• Nenhum resultado encontrado

A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares

6.3 O conteúdo da política em âmbito nacional

6.3.1 A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares

A rede hospitalar do SUS, em João Pessoa (própria, conveniada e contratada) conta com 26 hospitais, que estão distribuídos da seguinte forma: 4 hospitais públicos municipais, 7 públicos estaduais, 1 público federal, 4 filantrópicos e 11 hospitais privados, apresentando uma capacidade instalada de 2185 leitos (SMSJP, 2013a).

A rede hospitalar própria é configurada a partir dos seguintes perfis assistenciais:

ginecologia e obstetrícia, clínica médica e cirurgias, clínica pediátrica e traumato-ortopedia de caráter eletivo e de urgências. O Instituto Cândida Vargas, o Hospital Santa Isabel, o Hospital do Valentina de Figueiredo e o Complexo Hospitalar de Mangabeira, respectivamente, atendem às demandas em cada um destes perfis assistenciais. As demais especialidades estão distribuídas nos outros serviços da rede pública, filantrópica e privada contratada (SMSJP, 2013a).

Compõem, ainda, a rede especializada, o Centro de Atenção Integral à Saúde da Pessoa Idosa, o Laboratório Central Municipal e o Centro de Testagem e Aconselhamento em DST-AIDS. A rede de saúde mental é composta pelos Centros de Atendimento Psicossocial (CAPS) III Gutemberg Botelho, CAPS II Caminhar, CAPS I Cirandar, CAPS Álcool e Droga David Capistrano, bem como o Pronto Atendimento em Saúde Mental. Também constitui a rede especializada, o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador Regional, dirigido para as ações referentes à saúde do trabalhador, em consonância com os princípios e diretrizes da Rede Nacional de Saúde do Trabalhador (SMSJP, 2013a).

Cabe ressaltar que a atenção especializada também é ofertada em ambulatórios dos hospitais municipais: Complexo Hospitalar de Mangabeira; Instituto Cândida Vargas, Hospital Municipal Santa Isabel e Hospital Municipal Valentina de Figuereido.

Os hospitais estaduais e filantrópicos de João Pessoa oferecem também atenção especializada, complementada pela rede contratada.

Fitoterapia, a Homeopatia, a Medicina Tradicional Chinesa/Acupuntura e o Termalismo/Crenoterapia.

No mesmo ano, através do Decreto da Presidência da República Nº. 5.813, de 22 de junho, foi criada a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF).

Estas duas políticas, conformaram, em âmbito nacional, uma política para a implementação da Fitoterapia no SUS. No entanto, por serem documentos legais genéricos, a publicação da PNPIC e da PNPMF criou a necessidade de medidas complementares que tratassem de variados aspectos da política.

A partir de então, programas e ações foram implementados, como o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, a Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse do SUS (RENISUS), a inserção de medicamentos fitoterápicos na assistência farmacêutica básica, o Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, as Farmácias Vivas, além de resoluções da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Brasileira (ANVISA) relacionadas à Fitoterapia, com destaque para a que trata do registro de medicamentos fitoterápicos, atualmente a RDC 14/2010.

A PNPIC, por abranger diversas Práticas Integrativas e Complementares (PIC) tem objetivos genéricos, sem especificação para cada prática integrativa.

São objetivos da PNPIC:

Incorporar e implementar a PNPIC no SUS, na perspectiva da prevenção de agravos e da promoção e recuperação da saúde, com ênfase na atenção básica, voltada para o cuidado continuado, humanizado e integral em saúde;

Contribuir para o aumento da resolubilidade do sistema e ampliação do acesso à PNPIC, garantindo qualidade, eficácia, eficiência e segurança no uso;

Promover a racionalização das ações de saúde, estimulando alternativas inovadoras e socialmente contributivas ao desenvolvimento sustentável de comunidades;

Estimular as ações referentes ao controle/participação social, promovendo o envolvimento responsável e continuado dos usuários, gestores e trabalhadores nas diferentes instâncias de efetivação das políticas de saúde (BRASIL, 2006b, pág. 24).

Baseado na compreensão de que cada objetivo da PNPIC se aplica a todas as práticas nela contidas, pode-se afirmar que a implementação da Fitoterapia no SUS visa

ao fortalecimento da integralidade do cuidado, numa perspectiva humanizada, em oposição à prática majoritária focada na doença, tratando o indivíduo de forma segmentada.

A Fitoterapia pode ser usada em todos os níveis de atenção à saúde, mas é na atenção básica que está a sua prioridade, prevendo agravos, promovendo e recuperando a saúde (BRASIL, 2006a). Portanto, é a ESF, o espaço mais adequado para a utilização da Fitoterapia, já que é para a ESF que se dirige a população para o tratamento de suas doenças mais corriqueiras. E é para este tipo de doenças que a população usa as plantas medicinais.

Por ser uma forma de tratamento, culturalmente arraigada na população e de mais fácil acesso, a implementação da Fitoterapia objetiva aumentar a resolubilidade do sistema e que seu uso seja feito com qualidade, eficácia, eficiência e segurança.

A implementação da Fitoterapia e demais práticas integrativas vai além da oferta de formas de tratamento diferentes, pois visa a outros resultados como o estimulo de alternativas inovadoras e que contribuam para o desenvolvimento sustentável. Na Fitoterapia, este objetivo é mais marcante visto que a implementação implica o uso da rica biodiversidade brasileira em uma perspectiva preservacionista e cria uma extensa cadeia produtiva, compostas por diversas fases nas quais podem ser gerados empregos e renda (BRASIL, 2006a).

Paralelo a isto, a produção de insumos e medicamentos fitoterápicos estimula a realização de pesquisas científicas e a inovação tecnológica que fortalecem as universidades, os centros de pesquisas e a indústria nacional (BRASIL, 2006a).

Sendo a participação popular um dos princípios do SUS (BRASIL, 1990), a implementação da Fitoterapia pressupõe um rico processo de discussão e decisão, envolvendo os usuários, os gestores e profissionais de saúde.

Em relação aos usuários, a implementação da Fitoterapia pode incrementar, substancialmente, a participação popular no dia a dia dos serviços visto que eles têm uma rica experiência de uso, o que proporciona o sentimento de domínio do conhecimento sobre as plantas medicinais, o que é importante para a participação qualificada na discussão do tema.

Diferente do que ocorre em relação aos objetivos, quando a PNPIC aborda o desenvolvimento das diretrizes, o faz de forma individualizada. Em relação à Fitoterapia, a PNPIC elenca nove diretrizes. São elas:

1- Elaboração da Relação Nacional de Plantas Medicinais e da Relação Nacional de Fitoterápicos;

2- Provimento do acesso às plantas medicinais e a fitoterápicos aos usuários do SUS;

3- Formação e educação permanente dos profissionais de saúde em plantas medicinais e Fitoterapia;

4- Acompanhamento e avaliação da inserção e implementação das plantas medicinais e Fitoterapia no SUS;

5-Fortalecimento e ampliação da participação popular e do controle social;

6- Estabelecimento de política de financiamento para o desenvolvimento de ações voltadas à implantação das plantas medicinais e da Fitoterapia no SUS;

7- Incentivo à pesquisa e desenvolvimento de plantas medicinais e de fitoterápicos, priorizando a biodiversidade do País;

8- Promoção do uso racional de plantas medicinais e dos fitoterápicos no SUS;

9- Garantia do monitoramento da qualidade dos fitoterápicos pelo sistema Nacional de Vigilância Sanitária. (BRASIL, 2006b. págs.45-55)

Estas diretrizes apontam caminhos importantes para superar dificuldades para a implementação da Fitoterapia no SUS. Tendo em vista que as dezessete diretrizes da PNPMF contemplam quase todos os aspectos contidos nas nove diretrizes da PNPIC, em relação a estas, apontaremos apenas o que é mais relevante.

Entre as diretrizes da PNPIC, podemos destacar a elaboração da Relação Nacional de Plantas Medicinais (RENAPLAN) e da Relação Nacional de Fitoterápicos (RENAFITO) e a formação e a educação permanente dos profissionais de saúde em plantas medicinais e Fitoterapia como forma de expandir o conhecimento e o uso das plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos entre os profissionais de saúde (BRASIL, 2006b).

A formação de profissionais de saúde com conhecimento suficiente para usar a Fitoterapia como forma de tratamento é uma necessidade posta pela implementação da política. Atualmente, os cursos da área de saúde que têm o ensino da Fitoterapia no seu currículo ainda são poucos diante das necessidades da política, embora haja um crescimento neste sentido.

Como decorrência deste fato, os profissionais de saúde egressos das universidades não têm o necessário preparo para utilizar as plantas medicinais e os medicamentos fitoterápicos, daí porque é importante a diretriz que recomenda a formação e a educação permanente dos profissionais de saúde em plantas medicinais e em Fitoterapia.

Tendo em vista que a formação e a educação permanente dos profissionais de saúde constituem um processo que demanda tempo e abrangerá um número restrito de profissionais, a RENAPLAN e a RENAFITO ajudam ao profissional de saúde a usar a Fitoterapia já que as plantas medicinais e os medicamentos fitoterápicos constantes nestas relações têm a sua eficácia e a sua segurança chanceladas pelos estudiosos da Fitoterapia, responsáveis por sua elaboração.