A Lua Astrológica
A LUA NEGATIVA NÃO INTEGRADA
A imaturidade emocional e a dependência nos relacionamentos são sinais de uma Lua não integrada, e isto está associado com a insegurança interior e a instabilidade pessoal, devido a uma falta de confiança em si mesmo e nos outros. A falta de integração pode ser revelada de duas formas distintas. A primeira é a expressão emocional distorcida, e a segunda envolve repressão.
As emoções tendem a ser altamente suscetíveis e voláteis, mutáveis por natureza e influenciadas pelos sentimentos e pensamentos dos outros, já que a auto-imagem depende da atitude das outras pessoas. Se a reação da pessoa é crítica, negativa e dissociada, sua tendência é sentir-se ferida e rejeitada, mergulhar num pântano emocional, recorrer ao retiro emocional e retrair-se. Quando o mundo fica muito pesado, a reação automática é retirar-se para um santuário interior, particular, para lamber as feridas até que as emoções se abrandem. Há então vulnerabilidade emocional, dificuldade em lidar com as emoções e uma instabilidade interior difícil de ser resolvida.
Os relacionamentos podem ser problemáticos e uma fonte de conflito e sofrimento. As necessidades emocionais são muito fortes nos relacionamentos, e a tendência é que esta dependência se torne dominante. A vida familiar será o reino onde o grande amor, a solidariedade, a empatia, a autodefesa e o sentimento de posse poderão ser demonstrados, mas isso pode tornar-se excessivo e prejudicial à liberdade e ao bem-estar dos membros da família. O papel desempenhado pode ser o de um mártir se sacrificando pelos outros, ou a expressão do amor pode ser tanto muito efusiva como restritiva. Pode também ocorrer dependência, pois a pessoa confia aos membros da família o propósito e o significado de sua vida. Assim, quando os filhos crescem e saem de casa, ou os parceiros mudam-se ou morrem, a vida fica subitamente despida de significado e propósito. Nestes casos, o indivíduo depende dos outros para nutrir-se e não consegue desenvolver a autonutrição. Pode haver um considerável autodeslocamento através da identificação com o parceiro, o que restringe a individuação. Também pode haver tendência para atrair parceiros muito nutridores que estão preparados para assumir o papel de pai ou mãe no relacionamento.
A pessoa busca segurança no mundo exterior, através dos membros da família, de posses, do lar, de tradições sociais e de visões de mundo
estabelecidas. Muito esforço é despendido em criar uma segurança pessoal, e qualquer mudança é considerada suspeita. O lar torna-se o útero protetor ou o castelo, barreira contra o lado selvagem da vida. Por isso, pode ser dada alta prioridade à segurança financeira, talvez como uma preocupação, havendo uma cuidadosa restrição dos gastos e uma preferência pela poupança. Os padrões de hábitos são construídos num estilo de vida que garanta uma segurança previsível, um lar regrado e organizado, criando normas às quais todos devem se adaptar. A acomodação a mudanças pode ser difícil e freqüentemente haverá resistência, a não ser que elas sejam absolutamente necessárias.
Necessidades interiores e desejos serão fatores de motivação, apesar de provavelmente flutuantes, e poderá haver um impulso à auto-indulgência compensatória a fim de aplacar a fome interior. Isso se manifesta facilmente em hábitos alimentares compulsivos, com excessos periódicos provocados por desconforto emocional. É provável que haja conexão entre saúde, emoções e alimentação, e as doenças lunares tradicionais são os problemas digestivos e aqueles associados ao sistema reprodutor feminino. Pode haver preferência pela companhia feminina, especialmente a de mulheres que sejam um reflexo do tipo ideal de nutrição que uma mãe deve prover. Apesar disso, alguns homens têm sentimentos ambíguos em relação às mulheres, sentindo-se incomodados com a tendência à dependência ou com a necessidade de uma "mãe substituta".
Para muitos, a Lua não integrada representa dificuldade de desligar-se emocionalmente da relação primária mãe-filho, o que mais tarde pode resultar numa incapacidade de amadurecer e tornar-se um adulto independente. Os padrões de comportamento estabelecidos na infância permanecem ativos e influentes, apesar de agora servirem mais como limitação e restrição, podendo até mesmo manifestar-se em acessos periódicos de fúria e mau humor, quando os desejos não são atendidos.
Há uma outra expressão da Lua não integrada que é mais repressiva e que talvez resulte de uma negação mais profunda das emoções infantis e de uma relação insatisfatória com os pais. Novamente, há falta de confiança em si e no mundo. As emoções são consideradas ameaçadoras e negadas repetidamente. As mensagens instintivas são mandadas de volta para o inconsciente, onde começam a formar um reservatório de tensões e pressões prontas a explodir quando provocadas. Há aqui uma falta de empatia e de sensibilidade em relação aos outros, ligada a um excessivo grau de autodefesa e interesse próprio, que leva a uma postura imoral ou amoral. Persiste o egocentrismo isolado, que além de não trazer satisfação pode também manifestar-se como indício de autonegligência e rendição às vicissitudes da existência. O indivíduo torna-se um destroço de naufrágio à mercê das marés da vida. As necessidades pessoais e os desejos podem ser negados em sua essência, e os conceitos de nutrição, rejeitados, à medida que as ligações de natureza emocional e
sentimental são desconectadas, atrofiando lentamente. As mãos estendidas dos outros podem ser ignoradas, e a alienação ocorre por uma fuga auto-imposta. O self dividido é afirmado de forma desequilibrada. O indivíduo recusa-se a reconhecer sua necessidade de dependência e de relacionamento, mas é incapaz de realizar a autonutrição e a integração. Os laços humanos são descartados, os compromissos, dispensados e rejeitados, a intimidade é desprezada por ser considerada desnecessária, assim como a responsabilidade social. A vida interior é negada, e a maioria das conexões com o processo da vida que outras pessoas cons- troem naturalmente são consideradas irrelevantes.
Em certos aspectos, isto pode parecer uma afirmação de individualidade, mas freqüentemente resulta de uma passividade mais profunda e da falta de raízes interiores. Desenvolveu-se, assim, uma personalidade parcial, auto-absorvida, incapaz de adaptar-se e de viver socialmente de forma positiva e construtiva. Da infância à vida adulta, desenvolve-se um padrão de alienação interior e exterior que transforma o indivíduo num ser socialmente desajustado, perdido, desligado das raízes lunares e também incapaz de descobrir e expressar seu potencial solar e sua individualidade, exceto de forma negativa. A vida torna-se uma espiral descendente para a escuridão negativa, em vez de movimentar-se em direção à luz. As pessoas capazes de tomar o caminho da luz têm a responsabilidade de utilizar ao máximo essa vantagem em benefício da humanidade e ajudar aqueles que se encontram no caminho descendente na sociedade.