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A Mudança no Nível de Emprego do Exército Russo após O Processo de

4.4 Estrutura De Força

4.4.1 A Mudança no Nível de Emprego do Exército Russo após O Processo de

A mudança de uma estrutura de emprego da força baseada em uma estrutura de Divisão, como visto no segundo capítulo, para uma de Brigada produziu efeitos significativos no Exército Russo. Segundo Graus e Bartles (2016), essa mudança fez com que:

In terms of brigade-level and below operations, these reforms are significant for several reasons. The first is that they are responsible for consolidating the division/regimental structure into modular maneuver brigades of approximately 3,000-4,500 soldiers, each capable of conducting independent action and providing its own organic support (each brigade is typically also a separate garrison)101 (BARTLES; GRAU, 2016, p. 41).

No ponto 2.4, foi revelou-se como o sistema divisional foi implementado no âmbito do então Exército Imperial Russo com o advento da invasão napoleônica no Império Russo (SEATON, 1979). Outro importante acontecimento dentro do sistema de estrutura de força que perdurou desde o emprego do sistema divisional foi justamente a sua duração, que vai desde as Guerras Napoleônicas até as reformas de 2008, quando o Exército da Federação Russa adota uma estrutura de Brigadas Modulares de Manobra (GLANTZ, 2012; BARTLES; GRAU, 2016).

A capacidade de operar de maneira independente e ainda prover para si o próprio apoio orgânico necessário para tomar as ações em situações de emprego do uso da força é, por consequência, a nova capacidade do emprego da estrutura das Brigadas no Exército Russo.

Quando percebidas por meio do conceito de Estrutura de Força, as reformas no Exército da Federação Russa trouxeram consigo uma mudança no sentido de reduzir o número de unidades e oficiais, para permitir ao Exército Russo uma maior 101 Em termos de operações em nível de brigada e abaixo disso, essas reformas foram significativas por diversas razões. A primeira é que elas foram responsáveis por consolidar estrutura divisional/regimental em brigadas modulares de manobra de aproximadamente 3,000-4,500 soldados, cada uma capaz de conduzir ações independentemente e provendo seu apoio orgânico (cada brigada também é tipicamente uma guarnição separada) (BARLTES; GRAU, 2016, p. 32, tradução nossa).

capacidade de manobra (BARTLES; GRAU, 2016). Isso é revelado no seguinte trecho:

In terms of logistics, the difficulties of deploying and supporting a brigade is an order of magnitude easier than that of a division. Russia now has a much easier time projecting combat power by using smaller soyedineniye. This is in large part due to the fact that the Russian Ground Forces (and lesser extent VDV and Naval Infantry) makes extensive use of rail transport, smaller soyedineniye, are easier to deploy and sustain with Russia’s rail infrastructure. This discipline is regularly practiced. It is not uncommon for Russian brigades and their equipment to be transported (by ship or rail) thousands of kilometers for training events102 (BARTLES; GRAU, 2016, p. 32).

O termo empregado por Bartles e Grau (2016), soyedinenye, refere-se a

formações compostas por outras unidades, algo que abarca também as brigadas referidas aqui. Logo, a utilização de formações menores, como as Brigadas, permitiram à Rússia não só o aumento da sua projeção de capacidade de combate, mas também possibilitou uma melhoria na eficiência de sua cadeia de logística e de sua rede hidro e ferroviária em relação à mudança na sua Estrutura de Força.

Entretanto, mesmo com o uso das Brigadas, como emprego de uma estrutura de força modular, a necessidade de material bélico proveniente do GPV se relaciona diretamente com essa capacidade de emprego, conforme revela o seguinte trecho:

It is generally accepted in the Russian military that each of its armies must have the armeyskiy komplekt (armeyskiy komplekt) of organic fires, combat support and support formations to fulfil its operational tasks. The army set is meant to include command and control, reconnaissance, artillery, rocket artillery, missile, air-defence and logistics brigades, as as engineer-sapper, pontoon-bridge, chemical, biological, radiological and nuclear (CBRN) and helicopter regiments. However, none but the 58thArmy in the Russian Land forces has a full

102 Em termos de logística, as dificuldades para empregar e apoiar uma brigada são de uma magnitude mais fácil do que as de uma divisão. A Rússia agora tem muito mais facilidades em projetar seu poder de combate ao utilizar soyedineniye menores. Isso se dá pelo fato de que as Forças Terrestres Russas (e em uma extensão menor os VDV e a Infantaria Naval) fazem extenso uso do transporte ferroviário, soyedineniye que, por serem menores, são mais fáceis de empregar e apoiar com a estrutura ferroviária russa. Essa disciplina é empregada regularmente. Não é raro, para as Brigadas Russas, que seus equipamentos sejam transportados (por navio ou trem) por milhares de quilômetros para treinamentos e eventos (BARTLES; GRAU, 2016, p. 32, tradução nossa).

standard set of these brigades and regiments yet103 (SUTYAGIN; BRONK, 2017, p. 43–44).

Como revelam Sutyagin e Bronk (2017), há uma necessidade de integrar as ideias de Comando e Controle, assim como o conceito de C4ISR, na modificação da estrutura de força do Exército Russo. Porém, como foi visto no segundo capítulo, as limitações do GPV 2020 atingem diretamente os planos para dispor tanto de estruturas de forças de brigadas modulares, quanto o próprio desenvolvimento dos equipamentos necessários para atingir a modularidade pretendida.

Programas como os de expansão do GLONASS, o desenvolvimento de mísseis balísticos de uso tático e até o desenvolvimento de uma nova categoria de

VBTPs e Carros de Combate, intitulada Armata, fazem parte justamente desse

esforço no sentido de permitir à Brigada do Exército Russo a sua modularidade (SUTYAGIN; BRONK, 2017). O que também pode se perceber no comportamento da Rússia, em relação ao uso das suas Brigadas, também é um aproveitamento da RMTC, visitada no segundo capítulo, no qual se entendeu que o conceito de C2 exigiria um desenvolvimento de novas tecnologias. A diferença aqui é, essencialmente, a aplicação dessa mesma lógica para o conceito de C4ISR.

A seguir, será visto como os cinco documentos que tratam do processo de transformação do exército brasileiro lidam com a questão da estrutura de força e se há alguma relação entre uma possível mudança na estrutura de força do Exército Brasileiro e a do Exército Russo.

Inicialmente serão analisadas as aproximações da Concepção de

Transformação do Exército sobre a estrutura de força do Exército Brasileiro.

103 Geralmente é aceito, nas Forças Armadas Russas, que cada um dos seus exércitos precisa ter o armeyskiy komplekt (‘conjunto de exército’) de fogos orgânicos, apoio de combate e formações de apoio para cumprir as suas tarefas operacionais. O conjunto de exército deve incluir comando e controle, reconhecimento, artilharia, artilharia de foguetes, mísseis, brigadas aéreas e de logística, bem como engenheiros sapadores, pontes móveis, defesas químicas, biológicas, radiológicas e nucleares (DBQRN) e regimentos de helicópteros. Entretanto, apenas o 58th Exército das Forças Terrestres Russas tem um conjunto completo dessas brigadas e regimentos (SUTYIAGIN; BRONK, 2017, p. 43-44, tradução nossa).