3 TUTELA ANTECIPATÓRIA: LIMITES E EFEITOS
3.3 A POSSIBILIDADE DE O JUIZ REVOGAR OU MODIFICAR A
3.3 A POSSIBILIDADE DE O JUIZ REVOGAR OU MODIFICAR A DECISÃO
ANTECIPATÓRIA DEPOIS DE PROFERIR A SENTENÇA DE MÉRITO
O parágrafo 4º, do artigo 273, do Código de Processo Civil diz que “a tutela
antecipada poderá ser revogada ou modificada a qualquer tempo, em decisão
fundamentada”.
Para Olvídio A. Baptista da Silva132, o legislador reformista de 1994 exagerou
no que se refere à precariedade do provimento antecipatório, dispondo que a tutela
antecipada poderá ser revogada ou modificada a qualquer tempo, exigindo apenas
que a modificação ou revogação se faça em decisão fundamentada. No seu pensar,
“as medidas antecipatórias não devem ter sua estabilidade tão ou mais precária do
que o seriam as medida cautelares”, recomendando o condicionamento da
modificação ou revogação da tutela antecipada à ocorrência de modificações nas
circunstâncias. Nesse sentido:
condenação no processo em que o autor patrocinou os interesses do réu, como forma de garantir
futuro eventual pagamento de honorários advocatícios” (BRASIL, Jurisprudência. Agravo de
Instrumento nº 1279478007. Trigésima Primeira Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça do
Estado de São Paulo. Relator: Antonio Rigolin. Julgado em 23 de junho de 2009. Publicado no DJ de
24 de julho de 2009. Disponível em: <http://esaj.tj.sp.gov.br>. Acesso em: 17 ago. 2009); “ementa:
Agravo de Instrumento. Prestação de serviços. Contrato de criopreservação de esperma. Pedido
incerto e indeterminado. Possibilidade de o autor explicitar o an debeatur e o quantum debeatur.
Emenda da inicial. Necessidade. Fixação dos danos morais deixada ao prudente arbítrio do juiz. Valor
da causa que deve abarcar ao menos o valor perseguido a título de indenização por danos materiais.
Antecipação da tutela. Providência pleiteada que não consiste em antecipação do pedido final
pleiteado. Fungibilidade das tutelas de urgência. Artigo 273, parágrafo 7°, do Código de Processo
Civil. Impossibilidade de aplicação. Providência pleiteada que não se destina a assegurar a tutela final
pretendida. Recurso improvido (BRASIL, Jurisprudência. Agravo de Instrumento nº 1243952003.
Trigésima Segunda Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Relator:
Walter Cesar Exner. Julgado em 18 de junho de 2009. Publicado no DJ de 23 de julho de 2009.
Disponível em: <http://esaj.tj.sp.gov.br>. Acesso em: 17 ago. 2009). Neste último caso, entendeu-se
que se a providência requerida não compõe a tutela jurisdicional buscada, não pode ser objeto de
antecipação, sendo inviável, também, a aplicação do disposto no artigo 273, parágrafo 7º, do Código
de Processo Civil, haja vista que as medidas requeridas não se prestam a assegurar o resultado
prático da tutela jurisdicional eventualmente concedida ao final que, como visto, limitar-se-á à
indenização por danos materiais e morais, em caso de decisão favorável ao demandante.
131
MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz. Op. cit., p. 271.
132
Parece, todavia, que se deve entender que esta modificação só pode ter
lugar se a situação de fato subjacente ao processo também se alterar e fizer
com que, por exemplo, desapareçam os pressupostos da manutenção da
medida concedida ou surjam os pressupostos que determinem sua
concessão. Assim, e mais rigorosamente, não se poderá dizer que a
decisão terá sido propriamente alterada, mas o que terá havido terá sido a
prolação de outra decisão, para outra situação
133.
Conforme Maria Fátima Vaquero Ramalho Leyser134:
A revogação ou modificação da tutela antecipada será admitida, quando
surgirem fatos novos, podendo a alteração ser quantitativa, observados
sempre os limites do pedido inicial, vale dizer, concedida integralmente a
antecipação da tutela, pode-se mostrar ao magistrado a procedência
apenas parcial do pedido contrario sensu, concedida a antecipação parcial,
demonstra·se posteriormente a verossimilhança total do pedido. A
modificação qualitativa é espécie rara.
Ademais, “a modificação da tutela antecipada não pode ser realizada de ofício
pelo juiz, mesmo que a situação tenha se alterado, somente sendo admissível
quando ocorrer provocação da parte, como a interposição de recurso”135
.
Quanto à possibilidade de modificação do requerimento de tutela
antecipatória, o Superior Tribunal de Justiça entende que a medida antecipatória é
conferida à base de cognição sumária e de juízo de mera verossimilhança, com
efeito, por não representar pronunciamento definitivo, mas provisório, a respeito do
direito afirmado na demanda, é medida, nesse aspecto, sujeita a modificação a
qualquer tempo, devendo ser confirmadas ou revogadas pela sentença final.
Ementa: processual civil. Inteligência do artigo 273, do Código de Processo
Civil. Recurso não conhecido. I - A extensão do pedido de tutela antecipada
pode ser alterada pelo autor, desde que observado o requerimento
formulado na petição inicial. Assim, pode o autor requerer a antecipação de
parte da tutela, e depois - mas antes da prolação da sentença - pedir a
antecipação da tutela jurisdicional em sua totalidade. O nosso ordenamento
jurídico não é infenso à modificação do requerimento de tutela antecipatória.
O que não é possível é o pedido de antecipação ser mais amplo do que o
requerimento final de tutela jurisdicional. II - Recurso especial não
conhecido
136.
133
Teresa Arruda Alvim Wambier apud FRUTUOSO, Cecília Rodrigues. A tutela antecipada com
relação à parte incontroversa da demanda. In: Jus Navigandi, Teresina, ano 6, nº 58, ago. 2002.
Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=3059>. Acesso em: 17 ago. 2009. p. 1.
134
LEYSER, Maria Fátima Vaquero Ramalho. Breves apontamentos sobre a tutela antecipada. In:
Justitia, 58 (175), p. 60-65. São Paulo, jul./set., 1996. p. 64.
135
FRUTUOSO, Cecília Rodrigues. Op. cit., p. 1. Em sentido diverso: “a revogação pode ser
decretada de ofício pelo juiz, pelo mero exercício do·poder de dirigir o processo” (LEYSER, Maria
Fátima Vaquero Ramalho. Op. cit., p. 64).
136
BRASIL, Jurisprudência. Recurso Especial nº 172102/RS (1998/0030068-6). Segunda Turma do
Superior Tribunal de Justiça. Relator: Adhemar Maciel. Julgado em 17 de setembro de 1998.
Publicado no DJ de 19 de outubro de 1999, p. 72. Disponível em: <http://www.stj.gov.br>. Acesso em:
23 abr. 2009.
Portanto, o juiz pode revogar ou modificar a decisão antecipatória, a pedido
da parte e dentro dos limites do pedido formulado na inicial.
3.4 DISCUSSÃO SOBRE A CONCESSÃO DE TUTELA ANTECIPATÓRIA PARA
ALÉM DOS LIMITES LEGAIS
Sobre a questão da concessão de tutela antecipatória para além dos limites
legais e seus efeitos perniciosos à prestação jurisdicional de qualidade, o Superior
Tribunal de Justiça já decidiu que o juiz não pode deferir pedido de tutela
antecipatória que exceda os limites legais:
Ementa: Processual civil. Recurso especial. Administrativo. Ação civil
pública. Proteção ao meio ambiente. Estudo prévio de impacto ambiental.
Relatório de impacto ambiental. Desnecessidade no caso concreto. 1. O
Estudo Prévio de Impacto Ambiental revela exigência administrativa que não
se coaduna com o funcionamento de empresa instalada há mais de três
décadas, conjurando, a um só tempo, a evidência do direito e o periculum in
mora (artigo 273, do Código de Processo Civil). 2. Deveras, sobressai
carente de prova inequívoca a ação que visa à referida exigência legal
instituída após uma década da instalação da empresa, por isso que, in casu,
através de cognição exauriente e no curso da lide, prova técnica, sob
contraditório, encerra meio pertinente à aferição da verossimilhança da
alegação. 3. É defeso ao juiz, em nome do poder geral de cautela, deferir
medida antecipatória satisfativa, porquanto diversos os requisitos para a
concessão da tutela jurisdicionais referidas. É que a tutela cautelar reclama
aparência (fumus boni juris), e a tutela satisfativa, evidência (prova
inequívoca conducente à verossimilhança da alegação). 4. A fungibilidade
dos requisitos viola o artigo 273, do Código de Processo Civil, tanto mais
que, in casu, a tutela antecipada visa à estagnação das atividades da
empresa, caso não apresente o Estudo Prévio, sendo certo que a atividade
resta exercida por trinta e sete anos. 5. Recurso Especial provido
137(grifo do
original)
Não se permite, destarte, a concessão de tutela antecipada para além dos
limites legais: “ementa: agravo de instrumento. Decisão que deferiu tutela antecipada
para sustar protesto de título. Não preenchimento dos requisitos legais. Tutela
antecipada cassada. Recurso provido”138
. No mesmo sentido: “ementa: agravo de
137
BRASIL, Jurisprudência. Recurso Especial nº 7666236/PR (2005/0114786-7). Primeira Turma do
Superior Tribunal de Justiça. Relator: Francisco Falcão (vencido) e Luiz Fux. Julgado em 11 de
dezembro de 2007. Publicado no DJe de 04 de agosto de 2008. Disponível em:
<http://www.stj.gov.br>. Acesso em: 23 abr. 2009.
138
BRASIL, Jurisprudência. Agravo de Instrumento nº 7372059500. Trigésima Oitava Câmara de
Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Relator: Camilo Léllis dos Santos
Almeida. Julgado em 05 de agosto de 2009. Publicado no DJ de 14 de agosto de 2009. Disponível
em: <http://www.tj.sp.gov.br>. Acesso em: 17 ago. 2009.
instrumento. Tutela antecipada negada. Ausência dos requisitos ensejadores da
medida. Poder geral de cautela do juiz. Recurso improvido”139
.
No entendimento do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo:
Ementa: Tutela antecipada. Requisitos. Pretensão em abstenção/exclusão
de anotação do nome da autora em instituições protetoras do crédito -
Indeferimento objeto do recurso. Admissibilidade. Possibilidade da
concessão da tutela apenas se houvesse prestado caução ou depósito do
valor em discussão. Inadimplência reconhecida. Possibilidade de anotação,
desde que verificada a mora. Recurso improvido
140.
Do corpo do voto do relator Heraldo de Oliveira extrai-se o seguinte
argumento:
Cabe esclarecer por primeiro, que a tutela antecipada é a entrega provisória
da prestação jurisdicional a quem preenche os requisitos escritos na lei
processual e não estabeleceu especificidade quanto à qualidade das partes,
e tem objetivo de entregar ao autor, total ou parcialmente, a própria
pretensão deduzida em Juízo, ou os seus efeitos. Para tanto, o requerente
da tutela deve demonstrar de forma inequívoca a verossimilhança das
alegações feitas, ou mesmo demonstrar o abuso do direito de defesa.
Em outra ocasião, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo entendeu
que para a antecipação da tutela, além da verossimilhança e da prova inequívoca, é
preciso demonstrar o risco de dano irreparável ou de difícil reparação, no limite do
razoável e com atenção à possibilidade de ocasionar irreversibilidade:
Ementa: Agravo de Instrumento. Pretendida antecipação da tutela.
Descabimento. Ausência dos requisitos do artigo 273 do Código de
Processo Civil. Demonstração da irreversibilidade do efeito antecipatório e
da ausência da verossimilhança das alegações e da inequivocidade da
prova. Necessidade de melhor esclarecimento da matéria controvertida no
curso da instrução. Agravo não provido
141.
Ao lado da tutela antecipada baseada no juízo de probabilidade, e, por
natureza, provisória, na forma da Lei no 8.952, de 13 de dezembro de 1994, o
legislador reformista introduziu no artigo 273, os parágrafos 6º e 7º, por meio da Lei
nº 10.444, de 07 de maio de 2002, uma nova hipótese de prestação de tutela
antecipada, fundamentada em juízo de certeza e que, por isso, não é provisória,
139
BRASIL, Jurisprudência. Agravo de Instrumento nº 7371297100. Trigésima Oitava Câmara de
Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Relator: Camilo Léllis dos Santos
Almeida. Julgado em 05 de agosto de 2009. Publicado no DJ de 14 de agosto de 2009. Disponível
em: <http://www.tj.sp.gov.br>. Acesso em: 17 ago. 2009.
140
BRASIL, Jurisprudência. Agravo de Instrumento nº 7333715000. Décima Terceira Câmara de
Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Relator: Heraldo de Oliveira. Julgado
em 18 de março de 2009. Publicado no DJ de 14 de abril de 2009. Disponível em:
<http://www.tj.sp.gov.br>. Acesso em: 23 abr. 2009.
141
BRASIL, Jurisprudência. Agravo de Instrumento nº 6207184200. Sexta Câmara de Direito
Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Relator: Sebastião Carlos Garcia. Julgado
em 05 de março de 2009. Publicado no DJ de 20 de março de 2009. Disponível em:
<http://www.tj.sp.gov.br>. Acesso em: 17 ago. 2009.
mas definitiva, “não podendo ser revogada nem modificada posteriormente pelo juiz,
sendo possível apenas ao tribunal, em julgamento de recurso, cassar ou reformar a
decisão que a concedeu”142
.
Desta feita, para não transformar o efeito satisfativo da tutela antecipatória em
regra geral, procedimento que afrontaria em alguma forma a garantia do devido
processo legal e seus princípios, a concessão de tal medida pelo juiz deverá ser
pautada em prova inequívoca do alegado na petição inicial.
Em suma, a tutela antecipada se preocupa em proporcionar ao autor o
resultado prático que procura obter através da própria tutela final. Trata-se de
medida satisfativa, marcada, em regra, pela provisoriedade. Dentre seus escopos
está o de dar efetividade ao princípio da tempestividade, na medida em que distribui
o ônus do tempo entre as partes, observando para tanto a plausibilidade do direito
alegado por estas.
142
CONCLUSÃO
Ao final desse estudo conclui-se que a tutela antecipatória permite a obtenção
de uma tutela satisfativa com celeridade, no bojo do processo de conhecimento, com
base no juízo de probabilidade.
Acerca da questão das diferenças e semelhanças entre a antecipação da
tutela e a liminar em cautelar, confirma-se o entendimento de que a tutela cautelar é
uma tutela eminentemente de garantia, não permitindo a concessão de tutela
satisfativa, enquanto que a tutela antecipatória é uma forma de jurisdicional
satisfativa, não-cautelar. Apesar das características comuns e da identidade quanto
à função constitucional que exercem, as medidas cautelares e as antecipatórias são
tecnicamente diferentes, sendo que a identificação de seus traços distintivos ganha
relevo em face da autonomia de regime processual e procedimental que lhes foi
atribuída pelo legislador.
Sobre um possível esvaziamento das tutelas cautelares em razão da
instituição da tutela jurisdicional antecipada, acredita-se que apesar da possibilidade
de antecipação dos efeitos da tutela, a lei não decretou e a doutrina em geral não
reconhece o fim das medidas ou do processo cautelar, que continua sendo utilizado
como antes em alguns casos. Trata-se de duas opções oferecidas aos
jurisdicionados, que podem escolher aquela que melhor satisfaça suas pretensões.
A tutela antecipatória é regida pelo artigo 273, do Código de Processo Civil,
tem como finalidade principal dar efetividade ao princípio da tempestividade, por
meio da distribuição do tempo entre as partes, levando em conta, para tal intento, a
plausibilidade do direito alegado e, em termos legais, é concebida como a
possibilidade de o juiz, a requerimento da parte, antecipar, total ou parcialmente, os
efeitos da tutela pretendida no pedido inicial.
Para tanto, além do requisito do requerimento da parte e da existência de
prova inequívoca capaz de convencer o juiz da verossimilhança da alegação, o
legislador enumera como pressupostos à concessão da tutela antecipatória, o
fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação ou a caracterização do
abuso de direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório do réu. Também
figuram como pressupostos à concessão da tutela em apreço a possibilidade de
reversibilidade do provimento antecipado e quando um ou mais dos pedidos
cumulados, ou parcela deles, mostrar-se incontroverso.
Sejam quais forem às situações, a decisão judicial de antecipação deverá ser
fundamentada com as razões de convencimento do julgador. No caso de requisição
de providência de natureza cautelar, a título de antecipação de tutela, e se presentes
os respectivos pressupostos, o juiz poderá deferir a medida cautelar em caráter
incidental do processo ajuizado, assegurando-se ao demandado, desse modo, o
contraditório, com produção de prova e sentença.
Destarte, a concessão ou não da tutela antecipatória exige do juiz a
realização de uma sequencia de atos procedimentais assim sintetizados: por
primeiro deverá verificar se existe prova inequívoca suficiente para convencê-lo da
verossimilhança da alegação, podendo tomar uma das seguintes decisões: a) se
não verificar essa prova, decide pela denegação da antecipação e manda prosseguir
nos trâmites normais; e b) se ficar convencido da verossimilhança da alegação,
antes de decidir se concede ou não a antecipação requerida pela parte, deve
verificar a presença de pelo menos uma das seguintes hipóteses: efetivo receio de
dano irreparável ou de difícil reparação; ou abuso de direito de defesa ou manifesto
propósito protelatório do réu; a possibilidade de reversibilidade do provimento
antecipado e quando um ou mais dos pedidos cumulados, ou parcela deles,
mostrar-se incontroverso.
Portanto, para a concessão da tutela antecipatória não é suficiente a
existência de prova inequívoca indicadora de verossimilhança, mas trata-se de um
pré-requisito concorrente inafastável.
Ademais, os requisitos para a concessão da tutela antecipatória estão
expressos no texto do artigo 273 de modo bastante claro, no entanto, é
imprescindível que se faça a devida interpretação a partir dos princípios da
razoabilidade e da proporcionalidade, de modo que o fato de a medida, num
determinado caso, ser irreversível não impossibilite sua concessão se estivermos
diante de um direito evidente ou urgente. A mesma interpretação deve ser dada ao
requisito da prova inequívoca.
Não se pode olvidar que as regras e princípios que norteiam o julgador na
concessão ou não da tutela antecipatória fazem parte de um conjunto de normas
jurídicas interdependentes e escalonadas a partir da Constituição Federal de 1988,
sendo que o juiz não pode abrir mão dos modernos métodos interpretativos do
sistema jurídico brasileiro fundado em garantias constitucionalmente asseguradas.
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No documento
A TUTELA ANTECIPATÓRIA: LIMITES E EFEITOS
(páginas 57-71)