Segundo Silva (2010), a queda de produtividade juntamente com as queixas relativas a problemas de saúde são os principais sinais de que o conforto térmico não está sendo alcançado por parte dos trabalhadores. É um fato bem conhecido que os fatores ambientais influenciam o desempenho do ser humano (ISMAIL et al, 2010) pois quando esse encontra-se em um ambiente que satisfaz, a produtividade física e mental são aumentadas (EKICI; ATILGAN, 2013). Portanto, os trabalhadores que se sintam confortáveis tendem a trabalhar melhor, aumentando o seu rendimento e majorando a eficácia da equipe de trabalho, o que proporciona um ganho de produtividade (NIEMALA et al, 2002).
Do exposto, sabe-se que em qualquer processo de produção, a preocupação com o conforto é essencial porque as condições ambientais podem afetar significativamente os aspectos sensoriais e psicológicos, diminuindo a capacidade de rendimento (SILVA et al, 2014). Sendo assim, no cenário laboral, o conforto térmico foi diretamente relacionado com a produtividade, tendo atraído a atenção de pesquisadores (LIU et al, 2011; DIAS, 2013). No entanto, essa relação não é simples, dado que diferentes tipos de tarefa podem exigir diferentes estados corporais térmicos para o desempenho ideal (HUMPHREYS; NICOL, 2007). Além de conforto, questões relacionadas a produtividade e saúde dos indivíduos são importantes e suas melhorias tornaram- se uma das principais preocupações da indústria, especialmente nos países em desenvolvimento (ISMAIL et al, 2010).
A relação entre o ambiente térmico e produtividade, bem como a sua quantificação é uma questão cada vez mais pertinente (COSTA; BAPTISTA; DIOGO, 2012) na qual o setor da construção se faz presente. No tocante à construção de edificações, os trabalhadores estão expostos às variações diárias e sazonais do ambiente térmico na medida em que a maioria das tarefas desempenhadas ocorrem a céu aberto, sem haver a possibilidade de climatização do ambiente ou controle de temperatura e umidade. Em sintonia a este fato, o ambiente térmico emerge como poderoso fator que causa impacto no desenvolvimento da construção, fazendo com que a análise das suas variáveis seja da maior importância para o melhoramento das condições de trabalho em obra. Embora existam alguns estudos que relacionem a tríade do ambiente térmico, produtividade e construção, eles são poucos na literatura o que evidencia uma carência de pesquisas no setor.
Com o intuito de diagnosticar as condições de conforto térmico dos trabalhadores da construção civil, alguns estudos foram desenvolvidos na literatura. O modelo proposto por Koehn e Brown (1985), buscou verificar a influência da variação da temperatura e umidade na produtividade dos trabalhadores por intermédio do desenvolvimento de duas equações não lineares. A Equação 2 exibe o referido modelo.
𝑃 = 5,17. 10−2𝑇
𝑎+ 1,73. 10−2𝐻𝑟− 3,20. 10−4(𝑇𝑎)2− 9.85. 10−5(𝐻𝑟)2− 9,11. 10−5(𝑇𝑎𝐻𝑟) − 1,459 (2)
Onde:
𝑇𝑎 é a temperatura do ar; 𝐻𝑟 é a umidade relativa do ar; 𝑃 é a produtividade.
Os autores constataram maior eficiência quando as temperaturas oscilavam entre aproximadamente 10ºC e 21ºC. Por conseguinte, o modelo de Thomas e Yiakoumis (1987) baseou-se em três diferentes atividades, utilizando a temperatura e umidade como parâmetros ambientais. A Equação 3 mostra o referido modelo.
𝑃𝑟= 9,448 + 0,00518𝑇𝑎− 2,89𝑙𝑛(𝑇𝑎) + 3,89. 10−37. 𝑒(𝐻𝑟) (3)
Onde:
𝑃𝑟 é a razão da performance; 𝑇𝑎 é a temperatura do ar; 𝐻𝑟 é a humidade relativa do ar;
Os autores constataram que o modelo apresenta maior eficiência com o valor aproximado de 12,7ºC e com a umidade abaixo de 80%.
Os estudos de Mohamed e Srinavin (2002) relacionam a produtividade dos trabalhadores de edificações com o ambiente térmico por meio de uma adaptação do índice PMV, considerando o conjunto das condições climáticas e a natureza da tarefa a ser desempenhada pelo trabalhador. Ess natureza da tarefa pode ser leve (𝑃𝐿), moderada (𝑃𝑀), ou pesada (𝑃𝐻), conforme evidencia as Equações 4, 5 e 6 respectivamente.
𝑃𝐿= 102 − 0,8𝑃𝑀𝑉 − 1,84(𝑃𝑀𝑉)2 (4)
𝑃𝑀= 102 + 1,19𝑃𝑀𝑉 − 2,17(𝑃𝑀𝑉)2 (5)
𝑃𝐻= 83 + 21,64𝑃𝑀𝑉 − 9,53(𝑃𝑀𝑉)2+ 0,91(𝑃𝑀𝑉)3 (6)
Onde:
𝑃𝑀𝑉 é o modelo Predicted Mean Vote
Os resultados obtidos apontam para um bom ajuste entre as previsões do modelo e os dados reais, porém Liu et al (2011) alerta que o modelo poderia fornecer uma avaliação global sobre a produtividade.
No tocante aos estudos que não conceberam modelos matemáticos porém estudaram as aplicações dos modelos existentes com os dados coletados, destacam-se as pesquisas empíricas de Lopes (2007) e Teixeira (2013) nas quais buscaram estudar a relação entre o ambiente térmico
e produtividade na construção, constatando que de fato o ambiente térmico influencia a produtividade. Ademais, os referidos autores verificaram limitações nos modelos desenvolvidos por Koehn e Brown (1985), Thomas e Yiakoumis (1987) e Mohamed e Srinavin (2002) tendo em vista que esses são adequados aos dados coletados.
Em relação aos demais estudos, tem-se que a pesquisa de Barbosa (2011) debruçou-se sobre três canteiros de obras de instalações escolares, avaliando o ambiente térmico por intermédio do índice WBGT. Diante dos resultados alcançados verificou-se que os trabalhadores estão expostos a sobrecarga térmica causada pela exposição ao Sol que influencia a produtividade, contudo não se conseguiu quantificar valores dessa relação. O estudo de Souza et al (2012) corrobora com essa premissa, dado a constatação que a produtividade é inversamente proporcional ao índice WBGT, a cada 1ºC acrescido. Por outro lado, o estudo de Dias (2013) averiguou que o aumento da temperatura do globo acarreta em um aumento da produtividade na construção, porém não houve correlação de influência com as demais variáveis ambientais. Constata-se assim, que os estudos escassos existentes não direcionam um consenso da temática em suas conclusões.
No mais, os construtos de Kakon et al (2010) verificaram que em grandes edifícios a temperatura do ar e a umidade são reduzidas após uma determinada altura, o que pode vir a favorecer uma maior sensação de conforto térmico, acarretando uma maior produtividade. Em sintonia a isso, o estudo de Teixeira (2013) constatou que com o aumento da altura na qual se processam os trabalhos na construção, os trabalhadores estão expostos a maior velocidade do vento. Nesse sentido, há evidências de que a produtividade varia com ambiente térmico e este varia com altura. Nesse contexto considera-se que a hipótese do acréscimo da variável altura, acarreta benefícios mensuráveis na identificação da relevância do ambiente térmico e na produtividade dos trabalhadores, permitindo, em paralelo, a melhoria das condições de trabalho.
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
O presente capítulo retrata todos os aspectos metodológicos que nortearam o desenvolvimento da tese, descrevendo de forma coerente e minuciosa todas as etapas percorridas.