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A POSSIBILIDADE DE O JUIZ REVOGAR OU MODIFICAR A

No documento A TUTELA ANTECIPATÓRIA: LIMITES E EFEITOS (páginas 57-71)

3 TUTELA ANTECIPATÓRIA: LIMITES E EFEITOS

3.3 A POSSIBILIDADE DE O JUIZ REVOGAR OU MODIFICAR A

3.3 A POSSIBILIDADE DE O JUIZ REVOGAR OU MODIFICAR A DECISÃO

ANTECIPATÓRIA DEPOIS DE PROFERIR A SENTENÇA DE MÉRITO

O parágrafo 4º, do artigo 273, do Código de Processo Civil diz que “a tutela

antecipada poderá ser revogada ou modificada a qualquer tempo, em decisão

fundamentada”.

Para Olvídio A. Baptista da Silva132, o legislador reformista de 1994 exagerou

no que se refere à precariedade do provimento antecipatório, dispondo que a tutela

antecipada poderá ser revogada ou modificada a qualquer tempo, exigindo apenas

que a modificação ou revogação se faça em decisão fundamentada. No seu pensar,

“as medidas antecipatórias não devem ter sua estabilidade tão ou mais precária do

que o seriam as medida cautelares”, recomendando o condicionamento da

modificação ou revogação da tutela antecipada à ocorrência de modificações nas

circunstâncias. Nesse sentido:

condenação no processo em que o autor patrocinou os interesses do réu, como forma de garantir

futuro eventual pagamento de honorários advocatícios” (BRASIL, Jurisprudência. Agravo de

Instrumento nº 1279478007. Trigésima Primeira Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça do

Estado de São Paulo. Relator: Antonio Rigolin. Julgado em 23 de junho de 2009. Publicado no DJ de

24 de julho de 2009. Disponível em: <http://esaj.tj.sp.gov.br>. Acesso em: 17 ago. 2009); “ementa:

Agravo de Instrumento. Prestação de serviços. Contrato de criopreservação de esperma. Pedido

incerto e indeterminado. Possibilidade de o autor explicitar o an debeatur e o quantum debeatur.

Emenda da inicial. Necessidade. Fixação dos danos morais deixada ao prudente arbítrio do juiz. Valor

da causa que deve abarcar ao menos o valor perseguido a título de indenização por danos materiais.

Antecipação da tutela. Providência pleiteada que não consiste em antecipação do pedido final

pleiteado. Fungibilidade das tutelas de urgência. Artigo 273, parágrafo 7°, do Código de Processo

Civil. Impossibilidade de aplicação. Providência pleiteada que não se destina a assegurar a tutela final

pretendida. Recurso improvido (BRASIL, Jurisprudência. Agravo de Instrumento nº 1243952003.

Trigésima Segunda Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Relator:

Walter Cesar Exner. Julgado em 18 de junho de 2009. Publicado no DJ de 23 de julho de 2009.

Disponível em: <http://esaj.tj.sp.gov.br>. Acesso em: 17 ago. 2009). Neste último caso, entendeu-se

que se a providência requerida não compõe a tutela jurisdicional buscada, não pode ser objeto de

antecipação, sendo inviável, também, a aplicação do disposto no artigo 273, parágrafo 7º, do Código

de Processo Civil, haja vista que as medidas requeridas não se prestam a assegurar o resultado

prático da tutela jurisdicional eventualmente concedida ao final que, como visto, limitar-se-á à

indenização por danos materiais e morais, em caso de decisão favorável ao demandante.

131

MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz. Op. cit., p. 271.

132

Parece, todavia, que se deve entender que esta modificação só pode ter

lugar se a situação de fato subjacente ao processo também se alterar e fizer

com que, por exemplo, desapareçam os pressupostos da manutenção da

medida concedida ou surjam os pressupostos que determinem sua

concessão. Assim, e mais rigorosamente, não se poderá dizer que a

decisão terá sido propriamente alterada, mas o que terá havido terá sido a

prolação de outra decisão, para outra situação

133

.

Conforme Maria Fátima Vaquero Ramalho Leyser134:

A revogação ou modificação da tutela antecipada será admitida, quando

surgirem fatos novos, podendo a alteração ser quantitativa, observados

sempre os limites do pedido inicial, vale dizer, concedida integralmente a

antecipação da tutela, pode-se mostrar ao magistrado a procedência

apenas parcial do pedido contrario sensu, concedida a antecipação parcial,

demonstra·se posteriormente a verossimilhança total do pedido. A

modificação qualitativa é espécie rara.

Ademais, “a modificação da tutela antecipada não pode ser realizada de ofício

pelo juiz, mesmo que a situação tenha se alterado, somente sendo admissível

quando ocorrer provocação da parte, como a interposição de recurso”135

.

Quanto à possibilidade de modificação do requerimento de tutela

antecipatória, o Superior Tribunal de Justiça entende que a medida antecipatória é

conferida à base de cognição sumária e de juízo de mera verossimilhança, com

efeito, por não representar pronunciamento definitivo, mas provisório, a respeito do

direito afirmado na demanda, é medida, nesse aspecto, sujeita a modificação a

qualquer tempo, devendo ser confirmadas ou revogadas pela sentença final.

Ementa: processual civil. Inteligência do artigo 273, do Código de Processo

Civil. Recurso não conhecido. I - A extensão do pedido de tutela antecipada

pode ser alterada pelo autor, desde que observado o requerimento

formulado na petição inicial. Assim, pode o autor requerer a antecipação de

parte da tutela, e depois - mas antes da prolação da sentença - pedir a

antecipação da tutela jurisdicional em sua totalidade. O nosso ordenamento

jurídico não é infenso à modificação do requerimento de tutela antecipatória.

O que não é possível é o pedido de antecipação ser mais amplo do que o

requerimento final de tutela jurisdicional. II - Recurso especial não

conhecido

136

.

133

Teresa Arruda Alvim Wambier apud FRUTUOSO, Cecília Rodrigues. A tutela antecipada com

relação à parte incontroversa da demanda. In: Jus Navigandi, Teresina, ano 6, nº 58, ago. 2002.

Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=3059>. Acesso em: 17 ago. 2009. p. 1.

134

LEYSER, Maria Fátima Vaquero Ramalho. Breves apontamentos sobre a tutela antecipada. In:

Justitia, 58 (175), p. 60-65. São Paulo, jul./set., 1996. p. 64.

135

FRUTUOSO, Cecília Rodrigues. Op. cit., p. 1. Em sentido diverso: “a revogação pode ser

decretada de ofício pelo juiz, pelo mero exercício do·poder de dirigir o processo” (LEYSER, Maria

Fátima Vaquero Ramalho. Op. cit., p. 64).

136

BRASIL, Jurisprudência. Recurso Especial nº 172102/RS (1998/0030068-6). Segunda Turma do

Superior Tribunal de Justiça. Relator: Adhemar Maciel. Julgado em 17 de setembro de 1998.

Publicado no DJ de 19 de outubro de 1999, p. 72. Disponível em: <http://www.stj.gov.br>. Acesso em:

23 abr. 2009.

Portanto, o juiz pode revogar ou modificar a decisão antecipatória, a pedido

da parte e dentro dos limites do pedido formulado na inicial.

3.4 DISCUSSÃO SOBRE A CONCESSÃO DE TUTELA ANTECIPATÓRIA PARA

ALÉM DOS LIMITES LEGAIS

Sobre a questão da concessão de tutela antecipatória para além dos limites

legais e seus efeitos perniciosos à prestação jurisdicional de qualidade, o Superior

Tribunal de Justiça já decidiu que o juiz não pode deferir pedido de tutela

antecipatória que exceda os limites legais:

Ementa: Processual civil. Recurso especial. Administrativo. Ação civil

pública. Proteção ao meio ambiente. Estudo prévio de impacto ambiental.

Relatório de impacto ambiental. Desnecessidade no caso concreto. 1. O

Estudo Prévio de Impacto Ambiental revela exigência administrativa que não

se coaduna com o funcionamento de empresa instalada há mais de três

décadas, conjurando, a um só tempo, a evidência do direito e o periculum in

mora (artigo 273, do Código de Processo Civil). 2. Deveras, sobressai

carente de prova inequívoca a ação que visa à referida exigência legal

instituída após uma década da instalação da empresa, por isso que, in casu,

através de cognição exauriente e no curso da lide, prova técnica, sob

contraditório, encerra meio pertinente à aferição da verossimilhança da

alegação. 3. É defeso ao juiz, em nome do poder geral de cautela, deferir

medida antecipatória satisfativa, porquanto diversos os requisitos para a

concessão da tutela jurisdicionais referidas. É que a tutela cautelar reclama

aparência (fumus boni juris), e a tutela satisfativa, evidência (prova

inequívoca conducente à verossimilhança da alegação). 4. A fungibilidade

dos requisitos viola o artigo 273, do Código de Processo Civil, tanto mais

que, in casu, a tutela antecipada visa à estagnação das atividades da

empresa, caso não apresente o Estudo Prévio, sendo certo que a atividade

resta exercida por trinta e sete anos. 5. Recurso Especial provido

137

(grifo do

original)

Não se permite, destarte, a concessão de tutela antecipada para além dos

limites legais: “ementa: agravo de instrumento. Decisão que deferiu tutela antecipada

para sustar protesto de título. Não preenchimento dos requisitos legais. Tutela

antecipada cassada. Recurso provido”138

. No mesmo sentido: “ementa: agravo de

137

BRASIL, Jurisprudência. Recurso Especial nº 7666236/PR (2005/0114786-7). Primeira Turma do

Superior Tribunal de Justiça. Relator: Francisco Falcão (vencido) e Luiz Fux. Julgado em 11 de

dezembro de 2007. Publicado no DJe de 04 de agosto de 2008. Disponível em:

<http://www.stj.gov.br>. Acesso em: 23 abr. 2009.

138

BRASIL, Jurisprudência. Agravo de Instrumento nº 7372059500. Trigésima Oitava Câmara de

Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Relator: Camilo Léllis dos Santos

Almeida. Julgado em 05 de agosto de 2009. Publicado no DJ de 14 de agosto de 2009. Disponível

em: <http://www.tj.sp.gov.br>. Acesso em: 17 ago. 2009.

instrumento. Tutela antecipada negada. Ausência dos requisitos ensejadores da

medida. Poder geral de cautela do juiz. Recurso improvido”139

.

No entendimento do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo:

Ementa: Tutela antecipada. Requisitos. Pretensão em abstenção/exclusão

de anotação do nome da autora em instituições protetoras do crédito -

Indeferimento objeto do recurso. Admissibilidade. Possibilidade da

concessão da tutela apenas se houvesse prestado caução ou depósito do

valor em discussão. Inadimplência reconhecida. Possibilidade de anotação,

desde que verificada a mora. Recurso improvido

140

.

Do corpo do voto do relator Heraldo de Oliveira extrai-se o seguinte

argumento:

Cabe esclarecer por primeiro, que a tutela antecipada é a entrega provisória

da prestação jurisdicional a quem preenche os requisitos escritos na lei

processual e não estabeleceu especificidade quanto à qualidade das partes,

e tem objetivo de entregar ao autor, total ou parcialmente, a própria

pretensão deduzida em Juízo, ou os seus efeitos. Para tanto, o requerente

da tutela deve demonstrar de forma inequívoca a verossimilhança das

alegações feitas, ou mesmo demonstrar o abuso do direito de defesa.

Em outra ocasião, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo entendeu

que para a antecipação da tutela, além da verossimilhança e da prova inequívoca, é

preciso demonstrar o risco de dano irreparável ou de difícil reparação, no limite do

razoável e com atenção à possibilidade de ocasionar irreversibilidade:

Ementa: Agravo de Instrumento. Pretendida antecipação da tutela.

Descabimento. Ausência dos requisitos do artigo 273 do Código de

Processo Civil. Demonstração da irreversibilidade do efeito antecipatório e

da ausência da verossimilhança das alegações e da inequivocidade da

prova. Necessidade de melhor esclarecimento da matéria controvertida no

curso da instrução. Agravo não provido

141

.

Ao lado da tutela antecipada baseada no juízo de probabilidade, e, por

natureza, provisória, na forma da Lei no 8.952, de 13 de dezembro de 1994, o

legislador reformista introduziu no artigo 273, os parágrafos 6º e 7º, por meio da Lei

nº 10.444, de 07 de maio de 2002, uma nova hipótese de prestação de tutela

antecipada, fundamentada em juízo de certeza e que, por isso, não é provisória,

139

BRASIL, Jurisprudência. Agravo de Instrumento nº 7371297100. Trigésima Oitava Câmara de

Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Relator: Camilo Léllis dos Santos

Almeida. Julgado em 05 de agosto de 2009. Publicado no DJ de 14 de agosto de 2009. Disponível

em: <http://www.tj.sp.gov.br>. Acesso em: 17 ago. 2009.

140

BRASIL, Jurisprudência. Agravo de Instrumento nº 7333715000. Décima Terceira Câmara de

Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Relator: Heraldo de Oliveira. Julgado

em 18 de março de 2009. Publicado no DJ de 14 de abril de 2009. Disponível em:

<http://www.tj.sp.gov.br>. Acesso em: 23 abr. 2009.

141

BRASIL, Jurisprudência. Agravo de Instrumento nº 6207184200. Sexta Câmara de Direito

Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Relator: Sebastião Carlos Garcia. Julgado

em 05 de março de 2009. Publicado no DJ de 20 de março de 2009. Disponível em:

<http://www.tj.sp.gov.br>. Acesso em: 17 ago. 2009.

mas definitiva, “não podendo ser revogada nem modificada posteriormente pelo juiz,

sendo possível apenas ao tribunal, em julgamento de recurso, cassar ou reformar a

decisão que a concedeu”142

.

Desta feita, para não transformar o efeito satisfativo da tutela antecipatória em

regra geral, procedimento que afrontaria em alguma forma a garantia do devido

processo legal e seus princípios, a concessão de tal medida pelo juiz deverá ser

pautada em prova inequívoca do alegado na petição inicial.

Em suma, a tutela antecipada se preocupa em proporcionar ao autor o

resultado prático que procura obter através da própria tutela final. Trata-se de

medida satisfativa, marcada, em regra, pela provisoriedade. Dentre seus escopos

está o de dar efetividade ao princípio da tempestividade, na medida em que distribui

o ônus do tempo entre as partes, observando para tanto a plausibilidade do direito

alegado por estas.

142

CONCLUSÃO

Ao final desse estudo conclui-se que a tutela antecipatória permite a obtenção

de uma tutela satisfativa com celeridade, no bojo do processo de conhecimento, com

base no juízo de probabilidade.

Acerca da questão das diferenças e semelhanças entre a antecipação da

tutela e a liminar em cautelar, confirma-se o entendimento de que a tutela cautelar é

uma tutela eminentemente de garantia, não permitindo a concessão de tutela

satisfativa, enquanto que a tutela antecipatória é uma forma de jurisdicional

satisfativa, não-cautelar. Apesar das características comuns e da identidade quanto

à função constitucional que exercem, as medidas cautelares e as antecipatórias são

tecnicamente diferentes, sendo que a identificação de seus traços distintivos ganha

relevo em face da autonomia de regime processual e procedimental que lhes foi

atribuída pelo legislador.

Sobre um possível esvaziamento das tutelas cautelares em razão da

instituição da tutela jurisdicional antecipada, acredita-se que apesar da possibilidade

de antecipação dos efeitos da tutela, a lei não decretou e a doutrina em geral não

reconhece o fim das medidas ou do processo cautelar, que continua sendo utilizado

como antes em alguns casos. Trata-se de duas opções oferecidas aos

jurisdicionados, que podem escolher aquela que melhor satisfaça suas pretensões.

A tutela antecipatória é regida pelo artigo 273, do Código de Processo Civil,

tem como finalidade principal dar efetividade ao princípio da tempestividade, por

meio da distribuição do tempo entre as partes, levando em conta, para tal intento, a

plausibilidade do direito alegado e, em termos legais, é concebida como a

possibilidade de o juiz, a requerimento da parte, antecipar, total ou parcialmente, os

efeitos da tutela pretendida no pedido inicial.

Para tanto, além do requisito do requerimento da parte e da existência de

prova inequívoca capaz de convencer o juiz da verossimilhança da alegação, o

legislador enumera como pressupostos à concessão da tutela antecipatória, o

fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação ou a caracterização do

abuso de direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório do réu. Também

figuram como pressupostos à concessão da tutela em apreço a possibilidade de

reversibilidade do provimento antecipado e quando um ou mais dos pedidos

cumulados, ou parcela deles, mostrar-se incontroverso.

Sejam quais forem às situações, a decisão judicial de antecipação deverá ser

fundamentada com as razões de convencimento do julgador. No caso de requisição

de providência de natureza cautelar, a título de antecipação de tutela, e se presentes

os respectivos pressupostos, o juiz poderá deferir a medida cautelar em caráter

incidental do processo ajuizado, assegurando-se ao demandado, desse modo, o

contraditório, com produção de prova e sentença.

Destarte, a concessão ou não da tutela antecipatória exige do juiz a

realização de uma sequencia de atos procedimentais assim sintetizados: por

primeiro deverá verificar se existe prova inequívoca suficiente para convencê-lo da

verossimilhança da alegação, podendo tomar uma das seguintes decisões: a) se

não verificar essa prova, decide pela denegação da antecipação e manda prosseguir

nos trâmites normais; e b) se ficar convencido da verossimilhança da alegação,

antes de decidir se concede ou não a antecipação requerida pela parte, deve

verificar a presença de pelo menos uma das seguintes hipóteses: efetivo receio de

dano irreparável ou de difícil reparação; ou abuso de direito de defesa ou manifesto

propósito protelatório do réu; a possibilidade de reversibilidade do provimento

antecipado e quando um ou mais dos pedidos cumulados, ou parcela deles,

mostrar-se incontroverso.

Portanto, para a concessão da tutela antecipatória não é suficiente a

existência de prova inequívoca indicadora de verossimilhança, mas trata-se de um

pré-requisito concorrente inafastável.

Ademais, os requisitos para a concessão da tutela antecipatória estão

expressos no texto do artigo 273 de modo bastante claro, no entanto, é

imprescindível que se faça a devida interpretação a partir dos princípios da

razoabilidade e da proporcionalidade, de modo que o fato de a medida, num

determinado caso, ser irreversível não impossibilite sua concessão se estivermos

diante de um direito evidente ou urgente. A mesma interpretação deve ser dada ao

requisito da prova inequívoca.

Não se pode olvidar que as regras e princípios que norteiam o julgador na

concessão ou não da tutela antecipatória fazem parte de um conjunto de normas

jurídicas interdependentes e escalonadas a partir da Constituição Federal de 1988,

sendo que o juiz não pode abrir mão dos modernos métodos interpretativos do

sistema jurídico brasileiro fundado em garantias constitucionalmente asseguradas.

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