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A partir da década dos anos 90 a abordagem de medida do progresso ou evolução dos países, baseada unicamente na medida do Produto Interno Bruto (PIB), passou a ser questionada. Outras variáveis passaram a compor essa medição. Além dos fatores econômicos, passaram a fazer parte dos indicadores de progresso outros fatores tais como, saúde, saneamento básico, educação, conservação ambiental, sustentabilidade e outros.

Segundo LACERDA et al. (2003), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, procura medir a situação do desenvolvimento dos países utilizando o Índice de Desenvolvimento Humano - IDH, que é um indicador instituído pela ONU, para medir a qualidade de vida das pessoas, em 174 países associados. O IDH é um índice composto de três indicadores considerados como criteriosos para medir a qualidade de vida:

a) Produto Interno Bruto per capita – PIB/pc – que leva em conta a evolução do poder de compra da moeda norte americana em cada país medido segundo metodologia do Banco Mundial, ou seja, do Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento – BIRD;

b) grau de saúde – leva em conta a esperança de vida ao nascer;

c) nível educacional – leva em conta a percentagem da população de 15 anos ou mais alfabetizada (2/3 do índice de educação) e, a taxa bruta de matriculas da população escolar nos três níveis de educação - 1o, 2o, e 3o grau (1/3 do índice de educação).

Após a apuração dos dados estatísticos de cada país, é feita a média geral dos três indicadores (IDH saúde, IDH educação e IDH renda), cujo resultado varia de 0 a 1. Quanto mais o índice se aproxima de um, mais desenvolvido é o país. A razão do IDH utilizar três indicadores se baseia no fato de que o desenvolvimento de uma nação não pode ser medido de forma unilateral levando em conta somente a dimensão econômica.

O criador desse índice foi o economista paquistanês Mahbub ul Haq. O economista indiano Amartya Sen – Nobel de Economia em l998, aperfeiçou a metodologia do IDH em 1999, com o objetivo de atender ao princípio da utilidade marginal decrescente da renda, segundo o qual o aumento da renda apresenta rendimentos decrescentes para a qualidade de vida, ou seja, a partir de determinado nível de renda, o bem-estar não cresce na mesma proporção que a renda. No método anterior, que utilizava a chamada fórmula de Atkinson, o IDH mantinha uma relação linear com a renda per capita até a média da renda mundial, quando virava uma curva. A nova metodologia, que utiliza uma função logarítmica, procura melhor captar os ganhos no padrão de vida decorrentes do aumento da renda.

Quadro: A classificação dos países por faixa de IDH (valores absolutos): 0,254 a 0,499 – países de baixo desenvolvimento;

0,500 a 0,599 – países intermediários entre baixo e médio desenvolvimento 0,600 a 0,699 – países de médio desenvolvimento;

0,700 a 0,799 –países intermediários entre médio e alto desenvolvimento 0,800 a 0,932 – países de alto desenvolvimento.

O Brasil, segundo o relatório do PNUD (2000) está colocado em 79o lugar, com IDH = 0,750. Esse relatório também é elaborado para os Estados e municípios.

Quanto à distribuição da renda, segundo PINHO et al. (1998), o índice ou coeficiente de Gini é um dos indicadores mais utilizados para medir a concentração de renda em um país. Quem criou esse índice (com base na curva de Lorenz) foi o pesquisador italiano Conrado Gini.

O índice de Gini varia dentro de um intervalo de zero a um (0 < G > 1). O zero significaria a igualdade perfeita de distribuição da renda e o 1 a situação hipotética em que

uma só pessoa estaria de posse da totalidade da renda. Portanto, quanto mais próximo de um pior a distribuição de renda. Nos países com boa distribuição de renda o coeficiente de Gini está em torno de 0,3 a 0,4. O Índice de Gini para o Brasil é igual a 0,59.

De acordo com o relatório do PNUD, o Brasil possui uma alta concentração de renda: os 20% mais pobres da população estão com apenas 2,5% da Renda Nacional (PIBpc = US$ 578,00), enquanto que, os 20% mais ricos da população estão com 63,4% da Renda Nacional (PIBpc = US$ 18,536,00);

Segundo a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados Estatísticos –SEADE (2003) - a taxa de mortalidade infantil leva em consideração o número de mortes de crianças de até um ano para cada mil nascidas vivas. O padrão recomendado pela Organização Mundial de Saúde - OMS - para os países em desenvolvimento é de até 20 mortes por mil crianças nascidas. Em países desenvolvidos essa taxa é de 10 mortes para cada mil crianças nascidas. Em uma escala, teríamos: (7,5 a 11,5) melhor; (11,5 a 15); (15 a 18) e (18 a 25) pior. As piores taxas estão associadas a problemas de renda, condições da vida das famílias das crianças, instrução das mães, atendimento prestado durante a gravidez e logo após o parto, sistema de saúde pública, saneamento básico, nutrição.

Ainda de acordo com a SEADE, o índice estadual de mortalidade infantil (neonatal e pós-natal) em 2002, foi de 15,04 para cada mil nascidas. Na região de Campinas, que abrange Mogi Guaçu foi de 11,98 por mil. A mortalidade neonatal precoce abrange crianças de até 28 dias. A mortalidade neonatal tardia ou pós-neonatal vai de 28 dias a 11 meses.

PASSOS e NOGAMI (1998) citam três grupos de indicadores através dos quais se faz a análise do grau de desenvolvimento de um país ou região:

1 – Vitais: esperança de vida ao nascer, taxa de mortalidade infantil, estrutura etária da população, taxa média anual de crescimento populacional;

2 - Econômicos: estruturas e infra-estrutura de base econômica, disponibilidade de bens e serviços pela sociedade;

3 – Sociais: estrutura social, mobilidade social, representação no sistema político, participação social, sistema de concentração da propriedade.

Por outro lado, para MILONE (1998), o crescimento econômico fica caracterizado quando ocorre: acumulação de capital, crescimento da população e progresso tecnológico. Considera ainda que o processo de crescimento pode melhor ser descrito como sendo um processo de transformação pelo qual a economia de qualquer sociedade deve necessariamente passar.