Como tratado no item anterior, a democracia e o estado democrático se fundam na possibilidade de participação dos cidadãos na vida política de uma sociedade. Esta expressão, no entanto, é interpretada e utilizada de maneiras diversas, especialmente em função dos propósitos centrais a que determinada sociedade se destina, sejam numa perspectiva de transformação, seja de manutenção das relações sociais ali existentes. Nestes termos, para compreender melhor as formas com as quais a participação se realiza, tomamos neste item o debate a respeito da noção de poder.
A expressão poder pode ser entendida genericamente como ação, deliberação, domínio, posse, vontade, influência, força, autoridade, soberania, entre outras designações. O poder como conceito é passível de interpretações, mas este encontra-se concentrado ou disseminado e se manifesta no mundo de formas distintas. A expressão é também entendida para explicar as relações estabelecidas entre os sujeitos sociais, principalmente as que dizem respeito à composição do poder no estabelecimento do diálogo exercido na esfera pública, a respeito do bem público.
Ser cidadão é condição que implica categoria de existência. O cidadão entendido no campo sociológico possui atributo de pertença a seu grupo culturalmente organizado. Do ponto
de vista político e econômico, ao cidadão conferem-lhe o direito, sendo direito à vida, sobre a vida, à liberdade ou a sua supressão, aos bens comuns ou à propriedade, a igualdade ou a desigualdade. Essas condições se apresentam na constituição de um grupo no âmbito de seus acordos de convivência em determinado local e em tempos históricos determinados.
A racionalidade moderna entende o cidadão como ser racional e político. Na concepção moderna e nos limites do liberalismo, o cidadão luta para conquistar posições políticas, sociais e econômicas das quais sejam possíveis dispor para poder se posicionar criticamente e fazer com que seu desejo e sua vontade sejam foco das políticas. Entramos no embate da concorrência individual sob a manta da liberdade e da igualdade jurídica capitaneada pelo mercado, como fenômenos típicos da racionalidade moderna, por um lado e, por outro, o direito civil/estatal e a democracia participativa/procedimental, constituem a lógica do espaço coletivo, da cidadania, da participação na vida política do país. Nos limites do republicanismo, a formação política da opinião pública difere da lógica/racionalidade do mercado. Na razão republicana prevalece a lógica do entendimento porque é no diálogo que se explicita a prática da autodeterminação cívica e política.
Assim, a liberdade e a igualdade se tornam os pilares da sobrevivência cidadã, subtendida como capacidade de convivência do ser em si e deste com outros. A convivência, por sua vez, é aqui relacionada à sociabilidade, em que distinções sociais se exercem em cada contexto e são ali entendidas socialmente como válidas. Queremos reforçar a ideia de que os homens nascem e são livres e iguais em direito. Este aspecto já aparece consolidado desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos proclamada pelas Nações Unidas em 1948, que reconhece legitimamente os direitos naturais e inalienáveis do homem e um conjunto de direitos sem os quais uma sociedade não subsiste.
Tendo realizado estas considerações, passamos a refletir sobre a cidadania nos marcos do estado democrático de direito no âmbito do pós-liberalismo. O que é ser cidadão nesse contexto? Os princípios contidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, ao serem reconhecidos internacionalmente, passam a ter cunho jurídico nos estados a partir de seu reconhecimento e institucionalização. Esses, aos adquirirem a força jurídica, saem do campo de
orientações éticas ou do entendimento do direito natural do ser humano e se incorporam ao conjunto dos direitos positivos que se vinculam em relações internas e externas do estado através de sua Constituição e leis. Nas normas jurídicas, os direitos humanos se tornam critério de orientação para implementação das políticas públicas que garantam a realização do direito a todos.
Pertencente ao pensamento do período contemporâneo e pós-moderno do século XX, Habermas se inclui no grupo de pensadores da Escola de Frankfurt, juntamente com Gramsci, Marcuse, Horkheimer, Adorno e Garandy. Habermas traz um tom de positividade para o entendimento da realização do projeto moderno formulado no tempo histórico do iluminismo. Em resposta ao resgate dos ideais de emancipação, frente à crise do modelo racionalista, o autor desenvolve teoria concebendo a razão e ação comunicativa como alternativa à ação instrumental e superação da razão iluminista que encobre a dominação. (HABERMAS, 2012b)
A teoria habermasia, ao identificar o poder da ação comunicativa como sendo capaz de estimular a ação so sujeito na sociedade, seja do ponto de vista simbólico ou nas manifestações racionais, apregoa que estas surgem em relação entre os homens no mundo. A racionalidade comunicativa conforme Habermas esclarece que, ao estimular o diálogo, favorece o conhecimento, e este poderá levar a uma maior ou menor compreensão da realidade vivenciada. Para Habermas (2012b) é por meio da interação entre alter e egos que a cultura se modifica no convívio social e acordos intersubjetivos. Nesta perspectiva, o sujeito possui além da ação a linguagem, por meio dos quais se chega ao entendimento e afirma sua identidade, entendida como personalidade.
A noção de racionalidade dialógica, introduzida e desenvolvida por Habermas (2012b), ao se fazer presente de sociedade moderna, alia a subjetividade do ser do mundo à objetividade das questões do mundo que se apresentam de forma objetiva e se transformam constantemente na sociedade. Conforme o autor, o diálogo é a dimensão que se instaura nessa relação, entendida como fonte de conhecimento, à medida que a argumentação se fundamenta e se desenvolve, proporcionando o entendimento mútuo dos sujeitos sociais e proporcionando tomada de decisão coletiva sobre estas questões a partir do consenso.
Tomando como significado geral da palavra ‘poder’ ela pode ser circunscrita como toda capacidade de ação que gera efeitos. O poder refere-se sempre a uma forma de relação, seja de força/dependência, configurando-se como relação de submissão/subordinação, seja de consenso/argumentação, assumindo características dialógicas. A primeira leva-nos a pensar na imposição de uma vontade seja entre indivíduos, seja entre instituições, mas de forma impositiva ou autoritária. A segunda leva-nos a entender a sua efetivação de maneira consensual, quando uma vontade é discutida, analisada e decidida coletivamente. As relações se estabelecem, mas com forma, meios e fins divergentes entre si.
Estudar o conceito de poder leva-nos a discutir a importância do diálogo e da comunicação, condições intrínsecas das relações sociais, políticas e culturais de determinada sociedade, cujo objetivo seja de atendimento às demandas sociais. O entendimento acerca desta dimensão nos permitirá estimular a reflexão sobre os impactos do poder na extensão da cidadania política - democracia - e, para além da democracia formal.
Nosso interesse nessa discussão é compreender em que medida esta dimensão é entendida no modelo de administração gerencial no estado de Pernambuco, o que envolveria a participação, priorizando a capacidade de argumentação, da expressão e decisão nas diretrizes políticas que se consolidam por meio da compreensão crítica, do debate intersubjetivo, do acesso à informação através da discussão e diálogo e da relação com o saber e, com o conhecimento que esses campos favorecem.
Nessa perspectiva focalizamos o poder dialógico abordado na teoria habermasiana, bem como as teorias que vem lhe conferindo amplitude acerca da ação comunicacional entre os sujeitos no mundo em que vivem e seus sistemas. O poder existente nas relações subjetivas e intersubjetivas, seja na centralidade ou descentralidade das ações dos sujeitos no mundo, deriva na sua gênese, das expectativas dos sujeitos. Por este entendimento, a teoria habermasiana fundamenta-o com base na justiça e razão (HABERMAS, 2012b). A racionalidade dos sujeitos configura-se através da forma discursiva na produção das decisões do debate público. Tal debate nos leva a discutir a categoria poder no campo das relações políticas, onde a democracia e seus
desdobramentos do modelo deliberativo se ancoram na possibilidade de produção dessas políticas.
É bem sabido que estes conceitos não são exclusivos da modernidade porque são categorias que acompanham o sujeito em seu tempo e no seu modo de vivência social. Em cada
ethos7 o desenvolvimento das condições subjetivas de vida permite ao sujeito ampliar ações de convivência e relações sob um determinado contexto sócio-humano. O que se pretende é identificar em que medida a utilização do poder dos sujeitos sociais é exercida em espaços públicos de deliberação em agendas públicas que, ao praticarem a democracia, possam efetivar sua ação de modo a tecer soluções coletivas para os problemas emergentes através do exercício pleno da expressão comunicativa.
Jürgen Habermas baseia-se no agir comunicativo em concordância com o conceito exposto por Arendt (1993, p.15) que define a ação como única atividade que se exerce diretamente sem mediação de coisas ou matérias. A ação é entendida na perspectiva da condição humana, incluindo-se a dimensão da pluralidade considerando que os homens8 vivem e coabitam. Argumenta a autora que os aspectos da condição humana estão intimamente ligados com alguma relação política e que a pluralidade é condição de vida no campo político.
Através da ação, se compõem corpos políticos, podendo assim a ação se encontrar relacionada com a possibilidade de criação e legitimação do exercício do poder. Em continuidade a este pensamento expressa a autora: “É com palavras e atos que nos inserimos no mundo humano; e esta inserção é como um segundo nascimento, no qual confirmamos e assumimos o fato original e singular do nosso aparecimento físico original” (op., cit, p. 189). A autora nos esclarece que a palavra não se impõe por necessidade e/ou utilidade como acontece no campo do trabalho. Nestes termos a palavra é estimulada e não condicionada pelo outro. O ímpeto da palavra “decorre do começo que vem ao mundo quando nascemos, e ao qual respondemos começando algo novo por nossa própria iniciativa” (op. cit., p.189).
7
Ethos entendido como valor de identidade social discutida por Jung Mo Sung e Josué Cândido da Silva (1995).
8 A autora citada chama atenção do termo “homens” no plural e não no singular, sob o entendimento de que a
Diante destes argumentos encontramos em Jürgen Habermas (2012b) a conceituação de poder cuja fonte de inspiração se deu em parte através do pensamento de Arendt. O autor buscou desenvolver uma teoria de sociedade cuja base é a dos que a compõem, ou seja, o cidadão. Para construir esse conceito o autor fundamenta sua teoria incluindo a possibilidade da ação dos sujeitos no mundo que contem suas relações e os sistemas que as regulam. Para o autor, o estado é mais um espaço entre outros onde o poder se constitui. O entendimento do mesmo sobre o poder, para além do estado, identifica os potenciais da ação dos sujeitos como garantia dos processos decisórios. Os sujeitos possuem um cotidiano estabelecido em dois mundos: o da vida e o do sistema e, nestes mundos o sujeito busca o entendimento através da ação comunicativa.
A ação comunicativa permeia a ordem societária e suas incertezas e as possibilidades de exercícios emancipatórios, são referências para o desenvolvimento de teorias críticas voltadas aos limites da modernidade que venham a contemplar resistências sociais a determinadas ações no âmbito do poder constituído ou instituído, possibilitando construções de respostas alternativas ao enfrentamento de suas questões.
Para Habermas (2012b, p.16) “A teoria da argumentação cobra aqui uma significação especial, posto que é a ela a quem compete a tarefa de reconstruir as pressuposições e condições pragmático-formais do comportamento explicitamente racional”. Desta forma o autor propõe recuperar a categoria ‘emancipação’ no contexto moderno e reascende o ideal da democracia com poder vinculado aos ideais de superação da ordem capitalista, estabelecendo no sujeito que age o aporte necessário desta superação.
Para Habermas (op. cit.) a sociedade se compõe do mundo sistêmico e mundo da vida. A esfera sistêmica, ou produção material de uma determinada sociedade, é regida pela lógica instrumental (meios e fins) que se incorpora nas relações hierárquicas do poder político e no intercâmbio de desenvolvimento econômico. O mundo da vida é a esfera da produção significante do símbolo, da linguagem e suas redes de significados que compõem uma determinada sociedade e sua visão de mundo no campo da ética e da moral. Assim, o agir comunicativo pertence à prática discursiva e este poder comunicacional pretende por fim às arbitrariedades e à coerção, a partir do senso de justiça da comunidade. Essa ação para exercer o
poder comunicacional, deverá ser exercida pela participação ativa dos cidadãos. O espaço do diálogo que surge no agir comunicativo ultrapassa os interesses individuais atingindo os objetivos de uma coletividade.
No mundo da vida cercado de fatos e normas, a discussão tem seu potencial de racionalidade em nível argumentativo de discurso com base em valores existenciais. No mundo de sistemas, os sujeitos são submetidos a valores extra-existenciais. Essa dimensão pode apresentar-se carregada de ação estratégica com regulação de interesses, não só os de ordem política. Assim explica que a coordenação da ação pode ser tematizada em diferentes pontos de vista. “Sob condição do agir orientado por valores, os atores buscam o consenso ou apóiam-se nele; sob condição do agir orientado por interesses, eles visam uma compreensão de interesses ou um compromisso” (HABERMAS, 2012b, p. 177-178). Para o autor, a prática do entendimento difere da prática da negociação pela finalidade. A união das finalidades gera consenso, o contrário tem-se o pacto. Neste sentido, o autor alerta que no caso da ação consensuada o predomínio das objetivações volta-se para assuntos de normas e valores e, no caso do pacto a objetivação envolve avaliação de situações de interesse (op., cit.). É incontestável a relação existente entre o mundo da vida e sistema em comunicação, seja de forma comunicativa ou estratégica. A relação de poder se estabelece no âmbito das relações subjetivas sob o alicerce da constituição do direito.
No mundo da vida são refletidas as decisões geradas no âmbito dos contextos social e sistêmico. A participação política se integra ao fluxo da comunicação pública que, para Habermas (2012a), se origina de uma cultura política cuja base permeia a liberdade e a igualdade. Para o autor, o direito do cidadão à autodeterminação inclui sua autoafirmação enquanto direito da própria forma de vida. Assim, na modernidade, a existência do direito depende da existência do poder. Ao analisar os fundamentos sociológicos da modernidade faz referência à superação do direito sagrado, fundado nas bases do antigo regime feudal, sob os auspícios do teocentrismo. Trata assim como a implosão da abóbada do direito sagrado que impunha-se a si mesmo, sendo surpreendido pela substituição racional do direito instaurado politicamente aliado ao poder instrumental. Neste sentido afirma o autor que o direito
instrumental recoloca a autoridade nas mãos do legislador político que passa a deter seus poderes. (HABERMAS, 2012, p. 185).
Discutindo as bases do poder na Modernidade, Habermas (op. cit.) nos ajuda a esclarecer que a existência do poder político para os iluministas advém do poder natural, concepção criticada pelo autor, afirmando que do contrário do que pregavam os filósofos liberais, a nova racionalidade moderna de base contratual não se adéqua a estes preceitos. Segundo Pinzani (2005) o instrumento de geração do poder político de Habermas pauta-se na teoria desenvolvida por Hannah Arendt onde o contrato não se funda numa sociedade política (contratualista), mas na criação de um espaço público no qual este poder se exerce na dimensão do poder comunicativo. Assim, a comunicação linguística e o diálogo sem coações externas são ponto de partida da teoria de Habermas que facultarão a perda da individualidade do sujeito (base liberal) e recuperação da autonomia da sociedade na perspectiva de superação. O paradigma da comunicação, que ressalta a intersubjetividade entre sujeitos capazes de comunicar-se e agir, busca o potencial de emancipação nos mundos vividos e no mundo cultural. A formação desse sujeito pensado em Habermas, autônomo e competente, capaz de discutir e reavaliar as normas da sociedade para sua revitalização presume, na dimensão da democracia, o exercício desta comunicação sem coação. É na democracia habermasiana aqui anunciada que se constrói a esfera pública, arena de desenvolvimento das relações comunicativas da sociedade, possibilitando a discussão de normas éticas, jurídicas e universais. O paradigma conceitual da democracia do mundo vivido dos homens tem por base o pressuposto da potencialidade dos seus membros e o direito da participação através do diálogo, condição de reorientação da dinâmica social da contemporaneidade.
Habermas, ao discutir a concepção de direito remete ao conceito de estado e, assim, toma como referência os movimentos populares que, desde o século XIX se insurgem contra as desigualdades estruturais produzidas pelo desenvolvimento econômico, gerando a demanda de políticas sociais com vistas à redistribuição de bens sociais. Nestes termos esclarece que: “O Estado é necessário como poder de organização, de sanção e de execução, porque os direitos têm que ser implantados, porque a comunidade de direito necessita de uma jurisdição organizada e de
uma força para estabilizar a identidade, e porque a formação da vontade política cria programas que tem que ser implementados.” (HABERMAS, 2012a, vol. I p. 171).
Nessa perspectiva o autor aponta para a constituição do direito. Para que o estado cumpra suas funções precisa de uma composição capaz de significá-lo a partir de uma estrutura lógica e funcional, o que é estabelecido pelo direito.
Ao emprestar forma jurídica ao poder político, o direito serve para a constituição de um código de poder binário. Quem dispõe de poder pode dar ordens aos outros. E, nesse sentido, o direito funciona como meio de organização do poder do Estado. Inversamente, o poder, na medida em que reforça as decisões judiciais, serve para a constituição de um código jurídico binário. Os tribunais decidem o que é direito e o que não é. Nessa medida, o poder serve para a institucionalização política do direito. (HABERMAS, 2012a, p. 182).
Neste sentido a institucionalização política do direito é também absorvida pelo estado. Como instrumento de equilíbrio social, o direito requer estabilização para as expectativas de comportamento, o que é realizado pelo estado por meio de seu poder político. A forma do direito por si só não é suficiente para atuação do poder administrativo do estado. O direito positivo garante a organização e a segurança, mas não garante a legitimidade democrática do exercício do poder administrativo. Essa legitimidade requerida ao poder político é analisada por Habermas, a partir da teoria de Hannah Arendt, já descrita anteriormente, por onde o autor denomina-a de poder comunicativo.
Este argumento nos auxilia a compreender o caso do Brasil, em que a Constituição de 1988 atribui direito às formas de organização democrática através da participação direta e indireta em complemento à primeira. Esta participação garantida legalmente tem seu poder de se fazer implementar por sua legitimidade.
O poder comunicativo normatizador propicia legitimidade ao direito porque as convicções advindas do discurso são compartilhadas na intersubjetividade dos sujeitos comunicantes e esta ação configura espaço com potencial gerador de poder e de uma nova realidade social. Nos discursos públicos o poder comunicativo se transforma em vontade comum. O poder comunicativo difere do poder formal na livre opinião da vontade que, associada à liberdade comunicativa, permite a cada um “fazer uso público de sua razão em todos os
sentidos”, faz valer a produtividade de um modo de pensar mais amplo, tendo por característica que “cada um atém o seu juízo ao juízo de outros possíveis, e se coloca no lugar de cada um dos outros”. (HABERMAS, 2012b, p. 213). Seguindo o mesmo pensamento, afirma que a soberania popular observa que todo poder político é deduzido do poder comunicativo dos cidadãos, onde estes manifestam suas vontades e opiniões, que posteriormente serão aceitas entre eles, mesmo que por meio de um sistema representacional. Assim, é necessária a institucionalização, por meio do direito, dos procedimentos de discussão pública.
Nestas condições, o estado democrático de direito objetiva garantir a participação do cidadão em espaços públicos livres onde se discutam os direitos e os projetos coletivos que venham a melhorar a sociedade. Habermas defende que a legitimidade desses espaços se dá pela racionalidade dos discursos e pelo exercício do poder comunicativo. Assim, o autor argumenta que
a organização do Estado de direito deve servir, em última instância, à auto-organização