Na última década o direito internacional público sofreu grandes transformações e de modo rápido para facilitar maior entrosamento entre os Estados.
Os países integrantes da OEA – Organização dos Estados Americanos resolveram estabelecer normas sobre a cooperação internacional entre os seus
III - transmitir os pedidos ativos às autoridades estrangeiras e diligenciar seu cumprimento; IV - encaminhar ao CCJI as respostas aos pedidos ativos solicitados pelo Ministério Público Federal;
V - providenciar junto à Advocacia-Geral da União ou às autoridades competentes o atendimento dos pedidos passivos que não demandem decisão judicial para seu cumprimento;
Art. 4.º O disposto nesta Portaria não prejudicará a cooperação informal direta entre o CCJI e órgãos equivalentes de Ministérios Públicos estrangeiros, mantendo informado o DRCI.
Art. 5.º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. MÁRCIO THOMAZ BASTOS
Ministro de Estado da Justiça
ANTONIO FERNANDO BARROS E SILVA DE SOUZA Procurador-Geral da República
ALVARO AUGUSTO RIBEIRO COSTA Advogado-Geral da União
Estados Partes, para a obtenção de elementos de prova e informação a respeito do direito de cada um deles, editando a Convenção Interamericana sobre Prova e Informação acerca do Direito Estrangeiro25, que foi aprovada pelo Decreto
Legislativo nº 46, de 10.4.199526, e promulgada pelo Decreto nº 1.925, de
10.6.199627
.
Essa convenção, de grande importância, traz os aspectos normativos quanto ao uso e definição da terminologia empregada no meio jurídico internacional, relacionada com “a obtenção de elementos de prova e informação” a respeito do direito de cada Estado Parte.
A cooperação internacional na matéria será prestada por qualquer dos “meios de prova idôneos previstos tanto na lei do Estado requerente como na do Estado requerido” e, por conta disso, o próprio ato internacional dá a definição de “meios idôneos”, a saber: a) a prova documental, consistente em copias autenticadas de textos legais com indicação de sua vigência, ou precedentes judiciais; b) a prova pericial, consistente em pareceres de advogados ou de técnicos na matéria; c) as informações do Estado requerido sobre o texto, vigência, sentido e alcance legal do seu direito acerca de aspectos determinados.
As solicitações dos elementos de prova e informação deve conter determinados pré-requisitos que foram fixados no Artigo 5, tais como: a) autoridade da qual provêm e a natureza do assunto; b) indicação precisa dos elementos de prova que são solicitados; c) determinação de cada um dos pontos a que se referir a consulta, com indicação do seu sentido e do seu alcance, acompanhada de uma
25 v. Anexo A. 26 v. Anexo A. 27 v. Anexo A.
exposição dos fatos pertinentes para sua devida compreensão. Traz ainda os acréscimos de que “a autoridade requerida deverá responder a cada um dos pontos que forem objeto da consulta, de conformidade com o que for solicitado e na forma mais completa possível. As solicitações serão redigidas no idioma oficial do Estado requerido ou serão acompanhadas de tradução para o referido idioma. A resposta será redigida no idioma do Estado requerido.”
O Artigo 9, da Convenção, permite que cada Estado Parte designe uma autoridade central, podendo ser modificada a qualquer momento, mas sempre comunicada a Secretaria-Geral da OEA.
Neste tópico da autoridade central, o Artigo 7 da Convenção admite que as solicitações poderão ser dirigidas “diretamente pelas autoridades jurisdicionais ou por intermédio da autoridade central do Estado requerente a correspondente autoridade central do Estado requerido”, o que significa grande avanço na cooperação internacional.
Salienta-se que os Estados Partes não ficarão obrigados a responder as consultas, quando a resposta puder afetar a sua segurança ou soberania.
Com relação a essa Convenção os Estados Membros da OEA firmaram o Protocolo Adicional sobre a obtenção de provas no exterior, traçando os requisitos básicos para a preparação de cartas rogatórias para solicitar obtenção de provas no Artigo 228
, a transmissão e tramitação dessas cartas rogatórias nos Artigos 3, 4 e 529
;
28 Artigo 2 - As cartas rogatórias em que se solicite obtenção de provas serão elaboradas segundo o
modelo A do Anexo deste Protocolo e deverão ser acompanhadas da documentação a que se refere o Artigo 4 da Convenção e de um formulário elaborado de acordo com o modelo B do Anexo deste Protocolo.
29 Artigo 3 - Quando a autoridade central de um Estado Parte receber da autoridade central de outro
Estado Parte uma carta rogatória, transmiti-la-á ao órgão jurisdicional competente para sua tramitação, de acordo com a lei interna que for aplicável. O órgão ou órgãos jurisdicionais que
as custas e despesas das cartas rogatórias, bem assim a obtenção de provas por agentes diplomáticos ou consulares nos Artigos 930 a 13, quanto a estes Artigos o
Brasil formulou reservas, além do Artigo 16.
Essas cartas rogatórias para solicitar obtenção de provas não dependem do
exequatur do STJ, posto que os próprios atos internacionais já estabelecem a sua
tramitação de forma direta entre as autoridades centrais dos países membros da OEA31, principalmente porque referida Convenção e Protocolo Adicional já se
incorporam ao direito interno.
houverem tramitado a carta rogatória deixarão consignado seu cumprimento ou os motivos que o impediram, do modo previsto em sua lei interna, e a remeterão à sua autoridade central com os documentos pertinentes. A autoridade central do Estado Parte requerido certificará o cumprimento ou os motivos que a impediram de atender à carta rogatória à autoridade central do Estado Parte requerente, de acordo com o modelo B do Anexo, o qual não necessitará de legalizaçâo. Além disso, a autoridade central requerida enviará a documentação respectiva à requerente, para que esta a remeta, juntamente com a carta rogatória, ao órgão jurisdicional que houver expedido esta última.
Artigo 4 - Na tramitação de uma carta rogatória, conforme a Convenção e este Protocolo, o órgão jurisdicional que tenha recebido a carta rogatória aplicará as medidas cogentes apropriadas previstas em sua legislação, quando considerar que foram preenchidos os requisitos exigidos por sua própria legislação para que essas medidas possam ser aplicadas nos processos locais.
Artigo 5 - O órgão jurisdicional do Estado requerente poderá solicitar que se lhe informem a data, hora e lugar em que se vá cumprir uma carta rogatória enviada à autoridade competente de um Estado Parte. O órgão jurisdicional do Estado requerido, que irá dar cumprimento à carta rogatória, informará o órgão jurisdicional do Estado requerente sobre a data, hora e lugar, de acordo com o pedido. Os procuradores judiciais das partes, ou seus advogados, podem presenciar as diligências de cumprimento da carta rogatória; sua intervenção sujeita-se à lei do Estado requerido.
30 Artigo 9 - A Convenção não será obstáculo a que um agente diplomático ou consular de um Estado
Parte, no âmbito de sua competência territorial, receba provas ou obtenha informações no Estado Parte onde exerce suas funções, sem que, ao fazê-lo, possa empregar medidas que impliquem coação. Entretanto, quando se tratar do recebimento de provas ou obtenção de informações de pessoas que não sejam da nacionalidade do Estado acreditador do agente diplomático ou consular, proceder-se-á de acordo com o disposto no Artigo 10.
31 Antígua e Barbuda, Canadá, Chile, Colômbia, Dominica, El Salvador, Equador, Estados Unidos,
Granada, Guatemala, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Trinidade e Tobago e Venezuela.