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A Integração do digital com o social

3.2 Casa Brasil

3.2.4 A Integração do digital com o social

Pela forma como o projeto Casa Brasil é estruturado, já existe uma integração física mínima entre atividades de inclusão digital e inclusão social. Uma visão geral dos módulos propostos para o Casa Brasil indica o estímulo para o desenvolvimento da dimensão cognitiva da inclusão social, nos moldes que definimos anteriormente, sobretudo, com o uso da sala de leitura, do laboratório de divulgação da ciência e do espaço multimídia. A importância desta dimensão também é refletida na fala de um dos entrevistados:

A gente pretende não dissociar os saberes.[...] [o referencial] de que a ciência não está separada da arte, de que a tecnologia não está separada da cultura. As coisas não existem em caixinhas, não existem fronteiras, existem interfaces entre os saberes. Então, a gente pretende levar isso de uma maneira unificada, de uma maneira conjunta, de uma maneira integrada. [...] a gente levar não só acesso, [mas também] levar a difusão cultural e artística, não só a difusão do universal para a local, mas do local também para o universal, fazer as duas mãos, fazer uma globalização contra-hegemônica, [...] porque isso gera o empoderamento da não-elite, você gera mais cidadania, você está trabalhando a cidadania. (entrevista 08).

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Um dos softwares mais usados para atender aos deficientes visuais no uso do computador é o DOXVOX. O software é gratuito e foi desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mas foi produzido para funcionar no ambiente Windows. Disponível em: <http://www.intervox.nce.ufrj.br/dosvox/>.

Além disso, a existência de espaço público como um auditório, que pode ser usado não somente para atividades culturais e artísticas, mas também como espaço para a discussão de questões comunitárias de cunho mais político, abre a possibilidade para que a dimensão política da inclusão social seja exercitada. Essa possibilidade é plausível uma vez que a dimensão política da inclusão social também esteja sendo incentivada pela forma como as unidades são geridas. Além de promover a Casa Brasil como um espaço público, o projeto tem como objetivo a construção de uma cidadania mais participativa. Um dos entrevistados comenta os múltiplos objetivos com a gestão comunitária:

A gente tem objetivos múltiplos com isso. Um deles é a própria gestão, democratizar a gestão, porque isso dá um caráter público para a iniciativa, quando a população pode influir no cotidiano, nos rumos. Isso já estimula a democracia participativa. [...] Mas nós temos [...] objetivos pedagógicos. [...] A pessoa pedir a palavra num conselho gestor, manifestar a sua opinião, defender a sua opinião, tentar gerar um consenso, abrir mão da sua opinião, levar para uma votação, saber ganhar, saber perder. Isso tudo vai exercitando as técnicas discursivas que vai permitir a pessoa ter mais possibilidades de inserção social, vai permitir ela defender suas posições políticas, defender suas necessidades sociais, vai permitir ela ter um maior domínio da linguagem, um domínio maior dessa disputa de poder. Então, isso promove mais cidadania. (entrevista 08).

Contudo, assim como o acesso aos artefatos tecnológicos não leva diretamente ao seu uso, o desenvolvimento da participação política no espaço disponível é algo que não acontece se não houver estímulo e orientação por parte dos gestores do projeto. Essa também parece ser uma das preocupações do projeto e é colocada nos seguintes termos:

Os Conselhos Gestores são fundamentais para a construção e continuidade do PROJETO CASA BRASIL, não esgotam suas funções na administração comunitária do espaço. São antes de tudo, oportunidades para a prática da participação como pedagogia, estimulando as pessoas a exercer a cidadania ativa. A participação popular na gestão pública não faz parte da cultura

nacional, e sua inclusão deve se dar através de um processo de aprendizado

coletivo e cotidiano, e os profissionais do PROJETO CASA BRASIL devem

integrar este processo como facilitadores, e devem se capacitar para cumprirem a tarefa. (Cnpq/Iti, 2005, p. 3, grifo nosso).

Outra linha de atuação que o projeto pretende reforçar, na dimensão econômica da inclusão social é uma integração do projeto com a Secretaria Nacional de Economia Solidária do Governo Federal, para promover o comércio de produtos feitos dentro da economia solidária. A idéia é fazer uma dupla abordagem:

[...] Promover a inclusão digital da Economia Solidária e trazer a Economia Solidária para dentro da inclusão digital, ou seja, vamos pegar as cooperativas, instrumentalizar. Fazer oficinas de como promover os seus produtos na rede. Como você fotografar seus produtos, trabalhar, colocar na rede, fazer um comércio eletrônico, [...] Por exemplo, a gente está tentando construir uma parceria [...], que é entre o Casa Brasil e aí junto o ITI, a Economia Solidária

Senai‘s e os Correios e aí a gente pretende promover um ambiente de comercialização, de comércio justo e solidário. (entrevista 08).

Em resumo, o espaço do projeto tem a pretensão de tornar um espaço aberto, comunitário, integrador de atividades sócio-culturais, com uso intensivo ou não de Tecnologia da Informação e comunicação. Para isso, conta com uma equipe de produção de conteúdos pedagógicos, softwares específicos para as necessidades do projeto e formação do quadro de pessoas que irão atuar diretamente nas unidades. A gestão feita por um conselho local estimula a construção de uma autonomia participativa pelos beneficiários das unidades. Em outras palavras:

É como se fosse um clube. Como se fosse associação, onde a gente espera que a comunidade efetivamente vá. E a gente já viu isso acontecendo nessas unidades que a gente implantou, que a gente está implantando, a gente já está vendo isso acontecer. (entrevista 09).

De forma geral, portanto, o projeto não somente tem a intenção de ter um conceito mais ampliado de inclusão digital e de integração com ações de inclusão social, como também está sendo construído de forma a ter condições de oferecer o que promete. Esses são os grandes desafios dessa construção sócio-política para sua sustentabilidade.