• Nenhum resultado encontrado

A reforma

No documento luana da silva almeida (páginas 36-53)

Após longos anos de degradação e abandono, em 13 de maio de 2005 a Praça da República foi cercada por grades, medida esta de responsabilidade da Subprefeitura da Sé, órgão da Prefeitura Municipal de São Paulo responsável pela gestão na região (anexos 1 e 2). Segundo a Prefeitura de São Paulo, tratava-se de um primeiro passo para a retomada da segurança e da revitalização da praça, tomada por vendedores ambulantes sem autorização para comercialização durante o dia e, à noite, por moradores de rua, prostitutas e usuários de drogas. Na ocasião, foi intensificada a fiscalização realizada pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) a fim de evitar a presença de ambulantes no local. Cercada, a praça podia ser visitada apenas durante o dia.

FIGURA 10 – PRAÇA FECHADA POR GRADES

A reforma da Praça da República, bastante necessária e aguardada, em estudo desde a gestão de Marta Suplicy, faz parte de uma série de medidas indispensáveis à recuperação do centro de São Paulo. No início das intervenções, em 2005, o portal da prefeitura noticiava:

Parte do projeto de revitalização do centro de São Paulo iniciado pelas imediações da área conhecida como cracolândia, a reforma da Praça da República deve ajudar a dar uma nova cara à região central, um dos cartões postais da Capital e onde há grande fluxo de turistas, principalmente aos fins de semana. (www.prefeitura.sp.gov.br, 2005)

Neste contexto, o secretário de coordenação das Subprefeituras e subprefeito da Sé, Andréa Matarazzo, ressaltou: “São as primeiras intervenções físicas que vamos fazer na região central e que, seguramente, vão melhorar muito o ambiente para os paulistanos que freqüentam as praças no dia-a-dia e para aqueles que as visitam também” (www.prefeitura.sp.gov.br, 2005).

Um ano após a colocação das grades em torno da praça, o prefeito de São Paulo, José Serra, anunciou em 30 de maio de 2006, o início da revitalização. O projeto previa a reforma das praças República e Sé, com parte dos recursos oriundos do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID e com o objetivo de oferecer à população praças revitalizadas que permitissem sua utilização

como espaços públicos de convivência. Andréa Matarazzo explicou: “(...) serão eliminados os obstáculos físicos, visando facilitar a circulação e a acessibilidade, melhorar a visibilidade e oferecer maior integração dos espaços” (www.prefeitura.sp.gov.br, 2006).

O projeto foi elaborado pela Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) em parceria com o Departamento de Patrimônio Histórico (DPH) e contou com o apoio da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente. O consórcio formado pelas empresas Este Engenharia e Araguaia Engenharia foi selecionado, por meio de licitação, para a execução das obras. Dos R$ 3,1 milhões investidos na reforma da Praça da República, R$ 2,7 milhões vieram do BID e R$ 400 mil da Prefeitura de São Paulo.

FIGURA 11 – PROJETO ATUAL: PRAÇA ANTES DA REFORMA

FIGURA 12 – PROJETO ATUAL: PRAÇA APÓS A REFORMA

FIGURA 13 – PRAÇA REFORMADA - LAGO Fonte: Luana Almeida

FIGURA 14 – PRAÇA REFORMADA

As intervenções ocorreram nos 30.668m2 do espaço, excluindo o edifício Caetano de Campos, sede

da Secretaria Estadual de Educação. Os lagos foram totalmente reformados para o resgate do traçado original. Foram implantados canteiros aquáticos, restaurada a impermeabilização, rebaixada as bordas, reformado o sistema hidráulico e de oxigenação da água. Foi realizado o rebaixamento dos canteiros ao nível do chão, o retorno dos arcos de metal que caracterizavam o desenho original de 1905 e a instalação de blocos de concreto intertravado cinza e vermelho no piso. O coreto também recebeu novos revestimentos e iluminação. A ligação entre as ruas do Arouche e Sete de Abril passou por um processo de despoluição visual, com rebaixamento de grelhas e canteiros e remoção de algumas árvores, transplantadas para outras áreas da praça. Para delimitar a área

entre o edifício Caetano de Campos e a praça, foi criada uma fileira de palmeiras. As esculturas passaram por tratamento especial e receberam iluminação artística. O nivelamento dos pisos visou não somente o aumento da visibilidade, como também facilitar a circulação de pedestres, pessoas com mobilidade reduzida e deficiência física.

“Queremos melhorar a iluminação dos jardins, algo inexistente na praça. Ela está muito feia e deteriorada e a idéia é modernizar e adequá-la à região”, afirmou o subprefeito da Sé em entrevista ao jornal Diário do Comércio, em novembro de 2005. Uma das principais medidas voltadas para o aumento da segurança na República foi mudança na iluminação, já que a existente até então, disposta em postes muitos altos, com dez metros de altura e luminárias tipo pétalas, não iluminava o local a contento, pouco alcançando o chão. Por isso, foram instalados postes menores de cinco metros de altura, com iluminação de vapor metálico branco, abaixo das copas das árvores, as quais receberam poda profilática, de modo a aumentar a segurança para os usuários do espaço. Outra alteração importante foi a eliminação de recortes, becos e vegetação que serviam de esconderijo e a nivelação dos pisos para aumentar a visibilidade dos espaços. De acordo com declaração do vice- presidente da Emurb, Geraldo Biasoto Júnior, ao jornal O Estado de São Paulo, em julho de 2006, isso aumentaria a sensação de segurança dos pedestres. Os antigos banheiros, semi-enterrados, foram demolidos, pois sua utilização sempre foi problemática com depredações, tráfico e ocorrências policiais diversas. Em substituição, serão disponibilizados ao público sanitários universais. A exemplo da medida adotada na Praça D. José Gaspar, também localizada no centro de São Paulo, os bancos foram substituídos por apoios glúteos, a fim de impedir que moradores de rua durmam no local.

Todas as ações para a melhoria da segurança já mencionadas foram complementadas com rondas da Guarda Civil Metropolitana, realizadas com maior freqüência. O gerente de paisagem urbana da

Emurb, Luís Eduardo Brettas, em entrevista concedida por meio de correio eletrônico em 5 de janeiro de 2007, informou que está em estudo a implantação de um posto fixo da Polícia Militar em substituição ao ocupado pela GCM. Em regime de teste, as grades que cercavam a praça desde 2005 foram retiradas. A esse respeito, o subprefeito da Sé comentou: “Vamos esperar para ver o resultado. Se houver degradação, fechamos de novo” (O Estado de São Paulo, 2007).

Prevista para o dia 25 de janeiro de 2007, a entrega da Praça da República reformada foi adiada para o dia 21 de fevereiro de 2007. A Prefeitura chegou a divulgar que a entrega seria um dos presentes para a cidade de São Paulo em seu aniversário de 453 anos. Porém, das três principais obras previstas para a data, Praça da Sé, Praça da República e Expresso Tiradentes, apenas a primeira teve o cronograma cumprido e ficou pronta a tempo para as comemorações. A Praça da República, entretanto, não foi entregue completamente reformada, pois, em função das obras do Metrô para a construção da linha 4, a região em frente e ao redor do edifício Caetano de Campos ainda sofriam intervenções.

A reforma da Praça da República compõe uma série de intervenções no centro de São Paulo com o intuito de resgatar o charme e a beleza da região. Gestão pública e organizações não governamentais têm empregado esforços para integrar entidades privadas e a população na grande empreitada de recuperar o Centro. Segundo Alves,

A requalificação do centro tradicional está pautada num projeto articulado entre a iniciativa privada e o poder público e já está sendo posto em ação. Ainda que esse processo não seja novo (desde final dos anos 80 há tentativas de requalificação de espaços na área central) é com maior ênfase nas últimas administrações municipais (Marta Suplicy-PT-2000/2004 e José Serra –PSDB 2005/2008) que essa parceria público/privada tem sido insistentemente posta como única alternativa para a transformação do centro histórico, de modo a que ele assuma seu papel, enquanto uma

das centralidades de São Paulo, nessa inserção da cidade na rede de cidades globais. (Alves, 2006, p. 4)

O subprefeito da Sé, Andréa Matarazzo, declara ao Jornal da Tarde, em agosto de 2006: “Pelo seu tamanho, São Paulo acabou adquirindo vários centros. Mas há o original, histórico, referência na cidade. Por isso, ele tem de ser vivo, não pode ficar paralisado”. Matarazzo enfatiza ainda que desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2005, foi triplicado o número de lixeiras, foram refeitos canteiros, incentivada a instalação de faculdades e universidades, realizadas reformas das praças da Sé e República, houve a duplicação do número de guardas civis metropolitanos, implantação de 13 câmeras interligadas a centrais de polícias, entre outras ações.

Entretanto, o subprefeito reconhece que ainda há muitos desafios a enfrentar, como o problema dos menores viciados em situação de rua. Para Marco Antônio Ramos de Almeida, superintendente da Associação Viva o Centro, “O centro de São Paulo vive um paradoxo: ao mesmo tempo em que atrai investimentos e possui uma infra-estrutura invejável, tem a gestão delicada. A manutenção, o atendimento social e o policiamento são sempre um problema” (Jornal da Tarde, 2006). Segundo Floriano Pesaro, Secretário Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, há cerca de 12 mil pessoas morando nas ruas de São Paulo e 60% destas estão na região da Sé, isto é, distritos Sé e República. Pesaro informa ainda, em matéria divulgada no website da Associação Viva o Centro (2007), que o Projeto Equilíbrio, desenvolvido em parceria com a Unesp, Hospital das Clínicas e entidades sociais, prestará atendimento psiquiátrico, assistência psicológica e social, ingresso no mercado de trabalho, esporte e atividades culturais a 400 crianças em situação de rua da região da Sé, que tiveram problemas com drogadição.

Guy Perry, arquiteto presidente da IN-IV, companhia multinacional de planejamento estratégico e design arquitetônico, especialista em requalificação urbana, em seminário realizado pela Secretaria Municipal das Relações Internacionais em outubro de 2006, aponta a percepção das pessoas em relação à segurança do centro como um problema para a requalificação do espaço público. Ele ressalta que o Centro tem o menor índice de violência da cidade, mas grande parte da população diz não se sentir segura na região. Tal percepção está refletida na atual orientação da embaixada francesa, que, por meio de seu website, orienta os turistas que viajam ao Brasil a reservar uma quantia em dinheiro para os ladrões. Entre as dicas sobre os locais mais perigosos de São Paulo está a Praça da República. Porém, em conformidade com as idéias defendidas por Perry, o Instituto de Políticas Públicas da Cidades relata:

Do total de ocorrências registradas na cidade de São Paulo, apenas 5,25% dos homicídios, 3,23% dos roubos de veículos, 8,63% dos furtos de veículos e 15,67% dos roubos são registrados no Centro. Comparando os números apresentados, verifica-se que a região central de São Paulo é merecedora de incentivos e programas que propiciem a sua requalificação não somente como local de trabalho, mas também de moradia, lazer e turismo, desmistificando, como vimos, a imagem de insegurança que, até por desconhecimento, é transmitida à população. (Revista IPCC, 2004, p. 29)

Perry, que já elaborou projetos de requalificação para diferentes regiões de grandes cidades como Osaka, Crimélia, Paris, Kiev, Varsóvia e Barcelona, ressalta que é importante que haja investimento para que não existam prédios vazios na região. Para ele, o Centro é convidativo para todas as classes sociais. O prefeito Gilberto Kassab já sinalizou que é necessário investir em moradias na região central. Afinal, o centro possui a melhor infra-estrutura da cidade e a maior concentração de equipamentos culturais, além de ter a menor incidência de violência do município. Cerca de 20 órgãos públicos municipais e estaduais, além de bares e campus universitários têm retornado ou se

instalado no centro, o que contribui para o processo de revitalização (INFORME Viva o Centro. Ano XIV. nov. 2006).

Os esforços empregados até o momento para a recuperação da Praça da República, assim como de outras áreas da região central de São Paulo, necessitam do engajamento e do apoio da sociedade civil para que haja manutenção e valorização destes espaços. Jornalistas reunidos no 2º Networking de Comunicação Viva o Centro, realizado em setembro de 2006 no Terraço Itália, foram unânimes em afirmar que somente com zeladoria urbana eficiente e permanente, resolvendo questões como sujeira, falta de segurança, desleixo com o social, calçadas mal cuidadas e iluminação deficiente, o centro de São Paulo poderá ser definitivamente incluído na agenda dos paulistanos (INFORME Viva o Centro. Ano XIV. out. 2006).

Atualmente, a cidade conta com um projeto de zeladoria urbana desenvolvido pela Prefeitura. Na região da Sé e República, estudantes de arquitetura, selecionados pela Prefeitura, são responsáveis por apontar problemas como, por exemplo, limpeza de ruas, estado de calçadas e poluição visual. Além disso, os “zeladores” podem propor novas idéias e projetos para a área. Esses estagiários recebem R$ 328,00 por quatro horas de trabalho diárias de trabalho. A arquiteta e urbanista Regina Helena Vieira Santos, uma das organizadoras do projeto, declarou à revista Veja, em 2006: “Além de diagnosticar os problemas com uma visão diferente, os estagiários têm a obrigação de cobrar providências do poder público”.

Em outro projeto voltado para zeladoria no Centro, jovens carentes do Glicério, na região central da cidade, recebem formação no curso profissionalizante de Zeladoria e Conservação Patrimonial. O curso faz parte do programa “Nós do Centro”, coordenado pelas secretarias municipais do Trabalho e da Assistência Social, por meio de convênio com a União Européia. Além de aulas técnicas, os

jovens têm aulas de reforço escolar de português de matemática e recebem bolsa de estudo. O projeto seria, então, uma forma de conscientização da população local sobre a importância da preservação do patrimônio público, meio de resgate de identidade e estímulo ao orgulho local. Henrique Meirelles, atual presidente do Banco Central do Brasil e presidente fundador e honorário da Associação Viva o Centro, comenta a respeito do processo de revitalização do centro de São Paulo: “A região central é patrimônio da identidade coletiva e símbolo de referência para que as pessoas reconheçam a cidade, ou seja, centro valorizado é um benefício para todos. Grandes cidades no mundo passaram pelo mesmo processo e alcançaram sucesso” (INFORME Viva o Centro. Ano XIV. nov. 2006).

Paralelamente à zeladoria, o Programa de Ações Locais, coordenado pela Associação Viva o Centro, atua a fim de auxiliar na recuperação e manutenção do Centro. Criado em 1995, o programa conta com o patrocínio da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) e é organizado por ruas e praças, denominadas microrregiões, cujos integrantes voluntariamente levantam problemas, formulam sugestões e articulam parcerias entre o poder público e a iniciativa privada a fim de promover melhorias e boas idéias tanto no aspecto físico quanto na área social, cultural e educacional. O programa é constituído por representantes de empresas, instituições, condomínios, lojas, escritórios e moradores.

Parcerias com a iniciativa privada são refletidas hoje no crescente número de adoção de praças. Tais iniciativas tornam o espaço público mais vistoso e atrai a população e os visitantes. Alguns exemplos são as empresas Maringá Turismo, Itaú, e Votorantin, as quais adotaram respectivamente as praças: Dom José Gaspar, Júlio de Mesquita e Júlio Prestes; Vale do Anhangabaú; e Ramos de Azevedo. Os Correios também pretendem adotar a Praça Pedro Lessa, mais conhecida como Praça do Correio. Para a Praça da República ainda não há parcerias estabelecidas neste sentido.

Entretanto, de acordo com o cenário recente, espera-se que, em breve, algo seja articulado com intuito de auxiliar na manutenção daquele importante cartão postal da cidade.

Em julho de 2006 o Comtur (Conselho Municipal de Turismo de São Paulo) aprovou o projeto da Associação Viva o Centro para que a São Paulo Turismo desenvolva, por meio de parcerias, um Plano de Turismo específico para o Centro. O presidente da Viva o Centro enfatiza:

O Centro precisa estar limpo e cuidado, sem camelôs pelas ruas; tem que haver atendimento social eficaz às pessoas que hoje estão em situação de rua; o turismo exige um plano específico para a área; os edifícios tombados pelo Patrimônio Histórico precisam de manutenção permanente; e é importante a sinergia no Centro para que seus programas sejam acessíveis ao maior número possível de expectadores. (www.portaldovoluntario.org.br, 2006)

Finalmente, em 20 de março de 2007, foi lançado oficialmente o projeto “Turismo no Centro - Plano Estratégico de Desenvolvimento”. Desenvolvido pela São Paulo Turismo com o apoio da Associação Viva o Centro, envolverá alunos de diversas faculdades de Turismo da cidade, entre elas o Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo. Na ocasião do lançamento, em evento realizado no Salão Nobre da emblemática Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, o presidente da SPTuris, Caio Luiz de Carvalho, destacou a importância da iniciativa para a cidade: “São Paulo é turismo urbano. A cultura e a história são o nosso sol e praia. Por isso o Centro se torna ainda mais valioso para a Cidade”. Carvalho ressaltou ainda as melhorias que o projeto trarão para a população da capital: “Afinal, uma Cidade só é boa para o turista quando é boa para o cidadão” (www.prefeitura.sp.gov.br, 2007).

Em visita à capital paulista, o arquiteto David Sim, associado da Jan Gehl Architects, da Escócia, falou ao jornal Diário do Comércio, em julho de 2006, sobre a revitalização em Copenhague, capital

da Dinamarca, onde houve sucesso no processo revitalização com ênfase nos pedestres, e disse que projetos semelhantes podem ser aplicados em São Paulo. Para Sim, o principal é a melhoria do espaço público baseada no aumento da segurança, que inclui locais para as pessoas se sentarem e se protegeram da chuva, e não apenas a diminuição da criminalidade.

Alguns locais como a Praça da República são fundamentais nesse processo, pois, conforme citado por Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá, os shoppings centers podem ser indícios de cidades com problemas. “As pessoas gostam de andar e caminham quilômetros em locais fechados. Elas têm medo de andar nas ruas. Se existirem condições, o número de turistas e pedestres passando pelas ruas aumentaria de forma considerável”, afirmou (Diário do Comércio, 2006).

No período de janeiro a maio de 2006 as Centrais de Informações Turísticas (CITs), administradas pela São Paulo Turismo, entrevistou visitantes que solicitavam informações nestas centrais. Dentre os resultados obtidos, cabe destacar o pouco interesse em visitar a Praça da República. Apenas 0,19% dos entrevistados declararam já ter visitado ou ter interesse em visitar o local. (São Paulo Turismo, 2006). Os dados demonstram a deficiente divulgação da praça e a sua baixa atratividade, possivelmente decorrente da falta de investimentos sofrida nas últimas décadas.

Conforme dados da Associação Viva o Centro:

O Centro Histórico de São Paulo – distritos Sé e República – tem uma área relativamente pequenam apenas 4,4Km2 , ou menos de 0,5% da área total da cidade, mas com uma

concentração de 8% dos empregos formais, 20% de toda a movimentação diária de pessoas na cidade, alta concentração de infra-estrutura e comércio, diversidade de equipamentos culturais e edifícios históricos. Seu papel é fundamental na consolidação da identidade de São Paulo. (www.vivaocentro.org.br, 2007)

Com a reforma da Praça da República e os novos investimentos no Centro espera-se que a praça seja devidamente valorizada e melhor aproveitada, de modo a compor efetivamente o cenário histórico e turístico de São Paulo. É importante que esse espaço público seja de fato utilizado para oferecer lazer e convívio à população e aos visitantes, conforme objetivos diversas vezes divulgados pelas autoridades envolvidas em sua reforma. O secretário municipal de cultura, Carlos Augusto Calil, declarou em dezembro de 2006: “A Prefeitura acaba de aumentar em 38% o orçamento da Cultura, passando de R$ 200 milhões para R$ 276 milhões. (...) Esse investimento deve ter uma importância grande para a cidade e deverá intensificar a programação cultural no Centro”. (INFORME VIVA O CENTRO. Ano XIV dez. 2006). De fato, a Virada Cultural 2007, evento que consistiu em uma maratona de eventos ao longo de 24 horas na cidade de São Paulo, contou com 33% do orçamento da Secretaria da Cultura, segundo informado pelo secretário da pasta ao jornal O Globo (2007), e ofereceu espetáculos diversos para os mais variados gostos. Na Praça da República foram realizadas apresentações de teatro e circo.

FIGURA 15 – VIRADA CULTURAL 2007 – PRAÇA DA REPÚBLICA

Considerando a relevância dos locais públicos a céu aberto, suas aptidões para a exploração como palco de atividades de lazer e entretenimento e como atrativos turísticos da cidade de São Paulo, o presente trabalho, se dedica, pois, a analisar o processo de revitalização da Praça da República e os impactos daí decorrentes, com o objetivo de verificar quais as ações implementadas, tendo-se em conta a relevância histórica do local e sua função como espaço de lazer para o paulistano. Pretende ainda avaliar os impactos das ações sob a ótica dos expositores, visitantes e transeuntes que freqüentam o ambiente, de modo a verificar se as ações trazem benefícios à atividade turística,

No documento luana da silva almeida (páginas 36-53)

Documentos relacionados