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2.1 TIPO DE PESQUISA

Este estudo se caracterizou por uma pesquisa de ancoragem qualitativa do tipo exploratória e descritiva. A ancoragem qualitativa foi selecionada por ser considerada a mais adequada para a apreensão dos dados relacionados ao nosso objeto de estudo, assim como por ser a mais aconselhável para ser utilizada no campo da educação (LÜDKE; ANDRÉ, 1986). Essa abordagem se edifica no campo da subjetividade e do simbolismo, em que o fenômeno, no qual o pesquisador está interessado, diz respeito à compreensão das relações e atividades humanas com os significados a elas atribuídos (MINAYO; SANCHES, 1993). Por isso, a abordagem qualitativa é reconhecida por realizar uma aproximação fundamental e de intimidade entre sujeito e objeto (MINAYO; SANCHES, 1993). Segundo Granger (1982 apud MINAYO; SANCHES, 1993), um verdadeiro modelo qualitativo é capaz de descrever, compreender e explicar.

Quanto à pesquisa exploratória, esta busca levantar informações sobre um determinado objeto, delimitando um campo de trabalho e mapeando as condições da manifestação desse objeto, sendo indicada em investigações acerca de um tema ou perspectiva sobre os quais haja pouco conhecimento produzido (SEVERINO, 2007). Os estudos exploratórios também costumam ter uma tripla finalidade: 1) Desenvolver hipóteses; 2) Aumentar a familiaridade do pesquisador com um ambiente, fato ou fenômeno, para a realização de uma pesquisa futura mais precisa; 3) Modificar e clarificar conceitos (MARCONI; LAKATOS, 2005).

A pesquisa de caráter descritivo, por sua vez, traz a descrição das características de determinada população, bem como relações entre as variáveis, conforme menciona Gil (2002), buscando fornecer uma descrição detalhada da realidade, que permita conhecê-la, analisá-la e compreendê-la.

Assim, este estudo foi composto por revisão bibliográfica, levantamento de legislações e políticas educacionais, como também por pesquisa de campo.

A revisão bibliográfica foi realizada acerca das temáticas Terapia Ocupacional, ocupações infantis, desenvolvimento ocupacional e educação infantil, tal como descrito na seção 1.3 deste trabalho.

O levantamento de legislações e políticas educacionais realizado neste estudo foi referente às normativas oficiais que regem a Educação Infantil no Brasil, na

perspectiva da Educação Inclusiva. A busca das normativas foi realizada no site do Ministério da Educação e Cultura (MEC)3 e a sistematização dos dados foi realizada em

Planilha de catalogação das normativas oficiais da educação infantil na perspectiva inclusiva (cujo modelo consta no APÊNDICE C). Os dados derivados da análise destes documentos foram apresentados também na introdução e subsidiam análises seguintes nas categorias de discussão dos dados de pesquisa.

Finalizando os procedimentos metodológicos, foi realizada uma pesquisa

de campo, junto a professores e crianças vinculados às Instituições de Educação Infantil

mantidas pela Secretaria Municipal de Educação (SEMEC) de Belém (PA).

A pesquisa de campo tem como objetivo primordial conseguir informações e/ou conhecimentos acerca de um problema, bem como descobrir novos fenômenos ou as relações entre eles. Envolve a observação de fatos e fenômenos tal como ocorrem espontaneamente, na coleta de dados a eles referentes e no registro de variáveis relevantes para analisá-los (MARCONI; LAKATOS, 2005).

Segundo Severino (2007), é necessário que, na pesquisa de campo, o objeto seja abordado em seu meio ambiente próprio, nas condições naturais em que os fenômenos ocorrem, podendo, assim, serem diretamente observados, sem intervenção ou manuseio por parte do pesquisador.

Marconi e Lakatos (2005) listam como as seguintes vantagens da pesquisa de campo: a possibilidade de acúmulo de informações sobre determinado fenômeno, que também podem ser analisadas por outros pesquisadores, com objetivos diferentes; e a facilidade na obtenção da amostra a ser estudada. Como desvantagens, destacam o pequeno grau de controle sobre os procedimentos de coleta de dados e a possibilidade de que fatores, desconhecidos para o investigador, possam interferir nos resultados; assim como o risco do comportamento verbal ser relativamente de pouca confiança, pelo fato de os indivíduos poderem falsear suas respostas.

Alguns procedimentos podem ser adotados para minimizar e evitar essas desvantagens, como a inserção na realidade antes do início da coleta de dados, para gerar familiaridade do pesquisador com o campo e vice-versa e a adoção de técnicas criteriosas de observação e registro.

3 Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/pdde/195-secretarias-112877938/seb-educacao-basica-

2.2 LÓCUS DE PESQUISA

Para definição do lócus de pesquisa, de forma a contemplar amplamente a cidade de Belém (PA), consideramos a divisão administrativa do Município em 8 Distritos Administrativos, que organizam a cidade em oito grupamentos de bairros e regiões, segundo a Lei nº 7.682, de 05 de janeiro de 1994 (PREFEITURA DE BELÉM, 1994), demonstrados no Quadro 02 e na Figura 01, a seguir:

Quadro 02 - Distritos Administrativos da Região Metropolitana de Belém DISTRITO

ADMINISTRATIVO ABRANGÊNCIA

Distrito Administrativo de Belém (DABEL)

Abrange as seguintes áreas de grande parte dos bairros da Cidade Velha, Batista Campos, Nazaré, Umarizal, Reduto, Campina, São

Braz, Marco, e Comércio Distrito Administrativo

do Benguí (DABEN)

Abrange as seguintes áreas: Pratinho, Tapanã, São Clemente, Benguí, Cabanagem, Una, Coqueiro, e Parque Verde

Distrito Administrativo do Guamá (DAGUA)

Abrange as seguintes áreas de grande parte dos bairros do Guamá, Jurunas, Cremação, Canudos, Terra Firme, e Condor Distrito Administrativo

do Entroncamento (DAENT)

Abrange as seguintes áreas: Val-de-Cães, Marambaia, Marangueirão, Aurá, Entroncamento, Curió-Utinga, Universitário, Águas Lindas,

Guanabara e Souza. Distrito Administrativo

da Sacramenta (DASAC)

Abrange as seguintes áreas de grande parte dos bairros: Telégrafo, Fátima, Pedreira, Sacramenta, Barreiro, Maracangalha, e Miramar

Distrito Administrativo do Outeiro (DAOUT)

Abrange as seguintes Ilhas: Caratateua (Outeiro), Santa Cruz, Tatuoca, Cotijuba, Sem Nome, Coroinha Nova, Jutuba, Urubuoca,

Paquetá, Paquetá-Açu, sem Nome, Sem Nome,

Papagaios/Urubuocas/Jararaca, Barra dos Patos/Jararaquinha, Sem Nome, Sem Nome, Redonda/ Jararaca/Longa, Do Fortim da Barra,

Do cruzador, Do Paulo da Cunha Grande, Fortinho, Patos, Cintra/Maracujá, Marineira/Combu, Murutura/Murutucu,

Poticarvônia/Ilhinha, Patos/ Nova/Mirim e Negra Distrito Administrativo

de Icoaraci (DAICO)

Abrange as seguintes áreas de Icoaraci: Paracuri, Parque Guajará, Tenoné, Águas Negras, Agulha, Ponta Grossa, Cruzeiro, Campina,

Maguari e Maracacuera. Distrito Administrativo

de Mosqueiro (DAMOS)

Abrange as seguintes Ilhas: Mosqueiro, Pombas, Maracujá, Papagaio, Maruim I, e Maruim II, Sem Nome, Sem Nome, Sem Nome,

Cunuarí, Coroinha, Sem nome, e São Pedro. Fonte: Prefeitura de Belém (1994)

Figura 01 - Ilustração dos Distritos Administrativos da Região Metropolitana de Belém

Fonte: Documento oficial da Prefeitura de Belém, disponível em http://www.belem.pa.gov.br/planodiretor/Mapas/1b_Mapa-Distritos.pdf

Para este estudo, foram selecionados cinco Distritos Administrativos, devido estarem localizados na região mais urbana do Município de Belém: DABEL, DASAC, DABEN, DAENT e DAGUA.

Em seguida, o Centro de Referência em Inclusão Educacional Gabriel Lima Mendes (CRIE) da Secretaria Municipal de Educação (SEMEC) de Belém (PA) nos forneceu uma planilha das crianças PAEE regularmente matriculadas nas Unidades de Educação Infantil (UEI) desses cinco Distritos eleitos para a coleta de dados. Apenas o DABEL não possuía nenhuma criança que atendessem aos critérios de inclusão, portanto, este estudo foi realizado nos Distritos Administrativos DASAC, DABEN, DAENT e DAGUA. Foi selecionada uma UEI de cada Distrito e o lócus de pesquisa consistiu-se destas 4 UEI, denominadas UEI A, UEI B, UEI C e UEI D, para fins de não exposição das instituições, conforme o Quadro 03:

Quadro 03 - Codinomes das UEI selecionadas por Distrito Administrativo. DISTRITO ADMINISTRATIVO UEI SELECIONADA Distrito Administrativo do Benguí (DABEN) UEI A

Distrito Administrativo do Guamá (DAGUA) UEI B Distrito Administrativo do Entroncamento (DAENT) UEI C Distrito Administrativo da Sacramenta (DASAC) UEI D

Fonte: Elaboração própria (2018).

2.3 PARTICIPANTES

Três públicos-alvo constituíram a amostra desta pesquisa:

- Crianças público-alvo da Educação Especial (PAEE), regularmente matriculadas em Unidades de Educação Infantil (UEI) da SEMEC de Belém (PA), uma por UEI;

- Crianças de 4 e 5 anos, com desenvolvimento típico, regularmente matriculadas em Unidades de Educação Infantil (UEI) da SEMEC de Belém (PA), da mesma turma da criança PAEE selecionada em cada UEI;

- Professores(as) e estagiários(as), que acompanham essas crianças nas salas de aula regulares da Educação Infantil.

Os dados fornecidos pela Coordenação de Educação Infantil do Centro de Referência em Inclusão Educacional (CRIE) da SEMEC apontam que, no ano de 2016, havia 67 alunos PAEE matriculados na Educação Infantil. Na faixa etária de interesse desta pesquisa, havia 17 crianças com 4 anos e 17 crianças com 5 anos, totalizando 34 crianças na faixa etária preconizada para a inserção na educação infantil, segundo o Ministério da Educação brasileiro.

Foi selecionada uma UEI de cada Distrito, que tivesse uma criança PAEE que atendesse aos critérios de inclusão mencionados a seguir. A criança com desenvolvimento típico foi selecionada a partir de indicação da professora e de observação da pesquisadora, após essa definição inicial da criança PAEE, devido ser condição que ambas fossem da mesma sala de aula, com o intuito de conhecer o contexto de forma mais aprofundada por parte da pesquisadora.

O quantitativo total de participantes foi de 4 crianças com desenvolvimento típico (DT), 4 crianças PAEE, 4 professoras e uma estagiária, totalizando 13 pessoas. O Quadro 04 apresenta os participantes da pesquisa conforme UEI correspondente e codinome adotado para a preservação da identidade de cada um:

Quadro 04 - Participantes da pesquisa conforme as UEI selecionadas.

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