2. R EVISÃO B IBLIOGRÁFICA
2.4. Desenvolvimento Local e Alternativas para o Homem do Campo
O conceito de desenvolvimento local, citado em estudo do BANCO do NORDESTE (1998), pressupõe uma estratégia de desenvolvimento, pela qual a comunidade assume um novo papel: de comunidade demandante, emergente como agente, protagonista, empreendedora, com autonomia e independência. Assim, para o Banco do Nordeste, o
desenvolvimento local corresponde a um processo de articulação, coordenação e inserção dos
empreendimentos empresariais associativos e individuais, comunitários, urbanos e rurais, a uma nova dinâmica de integração socioeconômica, de reconstrução do tecido social, de geração de oportunidades de trabalho e renda. O resultado desse desenvolvimento em geral ocasiona o aumento dos fluxos monetários internos do município ou região, provocando aumento da massa salarial e, portanto do poder de compra da comunidade.
Sem a deflagração de movimentos nessa direção, os aumentos dos problemas nas diferentes áreas das relações humanas e ambientais ocorrerão, principalmente nas regiões metropolitanas, com posterior expansão às regiões interioranas.
Do elenco de problemas mais agudamente sentidos na atualidade urbana, PINAZZA e ALIMANDRO (2000) citam o inchaço das cidades provocado pelo êxodo rural, desemprego na cidade e no campo, favelização do entorno das cidades, aumento dos desassistidos, contribuindo para o aumento do roubo e da criminalidade, a invasão imobiliária sobre reservas florestais, em prejuízo da preservação dos mananciais hídricos, e terras férteis passíveis do uso agropecuário, além da migração da mão-de-obra qualificada. A esse elenco podemos acrescentar a desestruturação familiar, o aumento das doenças da primeira infância, a
deterioração do ensino básico em conseqüência do volume e da impossibilidade do poder público em propicia-lo.
São problemas estruturais, inter-relacionados, interdependentes, cujas causas e conseqüências se misturam, mas que, sem maiores reflexões, podem ser amenizados por medidas que fixem o homem às suas regiões de origem, seja no campo ou nas cidades do interior. A agroindustrialização nas regiões interioranas, observada a legislação das diferentes áreas institucionais, propicia a manutenção da população em suas origens.
Para OTANI et al. (2001), destaca-se a importância da organização da sociedade local, pois, apesar de muitos aspectos que determinam a vida nos municípios fugirem da alçada do poder local, é preciso considerar que há muitas possibilidades de atuação desse governo no desenvolvimento municipal, que deve desempenhar o papel de mais do que um agente realizador do desenvolvimento, e atuar como articulador e facilitador das ações locais de desenvolvimento.
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ÂNGELO et al. (1998), (apud OTANI et al, 2001) afirmam que o Plano Diretor Agrícola Municipal (PDAM) possibilita a organização e o gerenciamento das informações, bem como subsidia o diagnóstico a ser analisado pela comunidade local, com autonomia para decidir sobre a periodicidade necessária, tanto de atualização das informações quanto do monitoramento dos projetos em andamento, e independência para realizar novo diagnóstico, a fim de sistematizar os dados e acompanhar a evolução do município.
FLORES (1998) afirma que há necessidade de um grande esforço no sentido de criar condições mínimas para que o agricultor familiar possa ter alguma perspectiva de permanência na atividade agrícola. Seja com o objetivo de aumentar a produção agrícola no campo, reduzir o processo migratório, distribuir a renda e o bem-estar, ou todos estes pontos em conjunto.
Há necessidade de um amplo apoio para a implantação de ações que signifiquem benefícios a esse segmento da agricultura, num novo processo de desenvolvimento rural. Sem
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ÂNGELO, José A et. PDAM et al. - PDAM – Sistema de suporte para a elaboração de Plano Diretor Agrícola
Municipal, versão 1.0: Manual do usuário. São Paulo: IEA/Centro Nacional de Pesquisa Tecnológica em Informática, 1998.
isso, corre-se o risco de não ser possível dar novas perspectivas nem mesmo aos grandes centros urbanos, saturados de migrantes do campo e de pequenas cidades do interior. Com estratégias de organização da produção, do produtor e do mercado, é possível termos produção economicamente viável em pequenas propriedades, segmento capaz de absorver mão-de-obra e distribuir renda.
Nesse sentido há que se realizar a superação da falta de escala para o processo produtivo e a comercialização. Existem demandas crescentes de consumidores urbanos em busca de produtos “especiais”. A criação de pequenas agroindústrias, em rede, permitiriam resolver os problemas de escala para aquisição de insumos e para a comercialização de suas produções, permitindo que a agregação de valor esteja diretamente nas mãos do agricultor. Com isso, estaria ocorrendo uma desconcentração geográfica da renda, permitindo seu acesso a um número maior de municípios, bem como da geração de empregos. Desenvolvimento agrícola não é a única alternativa para o desenvolvimento do campo no sentido de se aumentar a criação de empregos e a distribuição de renda.
Ainda segundo FLORES (1998), na grande maioria dos países do primeiro mundo, e em parte dos subdesenvolvidos, vem ocorrendo um processo de transformação da antiga visão sobre o que é urbano e o que é rural. As paisagens urbana e rural se confundem e o que se evidencia é que o campo não precisa ter somente a atividade agrícola como fonte de renda. O “part-time” – o emprego parcial, a indústria artesanal e o turismo rural constituem possibilidades extraordinárias. Torna-se cada vez mais difícil pré-determinar a classificação de uma atividade em rural e urbana.
Essas definições perdem seu sentido, dando lugar ao desenvolvimento de planos e estratégias de desenvolvimento de abrangência local, com uma grande ampliação da interação campo-cidade. Dentro dessa perspectiva, pequenas cidades tipicamente rurais, ou mesmo agrícolas, consideradas como sem futuro, podem criar novas condições para o seu desenvolvimento.
Sem dúvida torna-se necessário mais investimento em infra-estrutura básica, cabendo uma ampla ação de parceria entre diferentes níveis do poder público e a iniciativa privada. Há uma grande perspectiva de construção de um novo modelo de desenvolvimento envolvendo os agricultores e, principalmente, as pequenas cidades do interior, formando-se um novo processo
de desenvolvimento local, com intensa participação das comunidades e uma maior integração de atividades produtivas entre o campo e a cidade.
Segundo GRAZIANO (1999), existe uma elevadíssima concentração fundiária no país e que em função dela o desenvolvimento rural não caminhou em compasso com o desenvolvimento agrícola do setor patronal. Na maioria dos casos, a elevação dos rendimentos físicos da produtividade do trabalho nas atividades da agropecuária se fez acompanhar da intensificação do êxodo rural em direção às cidades e do emprego de miseráveis bóias-frias. Assim sendo, a criação de empregos não-agrícolas nas zonas rurais constitui uma estratégia capaz de reter a população rural pobre nos seus atuais locais de moradia e, ao mesmo tempo elevar a sua renda. Por essa razão, importantes organismos internacionais, a exemplo da FAO, vêm insistindo na proposta de se retomar a idéia de desenvolvimento rural, impulsionando-se atividades geradoras de novas ocupações, que propiciem maior renda às pessoas residentes no meio rural.