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Disciplina de Estatística Aplicada a Educação 1º semestre

O TRABALHO DE CAMPO DE PESQUISA

4.2. Os catorze encontros: colocando em prática o projeto estatístico

4.2.1. A primeira fase do projeto: definindo o tema

O primeiro, o segundo e o terceiro encontros (7, 14 e 21 de Agosto) foram dedicados ao desenvolvimento da primeira fase do projeto estatístico, a qual consistiu em definir o tema. Neste sentido, foram realizadas por nós as seguintes ações:

Formalização da proposta do trabalho de projeto e das implicações didático- pedagógicas a serem implantadas para a vivência da mesma durante o semestre. Organização dos 31 alunos da turma em sete grupos de três a cinco alunos. Definição do tema e do objetivo de investigação do projeto estatístico.

Definição de sete enfoques do tema a fim de que cada grupo pudesse vivenciar a coleta, organização e análise de dados por meio destes enfoques que, na sua opinião contribuiriam para uma compreensão melhor do tema.

Descrever o desenvolvimento desta fase no desenrolar dos três primeiros encontros é o que procurarei dar conta a seguir.

O primeiro encontro ocorreu no primeiro sábado de Agosto, dia 7. Na ocasião procurei explicar para os 21 alunos presentes5, a proposta de ensino e aprendizagem da Estatística por meio da nova abordagem, esclarecendo inicialmente as principais características do que viria a ser o projeto que denominei de projeto estatístico; as fases que o comporiam, a correspondência das mesmas com as fases do método estatístico de

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A justificativa para a ausência de dez alunos, segundo os colegas presentes, era a de que eles ainda estavam retornando das férias.

investigação, bem como a possibilidade de lidar com imprevistos que trabalhar com um projeto poderia ocasionar.

Ao me referir à última fase em particular – a comunicação e apresentação dos resultados – observei que as alunas Vanessa e Priscila cessaram a conversa paralela que estavam entretidas e manifestaram vivo interesse em ter o seu trabalho publicado no jornal, disponibilizado no site da faculdade ou até mesmo sistematizado numa gravação de vídeo. Disse a elas que isto seria plenamente possível sob a perspectiva de trabalho que vivenciaríamos naquele semestre, mas que para tanto seriam necessárias algumas mudanças significativas na relação professor/aluno, ensino/aprendizagem da estatística, na dinâmica de trabalho de sala de aula e na avaliação.

Compartilhando o plano de implementação do trabalho de projetos com a turma, fui comentando cada um dos seus pressupostos, enfatizando, sobretudo o fato de que a Estatística seria apresentada enquanto ferramenta para a compreensão de uma problemática que seria do interesse deles. Destaquei também que a dinâmica de trabalho seria em grupo, sob uma perspectiva de cooperação mútua entre todos nós e que, no lugar das provas e de listas de exercícios, a avaliação iria se pautar na presença e participação dos alunos nas aulas, bem como na realização das tarefas do grupo e do aluno.

Durante todo este esclarecimento inicial, enfatizei a necessidade de evitar as faltas em virtude do desenvolvimento do projeto, que se daria aula a aula na realização das tarefas do grupo. Apesar de não ter recebido nenhuma manifestação verbal contrária ao projeto, pude observar na linguagem corporal das alunas Cíntia e Mônica severos indícios de descontentamento, uma vez estarem elas entre os alunos que mais faltaram no semestre anterior.

Não me deixando intimidar, direcionei a discussão para as particularidades das tarefas do aluno, enfatizando a importância como forma de registro aula a aula e como meio de comunicação entre nós. Disse-lhes por fim que a presença passaria inclusive a ser computada pelos próprios caderninhos, uma vez que somente aqueles que viessem à aula o receberiam das minhas mãos nos quinze minutos finais.

Quando mencionei sobre a necessidade de eventualmente gravar suas falas e filmar suas ações, já que o nosso trabalho também seria objeto de investigação da minha dissertação de mestrado, obtive algumas considerações ao contrário que logo foram

amenizadas pela fala descontraída da aluna Paula, ao me pedir que avisasse a turma com uma semana de antecedência a fim de que todos, com exceção do aluno Carlos, pudessem passar batom e perfume.

Cheguei ao final da exposição, apresentando a primeira tarefa do grupo, que consistia em que os alunos se organizassem em pequenos grupos, registrando em uma folha de papel a eles entregue o nome de cada um dos componentes, bem como um “nome-de- guerra” para o grupo, a fim de que pudesse ser reconhecido pelos demais grupos e por mim.

A idéia que tive em nomear os grupos surgiu da minha crença de que um nome promoveria um senso de identidade e coesão interna que acabaria por facilitar a cooperação entre os componentes de cada grupo e entre os diversos grupos.

Destarte, entregues à tarefa, rapidamente eles se reuniram em grupos – prática que já vivenciavam em outras disciplinas – e os trinta e um alunos da turma dividiram-se em sete grupos: quatro grupos de cinco alunos; dois grupos de quatro; e um grupo de três. Os grupos formados constam dos quadros a seguir com seus respectivos “nomes-de-guerra”6.

1) Luzes

2) Os Pioneiros

Participante Idade Participante Idade

Mônica 25 Carlos 38 Eliane 23 Sheila 19 Silmara 20 Nilda 36 Joana 29 Marilia 48 Cíntia 38 Sara 33

3) Cristal

4) 100% Educação

Participante Idade Participante Idade

Beatriz 33 Paula 48

Joyce 24 Solange 19

Eulália 34 Filomena 21

Manoela 22 Vanessa 22

Verônica 19 Priscila 19

5) Discretas e Contínuas

6) As Insuportáveis

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É interessante observar que dos sete grupos, somente o grupo das Discretas e Contínuas optaram por um “nome-de-guerra” que tivesse alguma relação com a Estatística.

Participante Idade Participante Idade Tânia 34 Caroline 33 Maria 30 Desiree 20 Vera 19 Jurema 22 Gabriela 40 Darcy 22

7) As Superpoderosas

Participante Idade Yara 38 Eduarda 24 Andréa 21

Concluída a primeira tarefa do grupo, distribui um caderninho para cada um dos presentes, pedindo a todos que escrevessem o nome, sua idade e o nome do grupo que pertenciam na capa. A primeira tarefa do aluno consistiu em responder à seguinte pergunta: “O que você achou sobre a nova dinâmica de trabalho, avaliação e da proposta de se aprender Estatística através do trabalho de projetos?”

À medida que eles iam entregando caderninhos e se retirando da sala, aumentava a minha ansiedade em lê-los, porquanto aqueles eram os primeiros registros da impressão dos alunos com relação à proposta do trabalho de projetos.

Uma vez com todos em mãos e sozinho na sala de aula, comecei a lê-los e pude constatar que a proposta havia tido repercussões positivas entre a turma e, neste sentido, pressenti que o projeto estatístico teria grandes chances de ser implementado, pois mostras de envolvimento e interesse estavam presentes nas respostas.

A nova metodologia apresentada é baseada em projetos e em primeiro momento foi para mim muito interessante e inovadora pois através dessa proposta o ensino torna-se algo interativo visto que nós, os alunos, iremos participar da elaboração das atividades desenvolvidas, facilitando assim o ensino e a aprendizagem da Estatística que será trabalhada levando-se em conta o dia a dia de cada um. (C: Aluna Priscila, 100% Educação).

Para mim esta proposta de se ensinar estatística por projetos é inovadora e estou feliz por fazer parte deste novo experimento, para ajudar outros alunos no futuro a descobrirem a estatística mais

facilmente pois da maneira tradicional vem sendo uma coisa que sempre assusta por causa das fórmulas que sempre devem ser decoradas. Através desse método, será mais fácil a assimilação dos conteúdos pois será a partir da nossa realidade e daquilo que problematizamos. Eu e meu grupo estamos prontos para colaborar com o que for preciso. (C: Aluna Sara, Pioneiros).

Se o envolvimento dos alunos com a proposta tinha se mostrado promissor, restava agora aguardar o próximo encontro, o qual seria dedicado à realização da primeira fase do projeto estatístico, quando seria votado o tema de interesse dos alunos a ser investigado.

Ocorrido no sábado, dia 14 de Agosto, o segundo encontro teve a presença de 26 alunos e uma vídeo-filmadora para o registro do trabalho a ser realizado.

Fazendo uso do datashow e pensando nos alunos que haviam faltado na aula anterior, iniciei a apresentação resgatando com a turma os principais pressupostos do trabalho que iríamos desenvolver por meio do projeto estatístico, retomando a configuração final dos grupos, seus componentes e respectivos “nomes-de-guerra”.

Para que a exposição não ficasse cansativa, pedi para a aluna Tânia fazer a leitura dos slides enquanto eu tecia os comentários e resgatava os pontos principais discutidos no encontro anterior. Quando chegou o slide da configuração final dos grupos, aumentei o tom da voz toda vez que ia apresentar o nome-de-guerra de algum grupo, o grupo referido levantava as mãos e o restante da turma assoviava, batia palmas e gritava efusivamente.

Dos sete grupos, havia somente um que se autodenominou baseado na forma como seus membros se percebiam no relacionamento com os demais colegas da turma. Deixando de propósito para anunciá-lo por último, ao dizer o nome “As insuportáveis”, a classe toda veio abaixo entre vaias, risadas escandalosas, impropérios e sons irreconhecíveis.

Uma vez arrefecidos os ânimos, pedi a aluna Tânia que prosseguisse com a leitura dos slides que agora apresentavam os temas que haviam sido escolhidos pela turma naquele primeiro questionário em fins de Junho. Doze foram os temas apontados nos trinta e um questionários.

1) Alfabetização e Analfabetismo 2) Inclusão e Evasão escolar

3) Indisciplina/Violência nas escolas

5) Formação/Qualificação do Educador 6) Municipalização do ensino

7) Crianças hospitalizadas 8) Escola pública

9) Ensino de estatística no ensino médio

10) Relação entre mercado de trabalho e ensino médio 11) Dificuldade de aprendizagem matemática de 1o a 4o série 12) Qualquer tema

Destes doze, sugeri a turma que ficássemos com os cinco mais escolhidos, a fim de facilitar a votação do tema final

1) Alfabetização e Analfabetismo 2) Inclusão e Evasão escolar

3) Indisciplina/Violência nas escolas

4) Crianças com necessidades educacionais especiais 5) Formação/Qualificação do Educador

Exibindo os cinco temas no slide, afirmei aos alunos que os meus conhecimentos com relação a qualquer destes temas era pouco, afinal a minha formação tinha sido em Matemática, ao contrário deles, cuja formação em andamento era em Pedagogia; neste sentido, eu poderia também aprender com eles na investigação de qualquer um que se sagrasse vencedor.

Antes que déssemos início à votação, relembrei a todos que, uma vez escolhido, este seria o tema que investigariam durante os próximos quatro meses seguindo as fases do projeto estatístico. E que se por acaso este tema não fosse do agrado de um ou de outro grupo, que não se preocupassem, pois a minha intenção era a de que, após a sua confirmação, o tema fosse desdobrado em enfoques que refletissem o interesse e o viés de investigação que cada grupo gostaria de dar para o tema geral.

Expliquei aos alunos minha intenção que cada grupo tivesse a oportunidade de vivenciar as várias fases do projeto estatístico sob o enfoque que houvesse optado – coletando, organizando e interpretando seus próprios dados. Esclareci também que pretendia que percebessem que o que eles viessem a produzir, tornar-se-ia parte

imprescindível na compreensão mais ampla do tema em estudo para a constituição de um todo do qual todos os grupos poderiam contribuir.

Esclarecidos estes pontos, pedi que fosse realizada uma votação interna a cada grupo sobre os cinco temas. Se não saísse um vencedor, haveria uma votação individual.

Uma vez concluída as discussões intragrupos, pedi para que cada um me dissesse o tema que o grupo optara. O resultado deste processo foi o seguinte: Inclusão e Evasão escolar (2 votos), Indisciplina/Violência nas escolas (2 votos), Crianças com necessidades especiais (2 votos) e Formação/Qualificação do Educador (1 voto).

Tínhamos, portanto, um empate entre três temas, em primeiro lugar. Em meio à balbúrdia que se instaurou na sala, as alunas Joana e Silmara sugeriram que o tema Formação/Qualificação do Educador fosse eliminado e que a partir de três papeizinhos com o nome dos temas restantes, fosse feito um sorteio.

Já o aluno Carlos sugeriu que o grupo 100% Educação, por ter votado neste tema, deveria escolher dos três restantes o vencedor. O grupo Cristal, muito agitado, desandou a emitir reclamações e discordâncias afirmando que o grupo 100% Educação não teria “moral” para ser o grupo que deveria decidir pela turma.

Por fim e com muito custo, consegui que concordassem com a idéia das alunas Joana e Silmara. Eis que naquele instante, adentra a sala a filha da aluna Nilda. A aluna Silmara sugere então que a menina tire o papelzinho, o que é aceito pressurosamente pelo restante da turma. Escrevi então A, B e C em três tiras de papel, dobrei-as e a menina escolheu, sorteando a letra C, que na lousa significava o tema “Crianças com necessidades especiais”. A sala de aula quase veio abaixo. Apesar dos empates, senti que a maioria da turma havia gostado que aquele fosse realmente o tema, já que o nível da euforia que a turma como um todo tinha atingido o seu clímax. Pude notar que somente o grupo 100% Educação transpareceu alguma contrariedade, mas ela logo se esvaiu, porquanto eu havia lembrado às meninas desse grupo que elas poderiam sugerir um enfoque dentro do tema que fosse do seu interesse.

Acalmados os ânimos e terminada a votação do tema, era o momento para pedir a

segunda tarefa do grupo, que consistiu em entregar por escrito uma resposta à seguinte

Pude notar pelo nível das discussões que os grupos Pioneiros e Discretas e Contínuas privilegiavam o entendimento de que crianças com necessidades educacionais especiais seriam aquelas que se encontravam hospitalizadas, sem condições de freqüentar escolas. Já os grupos Cristal, Luzes e Insuportáveis demonstraram seu interesse no aspecto da aprendizagem das crianças ditas especiais e no impacto da presença das síndromes no cotidiano da sala de aula. Os grupos 100% Educação e Superpoderosas sugeriram aspectos voltados para o deficiente físico e sua inclusão na educação: estrutura física da escola, formação específica dos professores, reação dos demais alunos não portadores de necessidades especiais, etc.

À medida que os grupos iam entregando a tarefa, eu ia distribuindo os caderninhos, sendo que a segunda tarefa do aluno consistiu naquele dia em relatar no diário alguma situação que envolvesse o tema selecionado e que poderiam ter vivenciado em suas vidas, além, obviamente do que mais desejassem com relação à aula e àquela primeira fase do projeto.

Diferentemente do que havia acontecido na aula anterior, pude constatar que todos os presentes realmente se debruçaram sobre seus cadernos e utilizaram o tempo previsto, indo alguns até além. De fato, a aula já havia acabado e ainda havia três alunas, Priscila, Carlos e Eulália, sendo que esta última, se bem me recordo, assistiu no máximo a três ou quatro aulas em todo o semestre anterior. Surpreendi-me com a sua presença e participação até o final da aula.

Uma vez em casa, procedi com a leitura dos caderninhos e pude constatar pela variedade de enfoques levantados pelos grupos que haveríamos de ter dificuldades em delimitar os objetivos do projeto estatístico.

De fato, tanto os grupos Pioneiros quanto as Discretas e Contínuas optaram por enfoques que investigassem as condições físicas da escola que tem alunos com necessidades educacionais especiais.

Os Pioneiros

Discretas e Contínuas

As escolas têm estrutura física e fornece material voltado para se trabalhar com estas crianças?

Estaria a escola preparada fisicamente para atender alunos

Já os grupos 100% Educação, Superpoderosas e Insuportáveis estavam interessados em investigar a formação e a qualificação do professor que trabalha com estes alunos.

100% Educação

Os professores recebem capacitação para trabalharem com criança com necessidades educacionais especiais?

As Superpoderosas

As Insuportáveis

Os professores estão preparados para lidar com crianças deste tipo?

Metodologia que os professores utilizam para trabalhar com estas crianças.

Em contrapartida, os grupos Cristal e Luzes optaram, respectivamente, pelo preconceito e nos possíveis benefícios da educação de alunos com necessidades educacionais especiais.

Cristal

Luzes

Gostaríamos de trabalhar com o preconceito com relação à

estas crianças na escola

No que é favorável a educação destas crianças com necessidades

educacionais especiais?

No que se referiu aos caderninhos, pude atestar que 14 dos 25 diários (56% dos alunos) continham registros de relatos relacionados a experiências pessoais com o tema que corresponderam às seguintes situações:

contatos com ex-colegas de sala de aula portadores de necessidades educacionais especiais;

estágios realizados na APAE quando aluno do CEFAM; visitas a hospitais por intermédio de amigos;

possuir um familiar naquela condição, como foi o caso da aluna Paula, cuja deficiência visual da filha a motivou a cursar Pedagogia em busca de um melhor preparo para educá-la;

Outrossim, cheguei à conclusão que pelos enfoques apontados pelos grupos e a variedade de experiências relatadas nos caderninhos, que tinha em mãos enormes possibilidades de desenvolver um projeto sobre aquele tema com o auxílio da Estatística.

O grande complicador, porém, era o meu pequeno conhecimento sobre o tema e sobre os enfoques escolhidos. De fato, muito pouco sabia sobre crianças com necessidades educacionais especiais e o auxílio de algum profissional ou especialista na área havia se tornado imprescindível, se acaso eu desejasse orientar adequadamente meus alunos no desenvolvimento do projeto estatístico.

Neste sentido, logo cedo na segunda-feira, dia 16, fui a Secretaria Municipal de Ensino à procura desta ajuda, levando comigo um gravador, pois as informações que porventura levantasse poderiam ser úteis ao nosso projeto estatístico.

Uma vez na Secretaria, minha surpresa não poderia ter sido maior. Uma ex-aluna da disciplina de Estatística da turma de 2003 e então aluna do terceiro ano de Pedagogia da IES, Mara Abrantes Ruggiero, era a profissional responsável pela educação especial no município. Demonstrando estar muito feliz em me receber, ela se dispôs a me auxiliar no que fosse preciso assim que compartilhei com ela minhas intenções, dificuldades e expectativas para orientar e desenvolver com meus alunos um projeto estatístico que tivesse crianças com necessidades educacionais especiais como tema.

Durante toda aquela manhã que estivemos juntos, ela me esclareceu sobre quais seriam os tipos de necessidades educacionais especiais, o que seria educação inclusiva, educação especial, quais seriam as recomendações que a LDB e o que as declarações internacionais ditavam com relação à formação do professor que atuava com estas crianças. Forneceu-me também alguns textos referentes ao assunto que eram de uso da própria Secretaria na capacitação de seus professores.

Interessado em propiciar à turma de Pedagogia informações referentes ao número de alunos com necessidades educacionais especiais na rede municipal de ensino, gravei parte do esclarecimento que Mara me proporcionou: dos quase 12000 alunos matriculados nas trinta e uma Escolas Municipais de Ensino Infantil (EMEI) e nas dezoito Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEF), 101 eram portadores destas necessidades7.

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De acordo com a especialista, a quase totalidade destes alunos atendida pela rede são portadores de deficiência mental e graves distúrbios de aprendizagem.

Estes alunos, na sua totalidade, se encontravam matriculados em seis EMEF, distribuídos em sete classes especiais8 e tinham entre 8 a 15 anos. De acordo com a especialista, as EMEI não prestam este serviço, sendo as crianças encaminhadas para a Associação de Pais e Alunos do Excepcional e instituições congêneres do município.

Encerrada nossa conversa, despedi-me de Mara, sob a promessa de que voltaria para fazer uso da sua consultoria técnica no que se referisse ao assunto durante o desenvolvimento do projeto estatístico, o que ela aceitou pressurosamente, entregando-me ainda uma lista com o nome do diretor, coordenador pedagógico, endereço e telefone de cada uma das dezoito EMEF.

Uma vez em casa, fiz uma coletânea da literatura que havia recebido da especialista, selecionando, do material emprestado pela Mara, sete textos que estivessem mais próximos ao tema do projeto estatístico, de tal forma que no terceiro encontro cada grupo recebesse um deles para ler e posteriormente apresentar o que leu aos demais grupos.

A finalidade desta dinâmica, que viria a ser a terceira tarefa do grupo, era a de aprofundar os conhecimentos dos alunos com respeito ao tema, a fim de que estivessem mais bem preparados para propor ao nosso projeto um objetivo de investigação, bem como definir os enfoques em face deste objetivo, até porque alguns dos grupos haviam optado por