A sociedade, a família, a escola são responsáveis pela educação dos sujeitos e isso inclui a formação de leitores. Apesar de todas as dificuldades encontradas no ambiente escolar, a escola continua sendo a principal formadora desses leitores, pois tem o/a professor/a e o/a aluno/a como principais atores desse processo. Ressalta-se que o/a professor/a estimula a leitura quando este/a também é um/a leitor/a, levando o/a aluno/a a perceber que a leitura faz parte do seu cotidiano e que é uma das potencialidades do indivíduo, promovendo o desenvolvimento de várias outras habilidades como: escrita, interpretação e resolução de situações-problemas. Sendo assim, a leitura contribui de forma significativa para formação social e política do indivíduo, ampliando e diversificando visões e interpretação de mundo,
Avaliação: olhar sensível às aprendizagens
Salvador/BA, 15 a 17 de Maio de 2019 FACED/UFBA
viabilizando a compreensão do outro, como também ajuda na reflexão e na construção de conceitos.
A formação de leitores implica também a formação política do sujeito. E alguns autores como Freire (1989) já se adiantavam em dizer que a leitura do mundo é anterior à leitura da palavra, sinalizando que a leitura é um ato político (FREIRE, 1989; LAJOLO, 1999) porque é necessário ter o entendimento do contexto. Assim, quanto mais o sujeito faz uma leitura do contexto tanto mais terá condições de compreendera realidade.
A leitura é, fundamentalmente, processo político. Aqueles que formam leitores – alfabetizadores, professores, bibliotecários – desempenham um papel político que poderá estar ou não comprometido com a transformação social, conforme estejam ou não conscientes da força de reprodução e, ao mesmo tempo, do espaço de contradição presentes nas condições sociais da leitura, e tenham ou não assumido a luta contra aquela e a ocupação deste como possibilidade de conscientização e questionamento da realidade em que o leitor se insere. (LAJOLO, 1999, p. 28)
De acordo com a autora, a leitura é a estratégia eficaz no processo de ensino e de aprendizagem, cabendo aos mediadores pensar nas condições adequadas de leitura, a fim de proporcionar ao aluno/a aprimorar-se na construção do conhecimento significativo. Segundo a autora, muitas vezes se faz necessário um trabalho mais elaborado por parte do/a professor/a, contando com a contribuição da escola em geral, desenvolvendo atividades relacionadas à leitura, conduzindo o/a educando/a ao universo da leitura, formando assim cidadãos leitores.
A prática de leitura pode ser decorrente de uma ação conjunta da escola, inclusive com o desenvolvimento de projetos pedagógicos com foco na formação de leitores. Nestes casos vale lançar mão de metodologias diversificadas que possam estimular, envolver o/a educando/a e servir de motivação para o engajamento desse novo leitor. Neste sentido, vale ressaltar que:
O problema de ensino de leitura na escola não se situa no nível do método, mas na própria conceituação do que é leitura, da forma em que é avaliada pelas equipes de professores, do papel que ocupa no Projeto Curricular da escola, dos meios que se arbitram para fortalecê-la, naturalmente, das propostas metodológicas que se adotam para ensiná-la (SOLÉ, 1996, p. 33). Assim a autora alerta que a forma de ensinar está intrinsecamente ligada a sua concepção de leitura, também à seleção de metodologias adequadas e do modo como éavaliada, e isso tem implicação com a formação de novos leitores. Neste contexto entendemos
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que é necessário o engajamento de todos os profissionais da escola, os pais devem estar cientes do projeto de ensino e de aprendizagem e o/a aluno/a deve ser encorajado/a cotidianamente para se aventurar no mundo da leitura.
Podemos considerar a leitura como uma das mais importantes tarefas que a escola tem que desenvolver, para isso é imprescindível uma escola leitora que tem profissionais com o hábito da leitura. Ou seja, não basta apenas teorizar sobre sua importância de ler e descrever seus benefícios, mas é preciso que os profissionais da escola, em especial, os professores “[...] sintam, eles próprios, o prazer da leitura e que possuam um amplo repertório de leitura [...]” (SILVA, 1998, p. 85), e assim, formar sua concepção de leitura e ter condições de aprimorar a cada dia a habilidade comunicativa.
2.1 LEITURA: PARTE FUNDAMENTAL NO PROCESSO EDUCACIONAL
A leitura se faz presente em nossas vidas de forma muito intensiva desde o momento em que começamos a compreender o mundo à nossa volta. A leitura está relacionada em nossas atividades diariamente, seja no campo familiar, profissional e até no lazer, ela está presente na cultura em geral. O princípio formativo do/a aluno/a leitor/a é que se torne uma cidadã ou cidadão crítico/a, capaz de refletir e argumentar situações vividas no cotidiano, contribuindo assim no desenvolvimento para exercer sua cidadania.
Acerca desse princípio de formar o leitor como cidadão crítico, os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN (BRASIL, 1997) trouxeram essa contribuição, reiterando que o ensino da Língua Portuguesa deveria estar voltado para a função social da língua, no qual se torna requisito básico para que os indivíduos possam construir seu processo de cidadania e integrar a sociedade de forma ativa e com mais autonomia. Ainda segundo os PCN a leitura possui uma função de grande significância no que diz respeito ao processo do ensino e aprendizagem do/a aluno/a, uma vez que a partir do desenvolvimento de habilidade leitora, o/a educando/a possa ser capaz de aprender mais o conhecimento de outras áreas do conhecimento. Embora tais documentos utilizassem o termo “leitor competente”, a justificativa para essa denominação se dava pelo contexto educacional daquela época, na década de 90. Vejamos o que nos diz o documento:
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Formar um leitor competente supõe formar alguém que compreenda o que lê, que possa aprender a ler também o que não está escrito, identificando elementos implícitos; que estabeleça relações entre o texto que lê e outro texto já lidos; que saiba que vários sentidos podem ser atribuídos a um texto; que consiga justificar e validar a sua leitura a partir da localização de elementos discursivos. (BRASIL, 1997, p. 54)
Os documentos citados consideram que a avaliação deve ser de utilidade, tanto para o/a aluno/a, como para o/a professor/a, para que eles possam dimensionar os avanços e as dificuldades dentro do processo de ensino e de aprendizagem. Assim a avaliação se constitui num conjunto de atuações que visam orientar a intervenção pedagógica, devendo acontecer de forma contínua e sistematicamente por meio de interpretação qualitativa.
Este também é o caso da Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB 9394/96 que no Art. 24. Inciso V. define que a avaliação da aprendizagem refere-se à “[...] avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos [...]”. Neste contexto a qualidade pode estar ligada diretamente ao aproveitamento da aprendizagem.
Autores que estudam o tema Avaliação da Aprendizagem como Vasconcellos (2000), Villas Boas (2011) e Luckesi (2011) tem alertado que nas instituições de ensino, ainda continua acontecendo a aplicação de provas e exames como fim do processo de ensino e da aprendizagem. Isso acontece devido à submissão dos sistemas de ensino, que se vinculam aos interesses de percentuais de aprovação e reprovação dos alunos, conforme exigidos pelas instâncias superiores do sistema de avaliação nacional.
Nestes casos, não há um pensamento sobre a aprendizagem da avaliação, mas uma prática de exame que tem como meta mostrar resultados. Dito de outra forma, a avaliação vem sendo empregada visando a promoção do/a aluno/a no final do ano letivo para que repercuta positivamente na elevação dos índices de rendimento escolar, ao invés de garantir a construção de conhecimentos.
O processo avaliativo não deve estar centrado no entendimento imediato pelo aluno das noções em estudo, ou no entendimento de todos em tempos equivalentes. Essencialmente, por que não há paradas ou retrocessos nos caminhos da aprendizagem. Todos os aprendizes estão sempre evoluindo, mas em diferentes ritmos e por caminhos singulares e únicos. O olhar do professor precisará abranger a diversidade de traçados, provocando-os a progredir sempre (HOFFMANN, 2001, p. 47)
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Neste cenário cada educando aprende o conteúdo de forma diferente, assim, a avaliação precisa favorecer a aprendizagem, e como essa aprendizagem é contínua, o ato avaliativo também deve ser. Mas avaliar não é algo inerente apenas ao professor/a. Este deve perceber o quanto de aprendizagem pode construir a partir dos procedimentos avaliativos. Nesse caso, aluno/a e professor/a vão construindo conhecimentos, buscando estratégias que contribua para a aprendizagem do sujeito, permitindo reflexão e orientação na formação.