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4 JUSTIÇA, IGUALDADE POLÍTICA E O FINANCIAMENTO DE CAMPANHAS

4.5 SISTEMAS ELEITORAIS NO DIREITO COMPARADO

4.5.2 Espanhol

Na Espanha, o financiamento partidário é tratado pela Lei nº 8/2007 e os gastos eleitorais pela Lei Orgânica nº 5/1985.Ficou estabelecido um limite por doação (e não

178 IDEM. A direita castiga os delinquentes, a esquerda os abraça e lhes dá uma medalha porque roubaram e não dispararam. *** A direita respeita a divisão de poderes, o poder judicial, legislativo e executivo. Cada um por sua conta, não o executivo pisando nos outros dois. ***Com a esquerda populista o executivo manda e o legislativo e judiciário obedecem, o que favorece o crescimento da corrupção. p. 91.

179 IDEM. O calado sorriu e deu-lhes três corações de cartolina, dentro deles havia um menino morto por desnutrição em Chaco ainda que dissessem ser sarampo, leucemia e sufocamento, migalhas debaixo dos tapetes, assim devia intitular-se este livro, mas havia apenas chouriço com pão para muitos e caviar para poucos. O calado, com mãos nos bolsos e jaqueta aberta como capa, abandonou o elevador. Ele havia transmitido a mensagem aos candidatos: um menino morto de fome num país com 40 milhões de habitantes com recursos para alimentar uma população de 400 milhões. p.178-179. 180SANGUINETTI, Horacio. Curso de Derecho político. Historia del pensamiento político universal y argentino Ciência política. Teoria del Estado. 4ª edición. Buenos Aires: Astrea, 2000. p. 375.

‘É muito difícil de definir "política". Todos consciência instintiva de tais fenomemos; mas quando se trata de distingui-los e esclarecê-las, as dificuldades são imensas. Não por causa de planteos abstratas em causa, pouco Práticos, que a falta de interesse. É outro modo. Os infecta política e abrange toda a vida do cidadão comum; as condições e restrições, no entanto "apolítico", ele afirma ser.’

por pessoa). Pessoas jurídicas de economia mista e que tenham contrato com a Administração Pública não podem fazer doações.

Através de lei, votada em 2007, foram aumentadas as subvenções por parte do Estado. Referida lei tinha também o objetivo de aumentar a transparência dos financiamentos partidários. Desta forma, verificamos que a Espanha possui financiamento misto para campanhas.

Apenas os partidos com representação no Congresso Nacional recebem recursos públicos que são distribuídos em função das cadeiras e dos votos de cada partido.

Os gastos eleitorais são reembolsados pelo Estado quando das eleições para o Congresso, Senado, Câmaras Municipais e parlamento europeu.

A Espanha também trata o financiamento eleitoral em lei diversa do financiamento partidário. Gastos eleitorais são tratados na Lei Orgânica nº 5/1985, e finanças partidárias são tratadas na Lei nº 8/2007.181

As eleições para o Congresso de Deputados (a respectiva câmara baixa) são feitas pelo sistema de lista fechada, sendo eleitos 350 deputados. A população é de 46.815.916 de habitantes.182

Só recebem recursos públicos os partidos com representação no Congresso Nacional. Os recursos são distribuídos em função das cadeiras e em função dos votos de cada partido, da seguinte forma: a dotação orçamentária é dividida em três partes iguais, uma delas distribuída aos partidos na proporção das cadeiras obtidas nas últimas eleições para o Congresso e as duas restantes na proporção de votos obtidos pelo partido nas ditas eleições.

Dados de uma auditoria do Tribunal de Contas para 2007 levam a crer que os partidos espanhóis se financiariam em apenas 20% com ingressos próprios.

O Estado subvenciona os gastos eleitorais, por reembolso, para as eleições ao Congresso, Senado, Câmaras Municipais e parlamento europeu. Para o Congresso de Deputados as subvenções se dão da seguinte forma:

181SALGADO, Eneida Desiree. Sistemas eleitorais – Experiências iberoamericanas e características do modelo brasileiro. Belo Horizonte: Fórum, 2012. p. 117-120.

182BACKES, Ana Luiza. Financiamento partidário e eleitoral: Alemanha, França, Portugal e Espanha. Câmara dos Deputados, Consultoria Legislativa, Brasília, p. 15-17, mar. 2013. Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/documentos-e-pesquisa/publicacoes/estnottec/areas-da-

a) 21.167,64 euros por cada cadeira obtida no Congresso dos Deputados. b) 0,81 euros por cada um dos votos obtidos por cada lista que tenha conseguido pelo menos uma cadeira.

Procurando aferir o valor total das subvenções assim definidas, estimamos que os partidos recebem, aproximadamente, 26 milhões e 800 mil euros para as campanhas para a eleição dos 350 deputados.

Além disso, são reembolsados gastos eleitorais originados pelo envio direto e pessoal aos eleitores de propaganda impressa, na base de 0,22 euros por eleitor da circunscrição, desde que a lista tenha obtido o número de deputados ou votos necessário para constituir um Grupo Parlamentar.

Os partidos podem solicitar o adiantamento de até 30% dos recursos que receberam na eleição anterior para o respectivo cargo.

É estabelecido um limite por doação (e não por pessoa).

Nenhuma pessoa física ou jurídica pode doar mais que 10.000 euros para um mesmo partido ou coalizão.

O limite dos gastos eleitorais para deputado é o que resulte de multiplicação de 0,37 euros pelo número de habitantes correspondentes à população da respectiva circunscrição (art. 175, item 2).

A maior parte das províncias tem população entre 1 e 2 milhões, sendo que a maior, Andalucia, tem 8.371.270 de habitantes. Os limites de gastos giram, assim, em torno de 300 e 600 mil euros na maior parte das províncias, sendo que nas maiores, como Madri e Catalunha, com 6 milhões de habitantes, os partidos podem gastar até em torno de 1 milhão e 800 mil euros, e na Andaluzia até 3 milhões e 97 mil euros, nas campanhas para deputado.

Em 2007 foi votada uma lei com o objetivo de aumentar a regularidade e a suficiência de recursos e a transparência do financiamento dos partidos. A nova lei aumentou as subvenções públicas, estabelecidas na Lei Orgânica nº 5/1985, as quais convivem com financiamento privado, de pessoas físicas ou jurídicas, resultando num financiamento misto. É interessante registrar que essa lei resultou em parte do trabalho de uma Comissão Mista para as relações com o Tribunal de Contas. Os trabalhos dessa Comissão geraram inicialmente uma moção aprovada por aquele órgão em outubro de 2001, pedindo a modificação das normas de financiamento e de

fiscalização dos partidos políticos, e depois a lei em tela, a Lei Orgânica nº 8/2007, de financiamento dos partidos políticos.183