No cenário de inovações solicitadas pelos direitos determinados às pessoas surdas, o Decreto nº 5.626 (BRASIL, 2005) reúne a síntese da luta do povo surdo pelo direito de se expressarem na sua língua natural – Língua de Sinais: Libras – que exige adequações e readequações de natureza política, social e, principalmente, educacional.
Não podemos omitir a existência das influências das politicas externas, como aponta Feldfeber (2009), das intenções que se entrelaçam neste processo, que geram as submissões diante das determinações formuladas pelos provedores econômicos e financiadores da educação, que, por sua vez, acaba repelindo a formação de uma identidade cultural, científica e tecnológica brasileira. Porém, na afirmação de Filietaz (2006), os movimentos internacionais pela educação inclusiva impulsionaram as reivindicações pelo direito dos surdos a utilizarem-se da Língua de Sinais e, lentamente, eles foram constituindo-se em grupos socialmente organizados. Assim, o direito em expressar em Libras representa resultados de lutas obductas decorrentes das determinações do Congresso de Milão, de 1880, no qual a Língua de Sinais foi proibida na educação dos surdos e estes passaram a utilizá-la clandestinamente.
Com o direito linguístico conquistado, a comunidade surda movimenta- se pela redução das desigualdades e ampliação de oportunidades sociais (FILIETAZ; TSUKAMOTO, 2013). As repercussões da conquista da Libras são processadas no Ensino Superior, que também recebeu prerrogativas inéditas, propostas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência
realizada em Paris em 1998, foram postuladas as principais atribuições, missões e funções congruentes à superação do conservadorismo elitista das universidades e solicitam a adoção de medidas das universidades, tais como: igualdade de acesso, formação ética, avaliação de qualidade, entre outras apresentadas em seus 17 artigos.
A visão equânime solicitada ao Ensino Superior, segundo Filietaz e Tsukamoto (2013), potencializa-o como agente executor do papel social de processar a criação, e a disseminação de novos conhecimentos deve reconhecer a importância de viabilizar o que está preconizado no Decreto nº 5.626 (BRASIL, 2005, p. 28). Nas especificações, o capítulo IV do Decreto nº 5.626 elucida, no art. 14, que:
As instituições federais de ensino devem garantir, obrigatoriamente, às pessoas surdas acesso à comunicação, à informação e à educação nos processos seletivos, nas atividades e nos conteúdos curriculares desenvolvidos em todos os níveis, etapas e modalidades de educação, desde a educação infantil até à superior.
A obrigatoriedade referida insere as universidades federais no papel de realizar aproximações educacionais inovadoras, de compor o pensamento crítico, criatividade, acesso às informações acadêmicas, de garantir a formação de sujeito práxico.
Além da atribuição das Instituições do Ensino Superior (IES) de priorizar a inserção de professores surdos para o ensino da Libras e com apoio dos TILS, outras ações legais são outorgadas, entre as principais estão a implementação do Prolibras , realizado anualmente pelo Ministério da Educação/Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (MEC/INEP); a criação do Curso de Pedagogia Bilíngue – Libras/Língua Portuguesa, em 2005; a implantação do Curso Superior de Letras com Licenciatura em Libras e de Bacharelado em Tradução e Interpretação de Libras, em 2006 e 2008; a implantação dos Centros de Formação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS) (DUTRA, 2008).
O art. 11 do Decreto nº 5.626 (BRASIL, 2005, p. 28) solicita ao Ensino Superior “programas específicos para a criação de cursos de graduação: [...] de formação em Tradução e Interpretação de Libras-Língua Portuguesa”, legitimando o papel de produzir novos conhecimentos.
Os estudos de Freitas e Moreira (2011) constatam que é no Ensino Superior que as mudanças paradigmáticas solicitadas a favor da inclusão escolar têm maior impacto, principalmente em relação à surdez, pois solicita a inserção da disciplina de Libras nos cursos de licenciaturas e como disciplina optativa nas demais graduações.
Por esta via, as políticas educacionais para os surdos solicitam-se, da gestão universitária, a incorporação dos princípios da inclusão, pois, hoje é uma realidade professores e alunos surdos universitários. Em relação à Libras envolve a compreensão que é uma língua capaz de propiciar a constituição dos surdos como sujeitos sociais e que permite o desenvolvimento dos aspectos sociais, cognitivos e culturais, e, neste cenário, a atuação dos TILS deve ser vista como apoio linguístico nestes processos evolutivos.
Na realidade, as IES e demais modalidades de ensino constatam a carência de ofertas de TILS habilitados e também apontam a falta de diretrizes de ofertar as formações devidas, principalmente nas IES públicas. Consequentemente, as ofertas das iniciativas privadas multiplicam-se, em nível de formar especialistas (Lato Sensu) com o domínio da Libras. Tais fatos são demonstrados nos resultados das Sinopses Estatísticas da Educação Superior divulgadas pelo Inep, de 2006, que são regulamentadas em acordo com as iniciativas empresariais na formação docente no país. No mesmo processo das privatizações do meio empresarial, com a descentralização da função do Estado, entrega-se a educação às iniciativas privadas e, enquanto o Estado causa o sucateamento intencional das escolas públicas (HAYEK, 1987).
Diante do exposto, as constatações elucidam a urgência de estruturar a formação de TILS em conformidade da solicitação legal, de forma que, a inclusão escolar evidencia a função primária das universidades de realizar o ensino-pesquisa-extensão, mas, na ótica de conjecturar os conhecimentos fragmentados para a incorporação do conceito de diversidade.
Destacamos o papel da educação contemporânea com base em Alarcão (2003), que consiste em estruturar e dinamizar situações de aprendizagem e considerar as capacidades individuais de produção autônoma e colaborativa associados à formação do espírito crítico.
De tal modo que solicita aprofundamentos em relação a identidade e processo profissional dos TILS, enquanto sujeitos profissionais e sociais,