3. Abordagem Empírica
3.1. A importância de estudos sobre o tema proposto
A nossa análise referente à cultura Quilombola, completa e completará um conjunto de instrumentos metodológicos, que se encontra em construção e constante aperfeiçoamento, desde a nossa formação acadêmica. O interesse maior deste instrumento investigativo residiu no facto de obrigar à observação, à escuta atenta de pessoas e comunidades. Neste sentido, foi possível conhecer os saberes e a identidade, (de forma incompleta) dos sujeitos Remanescentes Quilombolas do Município de Anajatuba.
O estudo do tema contribuirá para o registo histórico, incidindo na construção e consolidação de uma proposta de educação voltada para as comunidades Quilombolas, tomando como referência as comunidades já supracitadas.
No Brasil, considera-se a educação Quilombola como um dos grandes desafios subjacente à educação contemporânea. Isso porque o ensino, na perspetiva das relações étnico- raciais, não se restringe apenas à população negra, mas trata-se, sim, de uma proposta educativa que pretende fazer com que negros e não negros possam aprender e refletir, sobre a importância ontológica, histórica, social, cultural e pedagógica da intensa e significativa diversidade cultural e da educação das relações étnico-raciais, no contexto do país.
A consolidação desta modalidade de educação quilombola constitui-se como elemento essencial à configuração de uma identidade do povo brasileiro, queiram ou não alguns descendentes de europeus que nos colonizaram. Confirma Nunes (2006, p. 140) que:
a importância de se inaugurarem caminhos para se pensar um fazer pedagógico em comunidades quilombolas passa pelo momento da reflexão e da ação, não dicotomizados, formadores da unidade que se chama práxis.
Ainda não há no Município de Anajatuba um campo epistemológico constituído de forma específica, o qual possibilite afirmar a existência de uma educação escolar quilombola, no sentido de atender às demandas de ordem teórico-metodológicas e didático-pedagógicas da educação quilombola. O nosso estudo procurou observar, de forma articulada os conhecimentos sobre educação que a prática profissional oportuniza, juntamente com a reflexão que acompanha a nossa trajetória acadêmica, que nos últimos anos vem recorrendo a diversas e significativas
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experiências pedagógicas interligadas e relacionadas com a educação em comunidades
quilombolas.
Gomes (2002) constata que, na articulação entre a identidade negra e a educação, tal condição vai exigir outras análises, novos posicionamentos e posturas, por parte dos educadores de todos os níveis e matizes étnicas, requalificando o discurso do Estado acerca da Educação e, por consequência da escola, enquanto direito de todos, na sociedade.
Neste sentido, o estudo do quilombo e da educação quilombola fez-nos quebrar paradigmas, tendo uma visão mais ampla sobre a história afro-brasileira, que leve em consideração os aspectos étnicos e culturais que alicerçou a história desses grupos.
Urge, assim, a capacidade de abordar eticamente o multiculturalismo, pois os educadores anajatubenses ainda possuem aquela visão linear da história, muitas vezes ignorando valores básicos que levaram à composição mista da sociedade brasileira. É impossível ensinar a história desses grupos, deixando de lado as manifestações culturais e religiosas que são parte essencial da identidade dos afro-brasileiros.
Os desafios para a educação incidem em inserir novas metodologias de ensino, com uma educação diferenciada, que independentemente de grupos sociais, raça ou cor, busca difundir de forma mais efetiva a cultura e identidade dos negros e, consequentemente, contribuir para extinguir, mesmo que em parte, alguns preconceitos enraizados na mente da população. É essenscial eliminar aquela ideologia de que os negros só contribuíram para a história da formação da sociedade brasileira como escravos, como se eles, após a abolição da escravatura, não servissem mais para o desenvolvimento social, cultural e político do país.
Tal, ajuda na formação da consciência dos estudantes, sejam eles quilombolas ou não, de que eles vivem num mundo repleto de culturas diferentes, nenhuma melhor ou pior que a outra, mas cada uma com as suas particularidades, forma, linguagem, expressão, que devem ser respeitadas, justamente pelas suas individualidades.
A educação é, assim um dos pilares essenciais para alcançar a igualdade. Com este estudo, visamos poder transformar o cotidiano escolar, com conteúdos que abarquem a equidade entre os diversos grupos étnicos existentes na escola, além de promover a interação entre os alunos, para que estes reconheçam a legitimidade que cada grupo possui, valorizando os seus diferentes saberes, tradições, expressões culturais, históricas e a sua importância.
É, assim crucial perceber que tudo deve convergir para despertar nos alunos
Quilombola, ou não, a sensibilidade, elevando a auto-estima de ser e fazer parte de um grupo
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3.2 Projeto: Africanidades
Num projeto pedagógico interdisciplinar, aprende-se participando, vivenciando sentimentos, tomando atitudes diante dos factos e escolhendo procedimentos adequados, para atingir determinados objetivos. Ensina-se não só pelas respostas dadas, mas principalmente pelas experiências proporcionadas, pelos problemas criados e pela ação desencadeada.
Das diferentes conceções analisadas, percebem-se as discussões, quando se concebe o projeto como um método aberto, centrado em problematizações, através das quais os sujeitos criam oportunidades de participação ativa, em processos investigativos, para efeito de construção do conhecimento. Logo, não existe um modelo padrão a ser seguido, mas princípios que legitimam uma perspetiva globalizadora, que pode ser construída, no decorrer do fazer pedagógico.
Para Jolibert e colaboradores (1994), um projeto gera situações de aprendizagem, ao mesmo tempo reais e diversificadas. Possibilita, assim, que os educandos ao decidirem, opinarem e debaterem, construam a sua autonomia e o seu compromisso com o social, formando-se como sujeitos culturais.
Neste contexto, salientamos que trabalhar com projetos é ir ao encontro:
(…) dos interesses e motivações dos alunos, de modo a tornar as aprendizagens significativas, (…) partir de uma situação que provoque um conflito cognitivo nos alunos, (…) promover o desenvolvimento de atitudes que facilitem a interação, cooperação e a solidariedade entre os alunos. (Santos e Matos, 2009, p. 29)