• Nenhum resultado encontrado

A importância do acompanhamento sistemático da docência na tutoria

Daniel Mill (2010) destaca que existe uma interdependência nas funções da EAD. Desta forma, existe uma rede de funções na qual, sem que cada um/ uma faça sua parte, o trabalho como um todo não pode ser realizado.

A partir da análise dos questionários respondidos pelas e pelos professores/ as, que buscaram garantir esse trabalho em equipe proposto por Mill (2010), foi possível constatar que eles e elas receberam de forma positiva o trabalho realizado como auxiliar da coordenação de tutoria. Um dos destaques é o de que, para eles e elas, haja alguém que indique e os/as oriente como podem melhorar a maneira de trabalhar, como nos depoimentos abaixo:

“Acho muito importante ter seus retornos, pois assim sei onde devo melhorar. Você tem sido muito importante nesse processo.” “Ter uma pessoa que possa auxiliar, facilitar e acelerar alguns detalhes de todo processo operacional que envolve o andamento do curso é essencial e fundamental para garantir sua funcionalidade!” “No início, toda vez que recebia sua mensagem, me sentia vigiada e pressionada, hoje entendo porque considero um trabalho que nos alerta, que nos lembra das atividades. Eu mesma já havia esquecido de alguma pendência e fui alertada. É um auxílio para nossas atividades.”

Como afirmado anteriormente, esses retornos mencionados pelos/ as docentes eram baseados em análises de planilhas elaboradas a partir da conferência das atividades no AVA. Segue um exemplo de parte de uma dessas planilhas e que mostra a interação entre auxiliar da coordenação de tutoria e os/as docentes da tutoria a distância e presencial.

Essa planilha, especificamente, buscou abordar os/as cursistas desistentes ou reprovados/as. A partir do retorno dos/as tutores/as, essa lista era atualizada.

Em geral, os/as tutores/as avaliaram:

• o trabalho da coordenação de tutoria como ótimo;

“A coordenação de tutoria está sempre auxiliando e direcionando os trabalhos da tutoria a distância o que facilita a interlocução – professor/a formador/a – conteúdo – cursistas do GDE.”

“A coordenação sempre esteve presente e deu todo suporte necessário aos/às tutores/as. Os/as tutores/as sempre foram respeitados/as como verdadeiros/as parceiros/as e trabalhar desta forma é muito prazeroso e gratificante.”

Disciplinas

AVA AE LDB EDH DD Tutores/as da Observação disciplina Observação das tutoras presen- ciais Cursis- ta 1 não matri- culada nunca acessou nunca acessou não ma- triculada não matri- culada nunca aces-

sou Nunca acessou

Cursis- ta 2 Ok ok ok ok reprovada Muito boa aluna, era muito esforça- da e dedicada, mas não tem

conseguido fazer as ativi- dades. No últi- mo EP (14/05) não pode comparecer nos dois dias, tampouco fez a avaliação final, por- tanto, já está reprovada. Estou preo- cupada, não está fazendo as tarefas, sendo assim, não tem o mínimo para fazer as Recuperações e, infelizmente,

não pode ficar para as apre- sentações de domingo pas- sado, no último encontro pre- sencial, porém,

pelo que reza o Guia, ela já está automati- camente repro-

Capítulo 1 - A docência compatilhada no GDE

“Aprendo muito com as orientações. Aprendi a trabalhar como tutora no GDE e acredito que essa proximidade com a coordenação e o referencial teórico para estudos são muito importantes. Por isso, as reuniões de tutoria têm feito muita diferença em minha atuação.”

• que a atuação da coordenação de tutoria os/as influencia fortemente de forma positiva;

“Acredito que tem dado um direcionamento importante à ação de todos/as tutores/as. Sobre meu trabalho, sempre deu dicas, informações e sugestões que enriqueceram minha interação com as cursistas.”

• que a forte interação entre professores/as da tutoria e coordenação de tutoria influencia de forma positiva o curso;

“Acredito que essa possibilidade de interação é o grande diferencial para que consigamos os objetivos do e no curso GDE.”

“É fundamental e, como não é uma presença arbitrária e autoritária, funciona como uma parceira efetiva na construção do curso e interação nas turmas do curso.”

“É a coordenação que cria no grupo de tutores/as a segurança para realizar o trabalho, possibilita a circulação de informações necessárias para que o trabalho dos/as tutores/as caminhe, cria o vínculo no grupo. Caso não houvesse essa interação constante, mas da forma como ela acontece, dando espaço e liberdade aos/às tutores/as, seria uma influencia negativa. Mas, no caso do GDE, tem sido construtivo por causa das características da relação.”

• que atividades como o fechamento de fóruns e retorno para atividades são imprescindíveis;

“Pois são oportunidades de ‘trocas’ significativas, de um lado, quem produziu e espera por considerações, e de outro, quem analisou e compartilhou mais articulações e direcionamentos para a (re) construção de ‘saberes’.”

“É necessário esse retorno, pois é um diálogo sobre o que está sendo aprendido e produzido durante o curso.”

“Contribui muito para que o ensino-aprendizagem, pois problematizamos e instigamos novas reflexões.”

“De forma geral, esse retorno que é dado ele é muito importante e não pode deixar de existir, já que não há processo educativo sem respostas. É preciso apontar para novas reflexões e ressaltar questões importantes para o grupo. É a forma também de socializar aquilo de importante que cada um trouxe. Da mesma forma que isso ocorre no presencial, é necessário acontecer na EAD. Porém, em algumas situações, ao lançar a nota, acredito ser dispensável dar retorno, se isso já foi feito, por exemplo no fórum, ou mesmo dar retorno individual. Exemplo: no caso de provas, pode-se dar um retorno geral, ressalvando questões que se fizerem necessárias.”

• que as relações interpessoais entre docentes e cursistas influenciam de forma positiva o desenvolvimento do curso.

“Acredito que estas (inter)ações e (inter)relações – laços e vínculos – entre tutor/a e cursista estabelecem um processo de ensino- aprendizagem significativo e imprescindível para que não ocorra evasão e/ou desistências. A Tutoria pode sim, estabelecer um elo importante de (re)conhecimento.”

“Tanto virtualmente como pessoalmente; após participar do encontro presencial, senti, digamos, uma maior materialização de um envolvimento que já tinha desenvolvido com elas no meio virtual.”

“Durante esse curso, isso me foi reafirmado várias vezes. É muito importante o/a tutor/a conhecer o/a cursista, participar dos encontros presenciais. Isso dá mais qualidade aos contatos virtuais.”

Como dificuldades para a realização das atividades, os/as professores/as da tutoria citaram a falta de interesse por parte de alguns/as cursistas, o pouco tempo para trabalhar em cada atividade e a dificuldade com o computador.

Capítulo 1 - A docência compatilhada no GDE

Algo que foi destacado no campo destinado a sugestões em relação a esse trabalho de acompanhamento da tutoria mostrou-se interessante: “Apontar as atividades, retornos e notas que deixaram de ser dados é muito importante, mas um esmiuçamento estatístico de postagens, acessos e tipo de interação talvez seja um pouco controlador”. Partindo dessa afirmação, buscou-se, ao prosseguir com as atividades, melhorias em relação a tais dados. É necessário, a partir do momento em que se está em uma função onde se deve alertar sobre pendências não parecer “controlador” e, sim, buscar garantir a confiança junto aos/às tutores/as para estabelecer com estes/as uma relação de recíproco respeito. Acerca do comentário do docente, é necessário, no entanto, compreender que esse acompanhamento dos acessos é importante. A manutenção dos acessos diários pode não indicar, necessariamente, qualidade, entretanto, sua total ausência indica problemas que precisam ser questionados pela coordenação.

Considerações finais

Com os questionários, pude perceber que meu trabalho como auxiliar da coordenação de tutoria foi importante entre os/as docentes da tutoria.

Durante o desenvolvimento do curso GDE, tendo em vista que, para a maioria, esta foi a primeira experiência como docentes da tutoria, foi possível perceber que elas e eles, ao longo do tempo, buscaram ampliar a interação com os/as cursistas, apropriando, cada vez mais, de suas funções. Analiso esse fato, no entanto, com prudência, pois isso pode não ser necessariamente reflexo apenas das atividades que realizei e, sim, decorrência de diversos fatores como, por exemplo, maior domínio do AVA e de suas ferramentas e maior compreensão das funções atribuídas à tutoria e da forma como conduzi-las.

Referências bibliográficas

BRUNO, A. R.; LEMGRUBER, M. S. Docência na educação online: professorar e(ou) tutorar? In: BRUNO, A. R. et al.. Tem professor na rede. Juiz de Fora, MG, UFJF, 2010. p. 67-84.

CERNY, R. Z.; LAPA, A. B.; SCHILER, J. Ensinar com as Tecnologias de Informação e Comunicação: retratos da docência. E-Curriculum, São Paulo, v. 7, n. 1, abr, 2011, p.1-19.

DAINESE, C. A.; GARBIN, T. R.; OLIVEIRA, L. B.. A gestão em EAD: um modelo de coordenação de tutoria. Disponível em: <http://www.epepe.com.br/comunicacoes_ orais/eixo_6/gestao_%20em_%20EAD.pdf.> Acesso em: 19 de Agosto de 2011.

FAGUNDES, L. da C.. Fonte inesgotável de recursos transformadores da sociedade. Pátio, n.18, p.61-62, ago./out., 2001.

LITWIN, E.. A educação em tempos de internet. Pátio, n.18, p. 8-11, ago/out, 2001. MILL, D. Sobre o conceito de polidocência ou sobre a natureza do processo de trabalho pedagógico na Educação a Distância. In: MILL, D.; RIBEIRO, L.R.C.; OLIVEIRA, M.R.G. (orgs). Polidocência na educação a distância: múltiplos enfoques. São Carlos, SP : Ed UFSCar , 2010. p. 13-22.

MORAN, J. M. Como utilizar a internet na educação. Revista Ciência da Informação, vol.26, n.2, mai./ago., 1997, p. 146-153. Disponível em: <http://www.eca.usp.br/moran/ internet.htm/>. Acesso em: 01 de outubro de 2011.

Capítulo 1 - A docência compatilhada no GDE

Capítulo Capítulo

22