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A IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA AUTOCONSCIENTE PARA QUE A

SOBRECARGA AUTOPROVOCADA SEJA IDENTIFICADA PELA TRIPULAÇÃO.

De acordo com Santi (2009) a sobrecarga pode ser provocada de maneira consciente, quando o tripulante conhece os efeitos, mas mesmo assim assume o risco. Ou pode ser de maneira inconscientemente, onde não existe a noção do perigo que está enfrentando, e a autoconfiança do piloto gera diminuição no nível de alerta.

Conforme Barros (2013) a falha consciente é provocada na substituição de procedimentos alternativos por procedimentos padrão.

A sobrecarga autoprovocada quando ocorre de maneira consciente pode ser evitada. Através da disciplina autoconsciente o tripulante pode detectar o risco que aquele agente estressor pode causar em seu organismo e assim evita-lo.

Quando a sobrecarga é imposta de maneira inconsciente existe maior dificuldade de detectar os agentes estressores e evita-los, para que isso ocorra, as empresas aéreas devem investir em programas de autoconscientização que abordem os efeitos gerados pela sobrecarga autoprovocada e a incompatibilidade desses agentes com a atividade aérea.

As diversas sobrecargas emocionais e físicas no qual nosso organismo é exposto é tema de diversos estudos atuais. O meio em que vivemos e a nossa rotina influenciam em nossa saúde física em mental. Podemos então observar que existe a sobrecarga imposta pelo meio ao qual vivemos, onde nossas atitudes não podem evita-la. Em contrapartida, existe a sobrecarga autoprocovada, imposta por nós mesmos.

Um piloto que está escalado para um voo, que iniciará cedo pala manhã, chamado “early starts”, deve ter a qualidade e quantidade de sono satisfatórias, de modo que não comprometa seu desempenho na atividade aérea. Supondo que este piloto tenha passado por alguma situação imposta a ele, na qual ele não tenha como evita-la, por exemplo, a empresa aérea escalou-o para um voo cedo pela manhã e no dia anterior, também o escalou para outro voo no qual ele pousaria muito tarde e não teria tempo suficiente para o descanso . Neste caso, a empresa está impondo a ele uma condição de fadiga. Porém, supondo que este mesmo piloto irá realizar apenas o voo

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pela manhã, tenha as horas adequadas para seu descanso e local confortável para dormir. Porém, ele decide dormir tarde para assistir um filme, neste caso, ele está assumindo o risco, tem ciência que poderá estar em condições desfavoráveis para a atividade na manhã seguinte. Este estado de fadiga foi autoimposto e poderia ter sido evitado por ele.

Percebemos então, que a sobrecarga autoprovocada está presente em nosso cotidiano e em nossas atitudes. Muitas vezes o risco é percebido, mas não é evitado por falta de autodisciplina. Essa disciplina autoconsciente é a atitude na qual o indivíduo percebe o erro, sabe das consequências de seus atos e evita atitudes prejudiciais.

Braga (2002) afirma que proficiência técnica, liderança eficaz, profissionalismo, trabalho em equipe e a busca da autoconsciência são mecanismos que evitam o erro. Podemos concluir que saber identificar o risco e gerenciá-lo é um ato de disciplina consciente.

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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente pesquisa teve como objetivo geral analisar como a sobrecarga autoprovocada pode influenciar negativamente na atividade aérea.

A sobrecarga autoprovocada é um fenômeno gerado pela carga que o indivíduo impõe a si, e pode ser considerada de extrema periculosidade quando associada à atividade aérea. O uso do álcool, do tabaco, cafeína, substâncias psicoativas, fadiga, sono insuficiente, automedicação são alguns exemplos de carga em excesso. Toda vez que nosso corpo recebe algum tipo de sobrecarga, nosso organismo apresenta uma reação.

Nos tempos atuais o transporte aéreo é considerado um dos principais meios de locomoção. Mesmo sendo considerado um dos meios de transporte mais seguros, o resultado de um acidente aéreo tende a ser catastrófico. Milhares de pessoas confiam suas vidas aos profissionais que conduzem as aeronaves, portanto, o tripulante quando no exercício de sua função deve prezar pela própria segurança e por todos passageiros.

A atividade aérea é uma tarefa complexa, o piloto deve estar atento não só à pilotagem, mas à diversos fatores que envolvem a segurança operacional. Muitas informações são recebidas durante o voo, sejam relacionadas com o tráfego aéreo, meteorologia, navegação e procedimentos. Portanto, é substancial que os tripulantes estejam atentos, motivados, concentrados e com elevado nível de consciência situacional, para que todos as ações sejam realizadas e a segurança da aeronave garantida.

De maneira generalizada a sobrecarga autoprovoca age de forma contrária ao que se faz necessário para a condução de um voo seguro, pois gera efeitos como sonolência, fadiga, cansaço, diminuição da visão espacial, ansiedade, irritabilidade e exaustão.

Algumas particularidades podem ser observadas em cada sobrecarga, mesmo havendo amplos estudos acerca dos efeitos do uso do tabaco, álcool e alguns medicamentos em nosso organismo, neste estudo foi mencionado a suscetibilidade à hipóxia histotóxica, que pode ser acentuada em altas altitudes.

Para que seja assegurada a segurança operacional, os elementos que geram riscos devem ser mitigados, de maneira que seus efeitos sejam minimizados. O formulário I'm Safe é uma ferramenta que auxilia na identificação de possíveis excessos de carga que podem vir a prejudicar as ações do piloto durante o voo.

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A sobrecarga autoprovocada difere-se pelo fato de ser imposta pelo próprio indivíduo. Sendo assim, é importante que os tripulantes saibam identificar os excessos de carga em suas atitudes. A identificação e eliminação do risco podem ser efetivadas através da autoconsciência e da autocorreção. As empresas aéreas, escolas de aviação e demais instituições devem atuar nestes aspectos, com programas de prevenção e conscientização que abordam a relevância do assunto.

Porém muito ainda pode ser feito, o ser humano é uma “ máquina complexa”, cada um de nós possuímos uma maneira particular ao lidar com nossos erros, nossas falhas e condutas. Conhecer os riscos causados pela sobrecarga autoprovocada não é o suficiente para que possamos nos autocorrigir. Diversos aspectos psicológicos e pessoais podem nos impedir de adotarmos as melhores condutas para que os riscos sejam gerenciados.

O ditado popular “É melhor prevenir do que remediar” é oportuno quando o assunto é prevenção de acidentes. Identificar os riscos da sobrecarga autoprovocada, saber reconhece-los e trabalhar medidas preventivas, eleva a segurança operacional bem como melhora o desempenho profissional, qualidade de vida e saúde dos tripulantes.

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