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2 O TRABALHO DO PONTO DE VISTA ERGONÔMICO

3 O CONTEXTO DA INDÚSTRIA DE PROCESSAMENTO DE FRANGO E SUÍNO

3.1 A REDE ECONÔMICA DO PROCESSAMENTO DE FRANGO E SUÍNO

A agroindústria é um ramo importante para a economia do país e enfrenta continuamente processos de transformação em sua produção, contribuindo para a empregabilidade, geração de renda e exportações (GOMES, 2002). Nos últimos 30 anos, para alcançar níveis elevados de produtividade, ela obteve um rápido desenvolvimento, reunindo três elementos fundamentais no cálculo econômico do capitalismo: tecnologia de ponta, eficiência na produção e diversificação no consumo (DONDA JÚNIOR, 2002).

As empresas brasileiras têm-se mostrado preparadas para atender à demanda gerada por hábitos específicos de cada país importador, em termos de peso, coloração e cortes específicos. Cabe destacar que, considerando o mercado de carnes como um todo, a demanda por carne de frango foi a que mais cresceu nos últimos anos (JESUS JUNIOR et al., 2007).

As cadeias de produção de carne de frango (Figura 1) e de suíno (Figura 2) destacam-se entre as que mais incorporaram progresso tecnológico nas duas últimas décadas, devido ao seu crescente dinamismo, em razão das mudanças nas características dos produtos, principalmente no mercado internacional, com sensíveis alterações nas escalas de operações. Essas indústriassão compostas pelos seguintes segmentos: seleção, melhoramento e multiplicação de material genético, alimentação e engorda dos animais, abate, industrialização e distribuição dos produtos (SANTINI, 2006).

Os frigoríficos-abatedouros da cadeia avícola e suinícola são estabelecimentos responsáveis pelo abate, elaboração dos produtos e comercialização no atacado. Além disso, no sistema integrado de criação, são responsáveis pela administração e coordenação dos criadores, chamados de “integrados” (JESUS JUNIOR et al., 2007).

Figura 1 - Cadeia produtiva de frango

Figura 2 - Cadeia produtiva de suíno

Fonte: Sebrae (2012).

O sistema de integração, constituído pelas agroindústrias, avicultores e suinocultores, é considerado uma forma de cooperação das cadeias de produção suinícola e avícola para a obtenção da matéria- prima animal. As agroindústrias disponibilizam aos produtores integrados ração, medicamentos, assistência técnica e o material genético, podendo este último item se referir às matrizes ou leitões na

suinocultura, ou ao pinto de um dia, na avicultura. Aos produtores cabe a engorda, em que eles se responsabilizam pelo investimento e os gastos de manutenção de instalações. As empresas líderes da cadeia produtiva exercem a coordenação e o controle das diferentes etapas do processo produtivo e de tecnologias utilizadas.

A integração dos diversos elos da cadeia produtiva de frangos no Brasil criou oportunidades para a formação de um complexo agroindustrial altamente interligado, resultando na conquista do mercado internacional como um dos maiores produtores e exportadores de carne de frango do mundo (TAVARES; SOUSA, 2007).

A suinocultura é uma atividade vinculada à história do desenvolvimento da agricultura no Brasil. A criação de suínos esteve ligada ao processo de colonização em todo o território nacional, com uma maior concentração no Sul do país, por influência da colonização de imigrantes alemães e italianos estabelecidos na região (COSTA, 1993). Estima-se que o país tenha um milhão de trabalhadores envolvidos direta e indiretamente na cadeia de produção de suínos (OLIVEIRA, 2012).

Atrás somente dos Estados Unidos e da China, o Brasil ocupa o 3º lugar como produtor mundial de frango (Figura 3) e o 1º em exportação (Figura 4).

Figura 3 – Maiores produtores de carne de frango

Figura 4 - Maiores exportadores de carne de frango

Fonte: UBA (2009).

Em 2011, o abate de frangos chegou a 5,3 bilhões de animais, um aumento de 5,6% em relação a 2010. Também foi registrado aumento de 7,2% no abate de suínos, chegando a 34,9 milhões de cabeças, setor em que o Brasil ocupa o 4º lugar mundial em abate e exportação. O setor de abate de frango é visivelmente mais concentrado que o setor de criação de suínos. Em 2011, foram abatidas 1.399.571.587 cabeças de frango (26,3%) no Paraná, líder entre as unidades da Federação, enquanto o abate de suínos ficou em 3º lugar, com 6.083.231 cabeças (16,6%) (IBGE, 2012).

Quanto à suinocultura, a participação crescente de novos países no cenário internacional, assim como as incertezas sanitárias e a prática de protecionismo resultam em um processo de dificuldades devido à concorrência que pode afetar negativamente a exportação. Outro fator que afeta a produção é o fato de o consumo de carne suína no Brasil ainda ser pequeno e estar relacionado ao entendimento de possíveis efeitos deletérios da carne suína sobre a saúde do consumidor, resultante de uma série de fatores culturais e educacionais enraizados na sociedade brasileira (HORTA et al., 2010).

A exportação de frango enfrenta constantemente uma competição acirrada de custo e qualidade, sendo que, para não correr o risco de perder o mercado globalizado em termos de produtividade, o custo de produção de um quilo de frango no país é o menor do mundo (SANTINI, 2006). Mesmo com um baixo custo, Zanoni (2009) observou que o agronegócio representou 25% (642 bilhões de reais) do PIB nacional (2,5 trilhões de reais), sustentando 37% dos empregos e 36% das exportações brasileiras.

Há indústrias que fazem o abate e o processamento simultâneo de carne suína e de frango, como ocorre na região oeste do Paraná. Nessa região, em 1970 a criação de suínos era a segunda principal atividade agropecuária de subsistência. Ao agregar a criação e o abate de aves,

transformou-se num complexo agroindustrial, formando a principal atividade da pecuária regional (ALVES; PAIVA, 2008). Assim, os grandes frigoríficos vêm consolidando uma nova paisagem econômica e social nessa região, evidenciando índices relevantes de empregos, com destaque para a microrregião de Toledo, um espaço de acumulação do capital, com expansão da frigorificação de carnes, notavelmente o setor avícola (BELUSSO, 2010).

Viera Júnior et al. (2006) destacam que certas entidades têm um papel importante na coordenação da cadeia produtiva do frango e de seus segmentos, evidenciando um alto grau de organização. Hierarquicamente, a União Brasileira de Avicultura (UBA) é uma entidade institucional que representa a avicultura nacional junto ao Governo Federal, ao Congresso Nacional e ao Poder Judiciário. Ao redor da UBA estão a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Carne de Frango (ABEF), a Associação Brasileira dos Produtores de Pintos de Corte (APINCO), a Fundação Apinco de Ciência e Tecnologia Avícola (FACTA) e a Associação dos Criadores de Avestruz (ACAB), além de todas as associações estaduais, setoriais, as granjas de multiplicação genética, as empresas produtoras de frango de corte e ovos, os frigoríficos, os produtores de perus, os fornecedores de insumos, as prestadoras de serviços e, por último, os sindicatos. Convém destacar o apoio das empresas farmacêuticas, que fornecem produtos, principalmente antibióticos, em vários estágios da cadeia produtiva.

Santini (2006) descreve que uma nova base tecnológica foi criada para a produção dos novos produtos, uma vez que foram necessários equipamentos, capacitações e matérias-primas específicas. Mesmo as linhas de frango inteiro e de cortes sofreram alterações na produção, visando, além de ganhos de produtividade e redução de custos, o alcance de novos mercados com a utilização de equipamentos para o aperfeiçoamento dos cortes e formas específicas de abate para atender à demanda dos países do Oriente Médio.

O crescimento econômico da indústria de processamento de frango e suíno tem desencadeado doenças e afastamento dos trabalhadores, sem perspectiva de melhora das condições de trabalho. Para Antunes (2000), isso pode ser considerado como destruição de forças produtivas.

Mesmo com o sofrimento, adoecimento e afastamento de centenas de trabalhadores, o setor apresentou um lucro líquido de 335 milhões de reais no primeiro semestre de 2008, 63% a mais que em 2007 (SARDÁ et al., 2009).

3.2 O TRABALHO NA INDÚSTRIA DE PROCESSAMENTO DE