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A matriz do solo:

estudo de terras pretas*

Nos últimos anos tem se observado considerável avanço nos estudos relacionados aos solos amazônicos modificados pelas ações humanas em período pré-colombiano, a Terra Preta Antropogênica (Kern & Kämpf, 1989) ou ainda Arqueo-antrossolos (Kämpf & Kern, 2005), conhecidos popularmente como Terra Preta (TP) e Terra Preta de Índio (TPI). Esses solos se formaram em decorrência da ocupação humana, resultado do descarte de resíduos orgânicos de natureza diversa e sua posterior mineralização, que implicaram na modificação das propriedades do solo. A cor escura desses solos, bem como os teores relativamente elevados de cálcio, magnésio, fósforo, manganês, zinco, cobre e carbono orgânico, combinados a fragmentos cerâmicos e artefatos líticos normalmente encontrados no horizonte antrópico, faz da terra preta uma variante fundamental no estudo evolutivo das práticas de manejo e sustentabilidade dos solos amazônicos.

Além disso, as terras pretas são acompanhadas frequentemente por faixas circunvizinhas de solos de cor bruno-escuro, com pouco ou nenhum vestígio arqueológico, mas que ainda apresentam teores elevados de matéria orgânica quando comparados aos solos tipicamente tropicais. De acordo com Sombroek et al. (2002), esses solos, denominados de terra mulata, parecem ser o resultado do intenso uso agrícola por comunidades indígenas pré-coloniais.

O processo de formação das terras pretas deu origem a distintas interpretações. Hartt (1885) denomina as terras pretas de solos vegetais, para os quais os índios eram atraídos devido à elevada

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fertilidade natural. Para Cunha Franco (1962), as terras pretas teriam sua origem em lagos antigos, cujas margens os índios habitavam. Entretanto, Gourou (1950), Sombroek (1966), Simões & Corrêa (1987) e ainda Kern & Kämpf (1989) afirmam que os solos com terra preta correspondem a locais de antigos assentamentos indígenas, formados a partir da ocupação humana pré-colombiana. Ranzani et al. (1962), Andrade (1986) e Glaser et al. (2001), enfatizam ainda que a elevada fertilidade das terras pretas deve-se à adição intencional de nutrientes ao solo através de práticas de manejo.

O fato é que os solos de terra preta apresentam fertilidade elevada e grande diversidade microbiológica. São mais estáveis e melhor estruturados em relação aos solos adjacentes e, embora possam ocorrer sobrepostos a diversas classes de solos, há predominância sobre latossolos, que se estendem por cerca de 45% da Amazônia.

As pesquisas acerca da importância, bem como da distribuição das terras pretas são pontuais, considerando as dimensões continentais da região amazônica. A realização de estudos sistemáticos com o propósito de avançar na compreensão dos processos que originaram esses solos, significará também avanço quanto ao entendimento das diversidades culturais do espaço amazônico.

Procedimentos em campo

Para o estudo das terras pretas das áreas dos sítios Terra Preta 1 e Terra Preta 2 foram realizados três tipos de coleta, com o objetivo de obter uma cobertura sistemática e o mais completa possível do conjunto, especialmente por se tratar de área que proximamente sofreria completa descaracterização.

1. Foram coletadas amostras de solo (300 g) em todas as unidades de escavação executadas nas áreas dos sítios, tanto nas sondagens da malha sistemática como nas escavações amplas (unidades e trincheira). Em cada uma destas unidades foram amostrados todos os níveis arqueológicos e o nível estéril imediatamente abaixo da camada de ocupação.

2. Ao longo da transversal que liga o sítio Terra Preta 1 ao sítio Terra Preta 2, foram realizadas coletas com trado holandês, que extraiu uma amostra de 20 cm de espessura, a partir da superfície, a cada 10 m, por um percurso de 1.200 m.

3. Foram abertos seis perfis de solo em diferentes locais no Porto e imediações (quadro seguinte). Esses perfis foram descritos e cada um dos horizontes pedológicos foi amostrado. A descrição morfológica dos perfis de solo obedeceu aos procedimentos propostos por Lemos & Santos (2002). Para as cores, foi utilizada a carta de Munsell (2000).

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Perfil de solo Coordenada UTM Local: Juruti/PA

Terra Preta 1 21M 600159E/9760433N Terra Preta 1 - Porto

Terra Preta 2 21M 599557E/9759353N Terra Preta 2 - Porto

Terra Mulata 1 21M 599917E/9759593N Terra Mulata - Porto

Terra Mulata 2 21M 599377E/9759068N Comunidade Lago Preto

Viveiro 21M 599145E/9757654N Viveiro

Café Torrado 21M 602891E/9752556N Ramal do Café Torrado

Localização dos perfis amostrados.

O solo coletado totalizou 2.040 amostras, que foram analisadas de forma detalhada, direcionados para resolução de problemas específicos, na tese de Jucilene Costa (2012), e serão aqui retomados, de forma mais geral.

Procedimentos de laboratório

Foram selecionadas 173 amostras para análise. Procediam principalmente da transversal A-B de 1.200 m, que ligava o sítio Terra Preta 1 ao Terra Preta 2 e que atravessava áreas de terra preta, terra mulata e solos adjacentes, contendo, portanto, amostras de todas essas variações. Foram ainda analisadas amostras procedentes das transversais C-D (linha 360L) e E-F (linha 960L).

Localização das transversais selecionadas para análise de solo.

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As amostras de solo foram secas ao ar, destorroadas, pulverizadas em grau de ágata e peneiradas (malha < 125 mesh). Em seguida, foram encaminhadas à Geosol Laboratórios, para análise química clássica, por via úmida, dos teores totais dos elementos fósforo (P), magnésio (Mg), cálcio (Ca), cobre (Cu), zinco (Zn) e manganês (Mn). Para a extração dos elementos foi aplicado o método de digestão total multiácida, com solução extratora de ácido fluorídrico (HF) e ácido clorídrico (HClO4), determinado por ICP (Induced Coupled Plasma).

Foram realizados estudos acadêmicos específicos com diferentes objetivos. Análises de fertilidade, que consistem na determinação de teores de cálcio e magnésio trocáveis por espectrofotometria de absorção atômica; de sódio e potássio trocáveis, por fotometria de chama; de fósforo disponível por colorimetria; de carbono orgânico, acidez potencial (Al3++H+) e de alumínio por volumetria. O pH em água será determinado pelo método potenciométrico numa suspensão solo/solução 1:2,5 e a composição mineralógica será determinada pela difração de raios-x e microscopia eletrônica de varredura (MEV), tanto nos solos antrópicos como nas áreas circunvizinhas.

Resultados alcançados nessa pesquisa

Morfologicamente, o solo da área do sítio Terra Preta 1 apresentou sequência de horizontes A1, A2, A3, AB, BA e B; cor variando do preto (2.5YR2.5/1) ao amarelo brunado (10YR6/8); textura francoarenoso a franco areno-argiloso; estrutura moderada a maciça e transição difusa entre os horizontes. Trata-se de um solo profundo com mais de 200 cm, bem drenado, onde a camada de terra preta varia entre 30 e 150 cm de espessura.

O solo da área do sítio Terra Preta 2 registrou a sequência de horizontes A1, A2, AB, BA e B e a espessura da camada de terra preta variou de 15 a 40 cm. Nos demais atributos morfológicos as duas áreas são semelhantes. Essas características indicam que as duas áreas de ocupação estão sobrepostas à mesma classe de solo, o latossolo amarelo. Além disso, as discrepâncias entre as espessuras da camada de terra preta dos dois sítios podem ser resultantes de processos de melanização pelo escurecimento do horizonte superficial em função da irregular adição de matéria orgânica, podendo refletir a diversidade de formas de organização, uso e permanência dos grupos pré-colombianos nessa região. A variabilidade na espessura reforça a ideia de diversidade de atividades discutida por Kern (1988, 1996), relacionadas ao preparo de alimentos, ciclos agrícolas e descarte de resíduos orgânicos.

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No estudo do solo, a cor é uma propriedade que se destaca por ser facilmente identificável em campo. A camada superficial de terra escura identificada na área do Porto apresentou três matizes de cor, dos quais resultaram 13 variações utilizadas para o mapeamento de sua distribuição espacial na área dos sítios Terra Preta 1 e Terra Preta 2, com base na carta de cores de Munsell.

Cor

Nome

Matiz Variações

2.5YR 2.5YR2.5/1 preto

2.5YR3/1 cinza muito escuro

7.5YR

7.5YR 2/1 preto

7.5YR 3/1 cinza muito escuro

7.5YR 3/2 bruno-escuro

7.5YR 3/3 bruno-escuro

10YR

10YR 2/1 preto

10YR2/2 bruno muito escuro

10YR 3/1 cinza muito escuro

10YR 3/2 bruno acinzentado muito escuro

10YR 3/3 bruno-escuro

10YR4/2 bruno acinzentado escuro

10YR4 /4 bruno amarelado escuro

Variações da cor do solo na camada superficial das terras escuras.

As áreas ocupadas pelas terras pretas além de apresentarem grande variação quanto à espessura e à composição química, apresentam também grande variabilidade quanto à extensão. Nas cartas de solos que abrangem a região amazônica, apesar da frequente ocorrência de solos com TP, estes são catalogados como inclusões e abrangem normalmente de 2 a 3 ha, excepcionalmente, em alguns locais, podem alcançar áreas superiores a 80 ha (HILBERT, 1955).

Perfil de solo e estratigráfico da unidade 3, sítio Terra Preta 1.

No mapa de distribuição de cores do solo da área do Porto (área Alcoa) é possível visualizar duas grandes manchas de terra preta com forma ligeiramente alongada, cercada por outras menores. A mancha correspondente ao sítio Terra Preta 1 está concentrada entre as linhas 60 e 540S / 720 e 1320L, ocupando uma área de aproximadamente 28,8 ha (480 x 600 m). A mancha correspondente ao sítio Terra Preta 2 encontra-se entre as linhas 1020 e 1620S / 120 e 480L, estendendo-se por cerca de 28,08 ha (780 x 360 m). Essas grandes áreas de solo escuro, modificado, correspondem às concentrações de material cerâmico arqueológico. As espessas camadas de terra preta observadas nos barrancos do Porto indicam ainda que, no passado, esses sítios arqueológicos eram mais extensos em direção à drenagem e provavelmente os processos dinâmicos naturais do rio Amazonas, somados ao desmatamento das encostas pela ação humana, certamente aceleraram os processos erosivos nas encostas provocando a destruição de parte dos vestígios dessas ocupações. As manchas menores de solo escuro deverão ser analisadas quimicamente para a melhor caracterização da anomalia, visto que nessas áreas não houve registro de vestígios de cultura material.

120 240 360 480 600 720 840 960 1080 1200 1320 1440 1560 1680 1800 1740 1680 1620 1560 1500 1440 1380 1320 1260 1200 1140 1080 1020 960 900 840 780 720 660 600 540 480 420 360 300 240 180 120 60 L S

Área de intervenção do Projeto Juruti-PA

JURUTI - PA

01 26/11/2007

LOCAL:

FOLHA: CROQUI: DATA DO CROQUI:

Sítios Arqueológicos Terra Preta 1 e 2 Jucilene Amorim

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No mapa de distribuição de cores do solo da área do Porto (área Alcoa) é possível visualizar duas grandes manchas de terra preta com forma ligeiramente alongada, cercada por outras menores. A mancha correspondente ao sítio Terra Preta 1 está concentrada entre as linhas 60 e 540S / 720 e 1320L, ocupando uma área de aproximadamente 28,8 ha (480 x 600 m). A mancha correspondente ao sítio Terra Preta 2 encontra-se entre as linhas 1020 e 1620S / 120 e 480L, estendendo-se por cerca de 28,08 ha (780 x 360 m). Essas grandes áreas de solo escuro, modificado, correspondem às concentrações de material cerâmico arqueológico. As espessas camadas de terra preta observadas nos barrancos do Porto indicam ainda que, no passado, esses sítios arqueológicos eram mais extensos em direção à drenagem e provavelmente os processos dinâmicos naturais do rio Amazonas, somados ao desmatamento das encostas pela ação humana, certamente aceleraram os processos erosivos nas encostas provocando a destruição de parte dos vestígios dessas ocupações. As manchas menores de solo escuro deverão ser analisadas quimicamente para a melhor caracterização da anomalia, visto que nessas áreas não houve registro de vestígios de cultura material.

120 240 360 480 600 720 840 960 1080 1200 1320 1440 1560 1680 1800 1740 1680 1620 1560 1500 1440 1380 1320 1260 1200 1140 1080 1020 960 900 840 780 720 660 600 540 480 420 360 300 240 180 120 60 L S

Área de intervenção do Projeto Juruti-PA

JURUTI - PA

01 26/11/2007

LOCAL:

FOLHA: CROQUI: DATA DO CROQUI:

Sítios Arqueológicos Terra Preta 1 e 2 Jucilene Amorim

OBS: 120 0 120 240 360m

Distribuição de cores do solo nos sítios Terra Preta 1 e Terra Preta 2.

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Embora a identificação das áreas de ocorrência das terras pretas seja simplificada por alguns aspectos de sua morfologia, como a cor escura e a presença de fragmentos cerâmicos e/ou líticos, fatores não aparentes como seus teores de cálcio, magnésio, fósforo, zinco, cobre, manganês e carbono orgânico em relação a estes mesmos teores nos solos adjacentes são fundamentais na taxonomia dos solos e na interpretação do contexto arqueológico.

Os dados geoquímicos das terras escuras dos sítios Terra Preta 1 e Terra Preta 2 apontam duas áreas com elevadas concentrações de elementos químicos, separadas por uma área de terra mulata com menor concentração desses elementos diagnósticos. Os teores mais elevados de cálcio e fósforo foram registrados no Terra Preta 1 com 7.276 mg/kg e 2.335 mg/kg, respectivamente. Conforme Kämpf & Kern (2005), teores elevados de fósforo e cálcio estão associados à ocupação humana pré-histórica, haja vista que esses elementos podem ser encontrados em restos de vegetais (mandioca, açaí, bacaba etc.), de animais (ossos e excrementos) e em resíduos de alimentos.

Os teores mais elevados de magnésio e manganês foram identificados no sítio Terra Preta 2, com 1.450 mg/kg e 793 mg/kg, respectivamente. Quanto aos elementos cobre e zinco, não houve diferenças significativas entre as duas áreas de terra preta, mas são superiores aos encontrados na área intermediária correspondente à terra mulata, indicando também modificação do solo nestas duas manchas, pela adição de matéria orgânica. Conforme Kern et al. (1999), as folhas de palmeiras utilizadas na cobertura e paredes das habitações, renovadas periodicamente, podem ser uma fonte importante de magnésio, manganês e zinco para o solo.

Nas figuras sequentes, os gráficos relativos aos teores de Ca, P, Mg e Mn, Cu e Zn, ao longo de linha que liga o sítio Terra Preta 1 ao sítio Terra Preta 2, paralela à margem do rio.

Distribuição do teor de cálcio entre os sítios Terra Preta 1 e Terra

Preta 2. 0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 8000 0 120 240 360 480 600 720 840 960 1080 1200 m g/ kg Transversal TP 1 TP 2 A B Ca m

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Distribuição do teor de fósforo entre os sítios Terra Preta 1 e Terra Preta 2.

Distribuição do teor de magnésio entre os sítios Terra Preta 1 e Terra Preta 2.

Distribuição do teor de

manganês entre os sítios Terra Preta 1 e Terra Preta 2.

0 250 500 750 1000 1250 1500 1750 2000 2250 2500 2750 0 120 240 360 480 600 720 840 960 1080 1200 m g/ kg Transversal TP 1 TP 2 A B P m 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 0 120 240 360 480 600 720 840 960 1080 1200 m g/ kg Transversal TP 1 TP 2 A B Mg m 0 100 200 300 400 500 600 700 800 0 120 240 360 480 600 720 840 960 1080 1200 m g/ kg Transversal TP 1 TP 2 A B Mn m

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A variabilidade de teores de elementos no interior dos sítios no sentido perpendicular ao rio, como mostra a figura sequente, também é significativa. Na linha 360L (transversal C-D) que atravessa o sítio Terra Preta 2, é possível visualizar descontinuidade de distribuição entre os teores de cálcio (CaO) e fósforo (P2O5), o que pode estar relacionado à perturbação do solo em função de atividades agrícolas, ou mesmo pela deposição de material como conchas ou carapaça de quelônios, ricos em cálcio. A figura evidencia, também, que todas as sondagens estão alocadas na terra preta. Já, na linha 960L do sítio Terra Preta 1, os teores de cálcio e fósforo apresentam correlação em todas as sondagens, o que indica uma distribuição mais homogênea do material orgânico depositado, provavelmente resíduos ricos nesses dois elementos, como ossos. É possível visualizar claramente o término da terra preta por volta da sondagem 480S-960L com a queda brusca dos elementos, corroborando assim, os dados de cor do solo observados em campo.

Distribuição do teor de cobre entre os sítios Terra Preta 1

e Terra Preta 2.

Distribuição do teor de zinco entre os sítios Terra Preta 1 e Terra Preta 2. 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 0 120 240 360 480 600 720 840 960 1080 1200 m g/ kg Transversal TP 1 TP 2 A B Cu m 0 20 40 60 80 100 120 140 0 120 240 360 480 600 720 840 960 1080 1200 m g/ kg Transversal TP 1 TP 2 A B Zn m

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Análises geoquímicas futuras, com o objetivo de detectar variações espaciais nas superfícies dos sítios arqueológicos Terra Preta 1 e Terra Preta 2, poderão trazer contribuições significativas para a compreensão de padrões de assentamento pré-histórico dos grupos que habitaram a área, indicando locais específicos e determinados onde era feito o descarte de material.

Dados etnográficos enfatizam que vários grupos habitantes da região amazônica faziam o descarte de restos de alimentos na parte detrás de suas casas, onde se localizava a cozinha. As práticas funerárias também podem ter tido um papel relevante no aumento de determinados elementos químicos no solo (principalmente o cálcio e o fósforo, componentes principais dos ossos), pois registros etnográficos e arqueológicos mostram que vários grupos enterram seus mortos dentro da própria casa, ou ainda no centro da aldeia (MIGLIAZZA, 1964; RAMOS, 1971). A identificação de locais com teores relativamente baixos de elementos indicadores das terras pretas também são importantes, pois podem indicar uma praça ou área de maior circulação, acesso para a mata e para as principais fontes de água para abastecimento do grupo, por isso deixadas intencionalmente mais limpas.

Variabilidade de teores de fósforo (P2o5) e cálcio (Cao) ao longo da linha 360L (transversal C-D) no sítio Terra Preta 2.

Variabilidade de teores de fósforo (P2o5) e cálcio (Cao) da linha 960L (transversal E-F) no sítio Terra Preta 1.

0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 1000 1100 1200 1300 1400 1500 pp m 360L (Terra Preta 2) C D P2O5 S CaO 0 2000 4000 6000 8000 10000 -50 100 250 400 550 700 850 1000 1150 1300 1450 pp m 960L (Terra Preta 1) E F P2O5 S CaO

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