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4 Análise dos Resultados

4.2 A indústria de Charutos e Cigarrilhas

A data exata do surgimento dos primeiros charutos apresenta-se incerta. A sua origem data dos tempos anteriores à chegada de Cristóvão Colombo à ilha de Cuba, especificamente na baía de Bariay, ao norte da província cubana de Holguin. Quando os espanhóis descobriram a América, uma imagem imediatamente os surpreendeu: a de indígenas aspirando, de uma forma que prenunciava o cigarro e o charuto, a folha de uma planta mais tarde batizada como tabaco. Os índios chamavam esses primitivos charutos de cohiba; que hoje é o nome de uma famosa marca de charutos (NUNES, 2003).

No Brasil, o cultivo de fumo em folha foi introduzido na Bahia, no município de Cachoeira, em 1757, em substituição ao fumo em corda que se expandiu para outros estados do Nordeste (NUNES, 2003). De fato, é a partir de meados do século XIX que o Recôncavo Baiano enseja o surgimento da indústria brasileira de charutos, ponteando uma trajetória marcada por períodos de crise e prosperidade.

Até por volta de 1870, na Bahia, os charutos eram manufaturados pelos próprios lavradores de fumo, ou microempresas familiares de até cinco operários. Encontram-se registros de cerca de trezentas unidades fabris com estas características, na última metade do século XIX (NUNES, 2003). A primeira fábrica de charutos, de que se tem conhecimento, no Recôncavo Baiano, data de 1842 e foi aberta pelo português Francisco José Cardoso, com o nome de A Juventude, no município de São Félix, também inserida na região do recôncavo.

Na perspectiva dos países que dominam o cenário da indústria charuteira, pode- se destacar Cuba como sendo o país que tem a tradição de possuir o melhor fumo de charutos do mundo devido às características do solo. Outro país que merece destaque é a República Dominicana, que se apresenta como um grande fornecedor mundial de charutos. Apesar de ser um país pequeno é considerado o maior produtor de charutos manufaturados de alta qualidade do mundo. Além desses países, existem outros que também são produtores e fornecedores de charutos para o mercado mundial, que são Honduras, Nicarágua, México, Jamaica e o Brasil, que, apesar de ser conhecido como um grande produtor de fumo de qualidade superior, ainda não possui uma tradição solidificada no fornecimento na indústria mundial de charutos (SHORR, 2007; A TARDE, 2006).

Após cerca de trinta anos de decadência e estagnação no início do século XX, o mercado mundial de charutos vem experimentando, desde a década de 1990, um período de retomada do seu crescimento. Os anos compreendidos entre 1991 a 2001 destacam-se como reflexo do cenário de crescimento, conforme dados apresentados pela Promo (1998). Grande parte da responsabilidade por esse crescimento da demanda mundial por charutos está relacionada especificamente ao mercado consumidor americano.

De fato, na década de noventa do século passado, houve um grande crescimento na demanda por charutos nos EUA, especialmente do tipo premium cigars. O consumo de charutos no mercado americano experimentou rápido crescimento no início da década de 1990, sendo que 1997 destaca-se, pois mais de 500 milhões de unidades de charutos foram importados. Os principais países exportadores para esse mercado são República Dominicana, Honduras, Nicarágua, Jamaica e México.

Além do mercado norte americano, destacam-se como grandes consumidores o Canadá e a Suíça e alguns países da União Européia, mais precisamente, a Alemanha, França, Espanha, Inglaterra, Portugal, Dinamarca, Bélgica e os Países Baixos, como a

Holanda. Recentemente, embora com menor expressão, podem-se citar outros países como Argentina, Emirados Árabes, Malásia e Japão. Em conjunto, esses países compõem os principais mercados consumidores de charutos do mundo (PROMO, 2006; NUNES, 2003).

A participação brasileira nos mercados mencionados ainda pode ser considerada tímida, principalmente com relação ao mercado norte-americano, o que apresenta maior taxa de consumo, conforme dados da PromoExport (2006). A Bahia figura hoje como único estado produtor de charutos do país, com cerca de 11 fábricas, a saber: Chaba, Paraguaçu, Talvis, Josefina, Le Cigar, Mr -Charutos, Quitéria Tabacos, Mathéo, Dannemann e Menendez Amerino. No auge da atividade fumageira, entre as décadas de 1940 e 1960, a Bahia chegou a atingir uma produção anual de 250 milhões de unidades. Entretanto, em 2006, a produção chegou a apenas 8 milhões de unidades, segundo dados do Sindicato do Fumo do Estado da Bahia (SINDIFUMO-BA).

Ainda analisando os dados apresentandos pelo Sindifumo-BA, cerca de 20% dos charutos e cigarrilhas produzidos no estado, em 2006, foram exportados, principalmente para os Estados Unidos e Comunidade Européia. A tabela a seguir apresenta os principais países importadores de charutos e cigarrilhas brasileiros.

Tabela 2 (4): Principais países importadores dos charutos e cigarrilhas brasileiros, em 2006

Países US$ FOB Volume (Kg) Valor

Estados Unidos 316.610 14.893 Alemanha 192.396 2.735 Argentina 141.250 12.582 Uruguai 68.716 359 Taiwan (Formosa) 37.800 5.151 Índia 32.400 5.519 Canadá 25.784 2.149 Tcheca, Republica 13.936 225 Suíça 13.863 192 Arábia Saudita 11.043 177

Paises Baixos (Holanda) 8.125 485

Total 861.923 44.467

Fonte: Aliceweb (2007)

Após as apresentações sobre a caracterização da indústria brasileira de charutos e cigarrilhas, na etapa seguinte discorre-se sobre as características-chave da empresa em questão: sua história, desenvolvimento e os principais acontecimentos que definiram as

suas estratégias de atuações. Com essas considerações, será possível demonstrar os passos realizados no processo de internacionalização, assumidos por tal empresa. Esses passos serão apresentados, quando possível, ano após ano, com o intuito de analisar o caso ao longo do tempo, em termos de motivos que levaram à decisão de internacionalização, às escolhas dos mercados e às características envolvidas nas tensões estratégicas entre conteúdo, contexto e processo propostos na pesquisa.