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De acordo com o Decreto nº 241/61, o tamanho e os limites do Parque Nacional de Brasília são estabelecidos nos seguintes termos:

“... Art. 2º - O Parque ora criado terá área aproximada de 30.000 hectares situada entre os paralelos 15º 35’ e de 15º45’ e os meridianos 48º5’ e 48º53’ com a seguinte linha divisória: ao norte, nordeste e noroeste, pela Estrada Parque do Contorno – EPCT; ao sul pela Estrada Parque Acampamento – EPAC; ao sudoeste pelo córrego Acampamento; ao leste pela Estrada Indústria e Abastecimento – EPIA e pela Estrada Parque do Contorno – EPCT; e ao oeste, pela Estrada Parque do Contorno.”

Sobre a fixação da área, a regularização fundiária e a instalação definitiva da Unidade de Conservação, o Decreto nº 241/61 dispõe:

“... Art. 3º - A área definitiva do Parque será fixada depois de indispensável estudo e reconhecimento da região, a serem realizados sob a orientação e fiscalização do Serviço Florestal do Ministério da Agricultura...”

“... Art. 5º - Fica o Ministério da Agricultura, através do Serviço Florestal, autorizado a entrar em entendimento com a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (NOVACAP), com a Prefeitura do Distrito Federal e com eventuais proprietários de áreas e benfeitorias dentro

promover doações e efetuar desapropriações, podendo, ainda, adotar outras medidas que se fizerem necessárias para a sua instalação definitiva...”

Figura 1: Limites do Parque Nacional de Brasília conforme Decreto nº 241/61

Proposta da NOVACAP

Em 25 de maio de 1966, o Conselho de Administração da Novacap, na sua 420º sessão, aprovou uma proposta de alteração dos limites do parque, que ficou conhecida como PR 31/1. A PR 31/1 ultrapassava a Estrada Parque Acampamento e a margem esquerda do córrego Acampamento, avançando, ao sul, em terras ocupadas pelo 1º Regimento de Cavalaria e Guarda, pelo Grupo de Artilharia Antiaérea e pela Companhia de Suprimento do Exército (pontos 1 e 2). A PR 31/1 deixava fora dos limites a região que se estende a partir da borda da Chapada da Contagem, as nascentes e vales dos córregos Açude e Invernada, o baixo curso do Ribeirão Torto e a margem esquerda do ribeirão do Bananal, entre a cerca do Parque e a via EPIA (ponto 3). O polígono da PR 31/1 configurava uma área de aproximadamente 28.400 hectares. Os limites propostos nunca foram formalmente aceitos pelo Ministério da Agricultura e o Decreto não foi alterado.

No entanto, o limite de fato do parque que acabou predominando tem muito a ver com esta proposta.

Figura 2: Limites do Parque Nacional de Brasília propostos pela NOVACAP em 1966

Os limites cercados

O perímetro cercado do parque percorre aproximadamente 100 quilômetros e engloba 28.950 hectares. A cerca segue em boa parte o traçado proposto na PR 31/1. A Figura 3 mostra os limites do parque cercados e a figura 4 ressalta as diferenças existentes entre o perímetro cercado do parque e os limites estabelecidos pelo Decreto nº 241/61.

Um total de aproximadamente 1780 hectares, ou seja, 5,9% da área da Unidade de Conservação, ficaram fora dos limites cercados. Quando da revisão do plano de manejo do parque, a equipe encarregada pesquisou as possíveis razões para as diferenças observadas entre os dois limites e assim concluiu com relação a cada trecho:

- Trechos 1, 2 e 3 (fig. 4):

A história do cercamento do Parque possibilitou esclarecer alguns aspectos. A cerca é formada por mourões de concreto enlaçados por 10 fios de arame farpado, com uma altura média de 1,60 metros. A sua execução iniciou-se na década de 60, apesar das dificuldades que existiam na época (pessoal, material e recursos). A solução encontrada foi a montagem de uma fabriqueta de concreto no Parque, operada pelos funcionários e por contratados, posteriormente aproveitados no quadro do órgão. Parte do material foi conseguido em troca de serviços de fabricação de meios-fios e postes e de outras atividades que vinham do convênio florestal que precedeu a criação do Parque, como jardinagem e

Figura 3: Limites cercados do Parque Nacional de Brasília

Figura 4: Diferenças entre os limites legais e os limites cercados do Parque Nacional de Brasília. Os números correspondem aos trechos citados no texto.

da área, principalmente, exploradores de cascalho e areia. Grande parte do posteamento ocorreu antes da demarcação e construção da Estrada Parque Contorno – DF-001 definitiva, ou seja, a direção da cerca orientou-se por uma via provisória. Quando da construção da EPCT, o trajeto foi modificado em alguns trechos distanciando-se da cerca já existente. Faixas do antigo percurso da estrada ainda existem rentes à cerca.

- Trecho 4:

Esse ponto está sob o controle do Exército desde os governos militares. O Parque foi criado contíguo ao Regimento de Cavalaria e Guarda, ao Grupo de Artilharia Antiaérea – o “estande de tiros” – e à Companhia de Suprimento e Municiamento – o “paiol”. O Exército, de forma unilateral, isolou e reservou esta parcela, dentro dos limites legais do parque, destinando-a ao recebimento de impacto balístico dos projéteis lançados a partir do “estande de tiros”. Construiu, também, valas e trincheiras e represou o córrego Acampamento para treinamentos e exercícios militares. Apesar do fim do regime militar e da incompatibilidade legal e prática da situação, a área ainda não foi reintegrada ao Parque.

- Trecho 7 – Granja do Torto e região dos córregos Invernada e Açude:

Da leitura das atas do conselho da antiga Novacap, elaboradas no período de 1961 a 1970, e consulta a antigos processos que tramitaram no Serviço Florestal verificou-se que, em 1963, o Serviço de Patrimônio da União instruiu que as dimensões do Parque deveriam ser revistas, em razão de parte da área sobrepor-se a áreas do Ministério da Guerra e da Sociedade de Abastecimento de Brasília/SAB. Na 420º Sessão da NOVACAP, de 25/5/66, foram aprovadas várias plantas, entre as quais a PR 31/1 que sobrepôs parte da área do Parque com terras repassadas a estes órgãos. O conselho, em sua 239º reunião, realizada em 1962, havia aprovado a doação ao Ministério da Guerra de área para a localização do Setor de Munição e do Regimento de Cavalaria e Guarda. A ata da assembléia geral ordinária da Novacap, realizada em 27 de abril de 1970, traz referência à Granja do Torto (parque de exposições) e autoriza a cessão definitiva dessa área para uso da Secretaria de Agricultura e Produção. Isso elucida o recuo da cerca do Parque para ceder mais espaço à Granja do Torto. Embora definida pela planta 83/1, a poligonal da Granja do Torto não foi registrada. Mesmo assim, no final da década de setenta, seu polígono avançou novamente para o Parque, inclusive em áreas já cercadas. Um antigo posto de fiscalização do Parque que ali funcionava, e que hoje se encontra na área urbana da Granja do Torto, comprova esse avanço.

Quanto à região do córrego Invernada e do córrego Açude, o conselho da Novacap, ao aprovar a PR 31/1, não explicitou as razões da sua exclusão do Parque. Também nas reuniões que se seguiram tampouco se identificou usos e destinatários. As terras ignoradas foram ocupadas por terceiros. Os primeiros ocupantes constituíram chácaras e sítios isolados. No plano de manejo do Parque Nacional de Brasília, de 1978, obtém-se a informação que essa área, não estava cercada na época de sua elaboração. Por isso, foi listada a atividade “complementar a cerca do Parque”. Para sua execução foi contratada firma prestadora de serviço. Os postes da cerca nesse trecho diferenciam-se daqueles afixados pelo pessoal do Parque. Além disso, a memória viva não registra a presença de ocupações no local antes do cercamento; a não ser de um antigo morador que ali ocupou pequena área e emprestou seu nome a uma cachoeira próxima. Esses fatos, no entanto, pouco contribuem para entender o motivo do não-cercamento da área.

Outra tentativa de alterar os limites do parque materializou-se por intermédio do Decreto Distrital nº1601/94, através do qual o Governo do Distrito Federal - GDF instituiu uma comissão para estabelecer os limites definitivos da Unidade de Conservação, designou técnicos do Instituto de Planejamento Territorial e Urbano do Distrito Federal/IPDF, da Agência de Saneamento do Distrito Federal/Caesb, da Terracap e do Instituto de Ecologia e Meio Ambiente/Iema e convidou o IBAMA para participar. A Caesb apresentou uma proposta de nova poligonal, na qual se previa a redução dos limites cercados. Como carecia ao GDF legitimidade para montar e coordenar grupo de trabalho com essa finalidade, o IBAMA não reconheceu o Grupo nem indicou representantes.

Em 1999, o IPDF elaborou um dossiê sobre os limites do Parque e enviou-o ao IBAMA, com sugestão de novo limite. Também, encaminhou proposta de autoria da CAESB. A Figura 5 sintetiza as duas poligonais enviadas. A poligonal de autoria do IPDF segue o traçado da PR31/1 nos limites sudeste a leste. Nessa situação, a área do Parque seria de 29.380 hectares. Na proposta que prevê a transferência de áreas adicionais para a Caesb (marcadas em cinza na figura 5), o polígono desloca a cerca do Parque ao redor do espelho d’água da represa do Torto e do baixo curso do ribeirão Bananal até a sua confluência com o córrego Rego.

Figura 5: Limites propostos pelo IPDF e pela Caesb.

A Granja do Torto e a região dos córregos Invernada e Açude, pelo tamanho (1343 hectares) e pela localização, diversificação e institucionalização dos usos, é a principal área de conflito envolvendo a definição dos limites do Parque Nacional de Brasília.

A Granja do Torto, a princípio, esteve sob a responsabilidade da Sociedade de Abastecimento de Brasília/SAB e depois, por vários anos, da Fundação Zoobotânica do DF/FZDF. Parte da área foi transferida à Presidência da República. No momento, grande proporção das terras e instalações pertence à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do DF, sucessora da FZDF. Entre os imóveis incorporados, listam-se as sedes e os terrenos concedidos/arrendados à Associação dos Criadores da Granja do Torto; ao Parque de Exposição Agropecuária; à Associação Nacional de Equoterapia; ao Frigorífico Frigoalfa; ao Centro de Pesquisas de Eqüinos e Bovinos da Secretaria de Agricultura do DF e ao Hospital Veterinário utilizado pela Universidade de Brasília.

Os espaços e edificações que consolidam o uso urbano na Granja do Torto estão representados pelas vilas da Presidência da República, dos Técnicos, Operária e do Setor Residencial “A”, bem como pelo assentamento Weslian Roriz. As vilas foram estabelecidas para servidores ligados à Presidência da República e à Secretaria de Agricultura no final da década de setenta e início da de oitenta. Originalmente, comportavam poucos domicílios e um pequeno número de moradores. Entretanto, a ausência de ordenamento e fiscalização acabou fomentando reformas, ampliação e adensamento das ocupações. A Vila Operária agregou construções improvisadas e formou a invasão da Rua 5, contígua à área de preservação permanente do Ribeirão do Torto. Em 1991, a Fundação Zoobotânica iniciou o projeto de implantação da Vila Weslian Roriz, com o propósito de doar lotes àqueles que viviam em condições irregulares e insalubres nas vilas pioneiras.

Embora instituída pelo Governo do Distrito Federal, a Vila Weslian Roriz é inteiramente irregular. Apresenta-se como parcelamento rural, sem ter padrões que lhe caracterizem como tal; não foi encontrado qualquer documento que a identifique junto à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitacional do GDF. A vila acrescentou 370 lotes de 150 m² – metragem mínima de parcelamentos urbanos – à Granja do Torto. Atualmente, 100% dos lotes estão edificados e a transferência de ocupação de um imóvel – no padrão de 3 quartos, sala e cozinha – é negociada ao valor de R$ 70.000,00. Os lotes de esquina avançaram na área verde e muitos foram fracionados. O precedente estimulou ampliações nas vilas pioneiras e construções de barracos na invasão da Rua 5. Nessas áreas, o IBGE estimou uma população de 3200 habitantes, em 2000. A Sub-Regional Administrativa do Torto enumera 79 residências que assim se distribuem: 12 na vila Operária, 12 na vila dos Técnicos, 45 no Setor Residencial “A” e 41 na vila da Presidência. Porém, nesta última, apenas 10 casas constam do registro patrimonial da Presidência da República, as demais consistem em casas “de fundo”. As casas formaram um sub-conjunto habitacional que, demarcado por muros, cercas e alambrados, se assemelha a um mini-condomínio fechado em terrenos públicos. Na invasão, os barracos mais antigos, que deveriam ser derrubados à medida que os ocupantes fossem transferidos para o assentamento W. Roriz, foram reocupados e/ou repassados a terceiros. O restante foi erguido por pessoas que também alegam direito de receber lotes em assentamentos previstos na Granja do Torto e por outras que avançaram sobre novas áreas ou que adquiriram parcelas já fracionadas. O preço das frações varia de 3 a 5 mil reais, dependendo da localização. A concentração de edificações continua a crescer. No ano de 2000, eram 62. Nos dois subseqüentes, 81 e 130. Até abril de 2003 já eram mais de 150.

Diversas leis distritais propõem novas áreas urbanas: a Lei nº 1411, de 24 de março de 1997, que autoriza a fixação, pelo Governo do Distrito Federal, do conjunto de ocupações residenciais da Granja do Torto, com a denominação de Conjunto Habitacional Granja do Torto; a Lei Complementar nº 41, de 17 de novembro de 1997, que destina área de 18,35 hectares da Granja Modelo do Torto para assentamento habitacional de servidores da Secretaria de Agricultura e do Jardim Zoológico de Brasília; a Lei Complementar nº 169, de 31 de dezembro de 1998, que inclui os servidores do Jardim Botânico de Brasília nesse assentamento; a Lei Complementar nº 46, de 21 de novembro de 1997, que destina área localizada entre a DF-003, a via de acesso ao Parque de Exposição e a Granja do Torto, para a implantação de projeto habitacional para os servidores da Câmara Legislativa do Distrito Federal e do Tribunal de Contas do Distrito Federal; Lei Complementar nº 184, de 31 de dezembro de 1998, que destina área junto à Granja Modelo do Torto para a implantação de projeto habitacional para os servidores das Carreiras de Fiscalização e Inspeção do DF, de Finanças e Controle do DF, bem como Policiais Civis, Militares e Bombeiros Militares do DF; e, recentemente, a Lei Complementar nº 401, de 2001, que fixa a vila Weslian Roriz. Em trâmite, há o Projeto de Lei nº 1371/2001 que destina área para a implantação de projeto habitacional para os filhos dos pioneiros na vila Weslian Roriz. Os parcelamentos propostos implicam impactos negativos aos recursos naturais do Parque Nacional de Brasília. Assim, a posição do Ibama é determinante na efetivação desses adensamentos. A posição do GT foi pela liberação apenas das áreas nucleares da Granja do Torto e da vila Weslian, sem qualquer possibilidade de expansão da área ocupada e fracionamentos adicionais.

Com referência à região dos córregos Invernada e Açude, os estudos demonstram que a área foi ignorada pelo Poder Público apesar de a maior parte das terras ter sido desapropriada e pertencer à Terracap. Desse modo, as ocupações presentes, em quase sua totalidade, podem ser consideradas invasões de terra pública. Em tais condições encontram- se a área conhecida como Café Planalto e o parcelamento irregular denominado Núcleo Rural Boa Esperança. A primeira, estimada em mais de 100 hectares, foi mantida sob vigilância particular por um empreendedor do ramo imobiliário e, na área, lotes chegaram a ser demarcados com piquetes, mas, a tempo, coibiu-se o parcelamento.

O Núcleo Rural Boa Esperança (NRBE) registra 113 chácaras que totalizam 264 hectares. A proximidade com o Plano Piloto favorece a valorização imobiliária. Segundo informações de alguns ocupantes, o valor do metro quadrado no local saltou de R $ 3,00, em 1999, para mais de R$ 40,00 em 2003. Desse modo, a especulação imobiliária leva os posseiros de baixa renda a saírem do local. A maior parte das residências, pelo padrão refinado das edificações, bem como pelos usos identificados – áreas com churrasqueiras, piscinas, criação de cavalos de raça e outros sinais de riqueza - são ocupadas por famílias com posição socioeconômica mais privilegiada.

O fracionamento da maioria das glebas no NRBE leva à ocupação desordenada do local: arruamentos em encostas íngremes; drenagem de nascentes; aterramento, barramento e desvio do leito de córregos, construções em áreas de preservação permanente, precariedade nas instalações de esgotamento sanitário, perfuração de poços e cisternas de modo aleatório.

Em 1997, parte dos ocupantes fundou a Associação dos Produtores do Núcleo Rural Boa Esperança/ABE para pleitear melhorias e, sobretudo, definir a situação fundiária do local e regularizar o núcleo perante o GDF. Esses associados têm buscado apoio junto a políticos locais que, em resposta, já apresentaram 2 projetos de Lei (nºs 1403/94 e 2940/1997) tratando da criação do Núcleo Rural Boa Esperança II. Os projetos de lei foram arquivados ao

Núcleo junto à Secretaria de Assuntos Fundiários do GDF. O pleito foi indeferido por ausência de respaldo legal para que órgãos do Poder Executivo Distrital regularizem a ocupação.

As ocupações irregulares continuam a ocorrer. Há os que adquirem lotes de boa fé, porém, na maioria das vezes, predomina a especulação oportunista e a obtenção de lucros com a venda das terras invadidas. Os riscos parecem mínimos, diante da quase certeza que o Estado não tomará as medidas para remover os ocupantes. Assim, se instiga a ocupação imediata e desordenada. As comunidades da Granja do Torto, assentadas na área pelo Governo do Distrito Federal, também se sentem prejudicadas, pois não obtêm a escritura de suas propriedades. Há, ainda, a cobiça populista de políticos que, com projetos de leis distritais, prevêem mudanças de uso, de modo a institucionalizar irregularidades. Na prática, esses projetos de Lei, que não têm nenhum poder para interferir numa área decretada como unidade de conservação federal, e só servem para colocar o IBAMA numa posição desconfortável perante a população.

Nova ação do Governo local

As tentativas do GDF para interferir na definição do perímetro do parque continuaram e acabaram resultando na edição do Decreto Distrital nº 24.149, de 15 de outubro de 2003, que pretendeu estabelecer novos limites para o Parque Nacional, ato para o qual carece competência ao governo distrital. Em que pese a ausência de eficácia, o ato demonstra a força dos interesses que estão envolvidos na questão, aos quais se agregou agora a proposta da “Cidade Digital”.

Figura 6: Limites de acordo com a proposta do GDF, expressa no Decreto Distrital nº 24.149/03.

Conseqüências ambientais das ocupações

O Parque Nacional de Brasília, além da perda de área física, sofre com as interferências negativas advindas desses usos não-controlados. Os impactos geralmente se iniciam com remoção ou alteração da vegetação nativa e, por meio de processos interdependentes, seqüenciais e/ou cumulativos se expandem para fauna, solo e água. Alguns dos problemas observados:

- repulsão, eliminação ou isolamento da fauna por destruição de habitats;

- atração da fauna para áreas onde são estabelecidas culturas de soja, milho e frutíferas e criação de pequenos animais domésticos, tornando os animais vulneráveis à caça, à contaminação por doenças e parasitos e à intoxicação por biocidas;

- dispersão de espécies exóticas, principalmente gramíneas, para o interior do Parque a partir de outras áreas alteradas ou perturbadas;

- instalação de processos erosivos que levam à perda da fertilidade do solo e ao assoreamento dos cursos d’água, danificando toda a comunidade e prejudicando a paisagem na área de influência. Esses processos, dependendo da declividade do terreno e da composição e estrutura do solo, podem ser muito rápidos e extensos. A concentração e dinamização de atividades humanas, além de potencializar os efeitos enumerados geram outros, entre os quais:

- o incremento de edificações, pavimentações e estacionamentos que compactam e impermeabilizam o solo, dificultam a infiltração e aumentam o escoamento superficial das águas pluviais, com incremento da erosão laminar e redução da recarga dos aqüíferos.

- um consumo excessivo de águas subterrâneas, pelo uso indiscriminado de poços tubulares, cisternas e pivôs;

- o aumento da produção e do acúmulo de resíduos que, impropriamente lançados, depositados e tratados, contaminam o meio ambiente.

O comprometimento da integridade do Parque Nacional de Brasília prejudica a qualidade de vida da cidade.