4 A ORIGEM DO CAPITAL
4.4 A origem da mais-valia
A primeira forma em que a mais-valia aparece historicamente carrega um mistério, mas é um estágio necessário da sua própria compreensão, surge então como sendo: (i) produto do trabalho que excede o salário (SMITH, 1983; RICARDO, 1982) e, então a realização do trabalho produz valor superior à reprodução do trabalhador, (ii) produto do trabalho como propriedade do capitalista por aplicar seu capital para produzir determinada mercadoria, a propriedade aparece na sua forma física imediata (SMITH, 1983), e por fim (iii) o trabalhador se relaciona diretamente com os elementos materiais – que a natureza não produz - do processo de trabalho independentemente da propriedade que o capitalista o tem deles (SMITH, 1983; RICARDO, 1982). Verificamos esses elementos em Smith e Ricardo22, embora esses elementos apresentam a forma como a mais-valia apresenta-se na consciência23, apenas a forma histórica em que se apresenta empiricamente aos homens, a partir daqui pode-se iniciar a investigação sobre essa forma histórica. A forma lucro (lucro industrial) se apresentava empiricamente no século XVIII aos homens, e esses tentavam decifrá-la. Um capital X ao se reproduzir aumentando a
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No presente estudo não analisamos a obra de Sismondi por considerar os elementos principais existentes em Smith e Ricardo. Um estudo mais amplo sobre a origem da mais-valia não pode prescindir de Sismondi.
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uma razão 2 (x+2, x+4, ... , x+n) cristaliza todo esse aumento na forma dinheiro, a reprodução contínua desse processo expressa um determinado valor monetário que se expande, portanto sua própria determinação singular, mas não encerra em si o esclarecimento, pois a forma dinheiro é produto determinadamente histórico.
Smith deduz do valor da mercadoria, o salário, o lucro, e renda da terra sem realizar a separação da mais-valia com a forma lucro. Engels segue algumas passagens de Smith, para elucidar os componentes do valor da mercadoria, sem perceber a conexão que Smith apresenta como trabalho comandado, que explícita a forma de equivalente que desenvolve a consciência de si das mercadorias e se transmuta numa consciência estranhada por considerar a vivificação da forma mercadoria, apenas. Smith percebeu que a redução das mercadorias a trabalho humano abstrato e a transformação dessas em valores ocorreu anteriormente a produção capitalista:
É a grande multiplicação das produções de todos os diversos ofícios — multiplicação essa decorrente da divisão do trabalho — que gera, em uma sociedade bem dirigida, aquela riqueza universal que se estende até as camadas mais baixas do povo. Cada trabalhador tem para vender uma grande quantidade do seu próprio trabalho, além daquela de que ele mesmo necessita; e pelo fato de todos os outros trabalhadores estarem exatamente na mesma situação, pode ele trocar grande parte de seus próprios bens por uma grande quantidade, ou — o que é a mesma coisa — pelo preço de grande quantidade de bens desses outros. Fornece-lhes em abundância aquilo de que carecem, e estes, por sua vez, com a mesma abundância, lhe fornecem aquilo de que ele necessita; assim é que em todas as camadas da sociedade se difunde uma abundância geral de bens. (SMITH, 1983, p. 45). No estágio antigo e primitivo que precede ao acúmulo de patrimônio ou capital e à apropriação da terra, a proporção entre as quantidades de trabalho necessárias para adquirir os diversos objetos parece ser a única circunstância capaz de fornecer alguma norma ou padrão para trocar esses objetos uns pelos outros [...] Nessa situação [estágios mais primitivos da civilização], todo o produto do trabalho pertence ao trabalhador; e a quantidade de trabalho normalmente empregada em adquirir ou produzir uma mercadoria é a única circunstância capaz de regular ou determinar a quantidade de trabalho que ela normalmente deve comprar, comandar ou pela qual deve ser trocada. (SMITH, 1983, p. 77).
Smith se deparava com a problemática de entender o porquê que valores-de- uso diferentes podem ser igualados na troca de mercadorias, inclusive utiliza a expressão parece ser a única circunstância para tal fenômeno ocorrer. Essa é uma das indagações mais lúcidas e Aristóteles foi quem primeiro parece ter feito. De fato essa percepção pressupõe a relação quantitativa entre as mercadorias enquanto valores e não esclarece o porquê de elas se igualarem na troca – sua conversão a
trabalho humano abstrato24 - apenas que essa igualdade pode ser comensurável pela quantidade de trabalho. Smith percebia a primeira propriedade da forma de equivalente, de o valor-de-uso expressar seu contrário o valor, o que vai ser esclarecido a partir da concepção sobre a transição dos estágios mais primitivos da
civilização às sociedades desenvolvidas, e na crítica de Ricardo. Notemos como
Smith expõe anteriormente que todo o produto do trabalho pertence ao trabalhador e, sua condição diante do momento histórico em que o capital se encontra acumulado e que os produtos do trabalho deixam de ser propriedade do trabalhador25, de quem o faz.
No momento em que o patrimônio ou capital se acumulou nas mãos de pessoas particulares, algumas delas naturalmente empregarão esse capital para contratar pessoas laboriosas, fornecendo-lhes matérias-primas e subsistência a fim de auferir lucro com a venda do trabalho dessas pessoas ou com aquilo que este trabalho acrescenta ao valor desses materiais. Ao trocar-se o produto acabado por dinheiro ou por trabalho, ou por outros bens, além do que pode ser suficiente para pagar o preço dos materiais e os salários dos trabalhadores, deverá resultar algo para pagar os lucros do empresário, pelo seu trabalho e pelo risco que ele assume ao empreender esse negócio. Nesse caso, o valor que os trabalhadores acrescentam aos materiais desdobra-se, pois, em duas partes ou componentes, sendo que a primeira paga os salários dos trabalhadores, e a outra, os lucros do empresário, por todo o capital e os salários que ele adianta no negócio. Com efeito, o empresário não poderia ter interesse algum em empenhar esses bens, se não esperasse da venda do trabalho de seus operários algo mais do que seria o suficiente para restituir-lhe o estoque, patrimônio ou capital investido; por outro lado, o empresário não poderia ter interesse algum em empregar um patrimônio maior, em lugar de um menor, caso seus lucros não tivessem alguma proporção com a extensão do patrimônio investido. (SMITH, 1983, p. 77).
Essa transmutação na práxis da propriedade privada mercantil para a propriedade privada burguesa expressa os três elementos do aparecimento histórico da mais-valia como cognição expostos acima, curioso como os elementos reais insistem em existir ainda que fragmentados pela cognição. O capital deixa as mãos
de pessoas particulares na sua forma produtiva para se encontrar como pessoas laboriosas com a finalidade do lucro pela ação do trabalho26 ao acrescentar valor que se desdobra em salário, lucro e renda da terra, ainda que o lucro esteja aqui relacionado com o risco de empregar determinada quantidade de capital se torna
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A redução a trabalho abstrato, de todas as mercadorias, se realiza na forma geral do valor. Todas as mercadorias se reconhecem como valores, são valores-mercadorias.
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Os elementos transformados pela constituição do capital são condição necessária para compreendermos sua reprodução social ainda que sem essas considerações se possa de fato realizar análises econômicas a partir das cristalizações da valorização do valor, o que veremos à frente com Keynes. Essa importância só faz sentido ao tratarmos a história da humanidade como um cosmo que se transforma continuamente.
mera repartição do valor acrescentado às matérias-primas. Esse valor é parcela do trabalho que excede o salário e se constitui em lucro, mas salário e lucro são aqui formas derivadas do valor do objeto produzido:
Existe um tipo de trabalho que acrescenta algo ao valor do objeto sobre o qual é aplicado; e existe outro tipo, que não tem tal efeito. O primeiro, pelo fato de produzir um valor, pode ser denominado produtivo; o segundo, trabalho improdutivo. Assim, o trabalho de um manufator geralmente acrescenta algo ao valor dos materiais com que trabalha: o de sua própria manutenção e o do lucro de seu patrão. Ao contrário, o trabalho de um criado doméstico não acrescenta valor algum a nada. Embora o manufator tenha seus salários adiantados pelo seu patrão, na realidade ele não custa nenhuma despesa ao patrão, já que o valor dos salários geralmente é reposto juntamente com um lucro, na forma de um maior valor do objeto no qual seu trabalho é aplicado. Ao contrário, a despesa de manutenção de um criado doméstico nunca é reposta. Uma pessoa enriquece empregando muitos operários, e empobrece mantendo muitos criados domésticos. (SMITH, 1983, p. 285).
Esse debate foi de certa forma, registrado por Engels, a partir de citações de Marx, e consideramos que não expressa às conexões de A Riqueza das Nações nem o processo de separação entre cognição e práxis. Existe uma ambiguidade explícita nas concepções de Smith de onde se deriva a crítica de David Ricardo. Smith não percebe que o trabalho comandado é a conversão a trabalho abstrato que as mercadorias realizam para se igualarem na troca, que só é possível porque são fruto não só de determinado trabalho útil, mas de trabalho humano comum a todos os trabalhos:
Pondo-se de lado o desígnio da atividade produtiva e, em conseqüência, o caráter útil do trabalho, resta-lhe apenas ser um dispêndio e força humana de trabalho. O trabalho do alfaiate e do tecelão, embora atividades produtivas qualitativamente diferentes, são ambos dispêndio humano produtivo de cérebro, músculos, nervos, mãos, etc., e, desse modo são ambos trabalho humano. (MARX, 2008, p. 66).
Então a constituição do capital aparece mistificada, pois o trabalho abstrato se realiza como conversão das mercadorias em valores sem considerar, a troca como aparência. Não pode conceber a separação da mais-valia diante da consideração que faz sobre a exploração como trabalho comandado.
Mas o trabalho do manufator fixa-se e realiza-se em um objeto específico ou mercadoria vendável, a qual perdura, no mínimo, algum tempo depois de encerrado o trabalho. É, por assim dizer, uma certa quantidade de trabalho estocado e acumulado para ser empregado, se necessário, em alguma outra ocasião. Este objeto ou, o que é a mesma coisa, o preço deste objeto, pode posteriormente, se necessário, movimentar uma quantidade de trabalho igual àquela que originalmente o produziu. (SMITH, 1983, p. 285).
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Smith expõe ainda como a recompensa natural do trabalho é o salário27. A humanidade se depara com a problemática de se libertar das formas cognitivas historicamente desenvolvidas, enquanto esse processo não se realiza seus desdobramentos se diluem como consciência. Não confundamos a exposição sobre a origem da mais-valia como mera concordância com elementos reais de A riqueza
das nações, a gênese da mais-valia foi esclarecida acima, tornar essa parte do
escrito mera concordância argumentativa é desconsiderar o esclarecimento na
práxis. A ciência permite elucidar a existência, constituição e a origem de
determinados elementos reais de forma que a sua elucidação não pode ser diluída nas formas fragmentadas em que a cognição apresenta, mas antes é nessas formas em que surgem os elementos a serem investigados28 e onde a matéria pode ser apreendida nas suas conexões mais íntimas, por isso foi apresentado os três elementos em que a mais-valia aparece historicamente, mas que não se constituíam na separação da mais-valia como elemento singular da produção capitalista29.
A crítica de Ricardo a Smith é importantíssima, pois inicia a análise do capital- mercadoria na história do pensamento econômico, alguns anos antes da crise comercial de 1825, na Inglaterra, caracterizada pelo ciclo periódico da indústria moderna. O capital-mercadoria já se apresentava empiricamente aos economistas antes de a ciência poder decifrá-lo, nem por isso a cognição deixaria de sofrer as consequências de suas aventuras. Por trás dessa constatação há uma sutil diferença, que quando percebida se torna numa diferença substancial entre Smith e Ricardo. Ricardo ao analisar o capital-mercadoria e se preocupar com seus valores relativos30 percebe a existência da variação do valor do trabalho (na verdade força de trabalho31), já que esse é determinado pelas mercadorias de primeira necessidade.
Igualmente, se o valor do trabalho diminuísse consideravelmente em relação a todas as outras coisas, e se descobríssemos que essa diminuição resultava de uma nova oferta abundante, estimulada pela grande facilidade com que eram produzidos o trigo e todos os outros gêneros de primeira
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Ver capítulo VIII do livro I. 28
Um exemplo disso é a exposição de Hegel sobre o trabalho comandado na Fenomenologia. 29
Veremos a Posteriori a importância da separação da mais-valia, quando o Federal Reserve se apropria da sua forma objetivada de reprodução contínua a partir da agregação do valor e relaciona com o nível geral de preços para precisar a cristalização de uma deflação de preços. O Bureau of Labor Statistics pela forma objetivada se apropria da produtividade do trabalho. Essas constatações realizam historicamente a separação da práxis e da cognição, mas ela prescinde uma base determinada que ainda não possuímos os pressupostos para elucida - lá.
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Para entender o porquê dessa preocupação ver a seção II do capítulo I. 31
necessidade para o trabalhador, penso que seria correto afirmar que o valor do trigo e dos outros bens necessários diminuiu por causa da menor quantidade de trabalho necessária para produzi-los, e que essa maior facilidade para suprir o sustento do trabalhador ocasionou uma redução do valor do trabalho. (RICARDO, 1982, p. 47).
A expressão valor do trabalho é revolucionária. A despeito disso, Smith considera a existência do trabalho abstrato a partir da concepção de trabalho comandado que era a forma pela qual as mercadorias se reconheciam na troca como fruto de trabalho humano, mas essa era a relação de uma sociedade mercantil. Mas na sociedade capitalista o trabalhador se torna proprietário privado de sua única mercadoria à força de trabalho e a relação anterior se desvanece. A contradição entre o trabalhador e o capital não é percebida por Smith na produção, de onde surge a crítica de Ricardo e só aparece quando a forma lucro e a forma renda são deduções do valor da mercadoria produzida pelo trabalhador. Ricardo percebe essa problemática em Smith, é dizer, a falta de esclarecimento sobre a transição de uma sociedade mercantil para a sociedade capitalista e inclusive transcende essa problemática no debate em torno de um padrão invariável de valor32.
Como medida-padrão ele se refere algumas vezes ao trigo, outras ao trabalho; não à quantidade de trabalho empregada na produção de cada objeto, mas à quantidade que este pode comprar no mercado, como se ambas fossem expressões equivalentes e como se, em virtude de se haver tornado duas vezes mais eficiente o trabalho de um homem, podendo este produzir, portanto, o dobro da quantidade de uma mercadoria, devesse esse homem receber, em troca, o dobro da quantidade que antes recebia. Se isso fosse verdadeiro, se a remuneração do trabalhador fosse sempre proporcional ao que ele produz, a quantidade de trabalho empregada numa mercadoria e a quantidade de trabalho que essa mercadoria compraria seriam iguais e qualquer delas poderia medir com precisão a variação de outras coisas. Mas não são iguais. A primeira é, sob muitas
circunstâncias, um padrão invariável, que mostra corretamente as variações nas demais coisas. A segunda é sujeita a tantas flutuações
quanto as mercadorias que a ela sejam comparadas. Adam Smith, após haver mostrado habilmente a insuficiência de um meio variável, como o ouro e a prata, para a determinação do valor variável das outras coisas, acabou escolhendo uma medida não menos variável, ao eleger o trigo ou o trabalho. (RICARDO, 1982, p. 45, grifo meu).
Compreender as diferenças da sociedade capitalista para com a sociedade mercantil, a expressão do valor da força de trabalho na capital-mercadoria e o
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Esse debate parece num primeiro momento estar distante na história, veremos adiante como a constituição do dólar como moeda mundial, a partir de 1971, liberta da materialidade do ouro conclui esse debate. O ouro que era considerado reserva de valor sem equivalente agora aparece dolarizado.
porquê de ser o trabalho uma medida variável de valor e não existir, portanto uma medida invariável33, é entender o fundamento da moeda.
Não é correto, portanto, dizer, como Adam Smith, que, ―como o trabalho muitas vezes poderá comprar maior quantidade e outras vezes menor quantidade de bens, o que varia é o valor deles e não o do trabalho que os adquire‖, e que, ―portanto, o trabalho, não variando jamais de valor, é o único e definitivo padrão real pelo qual o valor de todas as mercadorias pode ser comparado e estimado em todos os tempos e em todos os lugares‖. Mas é correto dizer, como dissera anteriormente Adam Smith, ―que a proporção entre as quantidades de trabalho necessárias para adquirir diferentes objetos parece ser a única circunstância capaz de oferecer alguma regra para trocá-los uns pelos outros‖, ou, em outras palavras, que a quantidade comparativa de mercadorias que o trabalho produzirá é que determina o valor relativo delas, presente ou passado, e não as quantidades comparativas de mercadorias que são entregues ao trabalhador em troca de seu trabalho. (RICARDO, 1982, p.46).
Smith não percebe a diferença sútil entre trabalho simples e trabalho abstrato expresso na capital-mercadoria.
Que este é realmente o fundamento do valor de troca de todas as coisas, à exceção daquelas que não podem ser multiplicadas pela atividade humana, eis uma doutrina de extrema importância na Economia Política; pois de nenhuma outra fonte brotam tantos erros nem tanta diferença de opinião, nesta ciência, quanto das idéias confusas que estão associadas à palavra valor. (RICARDO, 1982, p. 25).
A cognição é incapaz de estabelecer os nexos da realidade objetiva, Ricardo depois de fazer uma consideração substancial sobre Adam Smith não percebe que o valor é uma relação que se cristaliza num objeto determinado, como a derivada na matemática se objetiva nas regras de derivação. Percebeu como na sociedade capitalista o lucro surge a partir da apropriação desse trabalho humano, encontrando a singularidade do modo de produção capitalista, o nexo do trabalho consigo mesmo expresso na cristalização do valor que se valoriza. Não percebe o processo de superação34 da sociedade mercantil pelo capital por isso considera o trabalho comandado na produção capitalista, ao realizar esse trabalho, não pelo esclarecimento que a práxis o faz quando a forma lucro se apresenta historicamente, mas o fez pela forma como o real se apresentou na cognição e não pôde realizar a separação entre lucro e mais-valia. Smith não percebe o processo histórico determinado em que as contradições entre aumento geral da riqueza e o salário
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Após a ciência elucidar as relações essenciais da realidade social objetiva as dificuldades começam a se reproduzir, é interessante como o pensamento que desconsiderou as relações reais históricas se deparou justamente com a forma invariável do valor para desvendar os determinantes do investimento, sem considerar o valor, mas diante da forma preço, veremos como isso se conclui no próximo capítulo.
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como produto do trabalho se defrontam com o salário e a propriedade do produto do trabalho do patrão, mas Smith as percebe, e só poderia ser assim, como historicamente determinadas.
Hegel como Smith apreende o trabalho abstrato como trabalho comandado e desconsidera as diferenças entre trabalho simples e abstrato no capital-mercadoria, embora considere a existência da universalidade:
Na substância universal, porém, o indivíduo não só tem essa forma da subsistência de seu agir em geral, mas também seu conteúdo. O que ele faz, é o gênio universal, o etos de todos. Esse conteúdo, enquanto se singulariza completamente, está em sua efetividade encerrada nos limites do agir de todos. O trabalho do indivíduo para [prover a] suas necessidades, é tanto satisfação das necessidades alheias quanto das próprias; e o indivíduo só obtém a satisfação de suas necessidades mediante o trabalho dos outros. Assim como o singular, em seu trabalho singular, já realiza inconscientemente um trabalho universal, assim também realiza agora o [trabalho] universal como seu objeto consciente: torna-se sua obra o todo como todo, pelo qual se sacrifica, e por isso mesmo dele se recebe de volta. (HEGEL, 1992, p. 223).
A reprodução do valor monetário em expansão reproduz continuamente o processo de produção e circulação35 que na sua singularidade contém a relação entre trabalhador e máquina36 a qual reproduz constantemente essa expansão do valor monetário. A singularidade da reprodução do valor monetário em expansão