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A Propriedade e o Contrato no Estado Social

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CAPÍTULO 2 A FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA

2.2 O ESTADO DO BEM-ESTAR SOCIAL E A FUNÇÃO SOCIAL

2.2.3 A Propriedade e o Contrato no Estado Social

2.2.3.1 A função social da propriedade

Com o advento do Estado social a propriedade passa a exercer uma função social, da mesma forma que os demais institutos do direito privado, tais como o contrato e a empresa.

A propriedade pode ser analisada sob diversos perfis, sendo eles o objetivo, o subjetivo, o estático e o dinâmico.

O perfil subjetivo consubstancia em um direito garantido constitucionalmente, que refere-se aos poderes inerentes da propriedade de usar, gozar, dispor, bem como reivindicar de quem quer que injustamente a possua ou detenha.

Sob o aspecto objetivo a propriedade é um instituto jurídico garantido pelo ordenamento jurídico. Este perfil não se trata do exercício do direito, mas da possibilidade de ter um determinado bem.

O perfil estático considera a propriedade sob a ótica do direito subjetivo do proprietário. Observa-se neste caso a situação jurídica do proprietário, o que se assemelha com o pensamento liberal, pois somente presta a asseverar um direito do proprietário.

Para a propriedade dinâmica o que importa é a análise da utilização da propriedade, pois se avalia o exercício do direito em relação à produção almejada e atingida, estando este perfil ligado à idéia de bens de produção.

A propriedade é um poder atribuído ao proprietário sobre um bem. Ao se referir sobre os bens de produção se avalia não o seu caráter estático, mas sim o seu dinamismo. Por conseqüência, a propriedade deixa de ser um mero poder e passa a ter uma função na sociedade.

A propriedade dinâmica é vista não somente no aspecto do poder, mas como poder (direito) e dever (função). Como poder-dever, haverá imposição de limites no exercício deste direito.

Acerca do perfil da propriedade empresarial, Amaral (2008, p. 79) assim esclarece:

A situação ganha maior relevância frente ao tema do presente trabalho, pois a empresa é inegavelmente a forma mais estruturada dos bens de produção. As sociedades empresárias são uma forma de propriedade em

sua face dinâmica. Tanto a manutenção do Estado como dos indivíduos que o constituem é feita em sua grande parte pelas empresas, as quais empregam mão-de-obra e produzem bens de consumo.

Note-se que a propriedade dinâmica, enquanto bens de produção organizados tem em sua estrutura a força do trabalho humano. O homem passa a ser um dos fatores de produção dessas empresas. A dinamização da propriedade passa a atingir o seio social de maneira direta e, como tal, há de obedecer a certos limites e de cumprir determinados deveres.

Com o objetivo de fortalecer o Estado Democrático de Direito e de possibilitar uma sociedade mais justa e equilibrada, a função social da propriedade é positivada pelo sistema jurídico.

Em um Estado Democrático a positivação da função social da propriedade evidencia a vontade da sociedade em conferir uma destinação em consonância com os interesses sociais, em perfeita observância do princípio da dignidade da pessoa humana.

A função social da propriedade tem a finalidade de contribuir com o desenvolvimento do Estado e a diminuição da pobreza e das desigualdades sociais, devendo assim promover a riqueza social, sendo um instrumento de promoção de objetivos de ordem coletiva.

2.2.3.2 A função social do contrato

Na égide do Estado liberal o contrato era visto como um acordo de vontades, baseado no princípio da autonomia da vontade, sem repercussão na esfera exterior da relação bilateral, sendo um importante instrumento de funcionalização do sistema capitalista.

Neste período, o contrato foi de suma importância para a classe burguesa, pois possibilitava a liberdade de contratar e a plena autonomia da vontade, garantido assim o direito à livre iniciativa.

Na passagem do Estado liberal para o Estado social, o contrato ganha nova dimensão e o princípio da autonomia passa a sofrer influências do entendimento que a celebração do contrato proporciona efeitos fora da esfera particular.

No Estado liberal não havia preocupações que envolvessem o restante das pessoas da sociedade, pois a concepção era que os contratos surtiam efeitos somente entre os contratantes. O Estado social conferiu importância às

repercussões dos contratos no âmbito social, sendo baseado na idéia de solidarismo.

Da mesma forma que ocorreu com a propriedade, os contratos tiverem que se adaptar às necessidades sociais, o que inclusive proporcionou a previsão de novos princípios no ordenamento jurídico a fim de ajustá-lo a esta feição social.

Em virtude da função social, o contrato ganha uma dimensão maior do que a de mero regulamentador da vontade das partes, buscando a igualdade real dos contratantes a fim de equilibrar a relação estabelecida.

O pós-modernismo da disciplina referente aos contratos se consubstancia na internacionalização das relações contratuais decorrentes da globalização. Entretanto, não se despreza as conquistas do Estado social, mas se ajusta a realidade internacional. Uma das formas para realizar este ajuste é mediante a aplicação do ordenamento jurídico de acordo com o contexto social verificado.

Sobre a função social dos contratos, Amaral (2008, p. 79) pondera:

A função social do contrato ingressa no ordenamento jurídico como importante instrumento de adequação das relações contratuais à realidade social, relativizando antigos princípios que, no mais das vezes, representavam prejuízo a uma das partes ou repercutiam negativamente no tecido social.

A autonomia da vontade enaltecida no Estado liberal como uma de suas grandes conquistas não pode mais se aplicada de forma ilimitada. O “pacta sunt

servanda” sofre restrições, pois a sua interpretação decorre de um novo contexto em

que os contratos produzem efeitos fora da esfera privada e este instituto deve ter uma função no meio social.

2.3 A FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA

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