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CAPITULO II. Revisão da Literatura

3. A responsabilidade dos dirigentes

3.7. O CONTRIBUTO DA TEORIA DO “ TAKEHO DER ” PARA A ÉTICA

O surgimento histórico da TS procura rever a noção da disciplina não normativa de gestão estratégica. É adotada, primeiramente, por teóricos de economia e de gestão de disciplinas normativas de negócio. Os primeiros autores a defenderem a TS encontram-se no campo da noção de ética e respetiva ética nos negócios. Em linhas anteriores já abordamos o papel da TS na gestão estratégica da empresa, com particular explicação, para a forma como a TS atua eticamente na sua criação de valor atendendo à complexa problemática da ética no capitalismo.

Os gestores adotam o pensamento de “ takeholder”, medida ue se encontram mais aptos para integrar a efetiva dimensão ética na prática dos seus negócios. Esses grupos que se encontram na sociedade com os quais os executivos têm de lidar tornam-se parceiros da empresa com interesses investidos ou de risco, nas práticas operacionais destas. Esses grupos, ou “público” como em tempos eram referenciados, são atualmente vistos como “ takeholders”, indivíduos ou grupos ue são afetados pela organização (Carrol,1996).

gestão precisa de comunicar, estabelecer transações e interagir. As empresas de sucesso tornam-se capazes de gerir corretamente as suas relações com os “ takeholders”. endo vistos como parceiros legítimos e com poder, essencial ue os “ takeholders” possam entrar de forma significativa, nas tomadas de decisão da empresa. Cinco questões podem ser colocadas aos gestores para capturar a informação essencial à gestão efetiva de “ takeholders”: uem são os nossos “ takeholders”? Quais são os seus riscos? Que oportunidades e desafios apresentam os nossos “ takeholders” para a empresa? Que responsabilidade (económicas, legais, éticas e filantrópicas) tem a organização perante os seus “ takeholders”? Que estratégias ou ações deve a empresa tomar para melhor responder aos desafios e oportunidade dos “ takeholders”? Os gestores ue gerem com os “ takeholders” podem efetivamente responder as estas questões e podem obter sucesso no cumprimento dos objetivos das suas empresas: Uma gestão para “ takeholders”, satisfeitos e tratados de uma maneira ética (Caroll, 1996).

Ética é definida como a criação de uma conduta ou comportamento do que é correto e justo (Carroll, 1991); (Freeman and Gilbert, 1988). “Ética um sistema de princípios de valor ou práticas e a definição do certo ou errado” (Rainborn e Payne, 1990). Velasquez (1999) definiu ética sendo os julgamentos envolvidos em decisões morais: juízos normativos que definem ou implicam que algo é bom ou mau, certo ou errado. Numa perspetiva mais ligada ao negócio, De George (1999), define a ética no negócio como a interação entre ética e negócio. De George esclarece que a interação entre ética e negócio envolvem julgamentos morais e evocam louvores ou sentimentos de culpa. Estes deveriam ser aplicados universalmente, pois envolvem assuntos sérios que produzem resultados sérios. Adicionalmente os julgamentos morais só podem ser executados pelos próprios indivíduos, pois nem sequer as agências governamentais dispõem de leis que imponham julgamentos morais a ninguém. De George também distingue a moralidade objetiva da moralidade subjetiva. A moralidade objetiva, mais extensa, é uma forma de lei mais facilmente equiparada à lei promulgada. A subjetividade moral é a crença pessoal de ter tomado a atitude correta ou errada em determinada ação. A definição de dicionário da palavra moral ou moralidade indica a habilidade de escolher entre o bem e o mal. Os termos de moral e ética têm sido utilizados de forma cruzada nas literaturas sobre temas socias nomeadamente junto da corrente SIM (Social Issues in Management) (Freeman e Gilbert, 1988).

Analisando todas as definições, podemos identificar três correntes de pensamento na definição de ética: a primeira associada a princípios e ações classificadas entre o bem e o mal, em termos de regras e princípios aplicados por cada um numa determinada ação (ex. não mentir, não enganar, ajudar outros uando pode,…); a segunda associada ao caráter do agente na forma como se torna uma boa pessoa ou como cria uma boa comunidade ou organização. A terceira, associada a resultados, uma avaliação em consequência dos seus atos: a concretização de ações que atinjam resultados moralmente importantes (ex. ajudar a comunidade, cuidar da família, lutar por uma justa causa, fiel depositário de fortuna,…) (Freeman et al., 2010).

As várias definições de ética, avançadas ao longo do tempo, apesar de pequenas diferenças, permitem manter uma coerência e criar junto do mundo dos negócios, uma disciplina, “Business Ethics”, tradicionalmente criada como uma variante da tica e moral filosófica, desta vez destinada ao pensamento sobre temas éticos junto do mundo dos negócios (Freeman et al., 2010). O centro de “Business Ethics” trata-se de olharmos para nós mesmos e para as nossas ações (2010: 196). Na verdade, uma das razões que deu origem à sua difusão está ligada à recente divulgação de escândalos ocorridos na atividade empresarial e à atenção dada pelos media a tais acontecimentos, pressionando o mundo empresarial a assumir ações éticas (2010: 199).

O contributo da TS para a ética: Os investigadores da ética, até então considerados como contributos isolados do mundo dos negócios, são os primeiros a aplicar a TS como instrumento poderoso para fazer a ligação direta entre ética e negócio. Identificaram de imediato três contributos capazes de aplicar de forma prática os seus pontos de vista: a primeira, facto de a TS lhes permitir acesso à literatura de “estrat gia das empresas” e literatura de “gestão das empresas”; Uma segunda, pela capacidade de fornecer uma criatividade incessante pela forma como a empresa poderá aplicar a ética e qual o seu significado para as empresas. No fundo permite aos gestores melhor compreender o que significa adotar ética nos seus negócios e para os teóricos-éticos permite estender o seu trabalho normativo às ligações empíricas com as estruturas das empresas; o terceiro contributo significativo da TS, junto dos teóricos-éticos, reside na oportunidade de estes poderem defender o seu ponto de vista, de colocarem em questão, de forma aplicada e alienada a empresas, as opiniões e as hipóteses defendidas por outros investigadores na forma como se devem gerir as

empresas e que postura estratégica devem ter os gestores, como é o caso da teoria de Friedman e a de Jensen. (Freeman et al., 2010: 195-196).

O contributo da ética para a TS é o mesmo que dizer o contributo da ética para o mundo dos negócios sinónimo do conteúdo do conceito de ética no negócio. As ideias base e questões que a ética coloca, fazem da TS a sua distinção fornecedora de importantes contributos à literatura das empresas. Como vimos anteriormente todos os teoristas admitem de forma consensual que o aspeto ético forma a base da TS e poucas são as dúvidas de que os seus valores e propósitos vão além da rentabilidade, isto é, a TS assume a preocupação pelo bem-estar dos “ takeholders” desde o início da sua conceção (Walsh, 2005).

Outro contributo reside no empenho dado pelos teoristas-éticos a favor da investigação da T , bastando para tal, ver a uantidade de “papers” ue são editados em jornais da especialidade, “Business Ethics”, sobre T e o seu forte contributo no avanço normativo. E uma outra razão reside na defesa do que muitos autores assumem (Donaldson e Preston, 1995), sobre ser a ética normativa que formou a ética dos negócios. O próprio Freeman defende que, para os gestores de decisão, poderem gerir os seus negócios com integridade e autorreflexo dos seus atos, devem enfrentar as questões colocadas pela ética normativa e dar-lhes execução (Freeman, 1994).

3. A TEORIA DO “ TAKEHO DER ”