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MÉTODOS DE RECOLHA E

2. A multidimensionalidade do processo de globalização

Tendo em conta que a globalização se tornou um conceito bastante usado para contextualizar, enquadrar e explicar a realidade das sociedades contemporâneas, começamos por nos referir a este conceito tão exaustivamente analisado e referido, mas ainda sem uma precisão conceptual clara e consensual.

Muitas das vezes existe uma divergência entre os autores sobre a origem exacta do termo globalização.

De acordo com Charlot (2007) existem três posicionamentos em relação à globalização e às suas origens.

Segundo este autor existe uma perspectiva de que a globalização foi criada como estratégia das empresas que são os novos sujeitos do processo de localização das actividades económicas das nações. Estas empresas buscam matéria-prima por todo mundo e localizam suas actividades onde as condições favorecem maiores produções a baixos custos. Assim, o investimento directo estrangeiro e o capital fluem internacionalmente para as nações que dispõem de bom crédito e vantagens específicas.

Por outro lado, Charlot (2007) identifica também aqueles que defendem a globalização como a “mundialização do capital” e para quem a origem ideológica do termo globalização, é originária das Business Schools dos Estados Unidos, que empregavam o termo para designar o processo de liberação dos mercados mundiais que permitia a expansão da influência dos grupos financeiros da economia internacional, considerados como actores principais deste processo de desregulação.

Finalmente, Charlot identifica a corrente de autores que defendem que a globalização é um processo histórico antigo que teve origem na altura dos descobrimentos, e que através de uma sequência de fases de expansão e crise foi assumindo novos contornos.

De facto, a partir da segunda metade do século XX muitos autores têm vindo a debruçar-se sobre as enormes transformações que assolaram o mundo. Na maioria das vezes estas análises assentam essencialmente em explicações relacionadas com o desenvolvimento do capitalismo como uma das principais dinâmicas impulsionadoras do mundo globalizado, sustentada por uma lógica de acumulação, uma produção exponencial, e um aumento das relações comerciais, que pressupõem um consumo crescente. Nesta perspectiva a globalização económica é a característica mais marcante do processo de globalização.

Vejamos de seguida alguns dos traços mais marcantes da globalização na sua vertente económica, visto esta ser a característica mais evidente deste processo.

Foi Théodore Levitt que em 1983 começou a utilizar o termo globalização para designar a convergência global dos mercados. Tratava-se de um processo de reorganização e reorientação das economias nacionais:

“segundo critérios de um mercado global, em função de um contexto de fluxos e transacções transnacionais processadas através de um sistema de redes de empresas” (Santos, 2002).

Embora este processo nos pareça ser algo de novo na história, característico das últimas décadas do século XX, na opinião de muitos autores este processo esteve presente ao longo de séculos. Waters (1999) é um desses autores e apresenta-nos a evolução do processo de globalização económica em três fases.

A primeira fase, a que ele chama “economia capitalista”, define claramente os seus contornos no período de 1600 a 1870, assumindo a forma de impérios absolutistas em decadência com fracos Estados-Nação em emergência, acompanhados de ligações trans-geográficas de mercadores e comerciantes.

Entre 1870 e 1970, período que Waters identifica como “economia política”, assistiu-se à emergência das relações económicas internacionais, onde o poder do Estado depende da capacidade da sua economia, das suas empresas nacionais, de modo a poder influenciar o sistema económico internacional através dos fluxos de trabalho, comércio e investimento. Para Waters (1999), esta foi a segunda fase do processo de globalização económica.

A terceira fase é a chamada “economia cultural” e é, na opinião do autor, a fase actual onde os mercados vão para lá dos Estados e das unidades de produção económica, para serem mais humanizados e individuais “tornando-se uma economia reflexivamente globalizada” (Waters, 1999, p. 91).

Também na perspectiva do processo de globalização como uma sequência de fases, Wolfgang, Riel e Stevens (2001) referem-se ao processo de globalização económica como um conjunto de acontecimentos excepcionais que têm vindo a acontecer ao longo da História Económica, sendo que estes períodos são os chamados períodos de expansão duradoura33.

Para estes autores o contexto actual é caracterizado por um período de expansão económica duradoura, ou seja, um período de dinamismo económico de longo-prazo, assente em cinco pilares:

• Instrumentos ou tecnologias para aumentar a capacidade de criação de valor;

33 Período este que estes autores consideram estarmos a atravessar, com a globalização económica. Na opinião destes autores para se

considerarem estes acontecimentos excepcionais, é necessário que tenham duas características essenciais: um ritmo de desenvolvimento acima da média; uma interdependência de múltiplos factores que se inter-relacionam numa conjuntura histórica específica, desencadeando ritmos de incrível rapidez de transformações socio-económicas e de crescimento de produtividade. Este conjunto de características é o que estes autores defendem como sendo um período de expansão duradoura.

• Estruturas institucionais económicas e sociais que permitem gerir o risco, a incerteza e melhorar a transparência;

• Factores quantitativos ligados aos recursos naturais, e ao capital fixo e humano, que são considerados factores de produção;

• Forças concorrenciais que fomentam a produtividade e as inspirações motivadoras que conduzem à inovação.

Para Wolfgang, Riel e Stevens (2001), é a evolução de cada um deste factores que definirá o rumo do dinamismo económico actual.

Existem, também, autores que defendem que o processo de desenvolvimento da economia mundial não é uma sequência contínua de fenómenos, mas sim um processo descontínuo onde se intercalam períodos de crescimento de produção e de trocas comerciais, acompanhados por uma expansão demográfica com períodos de estagnação e recessão (Dicken, 1998).

Na perspectiva daqueles que defendem a globalização como um processo global essencialmente de cariz económico encontramos uma série de termos recorrentemente utilizados para denominar este processo, como por exemplo: economia pós-industrial, economia dos serviços, sociedade pós-capitalista, economia digital, economia de rede, nova economia, e, mais recentemente, economia do conhecimento (Schwartz, Eamonn e Boyer, 2001).

Estes termos constituem uma caracterização do processo de globalização económica que o define como uma tendência de integração económica, onde se verifica o aumento das redes transnacionais, o poder do mercado de competitividade e a procura mundial de informação e de conhecimento em tempo real.

Os impactos desta globalização económica resultaram numa série de transformações que Burbules e Torres (2000) sintetizam da seguinte maneira: novas relações de troca; novos processos de crédito financeiro; domínio das agencias internacionais; mudanças nos factores de produção emergentes nas indústrias pós-fordistas; corporações globais desterritorializadas; mobilidade de trabalhadores e empresas; publicidade e visualização através da NTIC; novos padrões de consumo.

Mas a globalização não tem apenas a dimensão económica tem, também, uma dimensão política. Aliás, tal como afirma Melo (2002), numa perspectiva mais genérica, parece fazer mais sentido falar de globalização política no século XX, dado que foi o século onde ocorreram duas guerras mundiais.

Isto porque no final da I Guerra Mundial foi criada uma organização política internacional, a Liga das Nações, que embora todos os esforços, não evitou o desenrolar de mais uma guerra. Com o final da II Guerra Mundial, é criada a Organização das Nações Unidas (ONU), que desenhou uma política global assente num “equilíbrio geoestratégico bipolar” (Melo, 2002), que mais tarde se veio a designar de Guerra Fria34. Este sistema político teve o seu fim com a queda do muro de Berlim, reflexo do colapso das ditaduras comunistas dos países do leste. Com o fim destas ideologias comunistas temos vindo a assistir à emergência de vários países que se pretendem democráticos, baseados na defesa dos direitos do homem, o que abriu a oportunidade de criação de uma nova ordem mundial.

Como vimos anteriormente, a partir da década de 60 acentua-se o conflito entre a lógica social (que legitimava o Estado de Providência) e a lógica económica.

É na década de 70, que a crise petrolífera obrigou ao abrandamento do crescimento económico dos países desenvolvidos ocidentais colocando-se, assim, em causa os princípios orientadores do sistema capitalista.

As novas estratégias dos anos 90, passam a entender o desenvolvimento como sinónimo de competitividade no mercado mundial, obrigando os governos nacionais a reorientar as suas políticas económicas e sociais (Murteira, 1995). A globalização política assume, assim, um nível sem precedentes.

Alguns autores que evidenciam mais a globalização como um processo político demonstram- no pelo facto dos Estados-Nação reorientarem as suas políticas para objectivos e metas económicos, de modo a equilibrar a economia nacional com o mercado mundial, multiplicando as interdependências entre os Estados.

Nesta perspectiva, em termos de impactos a globalização política resultou, na opinião de Burbules e Torres (2000) em quatro imperativos que os Estados-Nação têm de equilibrar: respostas ao capital transnacional; respostas a estruturas políticas globais; respostas a pressões e exigências domésticas: respostas à necessidades e interesses internos.

“The nation-state is conceived no longor as sovereign agent, but rather as an arbiter attempting to balance a range of internal and external pressures and constrains” (Burbules e Torres, 2000, p. 10).

Esta reorientação obriga a que muitas actividades passem a deixar de ter um carácter nacional para assumirem um carácter transnacional, levando a uma consequente expansão de modas e ideias, mais aceleradas pela facilidade nas comunicações electrónicas e rápidos meios de transporte.

Emerge, assim, uma cultura global, onde nada é isolado, e onde todos os aspectos sociais ou individuais estão inter-relacionados sistemicamente, em todo o planeta.

No entanto, embora pareça haver um recuo do poder do Estado em relação a algumas áreas do desenvolvimento das sociedades, autores como Boyer e Drache (1996) acreditam que o Estado-Nação não poderá ser facilmente substituído pelo mercado, pois o Estado é a única instituição que organiza, protege e salvaguarda os interesses e valores sociais, que não poderão ser tratados como mercadorias.

Também para Castells (2002) a actual morfologia das sociedades é descrita como uma sociedade globalizada centrada no uso e aplicação do conhecimento onde o Estado tem, também um papel fundamental no modo de desenvolvimento actual, deixando de lado a visão reducionista das perspectivas liberais do Estado mínimo

“O que deve ser guardado para o entendimento da relação entre a tecnologia e a sociedade é que o papel do Estado, seja interrompendo, seja promovendo, seja liderando a inovação tecnológica, é um factor decisivo no processo geral, à medida que expressa e organiza as forças sociais dominantes em um espaço e uma época determinados” (Castells, 2002, p.31).

Esta interdependência entre Estados, passou a ser uma nova forma de resposta aos desafios impostos que dificilmente conseguem ser ultrapassados pelos Estados isoladamente. Assim, a criação de políticas nacionais é, inevitavelmente, “um processo de bricolagem”, no sentido em que existe um constante processo de empréstimo e cópia de ideias, modas e tendências, que resultam numa combinação de lógicas globais muito distantes das locais (Ball, 2001). Outra questão importante a destacar e com repercussões no panorama político actual, é que, durante estas duas últimas décadas, temos vindo a assistir ao emergir de vários movimentos sociais, vindos de várias correntes sejam elas anti-globalização ou apologistas da globalização. Estes movimentos sociais visam pressionar os Estados a assumirem as suas responsabilizações económicas, ambientais e sociais. A tudo isto Allemand e Borbolan (2001) chamam “cidadania global”. Esta é a prova de que a globalização tem um cada vez maior peso na mobilização da opinião pública e esta opinião pública tem um forte impacto na definição e na orientação das políticas governamentais.

Partindo do princípio que a democracia requer uma aprendizagem, a participação da sociedade civil tem a vantagem de pressionar e questionar a acção dos Estados. Este contexto, leva a que se faça notar a necessidade de criação de uma “new governance”, que associe mais directamente a sociedade civil aos debates sobre os grandes problemas de carácter planetário. Mas o processo de globalização não tem apenas características económicas e políticas, mas também sociais e culturais. Já referimos que os movimentos sociais são hoje bastante

importantes e cuja emergência é fruto de uma globalização que permitiu a aproximação e a comunicação entre as pessoas. A emergência de consciências globais sobre os problemas sociais e ambientais leva à mobilização de pessoas que partilham valores e objectivos comuns e que, nos dias de hoje, é uma característica importante da chamada globalização, aquilo que muitas vezes se denomina de “aldeia global” ou “cidadania global”.

Allemand e Borbolan (2001), afirmam que mais do que uma aldeia global, somos uma sociedade em tempo real, dado que uma informação pode ser transmitida ao mesmo tempo para todas as pessoas do planeta. Esta transmissão é imensamente facilitada pela Internet, que durante os anos 90 assistiu à sua massificação. No entanto, o acesso aos meios de comunicação e informação não é igual em todas as regiões do mundo, fazendo desta aldeia global, uma aldeia a duas velocidades, onde uns têm acesso à informação e ao conhecimento e outros ainda não dispõem de condições de sobrevivência, quanto mais de bem-estar social. Aqui introduzimos uma outra questão importante e relacionada com a globalização e os seus impactos, agora ao nível cultural e que se prende com a dualidade entre cultura global e culturas tradicionais. É neste sentido que Murteira (1995) refere um aparente paradoxo do modelo de desenvolvimento actual:

“por um lado um sistema de economia mundial globalizado e interdependente, único, sem alternativa; por outro lado, uma crescente heterogeneidade de condições de vida, de contextos culturais e de espaços” (Murteira, 1995, p. 30).

O que nos permite falar de cidadania global, é o facto desta ter vindo a ser criada através de uma dinâmica de globalização cultural inter-relacionada e interdependente com os processos de globalização económica e de globalização política.

Assim, o local e o global são hoje lugares interdependentes e indissociáveis, pois a globalização não é um processo de supressão das diferenças, mas sim de reprodução, reestruturação e sobredeterminação dessas mesmas diferenças (Melo, 2002).

Attali (1999) não defende a ideia do fim das civilizações num caos generalizado ou na fusão de todas elas num modelo ocidental. Para ele, a civilização permanecerá o primeiro tesouro a preservar e as civilizações dissolver-se-ão a pouco e pouco num gigantesco “puzzle de valores” que o autor denomina de civiLego.

“A civilização do futuro não será concebida segundo um modelo uniforme, fusão de todas as civilizações em torno do modelo ocidental, individual e laico, nem da crispação de cada civilização sobre si própria, mas de um gigantesco briquebraque onde cada um poderá escolher para si um sistema de valores particular, associando, à sua vontade e infinitamente, dentre todos aqueles que se encontram disponíveis,

elementos extraídos das filosofias, das ideologias, dos sistemas políticos, das culturas, das religiões, das artes das múltiplas civilizações existentes” (Attali, 1999, p. 64).

A ideia deste intelectual francês baseia-se na visão de que somos nós que vamos aprofundando o conhecimento da pluralidade de ideologias, de filosofias, de sistemas políticos, culturais, etc. e, desta diversidade das outras civilizações, vamos construindo nós próprios o nosso sistema de valores, o nosso “puzzle civilizacional”.

Tal como Fukuyama (2000), defende a ideia de que haverá uma construção de uma espécie de

capital social global, ao mesmo tempo que irão permanecer várias culturas distintas.

Ou seja, os movimentos culturais são dinâmicos e dialécticos e, mesmo o ocidente, é permeável a influências culturais. Portanto, a globalização pode gerar diversidade. É o que Attalli (1999) refere como “puzzle civilizacional”

Hoje em dia, as referências culturais das pessoas são influenciadas por informações, ideias e opiniões que se estendem à escala planetária, e não estão dependentes de determinismos geográficos ou territoriais, ou seja:

“as culturas assumiram uma forma que se deve chamar transcultural, na medida em que se atravessa as fronteiras culturais clássicas” (Melo, 2002, p. 50).

No entanto, estas criações culturais permanentes não devem ser confundidas com a emergência de uma cultura global comum que anule todas as outras, podendo surgir simultaneamente à criação de referências culturais comuns e ao aparecimento de subculturas. Ou seja, embora a globalização não permita uma continuidade que proporcione a manutenção de valores partilhados, ela pode, por outro lado, ser fonte de novos valores, que devem ser fins em si e não um meio para se atingirem resultados económicos.

A globalização económica é o traço mais visível da globalização mas as consequências deste processo estendem-se a outras dimensões igualmente importantes. E parece-nos que embora as características económicas deste processo surjam como principais forças motoras de todas as transformações, no plano político, social e cultural surgem outros indícios de que estas forças económicas não conseguirão anular características “tradicionais” e pode, inclusive, dar origem a novas dinâmicas e movimentos sociais.

Portanto, apoiando-nos no contributo de Boaventura Sousa Santos referido por Antunes (2004), parece-nos fazer mais sentido falar de “globalizações”, em vez de uma única globalização.

“Essas mudanças são, por alguns autores, referidas como globalizações, para sublinhar a heterogeneidade, as assimetrias, contradições e os desequilíbrios que marcam as constelações de relações sociais que as

corporizam (cf., por exemplo, Santos, 2001a); as dinâmicas que enunciamos são hoje vividas na economia, na esfera política ou no universo cultural por meio de uma combinatória de processos cuja instabilidade não permite ainda apreender qualquer configuração identificável como constituindo um novo regime de acumulação”. (Antunes, 2004, p. 481-511).

Neste contexto, julgamos fazer mais sentido associarmos os efeitos negativos deste processo, não à globalização, mas sim ao neoliberalismo. Esta ideia é bastante defendida por Charlot (2007) que defende que a globalização em si trouxe inúmeros benefícios para o desenvolvimento das sociedades. A tese principal deste autor é que o que hoje muitas pessoas referem como globalização e como efeitos negativos da globalização, não podem ser associados a este processo, pois embora a globalização tenha de facto impactos que podem ser considerados negativos, o neoliberalismo, esse sim traz consequências bastante graves para as sociedades e, em particular, para a educação.

Nesta perspectiva, o conjunto de efeitos que hoje em dia associamos à globalização vêm já muito de traz e, não é consequência directa da globalização.

Embora tendo impactos muito profundos em todas as esferas da vida pública e privada, a globalização não é um processo exclusivamente económico, nem negativo. O neoliberalismo35, embora sendo um fenómeno interligado com o processo de globalização, esse sim atravessou várias áreas da sociedade estendendo os princípios de mercado livre, com menor peso do Estado a áreas como a política, a cultura e a educação, como mais à frente analisaremos.

À globalização podemos associar também efeitos muito positivos como a interdependência entre os seres humanos e a necessidade de se criar uma rede de solidariedade entre os membros da espécie humana e da preservação do planeta (Charlot, 2007). Portanto, nesta perspectiva, o problema não é a abertura de fronteiras, mas sim as consequências que os ideais de neoliberalismo acarretam.

Apesar das diferentes perspectivas encontradas em relação ao processo de globalização, a maioria dos argumentos partilha denominadores comuns como: o facto da globalização representar alterações nas relações sociais provocadas por uma tendência para a internacionalização, liberalização e universalização de valores e modos de vida, que aproximam os cidadãos que deixam de estar identificados apenas com os espaços físicos que

35 O neoliberalismo é um termo que foi usado em duas épocas diferentes com dois significados semelhantes, porém distintos: na primeira

metade do século XX significou a doutrina proposta por economistas franceses, alémães e norte-americanos voltada para a adaptação dos princípios do liberalismo clássico às exigências de um Estado regulador e assistencialista; a partir da década de 1970, passou a significar a doutrina econômica que defende a absoluta liberdade de mercado e uma restrição à intervenção estatal sobre a economia, só devendo esta ocorrer em setores imprescindíveis e ainda assim num grau mínimo. É nesse segundo sentido que o termo é mais usado hoje. A utilização do prefixo 'neo' não se refere a uma nova corrente do Liberalismo, mas à aplicação de alguns dos preceitos liberais consagrados e em um certo contexto histórico diverso daquele no qual foram formulados (no do século XVII, na Inglaterra, através de John Locke) .

habitam; o facto do Estado-nação já não ter a mesma autoridade inquestionável na definição das suas políticas num contexto onde os mercados estão cada vez mais interligados e o capital

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