Fundamentação legal da reparabilidade do dano moral é a mesma de qualquer dano, o artigo 159 do nosso Código Civil: Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência, ou imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano .
A verificação da culpa e a avaliação da responsabilidade regulavam-se pelo disposto no Código de 1916 pelos arts. 1518 à 1532 e 1377 à 1553, e 186, 927/943 do novo Código Civil.
A reparação do dano moral é de natureza civil, por essa razão não se poderia buscar outra fonte de direito, que não fosse o Código Civil. Embora este seja datado de 1916, trouxe em si a projeção de realidade jurídica que se prolongou no tempo, garantindo a reparação do dano moral, sem que dele tenha falado explicitamente, mas referindo-se a prejuízo, sem limita-los à condição da ordem material.
O artigo 159 do Código Civil é repetido pelo artigo 186 do Código Civil de 2002 e serve de fundamento complementar ao dispositivo constitucional, embora anterior à prescrição contida na Magna Carta, pois impõe o dever de indenizar pelo que causar qualquer tipo de prejuízo, não importando a sua natureza. Necessária a utilização do Código Civil no deslinde da questão, pois sendo o Direito do Trabalho direcionado às questões de natureza essencialmente laboriais, cuida das obrigações lícitas pactuadas no contrato de trabalho. É correto que se aplique a legislação civil na busca de uma solução. Embora o Direito Civil cuide de outra dimensão do direito. Embora decorrente da relação trabalhista, sua natureza é civil, por se enquadrar no campo da responsabilidade civil, daí necessitar buscar naquele Código o amparo que resguardará a sua pretensão em ser indenizado. Aliás, o teor do inciso XXVIII, do art. 7º da Constituição deixa claro esse entendimento, remetendo a matéria para o âmbito da legislação ordinária, com a justa compreensão da sua importância.
A responsabilidade dos danos morais causados em razão do acidente do trabalho também está fundada na culpa. Quer no sentido stricto, quer no sentido
lato, porquanto o acidente pode ter causas que ultrapassam os limites da negligência, imperícia ou da imprudência.
Ampliando a segurança quanto à certeza jurídica da reparação do dano moral, temos o art. 76 do Código Civil: Para propor, ou contestar uma ação, é necessário ter legítimo interesse econômico ou moral .
A jurisprudência acolhe esse entendimento, oferecendo guarida à pretensão da reparação do dano, se fundamentada em fato típico:
O direito brasileiro autoriza a reparação do dano moral, como se vê do art. 76 do CC. Embora desperte controvérsia sua admissão, poderosa corrente doutrinária e jurisprudencial a defende, com prestigiosa argumentação TJRJ- 1ª G.C.-Rel. Dês. Costa e Silva j.21.10.81- RT 559/81 (MATIELO, p.199).
A decisão é anterior à Constituição Federal de 1988, entretanto, foi calcada no art. 76 do CC, vigente naquela data, Foi acertada e sua ousadia foi apenas no sentido de aplicar a lei à disposição do julgador.
Preenchidos os imperativos da lei, emerge a responsabilidade civil, cujo efeito é dar origem à obrigação de reparar consubstanciada nos danos emergentes e dos lucros cessantes, definidos, respectivamente, como o que se perdeu efetivamente e o que se deixou razoavelmente de auferir como decorrência do evento lesivo (idem, p.70).
A lei de imprensa também cuida do dano moral, mas essa matéria não interessa ao direito do trabalho uma vez que a ofensa não se dá entre os pactuantes do contrato de emprego. O empregador pode controlar as manifestações escritas ou transmitidas por seus empregados e responderá pelos danos morais por culpa in eligendo. Essa já prevista no Código Civil e o entendimento geral é que tanto o autor da matéria quanto o órgão de imprensa poderão figurar no pólo passivo da ação com vistas à reparação dos danos.
A lei 9.029/95 estabelece proibições a determinadas exigências do empregador para que o contrato de trabalho se efetive ou tenha continuidade. A prática discriminatória, selecionando candidatos em razão da boa aparência, cor, religião, sexo, ou exigindo esterilização ou controle da natalidade, constituem atitudes danosas à saúde física ou psicológica do trabalhador e por essa razão sujeitas a indenização por danos morais.
A CLT, embora anterior às discussões mais recentes sobre dano moral na relação trabalhista, traz em seus artigos 482 e 483 previsões acerca deste, possibilita a rescisão do contrato de emprego por justa causa, quer pelo empregador, quer pelo empregado. Então, o dano moral está previsto desde a edição da CLT, apesar de não haver a previsão legal para a sua reparação, de modo a satisfazer e compensar o sofrimento causado à parte inocente.
Com vigência da Constituição Federal, editada em outubro de 1988, passamos a ter um instrumento jurídico que afirma a possibilidade da reparação do dano moral. Deixa de lado as especulações sobre a possibilidade jurídica da sua ocorrência, antes, entendida como mero exercício intelectual, mas, sem atribuição prática de resultados esperados.
A indenização resultante da provocação do dano moral tem a desempenhar importante papel na ordem social. Seus efeitos ultrapassam as pessoas do autor do dano e da vítima, atingindo vasta camada social e, por essa razão repercutindo de modo positivo, contribuindo com o processo civilizatório que a vida social se propõe. De tal modo é significativa a condenação em tais casos que o aspecto material, referente aos valores financeiros terminam por ficar em segundo plano. O que prevalece mesmo é a atribuição da responsabilidade ao causador do dano moral.
O equilíbrio da nossa existência funda-se em valores diversos. Na atividade social deparamos com parâmetros fixados na ética, na moral e no universo jurídico. A violação de qualquer das normas de um desses sistemas resultará, quase sempre, em uma resposta jurídica, pois não há quem, rompendo a determinação de certas normas éticas ou morais, não tenha que responder perante uma norma jurídica, uma vez que a moralidade, cada vez mais, permeia o mundo jurídico. Assim, a indenização pelo dano moral corresponde ao restabelecimento de uma situação existente antes da ofensa. Certamente, não podemos ignorar que se trata de um argumento teórico e jurídico destinado a dar sustentação a uma realidade ficta.