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2.3 A LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O ESTUDANTE COM AH/SD

2.3.1 A inclusão do estudante com AH⁄SD na escola regular

A inclusão começa a partir da crença de que a educação é um direito humano básico e o fundamento para uma sociedade mais justa. (Ainscow) Com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovada pela ONU em 2006, foi estabelecido que os Estados devem assegurar um sistema de educação

inclusiva em todos os níveis de ensino, em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social compatível com a meta da plena participação e inclusão (BRASIL, 2010).

Os resultados do Censo Escolar da Educação Básica de 2008 apontaram um crescimento significativo nas matrículas da educação especial nas classes comuns do ensino regular. O índice de matriculados passou de 46% do total de alunos com necessidades especiais, em 2007, para 54% em 2008. Estão em classes comuns do ensino regular 375.772 estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação (BRASIL, 2012).

Esse crescimento é reflexo da política que vem sendo implementada pelo Ministério da Educação, que incluiu programas de implantação de salas de recursos multifuncionais, de adequação de prédios escolares para a acessibilidade, de formação continuada de professores da educação especial e do Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC) na escola, além do programa Educação Inclusiva: Direito à Diversidade, que tem como propósito estimular a formação de gestores e educadores para a criação de sistemas educacionais inclusivos (BRASIL, 2012).

Apesar do empenho do governo federal, a proposta brasileira de educação para todos tem um grande desafio a vencer, pois a realidade no Brasil aponta para um vasto público, que, apesar de frequentar a escola, permanece excluído do sistema educacional, entre eles os estudantes com AH⁄SD. Muitas vezes, a escola regular recebe estudantes com AH/SD na sala de aula comum e não oferece nenhum tipo de atividade complementar ou suplementar que possa contribuir para avolumar a sua habilidade superior. Com isso, o aluno demonstra desinteresse e insatisfação pelas aulas e considera a escola entediante (FLEITH, 2009).

Em algumas situações, a escola não toma conhecimento sobre o talento do aluno, seja para padronizar o nível de aprendizagem entre os discentes ou mesmo pela falta de conhecimento do potencial superior que o estudante apresenta. Ocorre, ainda, da família não comunicar a escola sobre a identificação do filho, com o intuito de evitar que o estudante seja rotulado pelos professores ou pares. No entanto, é fundamental que a partir da hipótese de AH/SD, que o estudante seja encaminhado para avaliação psicológica.

Havendo a identificação de AH/SD, a comunicação deve ser imediata a todos os contextos aos quais o estudante frequenta, pois, dessa forma, será mais provável ser ofertado um atendimento adequado a esse estudante (ASPESI, 2007). Freitas e Pérez (2012) esclarecem que reconhecer as particularidades, bem como as necessidades dos alunos com

talentos superiores, possibilita realizar uma inclusão mais igualitária, que promova, de fato, o desenvolvimento e as potencialidades desses estudantes.

Para isso, faz-se necessário que o contexto escolar avance no sentido de atender à diversidade de estudantes existentes na escola regular. Diversos atores compõem o contexto escolar, porém três elementos podem ser considerados de fundamental importância, sendo eles: o aluno, o professor e o currículo (ALENCAR, 2007b). No entanto, no que se refere aos docentes, observa-se que muitos profissionais ainda apresentam certo receio e insegurança em trabalhar com o estudante com AH/SD, seja pela falta de preparo, durante o curso de formação inicial ou continuada, pelo desconhecimento da temática ou pela falta de apoio do sistema educacional.

Não basta a escola regular cumprir o currículo estabelecido pelo sistema educacional, mas escolher e selecionar atividades que embasem o processo de desenvolvimento do estudante com AH/SD, levando em consideração o nível emocional, cognitivo e criativo, bem como suas necessidades (FREITAS; PEREZ, 2012). Também é preciso conhecer as singularidades dos alunos com talento superior, por meio de observações que permitam identificar suas facilidades e limitações.

De acordo com os Marcos Político- Legais da Educação Especial (BRASIL, 2010), o atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais, entre eles, o superdotado, deve ser realizado em classes comuns do ensino regular, em qualquer etapa ou modalidade da Educação Básica. A escola deve estimular a adaptação do estudante com AH/SD ao ambiente escolar; e estimular a interação social do estudante com os professores e pares. Deve, também, encorajar a produtividade, propiciando ao estudante com AH/SD oportunidades de atingir seu potencial máximo, por meio de atividades desafiadoras suplementares, com aprofundamento e enriquecimento de aspectos curriculares, nas classes comuns, em sala de recursos ou em outros espaços definidos pelos sistemas de ensino, inclusive para conclusão, em menor tempo, da série ou etapa escolar.

Nessa perspectiva, a fim de atenuar as necessidades dos atores escolares, do estudante com AH/SD e de sua família, no tocante à inclusão escolar, o governo federal oferece aos municípios e estados o serviço do Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAHS), que tem como objetivo (FLEITH, 2009):

- Auxiliar na formação docente e dos demais profissionais envolvidos na área das AH/SD.

- Ofertar ao aluno com AH/SD oportunidades educacionais que atendam as suas demandas.

- Oferecer orientações sobre as AH/SD à família do estudante com potencial superior. Com isso, observa-se um esforço do governo federal em estimular estudos, aperfeiçoamentos e atendimentos na área das AH/SD. Dessa forma, a escola poderá organizar e reorganizar seu sistema de ensino, objetivando melhorar as condições de atendimento ao estudante com AH/SD e a qualidade da educação para todos.

3 OBJETIVOS

3.1 OBJETIVO GERAL

Analisar o processo de inclusão no contexto da escola regular de um estudante com AH⁄SD do ensino fundamental II de uma escola pública federal de Brasília, com base na percepção do estudante com AH⁄SD, de sua família e de seus professores.

3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

1- Descrever a trajetória de escolarização do estudante com AH/SD.

2- Investigar a percepção do estudante com AH⁄SD sobre o processo de inclusão escolar na escola regular.

3- Investigar a percepção de professores sobre o processo de inclusão escolar do estudante com AH/SD na escola regular.

4- Investigar a percepção da família sobre o processo de inclusão escolar do estudante com AH/SD na escola regular.

4 METODOLOGIA

4.1 PESQUISA QUALITATIVA

Todo pesquisador, ao iniciar uma pesquisa, deve se questionar sobre qual a metodologia mais adequada para se atingir o objetivo pretendido. Demo (1995) afirma que é por meio da pesquisa científica que conhecemos a realidade. Partindo dessa afirmação, o presente trabalho consistiu em uma pesquisa com enfoque de análise qualitativa, por essa modalidade dispor de instrumentos privilegiados, de cunho subjetivo, os quais se apresentam mais adequados quando se pretende apreender, com riqueza de detalhes, por meio da fala do entrevistado, suas percepções, emoções e concepções. A pesquisa qualitativa possibilita a análise de como os participantes se comportaram diante do objeto da pesquisa. Evidencia-se, com isso, que a pesquisa qualitativa refere-se a uma metodologia que valoriza o processo e não apenas o resultado, buscando profundidade em uma perspectiva subjetivista.

O método qualitativo foi adequado a esta pesquisa por permitir exploração profunda e ampla de situações que contribuíram para responder aos objetivos propostos. Utilizou-se, como instrumento de coleta de dados, a modalidade de roteiro de entrevista semiestruturada, com tópicos pré-elaborados que possibilitaram a retirada ou o acréscimo de tópicos conforme a entrevista, visando-se ao aprofundamento sobre o processo de inclusão dos estudantes com AH/SD na escola regular.

Entre os delineamentos qualitativos, encontra-se o “Estudo de Caso”, modalidade utilizada para realização desta investigação. De acordo com Gil (2010), tem aumentado o uso do estudo de caso por pesquisadores sociais, uma vez que essa modalidade serve para pesquisas com diferentes propósitos, como: explorar situações da vida real que não apresentam limites definidos e descrever a situação do contexto da investigação. Além disso, o estudo de caso permite coletar dados sociais preservando o caráter unitário, conforme apontam Goode e Hatt (1975).

As informações obtidas por meio desta pesquisa buscaram representar apenas uma determinada realidade, não um juízo absoluto. Tornando-se um estudo de situações particulares e com características únicas, esta investigação propôs o estudo de caso de um estudante do ensino fundamental II (séries finais) da rede de ensino pública federal de Brasília-DF, que apresenta AH⁄SD. O propósito deste estudo foi investigar o processo de

inclusão do estudante com AH/SD no contexto da escola regular, a partir da sua percepção, da percepção de seus professores e de sua família.

4.2 MÉTODO