2 O POSICIONAMENTO DA DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA FRENTE A
3.2 A realidade no Tabelionato de Protestos de Santa Rosa
O serviço do Tabelionato de Protestos de Santa Rosa, tem a sistemática regulada pela Lei 8.935/94, Lei 9.492/97 e a Consolidação Normativa Notarial e Registral da Corregedoria Geral de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, e baseado nesses preceitos, recebe os títulos de crédito e outros documentos de dívida para encaminhamento a protesto, inclusive as duplicatas em meio eletrônico,
que são encaminhadas pelo apresentante para o Tabelionato efetuar sua instrumentalização, e envio ao devedor para dar prosseguimento às etapas do procedimento do protesto.
Para Nancy Raquel Felipetto Malta (2005, p. 30):
Com o advento da Lei 9.492/97, passou-se a admitir não somente o protesto de títulos de crédito, mas também os demais documentos de dívida. A Lei que regulamenta os serviços notariais e de registros de nº 8.935/1994 no art. 11, II, já falava protocolização de "documentos de dívida" para exprimir denotação de títulos de crédito. Em 1997, a Lei de Protestos de nº 9.492 nos arts. 1º e 3º deixou explícita a vontade do legislador em ampliar os títulos sujeitos a protesto cambiário, pela qualificação do "descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida" (Art. 1º da Lei 9.492).
O Tabelião irá analisar dentre os requisitos formais de cada título ou documentos de dívida, conforme artigo 9º da Lei 9.492/97. Na verificação de irregularidade, os títulos ou documentos serão devolvidos ao apresentante. Outro requisito importante é exigir o termo assinado pelo apresentante, responsabilizando- se pelos dados fornecidos, que serão arquivados na Serventia.
Resumidamente, abordaremos os procedimentos práticos que um título ou documento de dívida, necessita para ser encaminhado a protesto para entendermos os estágios a que esses títulos estão sujeitos e sua melhor utilização.
Na apresentação do documento de dívida é conferido se os requisitos formais, em legislação própria estão preenchidos, tais como, não possuir emendas ou rasuras modificadoras de suas características, não cabendo ao tabelião investigar a origem da dívida, falsidade do documento, nem ocorrência de prescrição ou caducidade.
O apontamento é realizado no prazo que é de vinte e quatro horas, obedecendo à ordem cronológica de chegada. O protesto será registrado em três dias da data da protocolização, na contagem do prazo exclui-se o dia do protocolo e inclui-se o do vencimento, conforme a Lei 9.492/97. No Estado do Rio Grande do Sul conforme a Consolidação Normativa Notarial e Registral o protesto será lavrado dentro de três dias úteis, contados da data da intimação do devedor.
A intimação será expedida ao devedor no endereço fornecido pelo apresentante, será considerada cumprida quando comprovada a entrega no endereço fornecido pelo apresentante. Poderá em alguns casos ser por edital que será afixado no tabelionato e publicado na imprensa local, onde houver jornal de circulação diária.
A desistência poderá ser solicitada pelo apresentante, a sustação de protesto será por ordem judicial. O pedido de desistência deverá ser formulado por escrito pelo apresentante, com esse pedido evitará a lavratura do protesto, não cabendo ao Tabelião questionar, apenas acatar a desistência da lavratura do protesto. A sustação judicial é a medida cautelar inominada ou pedido de antecipação de tutela, que obsta a lavratura do protesto, que deverá então ser resolvida na via judicial, ficando o Tabelião apenas como depositário da cártula ou na ausência de cártula aguardando decisão judicial para finalizar o ato.
O pagamento é o procedimento de maior incidência e almejado pelo apresentante, que resulta na satisfação da obrigação. O Tabelionato emite a intimação e o código de barras para que o devedor efetue o pagamento nas agências bancárias ou agências lotéricas. A informação do pagamento será encaminhada via sistema no dia subsequente, juntamente do depósito do valor dos títulos através do banco arrecadador conveniado ao Tabelionato para sua efetiva liquidação.
A lavratura do registro do protesto é feita decorrido o prazo de três dias da data da intimação não havido o pagamento, desistência ou sustação do protesto, se lavrará o registro do protesto, sendo o instrumento entregue ao apresentante com todos os dados e requisitos formais necessários para o devido objetivo da lavratura.
O cancelamento do protesto somente poderá ser realizado após a lavratura do protesto, caso ocorra o pagamento do título ou documento de dívida, após o prazo e ocorrendo a lavratura do protesto, pode-se ser requerido por qualquer interessado, mediante documento exigido para o cancelamento do protesto.
Para entendermos a realidade da duplicata virtual no Tabelionato de Protesto de Santa Rosa, analisaremos a quantidade de títulos de crédito e outros documentos de dívida, apontados e os respectivos atos finais mais especificamente das duplicatas virtuais encaminhadas por indicação, tanto de venda mercantil como a de prestação de serviço no ano de 2012.
A realidade no Tabelionato de Santa Rosa, no ano de 2012 mostra-se condizente com a realidade do estudo da evolução dos negócios informatizados, com 98% dos títulos de crédito e documentos de dívida apontados a protesto são duplicatas virtuais.
No tríduo legal que no Estado do Rio Grande do Sul, que são três dias contados a partir da intimação, excluindo o dia do começo e incluindo o dia do vencimento, são de 56,63% as duplicatas virtuais que são pagas nesse primeiro momento, encerrando assim o procedimento do Tabelionato de Protesto.
As desistências antes da lavratura do protesto são de 16,13%, situação em que pode ser resolvida, já foi resolvida ou provavelmente foi apontado indevidamente.
Referente ao registro do protesto, 26,63% das duplicatas virtuais tem a efetiva ocorrência da lavratura do protesto. Desse percentual ainda temos 40,71% que tem seu protesto cancelado, significa o ato depois da lavratura do protesto, que pode ser realizado mediante documento entregue pelo credor, que obteve o cumprimento da referida obrigação originada do protesto.
Os sustados judicialmente são 0,07% do total de duplicatas virtuais, número que se mostra insignificante com relação à quantidade de apontamentos que são resolvidos na via extrajudicial.
Analisando os dados do Tabelionato de Protesto de Santa Rosa/RS no ano de 2012, verifica-se que a evolução incluída pela modernidade, inseriu o instituto do protesto na realidade informatizada, sem perder os princípios que regem a segurança dos atos, aliado à evolução tecnológica dos negócios, principalmente na
eficiente inserção da duplicata virtual, através do encaminhamento a protesto das duplicatas por indicação.
3.3 Dificuldades e possíveis alternativas
A estrutura da Lei 9492/97 está condizente com a sociedade atual, globalizada e com mudanças, principalmente, relacionadas às atividades negociais que refletem na vida em sociedade.
Para Nancy Raquel Felipetto Malta (2005, p. 37):
A formalidade do Protesto Extrajudicial, amparada na admissibilidade da ampla defesa; do contraditório; do questionamento de existência, valor e dados do título; da constituição em mora fé pública coloca a duplicata virtual em um nível de segurança jurídica elevado. A insegurança jurídica da duplicata virtual quanto à sua existência e veracidade de dados poderá ser considerada suprida pelo complexo processo do Protesto que, como visto, deve pautar-se pelo respeito à ampla defesa e ao contraditório.
Os efeitos da desmaterialização, também influenciam na situação da duplicata simulada, que é a que não corresponde a uma venda efetiva, ou não corresponde corretamente à qualidade e quantidade descriminada, ou ainda não tem origem de uma prestação de serviço, que no meio eletrônico tem uma facilidade de criação, não significando sua utilização, já que o sacador responderá penalmente pela emissão indevida da duplicata.
Nesse sentido, Marcos Paulo Félix da Silva (2009, p. 141):
Mas, se não bastassem os reflexos produzidos pela desmaterialização da duplicata nas esferas do direito civil, cambiário e processual civil, os efeitos do fenômeno já podem ser detectados em outros ramos do direito, notadamente o do direito penal e processual penal. A despeito de atuarem em campos bem diferentes, não é menos verdade que o Código Penal, em alguns casos, tais como no crime de estelionato caracterizado pelo fraude no pagamento por meio de cheque(CP, art. 171, VI) e de emissão de duplicata simulada(CP, art. 172), subordina a definição do delito tipificado à conceituação de títulos de crédito e dos atos cambiários.