4 JUSTIÇA, IGUALDADE POLÍTICA E O FINANCIAMENTO DE CAMPANHAS
4.7 A REFORMA DO SISTEMA ELEITORAL BRASILEIRO
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 182/07 propôs algumas alterações no que tange às doações de empresas para campanhas eleitorais, conforme segue235.
As empresas poderão doar a partidos apenas até 2% de seu faturamento bruto:
a) as doações não poderão exceder a R$ 20.000.000,00;
b) fica vedada a doação superior a 0,5% para um só partido político;
c) pessoas jurídicas que executem obras para órgãos ou entidades da Administração Pública ficam proibidas de fazer doações a candidatos da mesma circunscrição.
Outros pontos se referem a:
a) uso de gravações de áudio destinadas a comprovar crime eleitoral;
b) poderão participar dos debates eleitorais televisionados apenas os candidatos de partidos que tiverem, ao menos, nove deputados federais;
c) fica limitada a 35 dias a propaganda eleitoral gratuita;
d) entre 5 e 15% dos recursos do Fundo Partidário serão destinados ao auxílio de campanhas das mulheres.
O Deputado Rodrigo Maia apresentou, no dia 8 de julho de 2015, um substitutivo propondo alterações em várias regras do sistema eleitoral brasileiro, tais
234BORGES, Bruno Malta. Promessas não cumpridas da democracia. Revista Jus Navigandi, Teresina, ano 18, n. 3814, 10 dez. 2013. Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/26106/promessas- nao-cumpridas-da-democracia>. Acesso em: 25 jul. 2015.
235SOB POLÊMICA, Câmara aprova minirreforma eleitoral. Congresso em Foco, Brasília, 9 jul. 2015. Disponível em: <http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/camara-aprova-minirreforma- eleitoral/>. Acesso em: 10 jul. 2015.
como: limites de doações para campanhas, tempo gratuito de rádio e TV, prazo de campanha, prestação de contas e quantidade de candidatos.
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, rejeitou o pedido de alguns partidos (PT, PSB, PCdoB e DEM) para que houvesse mais tempo para análise da matéria, que, finalmente, foi aprovada sob muita polêmica.
Nesse sentido, podemos asseverar que a tão sonhada reforma política está próxima, pois, nosso sistema eleitoral atual é o proporcional sendo que direcionado a composição do Poder Legislativo.
No Senado Federal utiliza-se o sistema majoritário. As vagas, são, portanto, distribuídas na proporção de votos obtidos pelas coligações e partidos e os candidatos mais votados na lista partidária serão os eleitos até o limite das vagas disponibilizadas conforme cálculos de quociente partidário e suas respectivas sobras.
Pois bem, uma das soluções debatidas para a reforma eleitoral seria a implementação do chamado Voto distrital, ou seja o sistema majoritário aplicado a deputados e vereadores com a divisão do território em circunscrições onde cada agremiação apresenta um candidato por circunscrição e aquele mais votado em dois turnos seria o eleito. Um Estado da Federação, por exemplo, com 53 deputados seria dividido em 53 distritos.
As vantagens desse sistema, vemos em que no atual (majoritário), há voto em determinado candidato e o voto pode beneficiar o outro candidato vez que o somatório dos votos migram para os mais votados na lista da agremiação. O Sistema atual, por incrível que pareça elege candidatos com menos votos e exclui candidatos de maior expressão devido ao coeficiente eleitoral e coeficiente partidário.
Com a implementação do voto distrital, não haverá mais a distribuição de votos dentro do partido, de tal modo que os chamados ‘puxadores’ de votos para uma determinada legenda, que lamentavelmente acabava por eleger candidatos dessas agremiações com votação inexpressiva, acabam por ficar localizados apenas nas circunscrições respectivas.
Por outro lado, facilita-se a comunicação entre o representante eleito, a participação igualitária dos eleitores e evita que o candidato vá ‘buscar’ votos fora da circunscrição, reduzindo-se, ainda, por derivação a questão dos custos das campanhas eleitorais. As campanhas eleitorais tornam-se mais econômicas e desfaz- se a dependência direta de financiadores eleitorais, normalmente empresas com
interesses futuros, e por outro lado reduz-se a corrupção, a corrupção política, e do tráfico de influências.
Dessa forma, os chamados partidos de ‘aluguel’ não farão mais as chamadas coligações pagas com os grandes partidos que de certa feita acarretará num sistema em que se possa ver a governabilidade por um ângulo mais cristalino, pois a função do Poder Legislativo é representar os eleitores e os representantes desses últimos estarão mais próximos do executivo tendo como garantia o equilíbrio no que refere-se a teoria dos freios e contra pesos entre os três poderes.
Na questão governabilidade, os projetos de lei (geralmente elaborados pelo Executivo) passarão com maior frequência a serem propostos pelo poder legislativo e dentro de certa razoabilidade mais próximos dos interesses da população.
No entanto, há críticas a esse sistema como por exemplo: a ) Que o sistema distrital reduziria em muito o número de partidos e talvez um ‘bipartidarismo’. Para esses críticos, o sistema de dois turnos resolveria a questão, pois bipartidarismo ocorre onde a votação seja realizada em maioria simples. Com o voto distrital, acabará o sistema dos ‘puxadores’ de votos e seu respectivo impacto na questão da igualdade política seja por serem os ‘puxadores’ de votos conhecidos ou mesmo na questão de investimentos exacerbados em campanhas eleitorais correlatas e essa espécie de eleição; b) o incentivo ao crescimento do ‘paroquialismo’ político. Mas, a verdade é que a legitimidade e igualdade de participação está na comunidade política e seus verdadeiros valores democráticos e sociais locais, de tal modo que o cidadão é eleitor e decide o que é melhor para ele e sua circunscrição, cobrando dos eleitos as devidas providências para as quais foram efetivamente eleitos.
Assim, com o voto distrital, aproximaríamos a população (eleitor) de seus representantes, eliminaríamos os altos custos das campanhas eleitorais (concentração no distrito) bem como eliminaríamos a questão dos ‘puxadores’ de votos evitando que nosso sistema eleitoral de lista aberta em vigor desde 1945, uma verdadeira raridade nas democracias modernas, proporcione o impedimento da chegada ao poder legislativo dos mais bem votados em detrimento de somatórios de votos e sobras que viessem a retirar da representação popular daqueles que realmente merecem, sem contar que com a redução de gastos, pois, os ‘investimentos’ e consequentemente a corrupção atrelados a essa sistemática eleitoral estaria fadado ao seu termo. Consequentemente, viria essa nova sistemática a amenizar a questão do financiamento privado nas campanhas eleitorais, outro
questionamento quando se fala em reforma eleitoral, pois a governabilidade depende diretamente de como nossos parlamentares foram eleitos, qual a forma, os mecanismos e os meios.
4.8 O ENTENDIMENTO DE NOSSOS TRIBUNAIS A RESPEITO DO