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A Importância do Brincar e do Jogar no Processo de Construção do Ser Humano

CAPÍTULO II – O Universo do Lúdico

2.4. A Importância do Brincar e do Jogar no Processo de Construção do Ser Humano

“Todos os tipos de brincadeira (…), desempenham um papel crucial no desenvolvimento da criança, a brincadeira é a lente pela qual as crianças experienciam o seu mundo, e o mundo de outros. Através do suporte de adultos, espaço de brincadeira adequado e materiais de brincadeira, as crianças tem melhores possibilidades de se tornarem membros da sociedade mais saudáveis, felizes e produtivos.” (Jeffrey Goldstein 2012)

É na análise do trabalho de Jeffrey Goldstein que iremos tentar perceber que benefícios é que atividades, como jogos e brincadeiras, podem trazer para o processo de construção das crianças enquanto seres humanos. Na obra

Play in childs development, health and well-Being, a autora analisa e compila uma série de visões e dados que contextualizam os benefícios destas atividades nesse processo.

Segundo Goldstein sendo a brincadeira um comportamento que está inerentemente presente na infância de várias espécies tem de ser de alguma forma uma forma de vantagem ou processo evolutivo, caso contrário deveria ter sido já eliminado pela designada “Seleção Natural”. Brincar trata-se de uma atividade essencial para o bem-estar emocional, congénito e social, sendo também uma atividade que proporciona e promove a compreensão e criação de laços. No seu artigo, divide o brincar e a sua influência em várias categorias como o brincar e o cérebro, a criatividade e a saúde. De uma forma geral, a autora afirma que o brincar para além de desenvolver o cérebro e potenciar o crescimento, estabelece novas conceções neurais, melhorando capacidades como a de entender as FIGURA 2 - CORINNE HUTT`S MODEL OF PLAY

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outras pessoas e melhorar a adaptabilidade a situações e circunstâncias que possam ser adversas, melhorando a nossa capacidade de conseguir imaginar situações que nunca fora experienciadas e conseguirmos aprender com elas. No que diz respeito ao brincar e o cérebro a autora cita Brian Sutton-Smith (1997), dizendo que as crianças nascem com uma enorme capacidade neural que se não for estimulada e usada irá morrer.

“Not only are children developing the neurological foundations that will enable problem solving, language and creativity, they are also learning while they are playing. They are learning how to relate to others, how to calibrate their muscles and bodies and how to think in abstract terms. Through their play children learn how to learn. What is acquired through play is not specific information but a general mind set towards solving problems that includes both abstraction and combinatorial flexibility where children string bits of behaviour together to form novel solutions to problems requiring the restructuring of thought or action…A child who is not being stimulated, by being ... played with, and who has few opportunities to explore his or her surroundings, may fail to link up fully those neural connections and pathways which will be needed for later learning.”

(Sutton-Smith 1997)

Segundo a análise da autora à obra de Azar (2002), brincar é uma atividade que trás benefícios imediatos, o melhoramento das capacidades motoras, o condicionamento aeróbico são exemplos desses benefícios. Contudo, a longo prazo, nas crianças o brincar ainda tem benefícios mais relevantes como o desenvolvimento de um sentido de moralidade e a preparação para o inesperado, para a adversidade e o desenvolvimento de uma “inteligência emocional” que Azar caracteriza de habilidade para perceber os outros através das suas intenções e emoções. Mas não só o ato de brincar ajuda a nivelar certas capacidades, promove o fair play e com as brincadeiras sociais as crianças começam a desenvolver um sentido de justiça.

Brincar traz uma série de benefícios quando associamos a atividade aos aspetos do desenvolvimento das crianças. Uma delas é a capacidade de aprendizagem universal, bem como a maximização da imaginação e criatividade, bem como de um estado de espirito alegre, sendo que este é essencial para promover a auto motivação e a saúde.

Fisher (1992) assume que brincar pode melhorar o desenvolvimento na fase inicial da criança de trinta e três a sessenta e sete por cento, conseguindo aumentar as capacidades de comunicação das crianças e a adaptabilidade e reduzindo, por consequência, problemas emocionais e sociais.

Segundo Goldstein na aprendizagem do raciocínio lógico brincar traz vários benefícios. Segundo Newman (1990)

uma série de crianças entre os quatro e os cinco anos foram incumbidas de “brincar com” e “memorizar” dezasseis objetos comuns. Os resultados mostraram que os que brincaram com os objetos conseguiram de longe lembrar-se melhor dos que tentaram memoriza-los. Brincar é essencial para o desenvolvimento cognitivo dado que durante a brincadeira as crianças aprendem habilidades básicas de matemática.

“As crianças durante a brincadeira aprendem habilidades básicas de matemática tais como, contar, adicionar, subtrair, estimativas, planeamento, padrões,

classificações, volume áreas e medição. Esta compreensão informal providencia uma fundação na qual a matemática formal pode ser desenvolvida.” (Fisher 2011)

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Porém não é apenas no raciocínio lógico que brincar traz benefícios. Em todo o processo de aprendizagem esta atividade pode ser uma mais-valia, sendo uma atividade essencial para Stevens (2009) que considera que só através da prática recorrente desta atividade na infância é que as crianças podem atingir todo o seu potencial como seres humanos. É durante as brincadeiras que crianças formam laços de amizade e empatia, não só com outras crianças, mas também com outros humanos e animais. (Goldstein 1996, Mos and Boodt 1991).

Caso as crianças sejam privadas ou não tenham experiências de brincadeira durante a infância, estas podem desenvolver apatia e problemas sociais e cognitivos futuros. O psiquiatra Stuart Brown (2009) constatou, ao longo de várias pesquisas, que a falta de brincadeiras sociais é um elo de ligação comum entre assassinos aprisionados, não tendo os hábitos de autocontrolo e de partilha que se desenvolvem durante as brincadeiras sociais. Estes sentem grande dificuldade em conseguir entender as emoções e intenções de outras pessoas.

Goldstein ainda refere que ao nível criativo foram levados a cabo vários testes e experiências que demonstraram que a criatividade aumenta depois de uma brincadeira livre. Se tivermos em conta a pesquisa de Anthony Pellegrini

(2005) apercebemo-nos que deviam ser providenciadas às crianças maiores pausas para brincar durante o dia escolar. Desta forma iria-se maximizar a atenção destes para as tarefas cognitivas. Também Howard-Jones (2002) chegou a essa conclusão. Jones compara um exercício estruturado que havia sido feito por crianças que tinham brincado e outras crianças que não o tinham feito. A conclusão foi a de que as crianças que antes de fazerem os exercícios tinham sido expostas a um estado de brincadeira conseguiam produzir resultados mais criativos coloridos e complexos do que os que não tinham brincado.

Segundo Jeffrey Goldstein, brincar traz diversos benefícios emocionais, comportamentais, sociais e físicos, podendo de uma forma sucinta reduzir os benefícios a estas três categorias. Como benefícios emocionais e comportamentais podemos apontar a redução do medo, ansiedade, stress e irritabilidade, é uma atividade que gera divertimento, intimidade autoestima e confiança. Ao nível dos benefícios sociais brincar aumenta o espetro emocional, a empatia, compaixão e partilha. Aumenta também a capacidade de tomar decisões e escolhas, modela as relações com base na inclusão em vez da exclusão, leva à melhoria das capacidades verbais e não-verbais e aumenta os níveis de atenção e dedicação. Por último brincar traz benefícios físicos, tais como a diminuição do stress da fadiga, dor e depressão, aumenta a agilidade, coordenação motora, equilíbrio flexibilidade, motricidade fina e grossa e gera emoções positivas que levam ao aumento da eficiência dos sistemas imunitário, endócrino e cardiovascular.

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2.5. SERIOUS GAMES: O QUE SÃO; PRINCÍPIOS FORMAIS; O QUE OS DIFERE