática, em especial aquelas derivadas do emprego de TICC e também aplicadas na autogestão destes agrupamentos.
A rigor, em um primeiro momento, um exemplar do roteiro de entrevista foi elaborado e testado junto a um doutorando do NEPSI, ocasião em que a pesquisadora teve a oportunidade de realizar uma avaliação preliminar do instrumento. Esse pré-teste teve cerca de uma hora de duração e foi bastante proveitoso não só para verificar a adequação do esquema de perguntas e o seu ajuste aos objetivos do estudo, mas também para testar a clareza, a consistência e a compatibilidade das proposições formuladas no roteiro como todo. Além disso, serviu para que a própria entrevistadora pudesse fazer uma autocrítica em relação ao tempo e ao seu modo de conduzir a entrevista.
Feito isto, a fase de realização das entrevistas se iniciou após a análise das informações obtidas por meio do questionário, momento em que já se dispunha de um dimensionamento realístico sobre os grupos de efetivo interesse do estudo. Nesse sentido, para a realização dessas entrevistas, a pesquisadora efetuou um contato prévio, por e-mail,
com os responsáveis pelos agrupamentos com perfis de CoVP, de modo a agendar o dia e horário para a execução das mesmas (ver apêndice C).
As entrevistas tiveram como público-alvo sempre um líder e um membro de cada um dos grupos (CoVP) selecionados. O propósito foi o de obter percepções diferentes, convergentes ou não, dos integrantes dos agrupamentos acerca dos mecanismos de interação, organização e controle empregados, isto é, percepções da parte sobre quem recai a maior responsabilidade pela aplicação destes mecanismos e da parte de quem a eles se submete. Esse ajustamento de opiniões proporcionou resultados enriquecedores para o trabalho de análise, principalmente pela possibilidade de confronto entre as visões do líder e do liderado.