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“A invasão de Pão de Açúcar”

No documento V.2, N.1 - Edição Impressa (páginas 85-89)

D. Água Pura (A); Lixonilda (L); Mosquitônio (M); Narrador (N); Sr. Fossão (F); Sapatonopé (SP); Sujão (S); Turma (T); Verminho (V)

(N) No sudoeste de Alagoas, precisamente na cidade de Pão de Açúcar, moravam seu Sujão e Dona Lixonilda. Eles queriam dominar a cidade, mas não conseguiam porque o povo de Pão de Açúcar era forte, alegre e trabalhador...Até que um dia...

(Entram em cena Sujão – carregando sua trouxa ou saco nas costas – e o Sujinho). (S) Ah!! Sabem quem eu sou ? Sou o Sr. Sujão. Vou conquistar a cidade e sei também como vou enfraquecer o povo de Pão de Açúcar!

(L) Como ?!! Fala, fala, Sujão, cara de bobão!

(S) Presta bastante atenção, a partir de hoje vamos morar em Pão de Açúcar! (L) Ah!! Já sei: vamos ensinar a não beber água filtrada, a deixar o lixo nas ruas, nas casas, nas praças, em todo lugar, sem esquecer, é claro, de jogar muito lixo nas águas do rio São Francisco!

(S) Isso mesmo!

(L) Mas, sozinhos,vamos conseguir isto?!!

(S) Lógico que não, vamos chamar a turma de Sujinópolis para nos ajudar. (L) Quais?!!

(S) O Mosquitônio e o Verminho. (Sujão chama cada um).

(A turma da sujeira falando).

(V) Vamos atacar as águas que as pessoas tomam?!! (T) Vamos!! Vamos!!

(V) Qual doença que vamos transmitir a elas?!! (M) Hepatite, dengue.

(L) Meningite e equistossomose. (V) Muitos vermes... ah! ah!!

(Sujão, Sujinho e a turma da lixeira sujam o palco com papéis, latas, etc. enquanto o narrador...)

(N) Assim, seu Sujão, Lixonilda e toda a turma de Sujinópolis foram morar em Pão de Açúcar. Depois de um ano, a cidade estava toda mudada, suja, os animais soltos, lixos espalhados pelas ruas, o povo fraco e as crianças barrigudas.

(V) Oba!! A cidade já é quase nossa, todos já estão fracos, tristes...

(L) É mesmo! logo, logo, nós vamos mandar em Pão de Açúcar, vamos ser os donos daqui!

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(N) Um dia, seu Sapatonopé acordou bem cedinho e ficou lembrando como era a cidade, limpinha, o povo forte e alegre.

(Entra Sapatonopé calçado com uma grande botina com expressão pensativa). (SP) É, os velhos tempos é que eram bons, não tinha tanto lixo. E por que será que agora tudo está ruim?!! Preciso descobrir a causa. Vou me reunir com meus amigos.

(N) Sapatonopé chamou seus amigos:

(SP) Dona Água Pura!! Maria Vassoura!! Sr. Fossão!!

(N) Eles conversaram, trocaram idéias e descobriram que a causa era seu Lixão e sua turma.

(A) Vamos usar só água tratada em nossas casas para tomar banho, e aguar as hortas e fazer toda a higiene do lar.

(F) Vamos fazer uma operação limpeza!!

(A turma da limpeza recolhe os papéis, latas, enfim, todo o lixo espalhado pela turma da sujeira, enquanto o narrador...)

(N) Aí eles começaram a limpar as casas, as ruas, colocar os lixos nas lixeiras, conscientizar os banhistas para não jogar o lixo no rio, mas, nas sacolas plásticas e prender os animais... porque descobriram também que, quando a cidade de Pão de Açúcar era limpinha havia mais turistas, as pessoas adoeciam menos... Sujão e Lixonilda não conseguiam viver na cidade. A cidade foi ficando bonita, limpa de novo. Mas...e a turma do Sujinópolis?

(V) Vou embora, não consigo viver nessa limpeza! (L) Ih!! Nesta cidade não temos mais vez.

(M) Não podemos mais fazer maldade nenhuma!! Vamos antes que essa turma da limpeza acabe com a gente!!

(A turma da sujeira sai correndo)

Considerações finais

A situação de exclusão social que se encontra submetida a população sertaneja alagoana dificulta sobremaneira a mobilização popular por uma condição socioambiental sustentável e até mesmo impossibilita, muitas vezes, o próprio reconhecimento de que tal conjuntura ambiental encontra-se degradada e que parte dessa responsabilidade está atrelada às ações/omissões dos governantes que essa mesma população elege periodicamente.

Os diagnósticos ambientais produzidos pelos/as participantes do projeto consistiram em documentos de pesquisa que servem como instrumentos indispensáveis para reivindicações da população de cada município junto ao poder local, por meio de seus/suas representantes, buscando a solução dos problemas ambientais detectados.

Já, as peças teatrais, constituíram um recurso para a educação ambiental da população local, visando essas mesmas reivindicações, tanto por um melhor conhecimento da região sertaneja alagoana quanto pelas prescrições que tais encenações veiculam no

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tocante à ação humana sobre o restante da natureza. As encenações, ao serem documentadas na forma de vídeo educativo, estão à disposição de ONGs, escolas, associações comunitárias e outras entidades da sociedade que necessitem de material educativo relativo aos problemas ambientais da região, buscando a formação de sujeitos social e ambientalmente responsáveis. Assim, é possível ressaltar, mais uma vez, a necessidade de maior articulação entre ações de ensino e pesquisa, e o papel indiscutível de tal articulação na superação da passividade da população diante de seus problemas e na superação deles.

Referências bibliográficas:

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FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 17ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. 184 p. IBGE. Censos demográficos. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/ estatistica/populacao/censo2000/ufs.php?tipo=31> Acesso em: 03/out/04. LIMA, G. F. da C. Crise ambiental, educação e cidadania: os desafios da sustentabilidade emancipatória. In: LOUREIRO, C. F. B.; LAYRARGUES, P. P.; CASTRO, R. S. de (Org.). Educação ambiental: repensando o espaço da cidadania. 2a ed. São Paulo: Cortez, p.

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MEDINA, N. M. Elementos para a introdução da dimensão ambiental na educação escolar – 1º grau. In: BRASIL. Ministério do Ambiente e da Amazônia Legal. Ibama. Amazônia: uma proposta interdisciplinar de educação ambiental. Documentos metodológicos. Brasília: Ibama, p. 13-82, 1994.

REIGOTA, M. O que é Educação Ambiental. São Paulo: Brasiliense, 1998. 62 p. SATO, M. Educação Ambiental. São Carlos: Rima, 2003. 66 p.

SILVA CUNHA, M. M. da. A prática pedagógica de professores de Ciências e suas relações com a Educação Ambiental. João Pessoa, 2005. 107 p. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal da Paraíba, Centro de Educação.

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