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O envelhecimento é pautado geneticamente para uma espécie, ou seja, há um aspecto universal e generalizante nesse fenômeno, o que significa que todos os seres humanos são por ele afetados (NERI, 2005; NUNES, 2010). Dessa forma, quem não morrer precocemente, com certeza, envelhecerá (BEAUVOIR, 1990). Trata-se de um processo inevitável, natural e processual, compreendido como processo de vida (GARCIA, 2007; MARTINS, 2010; NASCIMENTO, 2010; SOUZA, MATIAS e BRETAS, 2010).

Todavia, ao mesmo tempo em que é amplo, o processo de envelhecimento, ou seja, o declínio biológico enfrentado pelo homem – processo lento e silencioso que acompanha a pessoa por toda a vida (NUNES, 2010; PASCHOAL, 2011; TAVARES, 2015) –, possui um forte componente individual. O ritmo, a duração e os efeitos do envelhecimento variam de indivíduo para indivíduo, comportando diferenças de natureza genético-biológicas, sócio históricas, culturais e psicológicas, uma vez que as idades cronológica, fisiológica e psicológica raramente coincidem12 (BEAUVOIR, 1990; BOSI, 2003; FIGUEIREDO, 2005; GARCIA, 2007; LOUREIRO, 1998; NASCIMENTO, 2010; NERI, 2005; NUNES, 2010; PAPALÉO NETTO, 2016; 2011; PASCHOAL, 2011; SALGADO, 2000; SILVA, 2010; TAVARES, 2015; WHO, 2015).

Trata-se de um processo complexo, heterogêneo, multidimensional (GARCIA, 2007; NUNES, 2010; PASCHOAL, 2011; SILVA, 2010), ou ainda, multifacetado e

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Uma breve explicação sobre as idades biológica, cronológica, psicológica e social pode ser encontrada em Papaléo Netto (2016; 2011). No estudo realizado por Souza, Matias e Bretas (2010), sobre envelhecimento no mercado de trabalho, é possível encontrar excertos de entrevistas que retratam a discrepância entre envelhecimento físico e psicológico.

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multifatorial (PAPALÉO NETTO, 2016). Existe uma dimensão existencial que se modifica com a relação do indivíduo com o tempo, com o mundo e com sua própria história (RIBEIRO e JANEIRO, 2015). Não existe um caso típico de idoso (WHO, 2015). “Ninguém repete o envelhecimento do outro” (PASCHOAL, 2011, p. 103).

Mais do que em qualquer outro grupo etário, existem grandes diferenças individuais entre os idosos, seja na idade – neste segmento estão incluídas pessoas de 6013 a mais de 100 anos (CAMARANO e KANSO, 2011; CAMARANO, KANSO e FERNANDES, 2012; GARCIA, 2007; TAVARES, 2015) –, no gênero, na etnia, na religião, nos aspectos físicos, mentais e psicológicos ou nas condições socioeconômicas (ambientes físicos e sociais, educação e renda) e de saúde (NUNES, 2010; PASCHOAL, 2011; RIBEIRO e JANEIRO, 2015; SILVA, 2010; SOUZA, 2010; UNFPA, 2012; WHO, 2015).

Em relação à idade, autores como Herédia, Corteletti e Casara (2010a) e Camarano e Kanso (2009) apresentam dois extremos do envelhecimento. Para isso, os idosos são agrupados em categorias distintas – ‘idosos jovens’ e ‘idosos mais velhos’. Para cada grupo definiu-se uma idade específica. Para Herédia, Corteletti e Casara (2010a), os idosos jovens correspondem aos indivíduos de 60 a 69 anos, enquanto Camarano e Kanso (2009) enquadram nesta população os indivíduos entre 60 e 79 anos. Em tese, os ‘idosos jovens’ ainda cumprem com as mesmas atribuições desempenhadas ao longo de sua vida, gerenciam suas obrigações sociais e auxiliam as pessoas de seu convívio com sua presença, experiência e sabedoria, além de possuírem maior autonomia sem necessidade direta de intervenção da família (HERÉDIA, CORTELETTI e CASARA, 2010a).

Já o termo ‘idosos mais velhos’ corresponde aos indivíduos de 80 anos e mais (HERÉDIA, CORTELETTI e CASARA, 2010a; CAMARANO e KANSO, 2009). Trata-se de uma fase de perdas significativas, que, por conseguinte, leva os indivíduos à dependência nos aspectos físicos, mentais e emocionais. É nas idades mais avançadas onde se encontra maior incidência de doenças crônico- degenerativas e dificuldade em lidar com as atividades do cotidiano (CAMARANO, 2006; LEBRÃO e DUARTE, 2007). Convém destacar que tais definições, propostas

13 “O limite de idade entre o indivíduo adulto e o idoso é de 65 anos para as nações desenvolvidas e

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por Camarano e Kanso (2009) e Herédia, Corteletti e Casara (2010a), apresentam uma tendência, não constituindo regra imutável, pois é possível, por exemplo, encontrar idosos jovens em estado de dependência física e/ou mental assim como idosos mais velhos que dispõem de boas condições de saúde (LOCATELLI, 2012).

O processo de envelhecimento também atinge a homens e mulheres de formas distintas. Isso porque as relações de gênero estruturam todo o curso de vida, influenciando o acesso a recursos e oportunidades com impacto contínuo e cumulativo. Além disso, homens e mulheres possuem diferentes padrões de saúde e morbidade e as mulheres geralmente têm menor renda, mas maiores e melhores redes de apoio familiar (ALCÂNTARA, 2004; TAVARES, 2015; UNFPA, 2012).

Essas diferenças são acentuadas pelas condições desiguais de vida e de trabalho a que as pessoas idosas foram submetidas (FERREIRA et al., 2010) e pelas distintas trajetórias vivenciadas – muitas das quais fortemente marcadas por desigualdades sociais, regionais e raciais em curso no país (CAMARANO e KANSO, 2011), além de circunstâncias histórico-culturais e a incidência ou não de patologias entre o início da vida e o envelhecimento (RIBEIRO e JANEIRO, 2015). Portanto, cada grupo de idosos – a exemplo dos de baixa renda, de mulheres, de homens, de indígenas, de analfabetos, de população urbana ou rural, entre outros – apresenta necessidades e interesses que devem ser tratados especificamente, por meio de programas e modelos de intervenção adequados a cada segmento (UNFPA, 2012).

No que se refere à saúde, por um lado, muitos idosos podem adquirir incapacidades irrecuperáveis em um ou mais domínios físico, mental, psicológico ou socioeconômico. As condições crônico-degenerativas diminuem as reservas funcionais, resultando na incapacidade. Outros, por sua vez, permanecem saudáveis e com alto nível de habilidade funcional até anos tardios, mantendo estáveis as características já mencionadas (PASCHOAL, 2011).

A precariedade na saúde não precisa dominar a idade mais avançada (WHO, 2015). Os efeitos biológicos do envelhecimento têm sido progressivamente atenuados, manifestando-se cada vez mais tardiamente em relação à idade cronológica dos indivíduos (TAVARES, 2015). A existência de hábitos e estilo de vida saudáveis possibilita, na ausência de doença grave, a adaptabilidade e reserva funcional para a realização da maioria das atividades (PASCHOAL, 2011).

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Como visto, o processo de envelhecimento ocorre de maneira diferente para cada pessoa, podendo variar fortemente de indivíduo para indivíduo, mas, também, de sociedade para sociedade. Para ser compreendida, a velhice deve ser analisada em sua totalidade, uma vez que não corresponde apenas a fatores biopisíquicos, mas também sociais e culturais (BEAUVOIR, 1990; BOSI, 2003; RIBEIRO e JANEIRO, 2015) – questão abordada na próxima seção.