3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL
3.2. A escola, a minha segunda casa
3.2.9. A Professora Cooperante e o Professor Orientador
Durante o estágio, “o professor iniciante deverá desenvolver as suas capacidades e aproveitar ao máximo para aprender, enquanto é cooperado e orientado por profissionais mais experientes” (Queirós, 2014, p. 74), pelo que todo o meu crescimento e desenvolvimento se deveram, em grande parte, à PC e ao PO, tendo sido estes elementos peças chave para tornar o meu EP um ano riquíssimo em aprendizagens a vários níveis.
Tal como menciona Neves (2007, p. 81), a formação serve para melhorar as pessoas, neste caso, os EE, e, por isso, não chega “formá-las segundo um perfil profissional standard, ou fornecer-lhe uma bagagem de conhecimentos, tendo em vista um posto de trabalho”. É fundamental que a formação inicial incida nos conhecimentos e na formação técnica, científica e pedagógica de base, mas também na formação pessoal e social adequada à profissão docente (Queirós, 2014).
Segundo Caires et al. (2011), o PC tem como objetivo promover a socialização profissional e, consequentemente, ajudar na construção da identidade profissional do EE. Se o EP se caracteriza pelo último ano da formação inicial, onde o EE vive o processo de integração no mundo da docência (Caires, 2006), a existência de alguém que o acompanhe e o oriente no dia-a- dia escolar torna-se fundamental. No fundo, o PC é “o educador a quem compete ajudar o futuro professor a desenvolver-se e a aprender como adulto e profissional que é” (Mesquita et al., 2012, p. 65).
Pretende-se que o PC supervisione o EE e o ajude a descobrir e a desenvolver as suas competências pessoais e profissionais através da autorreflexão, da partilha de ideias e do trabalho em equipa (Neves, 2007). O PC proporciona aos futuros professores ensinamentos sobre a sua experiência, possibilita que os mesmos conheçam os contornos da profissão docente e permite que coloquem em prática os seus conhecimentos didáticos e pedagógicos (Benites et al., 2012).
A relação com a PC foi fundamental ao longo deste ano de EP, pois via nela alguém com quem podia contar e partilhar as minhas dúvidas e preocupações. Tal como refere Mesquita et al. (2012, p. 71), “se se pretende que o processo de supervisão ocorra numa perspetiva de resolução de problemas, a
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relação de trabalho entre formando e supervisor ganha em ser isenta de tensões e sustentada numa confiança consistente e verdadeira”. Nesta perspetiva, e segundo estes mesmos autores (2012), o EE pode partilhar com o seu PC as suas inquietações e dificuldades.
Ao longo deste ano, a PC assumiu um papel essencial no meu desenvolvimento e crescimento. Se a sua função é fazer com que o EE perceba e experiencie a escola como um todo (Silva et al., 2017), posso afirmar que a minha PC o fez com todo o cuidado e dedicação. Conseguiu ter a capacidade de nos unir enquanto NE, e isso foi preponderante no EP de todos e no nosso crescimento enquanto seres humanos. Acompanhou-nos durante todo o ano, dando-nos, ao mesmo tempo, a autonomia necessária para que pudéssemos errar e aprender com os nossos erros. Não nos poupou trabalho que nos levasse a conhecer mais e melhor e, por isso, integrou-nos nas reuniões e ajudou-nos a perceber o cargo de diretor de turma (DT). Implementou no seio do NE a capacidade de sermos críticos uns com os outros com o objetivo de melhorarmos a atuação dos colegas e, paralelamente, a nossa própria atuação. De facto, “a reflexão é consciente e consistente, não apenas quando contribui para o entendimento dos fenómenos educativos, mas quando garante também a qualidade das aprendizagens dos seus atores, o que só é possível com adequadas condições de trabalho docente e um clima de supervisão pedagógica que promova uma reflexão séria e contextualizada” (Mesquita et al., 2012, p. 73). Desde o primeiro dia que a PC se mostrou totalmente disponível, tendo apresentado uma vontade enorme em nos auxiliar. Porém, foi também desde início que colocou sobre os nossos ombros uma responsabilidade acrescida, referindo que as expectativas estavam altas e que esperava que todos conseguíssemos responder da melhor maneira possível. No fundo, sempre nos colocou desafios e exigências elevadas, adequadas às nossas possibilidades, de forma a que todos os dias pudéssemos crescer e aprender mais e melhor. A sua experiência enquanto professora e enquanto PC fizeram com que a partilha de conhecimentos e vivências fossem extremamente enriquecedoras para mim. Destaco o seu sentido crítico e reflexivo, a sua capacidade em nos colocar constantemente à prova, o seu método de trabalho, os seus conselhos, as suas conversas (sobre mil e uma coisas), o seu lado humano e relacional, o seu jeito especial de falar com os alunos e de se relacionar com eles e a sua forma de
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olhar para o ensino. Poderia destacar estas e muitas outras qualidades, todas elas essenciais para um EE que se defronta, pela primeira vez, com a realidade da sua profissão.
Não tenho qualquer dúvida de que o PC exerce uma influência enorme no EE. Para mim, a PC foi (e será sempre) um modelo a seguir, porque desde o início lhe reconheci características incríveis, quer como pessoa, quer como docente. Afinal de contas, “A importância dos professores cooperantes na formação prática dos professores é de tal forma determinante que são poucos, senão nenhuns, os professores que não se recordam do seu professor cooperante aquando da realização do estágio” (Neves, 2007, p. 92).
Se a PC era aquela que estava comigo todos os dias e acompanhou de perto tudo aquilo que desenvolvi ao longo do EP, o PO teve, inevitavelmente, um papel diferente na orientação do meu estágio, uma vez que o contacto estabelecido foi efetivamente menor e à distância. Porém, este professor assume igualmente uma função importantíssima na orientação do EE ao longo do seu primeiro ano de profissão, já que todo o papel que é desempenhado pelo PC na escola, juntamente com os EE, depende das interações que ambos estabelecem com o orientador da faculdade, isto é, com o PO (Silva et al., 2017).
Neste entendimento, percebi que o PO é um intermediário entre a faculdade e a EC, fazendo igualmente um acompanhamento do nosso crescimento enquanto professores.
Em relação ao meu PO, sempre lhe reconheci conhecimento, competência, exigência, rigor, profissionalismo e capacidade de trabalho. Destaco também a simpatia, a amizade e a disponibilidade que sempre demonstrou, de forma a acompanhar-nos e ajudar-nos em tudo aquilo que precisássemos. Todos os momentos passados com o PO (reuniões na faculdade, visitas à escola para observar as aulas, reflexões em NE e juntamente com a PC, troca de e-mails, conversas informais no bar da faculdade…) possibilitaram o aparecimento de momentos críticos e reflexivos, onde a capacidade de argumentar e de explicar o “porquê” e o “para quê” das situações sempre se revelou como sendo essencial:
Foi um dia diferente pelo facto de o PO ter vindo assistir à minha aula e às dos meus colegas. Todo este dia foi bastante construtivo por ter incidido em vários aspetos que são
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importantes para qualquer professor de EF em formação inicial. (DB nº11 – Ginástica e Visita do Orientador 11/10 a 23/10)
Apercebi-me, desde início, que o meu PO domina de uma forma muito evidente tudo o que rodeia os modelos de ensino, os estilos de ensino, as estratégias de ensino… Por vezes tornava-se muito difícil seguir o seu raciocínio, pois o meu conhecimento sobre estas matérias, quando equiparado ao do professor, é mínimo:
A imensidão de conceitos referidos pelo professor “engoliu-me” completamente e não consegui acompanhar como queria o seu pensamento. (RA 81-82 / 26 de fevereiro de 2019)
Contudo, posso afirmar que o PO, à semelhança da PC, exigiu de mim e dos meus colegas a possibilidade de nos superarmos e de conseguirmos, mesmo pensando que não, terminar este ano e tudo o que lhe esteve associado, com sucesso e com um sentimento de dever cumprido e de felicidade.
Pergunto-me então se seria possível vivenciar, de igual forma, este ano, se não o tivesse partilhado com a PC e com o PO, aproveitando ao máximo todos os ensinamentos que ambos me proporcionaram. E a resposta é, definitivamente, não. Assim sendo, ao reler tudo o que escrevi neste ponto do meu RE e ao recordar tudo o que vivi ao longo do EP, gratidão é a única palavra que me ocorre escrever neste momento.