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1 APRESENTANDO A PROBLEMÁTICA E O

1.2 A QUESTÃO EDUCACIONAL EM SANTA

O Seminário Socioeconômico12 revelou a educação como “ponta de lança” no processo de modernização do Estado e, ao mesmo tempo, como “ponto de estrangulamento” desse processo. A educação despontou como um setor desenvolvido assistematicamente e ao sabor dos clientelismos políticos, que direcionavam as ações daqueles que estivessem nas instâncias mais altas desse setor. Reestabelecendo a

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Sob a coordenação da FIESC foi realizado entre os anos de 1959 e 1960 em todo o Estado de Santa Catariana. No decorrer deste estudo lançaremos outras informações sobre esse evento.

discussão iniciada neste subitem, foi então constatada a situação educacional pelo Seminário Socioeconômico e foram estabelecidas 20 metas direcionadas à resolução dos problemas e que deveriam ser alcançadas no governo de Celso Ramos, mas que continuaram em pauta no governo posterior de Ivo Silveira. Evidencia-se, desse modo, uma incongruência, dada pelo desacordo entre necessidade de mão de obra especializada exigida pelo processo de modernização e o ensino deficiente e inapto à sua formação em Santa Catarina.

Silvio Coelho dos Santos (1938-2008), um intelectual antropólogo catarinense que atuou no Centro de Estudos e Pesquisas Educacionais (Cepe)13, como técnico durante seus primeiros anos de existência (1963-1970), ao analisar o relatório do Seminário, explicita que o ensino no Estado oferecia resistências às transformações e era ministrado “num plano imobilista”. Santos (1968, p. 95) observa que “as camadas dirigentes como um todo, somente apoiaram os técnicos enquanto seus planos não implicavam em mudanças globais” e revela mais:

[...] as pressões, os interesses partidários e pessoais, os compromissos pré-estabelecidos entre as agremiações políticas [...] se fizeram presentes e eliminaram todo o conteúdo renovador que as proposições formuladas pelos técnicos encerravam (SANTOS, 1968, p. 95).

Sobre o mesmo problema, os peritos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Jacques Torfes e Michel Debrun (1967), que participaram do Colóquio Estadual para a Organização dos Sistemas de Ensino (Ceose)14, no Documento nº 3 que trata do ensino primário, oferecem outra visão possível: a inexistência

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O Centro de Estudos e Pesquisas Educacionais (Cepe) foi criado em 1963. Este Centro, por meio da realização de pesquisa em educação, fundamentada nos procedimentos teórico-metodológicos das Ciências Sociais, contribuiu para demarcar e configurar o campo educacional em Santa Catarina, na década de 1960. Foi um órgão da Faculdade de Educação (FAEd/UDESC), previsto no Sistema Estadual de Ensino com apoio na Lei nº 3.191, de 8 de maio de1963, em seus artigos 174 e 175.

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“O Programa CEOSE (Colóquios Estaduais sobre a Organização do Ensino), para o qual foi firmado o convênio entre o MEC e a UNESCO, visava oferecer assistência técnica aos Estados, atribuição específica dos departamentos e serviços do Ministério da Educação (DAROS, 1984, p. 97).

de uma filosofia que direcionasse, tanto o pensar quanto o realizar. Assim está destacado no referido Documento:

Deveriam ser equacionados por um Setor de Currículos e Programas e um Setor de Orientação e Supervisão, trabalhando em estreita ligação, devido à dificuldade de separar a consideração do conteúdo ensinado da reflexão sobre a maneira de ministrá-lo (TORFES; DEBRUN, 1967, Documento nº 3, p. 1).

Podemos observar a argumentação sobre o papel e o lugar da educação no fragmento a seguir: “inútil, pois seria qualquer programa de desenvolvimento que omitisse a prioridade alta a lhe ser atribuída nos diversos graus” (SEMINÁRIO SOCIOECONÔMICO, 1960, p. 7 apud SANTOS, 1968). Nesse fragmento, observa-se a importância atribuída a educação, assim como a necessidade de romper com os tradicionalismos15 do sistema de ensino e o do processo educativo catarinense. João Roberto Moreira (1954, p. 13), ao analisar a educação catarinense, afirma que “a organização catarinense de ensino pôde, até certo ponto, atender, de início, às peculiaridades locais mais salientes, de acordo com a filosofia educacional da época, predominantemente intelectualista”. Ao examinar a questão educacional nessa conjuntura, Santos (1968) assinala que era mister a

Formulação prática de uma agressiva política educacional voltada não somente para ajustar o sistema de ensino aos objetivos do programa desenvolvimentista, como também para forçar uma verdadeira mudança na organização social tradicional, especialmente no que se refere aos mecanismos de obtenção de status e poder pelas camadas sociais dominantes (SANTOS, 1968, p. 93-94).

O pensamento de Santos (1968) nos leva a inferir que se esperava que a educação escolar funcionasse como promotora da modernização, caso a sociedade catarinense desejasse experienciar transformações

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Referência de Santos (1968) especialmente ao clientelismo político que geria as relações educacionais na primeira década dó século XX em Santa Catarina, mas que permaneceram também na segunda metade deste século.

sociais significativas, e também as duas questões ainda mais essenciais: a primeira indica a necessidade de elaboração de um planejamento para a educação; a segunda e mais importante, refere-se à premência da formação dos professores catarinenses como agentes principais e capazes de promover a transformação das mentalidades, pela via da educação escolarizada, preparadora para a vida em uma sociedade dinâmica; um argumento que já se fazia presente em discursos do início do século XX. Como já alegamos, a valorização dos recursos humanos constava como meta no Plameg II e no que é pertinente ao setor educacional para atender a tal valorização, criaram-se as condições institucionais16 para a elaboração do primeiro Plano Estadual de Educação (PEE). Este ofereceu “as normas pedagógicas e os procedimentos administrativos ao cumprimento do que dispõe o Sistema Estadual de Ensino” (DAROS, 1984, p. 22). O PEE foi sancionado pela Lei nº 4.394, de 20 de novembro de 1969 e vigorou até 1980.

As questões de normatização do ensino, ainda que imprescindíveis, enfrentaram a aceitação ou não, por parte do corpo docente, na efetivação dos projetos pensados para a educação na década de 1960. Expressou-se, nos governos de Celso Ramos e de Ivo Silveira, a relação essencial entre educação e modernização. Tal relação coloca o problema da formação das professoras/res primários catarinenses, como prioridade, de acordo com nossos argumentos, face ao desejo de sucesso do plano de modernização.

1.3 INDAGAÇÕES... PREMISSAS E OBJETIVOS DO ESTUDO