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5 ANÁLISE DO PROGRAMA FAMÍLIA ACOLHEDORA NA CIDADE DE SÃO

5.1. Compreensão do Programa enquanto uma Política de Promoção e Defesa

5.1.1 A implementação do Programa Família Acolhedora em São Luís-MA

Conforme já assinalado anteriormente, o Programa em estudo foi criado a partir da Lei Municipal nº 4.325 de 16 de fevereiro de 2004, com o nome, inicialmente de ―Programa Família Guardiã‖.

O Projeto de rediscussão do Programa, feito pela SEMCAS (BRASIL, 2010), em anexo, diz que a implantação do Programa Família Acolhedora, em São Luís, teve início em setembro de 2006, a partir de uma metodologia redigida com base nas diretrizes nacionais que estabelecem os parâmetros para o funcionamento do programa.

Cabe, no entanto dizer que por conta de mudanças de gestões desde a época da criação da lei até a data da pesquisa, e o descaso com que é tratado a documentação no âmbito do serviço público, faz com que parte considerável do material referente ao Programa, inclusive, os relatos dos indivíduos envolvidos no processo de implementação do mesmo tenham sido ―perdidos‖ ou extraviados. Desse modo, este trabalho somente relata os vestígios legais sobre a criação do programa.

De toda forma, é possível dizer que a lei municipal respondeu a um anseio nacional já demonstrado através da política de desinstitucionalização, e concretizou assim o acolhimento familiar em São Luís.

A lei, trazida em anexo, diz que se trata de acolhimento temporário de crianças e adolescentes em ambiente familiar, autorizado através da guarda provisória concedida pelo Poder Judiciário.

O público alvo do programa deve ser crianças e adolescentes que a guarda esteja sub judice nas Varas da Infância e Juventude63 e que estejam abrigadas (acolhidas em instituição). Neste caso, o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA traz a possibilidade de inserção da criança ou adolescente em medida protetiva no programa de acolhimento familiar, no art. 98 combinado com o art. 101, VIII64.

Podem se inscrever como família acolhedora os maiores de 21 anos, sem restrição de gênero e estado civil, que estejam interessados em ter sob sua responsabilidade crianças e adolescentes e zelar pelo seu bem-estar.

A Portaria nº 08/2008 (em anexo) que regulamenta o Programa, editada pela 1ª Vara da Infância e da Juventude de São Luís, diz que os encaminhamentos para o programa em estudo só poderão ser efetivados por determinação de um dos Conselhos Tutelares de São Luís ou por decisão judicial da Vara da Infância e Juventude da capital.

A referida portaria também aduz que a cada quatro meses a SEMCAS deverá encaminhar um estudo psicossocial ao juízo, com vista ao Ministério Público, mesmo que a criança ou o adolescente tenha sido encaminhado pelo Conselho Tutelar.

A mesma portaria aduz ainda que, no caso de crianças até 05 anos de idade (na data da inclusão), o Programa deverá apresentar estudos conclusivos no prazo máximo de 12 meses, a contar da data de sua inclusão, numa tentativa retornar essa criança ao lar de origem. Nos casos de crianças acima desta idade e de adolescentes, o prazo será de 20 meses, para a permanência junto à família guardiã. Não sendo estes prazos peremptórios, mas são parâmetros para os trabalhos da equipe técnica do programa.

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Na cidade de São Luís, somente uma vara é competente para tratar de crianças e adolescente em situação de risco e adoção, a 1ª Vara da Infância e Juventude.

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Art. 98. As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados:

I - por ação ou omissão da sociedade ou do Estado; II - por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável; III - em razão de sua conduta.

Art. 101. Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 98, a autoridade competente poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas:

No que toca a provisoriedade do serviço de acolhimento familiar, o ECA não impõe um prazo como faz para o acolhimento institucional, mas o acolhimento familiar deve obedecer o princípio da provisoriedade previsto no art. 101, § 1º65 e no art. 34, §1º66.

E, com o intuito de especificar o período de acolhimento, como meta, a SEMCAS (BRASIL, 2010) na rediscussão do ―Família Acolhedora‖ colocou no documento que a duração estimada para o acolhimento será de seis meses, podendo ser prorrogado se a equipe técnica avaliar a necessidade, precisando, no entanto, essa prorrogação ser comunicado à 1ª Vara da Infância e Juventude de São Luís.

No intuito de esclarecer bem sobre as normativas do Programa é que consideramos necessário também trazer as Orientações Técnicas para os serviços de acolhimento para crianças e adolescentes, expedidas pelo CONANDA em 2009. Neste documento, há uma especificação sobre a provisoriedade do serviço de acolhimento familiar: ―Trata-se de um serviço de acolhimento provisório, até que seja viabilizada uma solução de caráter permanente para a criança ou adolescente – reintegração familiar ou, excepcionalmente, adoção (BRASIL, 2009, p. 76)‖.

Neste contexto, uma orientação importante para que o caráter provisório seja seguido é a seguinte:

Este serviço de acolhimento é particularmente adequado ao atendimento de crianças e adolescentes cuja avaliação da equipe técnica do programa e dos serviços da rede de atendimento indique possibilidade de retorno à família de origem, ampliada ou extensa, salvo casos emergenciais, nos quais inexistam alternativas de acolhimento e proteção (BRASIL, 2009, p. 77).

Esta orientação é de suma importância para que seja observada a provisoriedade do serviço, pois se a criança ou o adolescente já entram no programa

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Art. 101. [...] § 1o O acolhimento institucional e o acolhimento familiar são medidas provisórias e excepcionais, utilizáveis como forma de transição para reintegração familiar ou, não sendo esta possível, para colocação em família substituta, não implicando privação de liberdade.

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Art. 34. O poder público estimulará, por meio de assistência jurídica, incentivos fiscais e subsídios, o acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou adolescente afastado do convívio familiar. § 1º A inclusão da criança ou adolescente em programas de acolhimento familiar terá preferência a seu acolhimento institucional, observado, em qualquer caso, o caráter temporário e excepcional da medida, nos termos desta Lei.

sem qualquer perspectiva de volta à família de origem, sua permanência no acolhimento familiar poderá vir a ser prolongada ou tornar-se definitiva.

. O documento que esboça o projeto do Programa local (Família Acolhedora) destaca que a metodologia de trabalho é instrumento fundamental para a execução desse Programa.

Nesse sentido se pode verificar que o Programa local define duas ações como essenciais para a execução em São Luís. Tais ações seriam: um processo amplo de divulgação com o intento de ―sensibilizar a sociedade com vista à captação de famílias, bem com o a articulação com o Sistema de Garantia de Direitos‖.

No entanto, nas entrevistas realizadas para a pesquisa deste trabalho, constatou-se que durante os anos avaliados (2012 e 2013) não houve nenhuma ação de divulgação sobre o programa, a não ser a citação do nome ―Programa Família Acolhedora‖ no site da SEMCAS, vinculado ao site da Prefeitura de São Luís.

Embora, em entrevista a Secretária da Criança e Assistência Social (SEMCAS), Andréia Everton Lauande, tenha afirmado que há uma relação estreita do Programa com a rede pública de garantia de direitos, formada pelo CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Luís), Conselhos Tutelares e Judiciário. Ainda de acordo com a entrevistada, essa articulação tem se dado através de reuniões periódicas, e, em especial nas audiências concentradas onde discutem cada caso das crianças e adolescentes acolhidos.

Porém, ainda no decorrer da entrevista, quando questionada, sobre a existência de fórum de discussão, seminários, a secretária respondeu que: ―Além das plenárias do CMDCA, onde os conselhos tutelares e a SEMCAS se reúnem mensalmente, também existem as audiências concentradas que são realizadas com a participação da justiça, SEMCAS e conselhos tutelares, ressaltou que estas não têm periodicidade regular‖.