CAPITULO II. Revisão da Literatura
3. A literatura da Responsabilidade Social da empresa
São inúmeros os investigadores que retratam um campo lato de definições sobre este tema. De uma forma geral, os movimentos sociais dos anos de 1960 e dos anos de 1970, que surgiram nos EUA, em direitos civis, antiguerra, consumismo, ambientalismo e direito das mulheres, serviram como catalisadores para repensar o papel das empresas na sociedade. Carroll (1979: 500) observou ue “a responsabilidade social dos negócios vai além dos fatores económicos, legais, éticos e expetativas discricionárias que as sociedades detêm das organizações num dado período específico”. Davis (1973: 312) apresenta uma definição entendida como clássica por Donna J. Wood, um dos discípulos de Freeman (Wood, 1991). Define R E, como “a consideração da firma em responder a uestões ue vão al m dos requisitos restritos da economia, técnicos e legais, de forma a acompanhar os benefícios sociais assim como os ganhos económicos ue as empresas procuram”. Além destas, muitas outras alimentam guerra entre uma fação, a sociedade e as obrigações da outra, a empresa. No entanto, em 1975, Dill defende que durante muito tempo, os comportamentos dos “ takeholders” eram vistos como marginais ao planeamento estratégico e processos de gestão: a informação era fornecida aos gestores para aperfeiçoar as suas decisões e as imposições legais e limitações sociais eram fornecidas aos gestores para limitar o seu processo de gestão. Daí a má aceitação dos “ takeholders” externos deterem participação ativa junto das decisões tomadas pelos gestores. Confiante de uma nova era, afirma ue o papel dos “ takeholders” passou de um papel de influenciar as empresas, para um papel de participar nas empresas. (Dill, 1975).
Durante este período, dois grandes grupos de investigadores emergiram na criação de uma subdisciplina denominada “Business and ociety” dentro do campo científico da grande disciplina de Gestão. Esta subdisciplina também pode ser denominada como “ ocial Issues in Management”.
Na escola de gestão de Berkeley, “Berkeley chool of Management”, avançam com estudos dirigidos ao tema enunciando vários assuntos (“issues”). No mesmo período Harvard Business School avançou com uma linha de projetos relativos ao tema de “Corporate ocial Responsibility” (C P). Este volumoso trabalho culminou com o desenvolvimento de um tema pragmático denominado “the corporate social
responsiveness model”. No fundo, aplica o desafio lançado por Dill (1975) na área dos assuntos sociais dos “ takeholders”: Uma forma de responder uestão de como pode a empresa responder proactivamente ao aumento das pressões que lutam pela mudança social positiva. Ao fazer um focos sobre “responsiveness” (capacidade de resposta) em vez de “responsibility” (responsabilidade), os investigadores de Harvard obtêm sucesso na ligação da análise de assuntos sociais às áreas tradicionais de estratégia e das organizações (Ackerman, 1975; Ackerman e Bauer, 1976; Murray, 1976). Embora estas grandes subdisciplinas tenham desenvolvido um trabalho positivo no estudo de políticas de negócio, a responsabilidade social das empresas continua a ser vista por muitos como um aditivo ao trabalho diário do gestor e que a frase mais escutada por gestores executivos ue “R E boa, se a empresa tiver dinheiro para a fazer” (Freeman, 2010: 40). Esta divisão conceptual de criação de lucro nos negócios e a despesa de lucros, dita de outra forma, responsabilidade social está espelhada no mundo académico. A academia de gestão “Academy of Management” tem duas divisões separadas: uma dedicada a “ ocial Issues in Management” ( IM) e outra dedicada a “Business Policy and trategy”.
Dada a atual turbulência nas organizações, e concretamente nas empresas, e a verdadeira natureza das forças do ambiente externo às empresas, nomeadamente as forças sociais, políticas e económicas, existe a necessidade de integrar e não de separar. Ações dirigidas para um lado não se dirigem às preocupações do outro. É necessário compreender a ligação e inter-relação existente entre as forças económicas e as forças sociais. Processos, técnicas e teorias que não considerem todas estas forças, não atingem o sucesso no descrever e no prever da forma como o mundo empresarial funciona hoje (Freeman, 2010).
Concluindo, Freeman defende que a RSE é importante por trazer à investigação de gestão uma preocupação com valores sociais e políticos, mas não consegue ter sucesso na indicação de como integrar estas preocupações nos sistemas estratégicos das empresas de forma não alternada. Segundo Wood, (1991), a ideia básica de RSE é ue os negócios “business” e a sociedade “society” estão interligados e não são entidades distintas. Portanto, a sociedade tem certas expectativas perante os resultados e os comportamentos provenientes do mundo dos negócios. A RSE ainda está distante da possibilidade de fornecer provas para se justificar como vetor permanente de decisão nas empresas. É nesse campo que Ullmann (1985) demonstrou a necessidade
da criação de uma teoria que permita associar a RSE aos desempenhos da empresa (business performance), isto é, a dita Corporate Social Performance (CSP). Ao mesmo tempo Cochran (1985) publicou o documento integrador de CSP, na sequência do trabalho de Carroll (1979) na tentativa de construir um modelo geral de C P ue seja definido por “um conjunto de ações interligadas por princípios de responsabilidade social (SIM), de capacidade de resposta (Business and Society) e de políticas desenvolvidas para se dirigirem a aspetos sociais” (1985: 758). Cochran (1985), mostrou que várias perspetivas de competitividade poderiam ser incorporadas neste conceito (responsabilidade económica, responsabilidade pública, capacidade de resposta social). Donna J. Wood (1991: 694) descreve que CSP pode receber vários motivos, comportamentos e resultados que sejam encontrados nas empresas e vê a CSP isolada do desempenho da empresa, pois permite que a CSP seja vista como algo implicitamente bom para si e desejável para as empresas.