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A Masculinidade ressignificada na dignidade do trabalho.

Suas dimensões:

O bom profissional e seus estereótipos

A valorização pelo trabalho / pelo dinheiro para “ser”

Ao trabalhar com os discursos trazidos por Pedro, José, João, Raimundo, Manuel e Joaquim, mais uma essência se desvelou à minha intuição. Intuição está que “não diz respeito a um mero conteúdo conceitual que possa ser definido, mas à significação de uma essência existencial, que como tal deve ser descrita.” (REZENDE, 1990, p.17).

A essência que se desvelou foi intuída através de uma atitude descritiva, procurando respeitar os discursos que surgiram a partir das histórias vividas e buscando enumerar todos os aspectos indispensáveis para se compreender afinal, que fenômeno é esse, relacionado à construção da masculinidade hoje.

E, nessa busca de compreender que fatores são significativos na construção da atual identidade masculina, foi possível afirmar que, além da dimensão do desempenho sexual que se desvelou na essência dos Papéis Sexuais Estereotipados como uma de suas grandes referências, uma outra significativa essência que se desvela como referência para a construção do modelo de comportamento a ser desempenhado pelos homens é, seguramente, a questão do trabalho. Razão pela qual denominei essa essência: A Masculinidade ressignificada na dignidade do trabalho.

Para Rezende (1990, p.19), “ser homem é encarnar sentido, a começar pela encarnação do significante num significante de fato proferido na experiência da fala mais do que simplesmente da língua”. Essa essência é referendada também pela fala de Manuel quando, depois de falar durante um longo tempo sobre suas experiências com as mulheres ele diz “vamos voltar agora para o lado profissional. Ser homem pode ser um pouco do lado da mulher e pode ser um pouco do lado profissional”.

Todos os seis homens com quem dialoguei situaram o trabalho como referência de masculinidade. Porém, dentre eles, evidencio Joaquim como aquele que mais se destacou nesse discurso. Talvez por ter trabalhado desde muito cedo, para ajudar no sustento da família, Joaquim discorre sobre a sua percepção do que seja um homem, falando quase o tempo todo do trabalho. Mesmo aposentado, o trabalho continua sendo para ele uma necessidade, uma referência tanto que continua lavando carros na Instituição onde trabalhou durante anos e diz que:

A gente não pode ficar sentado na frente da televisão. Eu não fico mesmo! A senhora sabe que chega sábado e domingo eu estou em casa, vou a missa e de lá vou pra casa. Vão os netos para lá e eu não sei ficar em casa. A minha coisa é estar no serviço! Então eu digo: eu quero morrer dentro empresa.

O trabalho como símbolo de masculinidade, deve ser aqui melhor desvelado, pois para a fenomenologia, o símbolo apresenta uma característica essencial ao mundo humano. Isto porque, segundo Rezende (1990, p.27) “o símbolo só é símbolo porque é constituído por essas realidades-humanas- e não por outras”.

E a realidade humana é que parece constituir o símbolo do trabalho e a sua relação como símbolo de poder. Com a Revolução Industrial e a ascensão do capitalismo, ficam cada vez mais definidos os padrões de masculinidade como os temos até os nossos dias. “Desejar construir um patrimônio e ter status e poder podem ser parâmetros tanto para analisarmos os valores do sistema capitalista como para identificarmos as principais diretrizes que um homem deva tomar para si” (NOLASCO, 1995, p.52). Entrar no mundo do trabalho significa para o homem alcançar uma certa independência da família e financeira, uma forma de ingressar no mundo adulto e de obter sua autonomia, seu espaço de poder. Pedro reafirma essa posição quando diz que se imagina daqui a alguns anos como “sendo um homem de sucesso profissional. Eu quero primeiro ter sucesso profissional para permitir que eu possa aproveitar bastante”.Segundo Tolson (1977, p. 43):

Para todos os homens, o desfecho do respectivo processo de socialização é a entrada no mundo do trabalho. O primeiro dia de trabalho é uma iniciação ao reino da solidariedade secreta e conspirativa dos homens que trabalham. É por meio do trabalho que o rapaz passa a ser considerado um “homem”: ganha dinheiro, ascende ao poder a è independência pessoal em relação á família.

Pedro deixa claro também essa busca de poder por parte dos homens, seja através do trabalho, seja através da força física quando diz:

Eu acho que ser homem hoje, o que se busca mesmo é por alguma forma de poder. Hoje, ou convence pela superioridade financeira ou pela superioridade física. Por isso, na verdade, o pessoal aí tomando bomba, treinando lutas para ter alguma forma de poder em cima dos outros homens.

Em nessa busca pelo poder, desde pequenos, os meninos crescem acreditando que, com o trabalho, serão reconhecidos como homens, seguindo, na maioria das vezes, o exemplo dos seus próprios pais. Só que esses modelos, infelizmente, nem sempre são exemplos positivos, motivadores, como Pollack (1999), pôde constatar em sua pesquisa e que registra em seu livro, no capítulo intitulado: A provação do adolescente: crescimento, mudança e sexualidade. Lá, ele fala de algumas das dificuldades sobre as quais a maior parte dos adolescentes do sexo masculino discorreu. Dentre essas muitas dificuldades, aparece como os meninos vêem o trabalho de um homem. Ao analisar suas respostas, o autor constata que elas apresentaram figuras de homens tristes, cansados, solitários, desanimados, insatisfeitos com a sua condição de vida e distantes de suas famílias porque as perderam em razão de sua ausência para com elas. Pollack (1999) diz ainda que, poderia dividir os resultados dessas respostas em cinco “categorias temáticas”, onde apenas uma delas apresentava emoções positivas e “as restantes residiam na iminente dor de ter de encarar o

“fardo” do papel do adulto que precisa trabalhar.” (p.200). Apenas 15% das histórias contadas pelos jovens caiam na categoria positiva a que o autor chamou de “Um homem feliz, com uma família feliz”. Entretanto, o restante dos jovens contaram histórias que se encaixaram nas outras “categorias negativas”: 35% na categoria “O macho provedor e solitário, apenas ligado à carreira”; 24% na categoria “O provedor distante”; 21% na categoria “O perdedor” e finalmente 5% na categoria “O homem permanentemente separado”.

O resultado dessa pesquisa de Pollack parece indicar a insatisfação desses jovens, que já começam a perceber as conseqüências mais negativas do que positivas, em relação ao que foi construído social e historicamente sobre o papel masculino e o trabalho. E, talvez possam a partir daí, desconstruir as crenças que lhes foram passadas desde crianças, que serviram e servem para manter o sistema capitalista. Observamos com a reação desses jovens que eles começam a perceber a fragmentação da subjetividade masculina, frente a este modelo aí colocado. E, como sugere Nolasco (1995, p.64), poderemos ter hoje:

Na referida crise uma possibilidade de ser construída a partir do próprio discurso dos homens, reivindicando outras formas de cultura, discurso, linguagem que não serão determinadas por um modo de produção e de desempenho sexual convencional. É preciso que queiram se fazer ouvir para que busquem maneiras de fazê-lo, só que agora em outro lugar.

Ao procurar construir um novo discurso poderemos, quem sabe, tentar modificar a estrutura desse sistema capitalista, pois conforme Nolasco (1995, p.54):

A prosperidade do sistema capitalista depende da manutenção dos valores e do modelo de comportamento dos homens. Para isso foi preciso que a relação estabelecida entre os homens e o trabalho seguisse padrões semelhantes aos de uma doutrina religiosa, com dogmas, verdades e formas semelhantes de controle e repressão.

Esses “dogmas” ou essas “verdades”, ficaram de tal forma incutidos no inconsciente masculino e feminino, fazendo com que o trabalho para a maioria dos homens, seja mesmo um fardo, uma obrigação, onde a competitividade é uma constante e isso tudo acaba impedindo-os de se distanciarem da situação de repressão em que se encontram, a fim de que possam ter atitudes críticas a esse respeito e, conseqüentemente, continuam impossibilitados de “escolher um tipo de trabalho que os personalizem e os identifiquem em sua singularidade” (NOLASCO, ibidem). Quando Joaquim diz “a senhora sabe que até hoje eu nunca soube o que é ficar sentado?”, isto mesmo estando aposentado, ou nos fins de semana quando deveria estar descansando, parece-nos ficarem confirmadas as reflexões anteriormente colocadas.

Porém, como nos diz Druck (1989, p.146):

Necessitamos refletir sobre as nossas atitudes em relação ao trabalho e sobre o impacto que elas possam estar tendo em outros aspectos de nossas vidas. E precisamos avaliar em que medida usamos o trabalho como subterfúgio secreto. Será que a nossa identidade profissional não sacrifica uma parte ainda mais importante de nós mesmos?

Sem se dar conta desses modelos impostos pelo capitalismo e da sua conseqüente repressão, ou mesmo sem ter tido a oportunidade de refletir sobre os impactos do trabalho sobre sua vida, Manuel orgulha-se de ter cumprido o seu papel de homem, tendo sido um “exímio profissional”. Surge aqui uma dimensão dessa essência: a do bom profissional e seus estereótipos.

Isto porque, não basta apenas ser um profissional, tem que ser um Bom Profissional, conforme se desvela nesta dimensão. E, um Bom Profissional, tem algumas características pré-concebidas como competência, assiduidade, responsabilidade, competitividade. Essas características, naturalmente vêm da cultura capitalista que valoriza esse tipo de comportamento, pois ele serve de estímulo ao aumento da produtividade e, conseqüentemente, do lucro e também da visão patriarcalista que também vêm reforçar o estereótipo de masculinidade. Para Nolasco (1993, p.58):

A problemática existente nas relações de trabalho é semelhante àquela por que se identifica, ainda hoje, o universo subjetivo de um homem. A posse, o poder, a competição, a valorização e a busca de status social definem tanto a dimensão neocapitalista do trabalho quanto os apelos pelos quais um homem deve deixar-se seduzir. Neste sentido, um homem passa a ser aquele que não busca representar suas próprias necessidades, bem como os objetos capazes de saciá-las, mas alguém que passa, usa e perde sua vida escapando da iminência da morte, que é a própria negação de si.

O bom profissional, portanto, não é simplesmente aquele que tem um trabalho e o realiza de forma responsável, mas é aquele que se destaca, se diferencia dos outros por fazer a mais, por ser melhor, por produzir mais.

Reafirmando estes estereótipos Manuel diz:

Eu fui uma pessoa que nunca faltei ao serviço. Nunca, em momento algum! Sempre cumpri demais as minhas obrigações; sempre trabalhei fora do normal, fora do horário porque eu vim de berço humilde e eu tinha que dar alguma coisa de mim para crescer.(...) Sempre procurei aprender o serviço dos meus superiores porque na vaga deles, eu poderia assumir, já teria condições de mostrar que eu sabia fazer.

Ele continua sua fala, parece que reforçando o que vimos destacando acima sobre o fardo ou a obrigação do trabalho, dizendo que:

É o lado profissional que eu acho que todo ser humano tem que ter. Ele tem por obrigação crescer na vida, ele tem que dar o melhor de si em qualquer profissão: pedreiro, carpinteiro etc. Pode ser que não seja o melhor de todos, mas ele tem que dar o melhor de si!

Ao buscar dar o melhor de si, ser reconhecido pela sua competência ou pelo tanto de dinheiro que ganha “esse homem perde o contato com o mais

importante; já não se emociona com coisas como ver o pôr-do-sol. Perde a (desiste da?) visão colorida pela emoção adolescente. “esfriando-se” em relação a conceitos importantes: relações humanas, família, filhos...( CUSCHNIR,1994 b, p.63). Essa citação de Cuschnir nos é retificada pela pesquisa de Pollack (1999) com os adolescentes, anteriormente citada.

Para Raimundo, ser um homem com H maiúsculo, é poder deixar suas marcas por onde passa e uma dessas marcas é “ser uma pessoa respeitada, uma pessoa que batalhou por alguma coisa. Eu quero deixar a minha marca o dia em eu for embora desse mundo: ser respeitado, ser um cara batalhador, seu um bom profissional!” Em sua fala sobre o que significa ser homem, afirma que os homens acabam buscando modelos para se identificarem e diz que “eu não tenho dúvida de que o homem se baseia muito no modelo de outros homens!”Sobre essa identificação Nolasco (1995, p.58) coloca que “como produto da ideologia patriarcal, a relação entre os homens se funda na busca de identificações, não com as singularidades inerentes a cada um,mas com o que neles há de comum com o modelo masculino socialmente definido”. E nessa busca de identificações, muitas vezes o homem faz dela o seu ídolo! Raimundo cita então, alguns dos exemplos de seus ídolos; todos homens de sucesso é claro! Dentre eles, está o atual Presidente da República do Brasil, por ser um exemplo de homem que “sendo um metalúrgico, lutou, batalhou por seus objetivos e hoje chegou ao auge da posição política do país. Isso porque, ser um homem na minha concepção, é ter ambição!”

Parece ser tão forte a valorização do bom profissional como referência de masculinidade que, quando um homem se aposenta, ele perde parte da sua referência de masculinidade. Referenciando esse fato, Nolasco (1993,p 61) transcreve o depoimento de um homem recentemente aposentado dizendo “eu gostaria de saber o que fazer de mim, pois só vivi para esta instituição, e, de um dia para o outro, não existe mais nada”. Talvez seja por essa razão que Joaquim, apesar de aposentado, tenha encontrado um jeito de não romper os vínculos com a instituição pela qual também deu grande parte da sua vida e continuou nela, lavando carros. Segundo Nolasco( 1993,p.66), “ a instituição em que o homem se

mantém empregado confere-lhe ilusão de poder e força, já que simboliza proteção”.Proteção essa necessária para ocultar uma possível fragilidade diante das muitas exigências que o mundo masculino lhes impõem. Para Nolasco (1993, p.63):

Para os homens, a linguagem do trabalho tem sido a linguagem das guerras e da soberania utilizada para minimizar o sentimento de fragilidade e impotência que sentem diante da infinitude da vida. “Lutar”, “vencer”, “batalhar” são termos comumente usados para se referenciarem ao trabalho, contextualizando-os no panorama de pequenas guerras, ações violentas e massificantes.

Toda essa busca pelo bom desempenho profissional está relacionada também a uma outra dimensão a que denominei: A Valorização pelo trabalho / pelo dinheiro, para “ser”.

Com a ascensão do capitalismo, talvez mais do que em qualquer outra época, o “ter” parece tornou-se muito mais importante do que o “ser”. Cada vez mais as pessoas parecem valer mais pelo que têm de bens materiais, ou pelo status social que possuem, especialmente se essa pessoa for um homem. Para Nolasco (1995, p.53): “a posse, o poder, a competição, a valorização e a busca de status social, definem tanto a dimensão neocapitalista do trabalho quanto os apelos pelos quais um homem deve deixar-se seduzir”. E, Steinem, citada por Farrell (1986, p.29), confirma esse víeis, referindo-se ao fato de que “para melhor avaliarmos os nossos valores, deveríamos olhar para o canhoto de nosso talão de cheques”.

Na fala de Pedro fica claramente explicitado o que vimos trazemos aqui: A parte do sucesso profissional ajuda bastante é claro , não só pela questão do dinheiro mas pelas coisas que ele pode proporcionar; os bons momentos que o dinheiro possibilita. (...) Eu acredito também que é isso que a maioria das mulheres buscam num homem; tem mulher que

é Maria gasolina (risos). Acho que os homens buscam essa superioridade porque isso, de alguma forma, atrai as mulheres.

Sobre essa visão que Pedro traz com relação a valorização do dinheiro, Cuschnir (1994 b, p.64) entende que:

Muitas vezes o homem não se apega ao dinheiro em si, mas ao que está relacionado com ele: afeto, amor, confiança, auto-estima, diploma universitário, e até mesmo a vergonha que a pessoa possa ter de deficiências reais e imaginárias.

Em vários momentos de sua fala, José também deixa transparecer um pouco dessa vergonha, citada por Cuschnir, quando diz “mas hoje eu me sinto meio constrangido. Poderia ter me esforçado mais, ter dado mais de mim, mas só que faltaram pessoas do meu lado me impulsionando está entendendo?” Para ele hoje, com 30 anos, com três filhos e uma mulher para sustentar, as coisas se tornaram mais difíceis para melhorar profissionalmente, porém, apesar das dificuldades, ele não perde a esperança se recuperar o tempo que perdeu:

Mas não estou querendo ficar muito restrito assim a um lugar, hoje eu estou vendo que eu preciso melhorar, preciso crescer, porque eu me sinto assim meio ruim profissionalmente e, também pessoalmente tem umas coisas que estão me incomodando. (...) Eu sou obrigado a mudar porque comigo mesmo eu não estou bem e quero mudar profissionalmente. Não vou ficar rico, mas quero que as pessoas me reconheçam de forma diferente porque eu mereço! Tem horas que cai a ficha e pô: não vou ficar a minha vida toda abrindo portão. Ver as pessoas chegando e às vezes pensando: pô, o cara está aí porque não estudou, não fez nada na vida!

Ao descrever o que foi falado por José, fica-nos a percepção do sentimento de desvalorização que ele expressa por não estar correspondendo ao que se espera de um homem: ser bem sucedido financeira e profissionalmente.

Essa necessidade de valorização e reconhecimento faz com que os muitos homens saiam em busca de suprir essas necessidades, que na verdade muitas vezes nem são suas, chegando até mesmo a negar ou desconhecer quais são as suas reais necessidades ou interesses.

Para Druck (1989 p.144):

O modo como nos sentimos em relação a nós mesmos e o quanto progredimos em nossas vidas estão ligados mais diretamente ao nosso trabalho do que a qualquer outra coisa. É através do sucesso ou fracasso no trabalho que nós, homens, nos avaliamos. Para isso levamos em conta o status profissional, salários, cargos, funções e segurança, separadamente. Como homens, estamos sempre verificando nosso desempenho em cada uma dessas categorias e comparando-nos constante mente como nossos concorrentes na medida em que nos esforçamos para “vencer” no mundo masculino.

Assim como Druck, João também fala dessa concorrência no mundo masculino. Para ele “na atual situação está acontecendo muita concorrência entre os homens. Concorrência na profissão eu digo, porque a situação está muito difícil no mundo inteiro e não só aqui. (...) Está muito complicado porque todo mundo quer um lugar ao sol”.

Ao refletir sobre os homens e o trabalho, Druck (1989) relata que o trabalho deveria ser uma fonte através da qual pudéssemos desafiar nossos talentos e alcançarmos um nível de excelência em nossa vida que de outra forma talvez tivéssemos dificuldades de atingir. Isso, quando o trabalho é utilizado como fonte de realização e liberação pessoal. Porém, segundo este autor, isto não é percebido por grande parte dos homens, razão pela qual eles “escondem segredos no trabalho”. Estes segredos seriam:

 O trabalho se transforma em mais um esconderijo para os nossos sentimentos;

 O trabalho transforma-se num esconderijo para o nosso medo de fracassar;

 Usamos nosso trabalho como uma desculpa para não viver de maneira mais plena em outras áreas;

 Usamos o trabalho para ocultar um sentimento de inadequação pessoal como homens;

 Usamos o trabalho como uma manifestação indireta de amor pelos outros;

 O trabalho transforma-se num esconderijo para os sentimentos de competição acirrada em relação aos pais, irmãos mais velhos, ex- colegas de escola e rivais nos negócios.

Ao buscar compreender o fenômeno da masculinidade, vimos até esse momento percebendo que os padrões da masculinidade pertencentes aos modelos de sociedades patriarcais ainda estão muito presentes nas trocas de experiências que ocorrem ainda hoje no nosso mundo vida. Porém, segundo Nolasco (2001, p.81):

As novas demandas feitas pelas sociedades contemporâneas, a “nova masculinidade” requer do homem sensibilidade, sem o comprometimento de sua virilidade, bem como iniciativa e assertividade, sem que isso implique demonstrações de agressividade, violência ou competição.

E nesse momento nos perguntamos: como conseguir essas mudanças no comportamento masculino? Que caminhos poderiam estar nos levando nessa direção? Como educadora que sou acredito nessa possibilidade de mudança através da educação das novas gerações de meninos e meninas, bem como no trabalho de reeducação dos adultos que hoje educam essa nova geração. Percebo ser um trabalho de educação sexual emancipatória um caminho para novas percepções de ser homem, de ser mulher, de ser humano.

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